Notas iniciais
Nome do Capítulo: Você É A Minha Luz.

*Narrador on*

Luz estava sentada no banco do ônibus quando recebeu a mensagem da mãe que lhe dava uma noticia muito boa: eles iriam voltar para Santa Felicidade. Ela não aguentava mais aquela cidade... Achava ela muito barulhenta e movimentada. Havia muitos carros e prédios, ela chegou à conclusão de que não pertencia a cidades grandes.

Ela havia mudado muito, mas nem comentou nada com a Agatha, não queria levar a bronca que sabia que ela iria lhe dar. Seu cabelo que estava vermelho quando ela saiu da cidade agora estava castanho escuro, com mexas rosa de um lado da cabeça. Seu jeito de menina meiga e doce desapareceu, dando lugar a uma garota muito mais determinada e rebelde. Nesse mês que passou aqui ela aprontou muito. Desde responder o professor passando por fazer uma tatuagem até fugir com as amigas no meio da noite para uma balada. Suas roupas mudaram completamente aquela menininha que só usava roupa de marca e nada que fosse mais curto que o joelho, agora usava roupas como essa (http://www.polyvore.com/segredo_dos_anjos_roupa_da/set?id=110867611) que era a que estava usando no dia em que foi para o cais. Onde ela passava as pessoas olhavam. Ela era o centro das atenções, finalmente. Pegou sua mala rosa e sua bolsa preta e foi para junto dos pais enquanto eles arrumavam as bagagens dentro do barco deles. Deixou sua mala lá e entrando no barco pegou o celular e o fone para ouvir Nickelback, encarou a tela pensando se mandaria ou não mensagem para a Agatha. Animada decidiu fazer uma surpresa, chegando lá sem avisar ninguém que estava voltando.

Passou viagem inteira ouvindo rock não muito pesado e dormindo, não era muito longe, mas também não era assim tão perto. Chegou lá e a cidade estava quieta e tranquila, era quinta-feira, dia de jogo dos meninos no campinho. Ajudou os pais a colocar as coisas no carro que haviam trazido no barco também e avisou que estava indo ao campinho, com esperança que Rafael estivesse jogando também.

Passando na rua ninguém a cumprimentou, mas ela passou dizendo oi e boa tarde a todos que encontrava na rua. Todos eram conhecidos, mas não a reconheciam. Chegou ao campinho e os meninos estavam jogando bola. Lucas, Jonas, Gabe, Edu, Thomas, Alex, Gui, Bruno, John e um garoto que ela não conhecia dividiam-se em dois grupos na quadra. Havia duas garotas conversando na pequena arquibancada, a Gi e a Thais. Elas eram muito amigas da Luz quando ela foi embora, por isso luz caminhou até elas e se sentou ao lado da Gi.

– Eles são bons, hein? — comentou luz olhando para o campo.

– Sim eles... — começou Gi, mas parou quando viu quem era. — Ai meu deus! Luz é você?

– Em carne e osso — falou luz a abraçando e depois a outra amiga.

– Ai meu deus, o que você fez? — perguntou Thais reparando no estilo dela.

– Eu mudei — disse luz mostrando a tatuagem no braço. As duas a olharam surpresas. — E a Agatha como ta?

As duas se entreolharam. Não sabiam o que dizer, até onde contar, por isso Gi falou:

– É melhor o Lucas te contar.

Thais levantou e gritou para o Lucas. Os outros meninos se aproximaram também. Eles olharam surpresos para Luz e todos a cumprimentaram.

– O que você ta fazendo aqui menina? — perguntou Bruno, a abraçando, que era como um irmão para ela.

– Meus pais decidiram voltar, mas e a Agatha? Como ela esta, faz dias que ela não me responde — disse ela. Os meninos se entreolharam, ela notou que havia algo errado. Preocupada perguntou — O que aconteceu?

– Ela... — começou Lucas

– Ela esta bem, mas viajou faz pouco tempo. — disse Gabe, não sabia por que tinha feito isso, mas a expressão de preocupada sumiu do rosto da menina. Ficou conversando com os garotos e depois foi embora para casa. Ficou jogada no sofá, ainda encapado, e mandou uma mensagem para Agatha dizendo que estava na cidade. Decidiu mandar uma mensagem para Rafael, para ver como ele reagiria ao fato dela ter voltado.

"Oi Rafa, tudo bem? Então eu to na cidade e estava pensando se você esta ocupado hoje?"

Ela encarou o celular e apertou na tecla para enviar, segundos depois ela se arrependeu. Se ele não respondia a ela antes, por que faria agora? Jogou o celular em algum canto e foi tomar um banho. Vestiu-se com isso (http://www.polyvore.com/roupa_da_luz_segredo_dos/set?id=116959584) e se sentou no sofá. Ela estava sem nada para fazer, o computador e a TV ainda não haviam sido ligados. Ela sentiu algo vibrar embaixo dela e achou o celular no meio das almofadas do sofá. Eram mensagens do Rafael, três na verdade.

A primeira dizia:

"Oi pequena, como você está? Eu não to ocupado não. Pq?"

A segunda:

"Ei, quer jantar hoje comigo? Passo te pegar as oito”.

E a terceira:

"To saindo daqui. Mais uns dez minutos já chego”.

Ela arregalou os olhos com as mensagens e viu que a ultima tinha sido enviada há dez minutos, a qualquer minuto ele poderia chegar. Quando ela se levantou do sofá para subir se ajeitar a campainha tocou e ela deu meia volta para atendê-la. Ela caminhou calmamente até a porta e a abriu, revelando um Rafael de terno e com um buque de rosas brancas em uma mão e o celular na outra. Ele levantou os olhos do celular para ela e se assustou com a mudança no visual da garota.

– Luz? Nossa — falou ele surpreso e notando a roupa dela perguntou — Ahn você não recebeu minhas mensagens?

– Eu acabei de receber, não quer entrar enquanto eu me arrumo?

Ela abriu mais a porta e ele entrou. Ela trancou a porta logo atrás dele e não podia acreditar no que estava acontecendo.

"Rafael Darway estava parado no meio da minha sala empacotada com um buque de flores, me esperando para jantar" ela pensava a cada segundo.

– Espere aqui, ta bom — disse ela se virando para ir para o quarto e parando no meio do caminho e dizendo — Eu já volto

Ela correu e se arrumou (http://www.polyvore.com/roupa_da_luz_segredo_dos/set?id=117008965) e desceu as escadas sorrindo alegremente. Ela chegou na sala e Rafael estava sentado no sofá falando com o pai dela. Eles discutiam sobre os políticos e seu pai parecia estar satisfeito com a conversa.

– Vamos? — perguntou Luz, parada ao lado de Rafael, que virou para olhar para ela. Uma expressão de surpresa passou por seus olhos, mas logo sumiu, deixando apenas um sorriso como vestígio.

– Vamos sim. — ele se levantou e estendeu a mão para o pai da luz que apertou sua mão firmemente. — Foi um prazer conhece-lo senhor Price.

– Cuide bem da minha garota — disse Augusto Price, pai da luz.

– Menos pai — disse Luz revirando os olhos. — Volto antes da meia-noite.

Com isso luz saiu de sua casa com Rafael atrás. Ele ainda carregava o buque. Ele destrancou a porta de seu porsche e a abriu para que Luz entrasse no carro. Ela sorriu tímida para ele e entrou no carro. Ele fechou a porta e foi para o outro lado, entrando e fechando a porta atrás de si. Ele se virou para encarar ela. Ele entregou o buque para ela e ela aceitou, dizendo que eram lindas. Eles foram conversando sobre a vida em Floripa até que chegaram não no restaurante, mas em uma mansão com portões e cercas de ferro. Dentro dos limites da cerca havia um jardim muito bem cuidado que estava totalmente iluminado.

– Eu pensei que íamos ao restaurante — disse Luz olhando maravilhada para a mansão.

–Quis te fazer uma surpresa — Ele entrou pelo portão e seguiu um caminho ate uma garagem. Lá ele deixou o carro e levou Luz por uma escada iluminada por castiçais cheios de velas ardentes. Ele a conduziu pelas escadas ate uma sala enorme com vários quadros decorando as paredes e grandes janelas que levavam a uma sacada com vista para o belo jardim.

Enquanto andavam, ele falava com orgulho e paixão das conquistas e desafios que sua família teve que enfrentar para conseguir construir tudo aquilo. Seu tataravô participou ao lado do povo da revolução francesa e anos depois da guerra saiu em uma viagem pelos mares junto com sua família. Eles encontraram a ilha que já havia sido fundada e decidiram ficar por aqui e construir essa mansão que ate hoje pertencia à família dele.

– Aqui é o salão onde eram realizados os bailes da cidade, foi aqui que meus avós se conheceram, não é usado mais, mas ali ficava a banda — disse ele apontando para um lugar e depois indicando outros — Ali as comidas e por aqui é a cozinha. — Ele atravessou o salão com Luz ao seu lado e a levou ate a cozinha que ficava a direita de onde ele disse que ficava a banda. E lá estava uma cozinha enorme com apenas duas cozinheiras trabalhando. Um cheiro maravilhoso chegou ao nariz de Luz. — Gostoso o cheiro, não é?

Ela assentiu com a cabeça e ele se aproximou da cozinheira mais velha, a abraçando por trás e recebendo um beijo dela na bochecha.

– Essa é dona Leila — disse ele — Dona Leila, essa é a Luz que eu lhe falei.

– Menino! Eu pensei que estivesse usando metáforas. — disse ela colocando a mão no rosto dele — Muito bonita você.

– Obrigada — disse Luz.

– Foi ela quem me criou, tudo o que eu sei devo a ela — disse ele a abraçando.

– Exagero, eu só o ensinei a roubar doces escondido — disse ela, fazendo luz rir timidamente. De repente se sentiu incomodada, não esperava que ele lhe apresentasse a mulher que criou ele.

– Como eu disse tudo o que eu sei — falou ele entregando um pedaço de algo para luz. E saindo da cozinha rindo. Luz nunca tinha o ouvido rir, mas amou o som. — Experimente, é bom.

Luz mordeu e sentiu um gosto maravilhoso invadir sua boca. Ela fechou os olhos para saborear. Tinha um gosto doce e ao mesmo tempo azedo. Se desmanchou depois de alguns segundos na boca.

– Nossa que delicia — disse ela mordendo mais um pedaço. — O que é?

– É um doce de guaraná, eu acho — disse ele colocando outro na boca — Eu amo isso.

Ele estava levando ela para uma porta discreta no canto da cozinha. A porta era tão simples, que chamava atenção apenas pelo fato da madeira usada ser lisa e a maçaneta prateada, ao contrário das outras. Ele abriu a porta e ali se revelou um corredor com tochas iluminando as paredes e entre elas havia portas. Ela imaginou se alguma delas seria o quarto dele, mas logo afastou esse pensamento, ainda não tinha caído a ficha de que ela estava na CASA dele. Uma duvida surgiu em sua cabeça:

– Você disse que foi ela quem criou você — disse Luz olhando para ele. — Eu nunca vi você com os seus pais nem nunca ouvi falar deles, o que aconteceu?

Ele parou, como se tentando processar o que ela disse. Ela não conhecia ele há tanto tempo quanto o Lucas e a Agatha, eles conheciam essa história. Ele quase nunca falava sobre isso, ninguém falava.

– Eles... — começou ele, cuidando com o que ia dizer. Não era algo que ele gostava de falar e nem tinha orgulho daquilo. Sua voz estava sem emoção quando completou: — É uma história complicada, mas resumindo minha mãe fugiu com outro homem quando eu era pequeno e meu pai está morto.

– Sinto muito — disse ela, colocando uma mão em seu ombro e o olhando com solidariedade.

– Não sinta — disse ele recomeçando a andar. — Eu não me lembro deles.

Ele abriu outra porta para ela e ali eles chegaram a uma sala muito simples. Havia janelas como as do salão, com cortinas grossas e vermelhas. Havia uma lareira e dois sofás. A decoração era surpreendente em todos os cômodos podia-se ver quadros com retratos de pessoas da família e ali não era diferente. Nas paredes do lado direito da lareira estavam as mulheres e do lado esquerdo os homens e no meio havia o retrato de uma mulher morena com os cabelos até a cintura, com olhos pretos profundos e uma pele pálida, vestida com um vestido branco de seda e segurando um bebê recém-nascido envolvido em uma manta azul que estava com os olhos fechados. Atrás dela estava um homem muito bonito, com os olhos iguais aos do Rafael, com um cabelo muito loiro e uma pele morena, vestido como um imperador e ao lado dele estava um menino com um lindo sorriso no rosto, seus olhos brilhavam igual ao do homem mais velho e estava vestido de forma semelhante. Luz ficou encantada com aquele retrato.

– São meus pais — disse ele encarando o retrato também, não tinha emoção alguma na voz. — Eu sou o bebê do retrato. Devia ter uns seis meses quando foi pintado. Dois anos depois ela foi embora. E um depois papai morreu.

– E o outro garoto no quadro? — perguntou luz curiosa ainda olhando para a pintura.

– É meu irmão Nicholas — disse ele com um sorriso no rosto — É meu melhor amigo e uma das pessoas mais gentis e bondosas que eu conheço. Ele diz que mamãe também era assim.

Luz sorriu e ele disse

– Vamos comer? — perguntou se animando novamente e levando-a por mais uma porta que revelava uma sala de jantar no mesmo padrão dos outros cômodos. Havia outra porta aberta que levava à cozinha. Luz olhou para ele com uma pergunta nos olhos ele riu e disse:

– Eu queria te mostrar a sala.

A cozinheira mais nova trouxe a comida e colocou na mesa que já estava posta. Rafael puxou a cadeira para que luz se sentasse. Ela se sentou e ele sentou a sua frente.

– Bom apetite — disse ele antes de começarem a comer. Durante o jantar eles conversaram sobre o que tinha acontecido na cidade enquanto ela esteve fora. Com uma taça de vinho na mão ele comentava:

– As coisas que tiveram mais impacto, por assim dizer, foi que os pais do Alex se casaram de novo, a delegacia pegou fogo e a Agatha, que sumiu.

Luz engasgou.

– Como assim ela sumiu? — perguntou luz pousando o garfo no prato. Seu coração começou a pular no peito, por que os garotos não falaram nada para ela?

– Você não sabia? — perguntou Rafael surpreso. Ela negou com a cabeça tomando um gole de água — Fazem poucos dias ainda, a policia toda esta atrás dela e o Lucas montou um grupo para ajudar nas buscas — disse ele com desdém — Não vai dar em nada isso dai.

– Mas Meu Deus, por que eles não me contaram? — disse ela decepcionada.

– Eles não quiseram te preocupar — disse ele tocando o braço dela gentilmente

Eles terminaram de jantar e ele a levou ate uma das sacadas que rodeavam a casa.

– Que linda a lua — disse Luz se virando para ficar de frente para ele.

– Você é linda — disse ele colocando a mão no rosto dela e passou a mão pelo cabelo dela — Por que você fez isso?

– Eu... — começou ela desviando o olhar — Eu queria esquecer, começar tudo do zero. Comecei pintando o cabelo, fiz amizades no colégio e fiz essa tatuagem — falou ela mostrando a do braço. Ela não se sentia orgulhosa em mostrar. — E depois coloquei esses piercings — ela ergueu o cabelo mostrando a orelha.

– Essa não é você Luz — disse ele a encarando

– Então quem sou eu?- perguntou se virando para o jardim com lágrimas brotando em seus olhos. Ele segurou em seu queixo e a fez encarar seus olhos. Eles brilhavam com uma emoção e uma intensidade que ela nunca tinha visto — Me diga. Como eu sou se não isso?

– Você é doce, meiga, inteligente, e não isso que você fez para impressionar algumas pessoas.

– A única pessoa que eu sempre quis impressionar era você — disse ela com a voz falhando. Uma lágrima escorreu de seu olho. Ele passou um dedo para limpa-la.

– Eu fui mal com você — disse ele sem encarar os olhos dela — Não percebi a pessoa que você era. Mas então você se mudou e eu notei que você é a minha esperança — disse ele colocando as duas mãos em seu rosto, uma de cada lado e se aproximando lentamente. Ela ouvia cada palavra que ele dizia e encarava seus lábios carnudos — Você é minha, Luz.

E com isso ele a beijou como ela havia sonhado tantas vezes antes. Rezou para que não fosse um sonho, para que não acordasse a qualquer momento e tivesse que se arrumar para a escola.

– Me perdoe — disse ele colocando sua testa na dela e limpando mais algumas lagrimas que haviam escorrido pelo rosto dela durante o beijo.

– Eu já te perdei — disse ela o beijando mais uma vez.