O Segundo Advento de Dahr'Mogar

3 Parte III - Lamentos e uma Artimanha...


Notas iniciais
Parados e protegidos da chuva, Scylle, Aghnos, Ölgraf, Balghür e Pyghorn se recompõem, tanto da viagem, quanto de seus ferimentos adquiridos, enquanto preparam-se para prosseguir na jornada.

Protegidos da chuva, o grupo adentrou a abandonada fortificação e, tão logo se certificaram que a área onde estavam encontrava-se deserta, Scylle auxiliou Aghnos, removendo a sua armadura e a conferir a extensão de seus ferimentos, suspirando, penalizada.

“... Por Luce... Estás pior do que eu imaginava...” Disse, Scylle, com uma terrificada expressão, sem, no entanto, afastar os olhares dos ferimentos, decidindo-se como tenderia pelos mesmos.

Aghnos, no entanto, riu.

“... Foi só um... arranhão...” Retrucou, o guerreiro, com uma expressão de deboche, o que irritou a barda.

“Hmpf... Não és uma brincadeira! Podias ter morrido, idiota!!” Esbravejou, Scylle, porém o seu rosto começou a ser lavado por suas lágrimas e, logo, ela ficou cabisbaixa, a soluçar.

“... E tudo... por minha culpa...!” Disse, com a voz embargada, Scylle.

Penalizado, Aghnos aproximou o seu rosto com o da barda e, antes que esta percebesse o seu intuito, o guerreiro a beijou nos lábios, fazendo com que ela arregalasse os olhos, surpresa. Porém, aos poucos, Scylle os fechou, aproveitando aquele beijo, ao mesmo tempo em que envolvia a nuca dele com as suas mãos.

“Ow! Os ‘pombinhos’ já acabaram?!?” Questionou, ironicamente, Ölgraf, aproximando-se e rindo ao ver os dois, apesar de ainda se mostrar parcialmente preocupado com os ferimentos do amigo.

“Tsk... péssimo momento, baixinho...” Ironizou, Aghnos, assim que afastou os seus lábios de Scylle e o anão fez uma séria expressão.

“Baixinho és a sua progenitora!” Resmungou, Ölgraf, mas logo ambos riram, com Aghnos a sentir dores enquanto o fazia.

Assim que os risos cessaram, no entanto, Scylle voltou a tender os ferimentos de Aghnos, aplicando um medicamento – como uma solução pastosa – por cima dos mesmos, assim como tentava limpar, o melhor possível, o mesmo. Em seguida que o fez, a barda o envolveu com uma atadura, finalizando a tarefa: não era o ideal e ela bem sabia, porém nem ela e muito menos Pyghorn conhecia algum tipo de magia de cura.

Com um suspiro, ela pousou delicadamente a sua mão sobre o ombro de Aghnos, ostentando uma expressão penalizada e entristecida.

“… Gostaria...” Começou a dizer, Scylle, ainda com preocupação em seu rosto. “… que Cyndell ainda estivesse conosco...” Concluiu, cabisbaixa, a repetir o seu pensamento anterior.

Aghnos mudou a sua expressão, de animada, para uma mais séria.

“... Não tínhamos... como salvá-las. Eram muitos...” Disse, Aghnos, enquanto recordava-se da terrível batalha na base da montanha, cujo o grupo subira para chegar naquela fortificação.

O anão, no entanto, riu, surpreendendo os dois.

“Tch... não se preocupem...” Disse, em um animado tom de voz. “... Apesar de irritante, aquela elfa, amiga dela, é bastante durona!”

Scylle o observou, curiosa.

“... Achas... que elas estão...?” Questionou, a barda e o anão riu, novamente.

“Vivas? Com certeza! As duas sabem se virar!!” Exclamou, animado, Ölgraf, afirmando com bastante veemência. Scylle sorriu, fracamente, desejando compartilhar o mesmo entusiasmo do anão, apesar de não acreditar totalmente que fosse possível.

A verdade é que a barda, cuja sempre participou das aventuras de Aghnos, Ölgraf e Balghür, passou a ter uma visão bem pessimista daquela incursão desde que a mesma se iniciara: suas afirmações se baseavam no objetivo daquela missão, cuja fora ordenada pelo próprio rei de Valdivia, onde eles deveriam encontrar a sagrada espada de Lörhys.

Tal espada, cujo o homônimo guerreiro brandiu, com a benção de Sygurdhia e Zherackinne, foi usada para eliminar as crias de Dahr’Mogar, libertando as terras, desta forma, de seu nefasto domínio.

A grande maioria das pessoas de Arkhania, no entanto, acreditam que tal arma é apenas um mito – uma história apenas –, com o intuito de dar esperanças nas eras das trevas em que as pessoas estavam a viver.

E, havia também outros sinais, como vários incidentes pelo percurso, cujos levaram as vidas de alguns dos bons soldados selecionados pelo rei para acompanhá-los.

Porém, para a Scylle, a perda de Cyndell e Arthilliel fora um golpe bastante amargo para ela suportar: e tal não se limitava apenas a barda, mas, também, para os demais. Apesar de ambas terem se unido ao grupo nesta incursão, todos logo perceberam que a Cyndell representava, para os mesmos, a alegria e a esperança por tempos melhores, mesmo nos piores momentos em que se encontravam, enquanto que a ela Arthilliel representava a determinação, habilidade e destreza, superando – e muito – até o próprio Balghür, cujo se gabava em sua agilidade para se esquivar de ataques.

Agora eles estavam ali, com a barda ainda a lastimar, assim como o próprio Aghnos – em silêncio –, a perda das duas, enquanto permaneciam entocados naquela enorme fortificação, cuja, alguns poucos dos antigos sábios e estudiosos – entre eles, o próprio Pyghorn – afirmam ser o que restou da gigantesca fortaleza de Bor’Ghär, antigo lar de Lörhys.

Tal local, com base nas lendas servia, também, como o seu próprio sepulcro.

Ölgraf e Aghnos conversavam, enquanto que este demonstrava certa animosidade e um pouco de melhora em sua própria respiração, ao mesmo tempo em que Pyghorn estudava o local, observando variados tipos de símbolos que adornavam o portal de entrada – algo que ele próprio ignorou e não percebeu, previamente – e demonstrava admiração e animação, repetindo-se, diversas vezes, tal estado.

Scylle, no entanto, procurou por Balghür e não demorou muito para encontrá-lo: este escalava uma grande estátua central, perfeitamente esculpida, do que parecia ser um homem, com longos cabelos parcialmente encaracolados, sentado em um trono. Tal estátua contava com o adorno de uma coroa, cuja, em seu centro, havia uma pedra vermelha e brilhante.

“Um rubi!” Exclamou, Balghür, se dependurando na cabeça da estátua e, com uma de suas adagas, começava a removê-la.

“!! B-Balghür!!!!” Exclamou, desesperada, Scylle, porém o ladrão não havia percebido quando a ‘cabeça’ da estátua inclinou, emitindo um forte ruído, como o de um maquinário a começar a se mover.

“Ahn?!?” Questionou, o ladrão, com uma expressão surpresa e, tão logo conseguiu arrancar a joia, mais do que rapidamente, se jogou de qualquer jeito do alto da estátua, a tempo de vê-la se mover: o trono seguiu por um trilho no chão, quase imperceptível dada a luminosidade do local, até que a mesma parou e adentrou uma alcova perfeitamente delineada com a altura e largura da mesa, emitindo um novo e forte som.

“O QUE VOCÊ FEZ?!” Questionou, furiosa, Scylle, erguendo Balghür pelos colarinhos de sua vestimenta.

“ME SOLTA!!!” Esbravejou, Balghür, ao mesmo tempo em que se esperneava, no intuito de se soltar: tanto que, não obstante, a barda o libertou, fazendo-o cair.

No entanto, ela não o fez por conta do que o ladrão pedira, mas, sim, pelo fato de que, perto de onde a estátua havia estacionado, uma passagem se abriu na parede, cuja sequer aparentava se tratar de uma.

Quando todos os sons de maquinário se interromperam e o grupo pode ver aquela escura passagem que se abrira, eles logo se entreolharam.

Foi Pyghorn, no entanto, que quebrou o silêncio imposto por eles.

“... Oh... até que... foi proveitosa, a sua artimanha...” Disse, ironicamente, o mago e Balghür, arrumando a sua blusa por dentro da leve armadura de couro que trajava, fez-se de importante, enquanto demonstrava desdém para Scylle.

“Tch... de nada, então...” Disse, o ladrão, voltando-se para a passagem que havia se aberto e, em seguida, aproximou-se sorrateiramente da mesma.

Scylle bufou, porém precisou aceitar que Pyghorn estava com razão: não o suportava pelo fato dele ser, boa parte do tempo, deveras arrogante, mas compreendia que ele podia se revelar muito útil, graças as suas habilidades.

Aghnos e Ölgraf pegavam as suas armas, prontos para o que viesse daquela passagem.

— Continua -

Notas finais
Foi um dos capítulos curtos que escrevi da história, mas gostei de elaborar e mostrar o relacionamento de Scylle e Aghnos, assim como o feito do ladrão. Também foi um capítulo escrito sem a utilização dos dados, pois as decisões eram mínimas, aqui.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.