O Segredo do Anjo
30 You Lost!
Notas iniciais
*Agatha on*
Quando os gêmeos deixaram a sala, eu já tinha um plano na minha cabeça. Meu coração, de repente, se apertou de um jeito assustador. Minhas forças se esvaíram e eu caí de joelhos no chão.
Caio se aproximou mais de mim, notando que algo estava errado. Eu tinha que controlar minhas emoções, não podia deixar transparecer que algo estava errado. Me levantei e sem intenção me segurei no ombro de Caio.
– Você está bem? – perguntou Caio me segurando. Uma desculpa surgiu na minha mente.
– Não estou, Caio – falei com a minha voz rouca. – Me diga por que você precisa de mim.
– Não, você não pode saber! – disse ele me largando e virando as costas pra mim. Meu coração se apertou novamente, algo com Lucas estava errado. O próximo aperto me fez gritar. Caio me segurou antes que eu alcançasse o chão. – Desculpe-me Horan.
– O que você fez, Caio? – percebi que estava conseguindo fazer com que ele falasse e ele iria chegar ao ponto que eu queria saber.
– Eu juro, não foi culpa minha – disse ele com lágrimas nos olhos. Mais uma vez quase caí. Eu chorava desesperadamente. Ele me olhou desesperado – O que você tem Agatha?
– E-eu estou doente – falei olhando pra ele. Seu coração disparou ao ouvir isso e ele me colocou sentada na cadeira que antes ele estava sentado – Estou morrendo, Caio.
– Não, não, não. – disse ele e lágrimas escorreram por seus olhos – Você não pode morrer.
– Mas... – comecei a dizer, mas fui interrompida por outra pontada de dor no meu coração que foi mais forte do que as outras e me fez gritar ao me encolher mais ainda. Acabou. Ele morreu. Comecei a chorar compulsivamente. Não iria aguentar viver sem ele. Eu realmente estava morrendo. – Eu vou morrer.
– Não Agatha – disse ele respirando fundo e se aproximando mais de mim – Deve haver algo que nós possamos fazer.
Ele me abraçou e mesmo tendo ódio dele no meu coração aceitei seu abraço. Meu amor havia morrido, não restava mais nada que eu pudesse fazer. Ele se afastou um pouco de mim e olhou nos meus olhos, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. Ele estava muito perto de mim.
– O que eu posso fazer para você parar de chorar? – ele sussurrou. Era como se eu pudesse ouvir a voz do Lucas me dizendo aquilo quando minha mãe morreu. E agora ele se foi.
“Você pode estar errada Agatha” disse uma voz no fundo da minha mente, a qual eu ignorei. Depois me concentraria nisso, notei que os passos do lado de fora da porta haviam cessado.
– Me conte. Por que você precisa de mim? O que você quer? – apelei para o emocional, pude sentir que ele estava meio hesitante, ele desviou o olhar do meu – Me fale a verdade.
– Agatha, você não precisa saber disso. Eu...
Percebi que ele iria trocar de assunto então fingi uma dor ainda mais forte e gritei agoniada, me encolhi não deixando ele se aproximar.
– Por favor – sussurrei de olhos fechados.
– Eu... – começou ele – Eu nem sempre fui o que eu sou, sabe?
– Como assim? – perguntei o olhando ainda encolhida.
– Eu estou caindo, Agatha. Me tornando um anjo caído. – eu ia perguntar se isso era ruim, mas ele me interrompeu – Sim, isso é muito ruim. Eu fiz muita maldade durante a minha vida. Tanta que nenhum ato poderia me salvar. Pelo menos era isso que eu achava. Descobri como reverter essa situação, que já havia acontecido antes. Eu precisava encontrar uma Protetora e deveria fazê-la me amar.
“No momento em que eu te vi, não sabia sequer se você seria uma Protetora, mas eu deveria tentar. Me aproximei de você, nos tornamos ótimos amigos, mas uma garota tinha que estragar tudo”
“Quando Luz chegou na cidade eu fiquei confuso. Ela também tinha as características que a Protetora que deveria me amar deveria ter. Mas ela me amou no mesmo segundo em que me viu.”
“Então aquela noite aconteceu...”
– Espera – falei confusa – Do que você está falando? Nunca fomos bons amigos. Você sempre estava com o Rafael e eu nem te conheço direito e a Luz jamais olhou pra você!
Ele deu um sorriso segurando minha mão.
– Eu sou o Rafael, Agatha.
– Eu – comecei – Eu não entendo. Como você pode ser o Caio e o Rafael ao mesmo tempo?
– Eu não sou o Caio. Aquele garoto teve o que merecia. – disse ele com desgosto.
– O que você fez? — falei temendo.
– Agatha, deixe-me explicar tudo e por favor não me interrompa. – disse ele. Eu apenas acenei — Quando eu cheguei na cidade, eu procurava por Protetores que pudessem se encaixar na profecia.
"E Caio era um Protetor. Mas eu não sabia disso no inicio. Quando nós nos afastamos ele foi esperto o suficiente para de aproximar de mim, sem deixar que eu percebesse que ele era um Protetor. Ele era habilidoso, sem duvidas"
"Tempo vai, tempo vem. Ele passou a confiar em mim. Um erro que ele não deveria ter cometido. Eu já sabia que você era uma Protetora e já planejava como capturar você quando ele me confessou que sabia dos meus planos. Ele achava que tinha tudo sob controle e que conseguiria me pegar. Tolo."
"Deixei que ele continuasse com aquela brincadeira até o momento em que ele achou ter me capturado. Nesse momento eu o matei. Não podia cometer o erro de deixa-lo solto sabendo tanto.
"Mas eu precisava de um disfarce, então passei a usar as características dele. Capturei e matei mais pessoas que você pode imaginar. Mas quando te capturei e você resistiu daquele modo na Arena eu sabia que não precisava de mais ninguém. Apenas de você."
"Mas novamente a Luz me deixou confuso. Quando ela voltou ela estava muito parecida com você. E ela continuava apaixonada por mim. Consegui fazê-la acreditar que tudo o que ela sabia sobre mim era falso. Pedi para ela me perdoar. E ela me perdoou. Mas isso não bastou para a profecia se cumprir."
"Ai eu soube que ela realmente não era quem eu procurava. E agora não ha duvidas, Agatha, você é quem precisa me amar."
Eu estava sem palavras. Ele era um monstro! Matou tantas pessoas por minha causa! Isso me deixava com nojo. Eu não tinha medo dele. Apenas desgosto.
– Eu, eu não tenho como te amar Rafa, eu sinto muito — falei sem conseguir encarar ele. Um coração batia fortemente do outro lado da porta. Eu já havia ouvido aquele coração muitas vezes antes. Rafael me olhava com descrença enquanto eu ouvia a mão tocando a maçaneta da porta.
Tudo aconteceu muito rápido. Rafael se virava para a porta enquanto eu arrancava uma faca de seu sinto e o derrubava no chão e colocava a faca em seu pescoço.
– Você perdeu — falei com toda a raiva que eu tinha guardada dentro de mim nisso vi Gabe entrar na sala, depois de vários soldados entrarem e alguns dos garotos também. Enquanto olhava para Gabe ele balançou a cabeça, como se dissesse “não”. Nisso eu perdi minhas forças e em um segundo Rafael de soltou do meu aperto e tirou a faca da minha mão.
– Acho que você está errada, Agatha. Se você não pode me amar, então deve morrer! Como todos os outros. — ele gritava. Eu pude ouvir as armas dos soldados sendo apontadas para ele. — Se eles dispararem ela morre.
– Não atirem — disse Gabe. Eu sabia que não iria sair viva daquela sala, então decidi me despedir de minha mãe. Me deixei levar e de repente não estava mais na sala. Eu estava em um quarto. Corri para fora do quarto e chamei por ela.
– Mãe! — logo ela apareceu na minha frente. Seu rosto estava inchado e seus olhos vermelhos. Sua camiseta estava manchada de sangue. Nesse momento senti uma pontada na minha barriga, no mesmo lugar em que um dia havia a marca da mordida de um lobisomem.
– Calma, calma pequena — disse ela, se aproximando correndo de mim.
– O que aconteceu? — consegui perguntar antes de me curvar novamente.
– Acalme-se filha, não gaste duas energias. Você está bem? Está segura?
– Eu… — comecei a explicar, mas já não estava na casa. Senti algo escorrendo pela minha barriga e na hora eu soube que havia sido machucada, mas isso não me impediu.
– Não só podemos como vamos – ouvi Nick dizer, percebi que estive longe apenas por alguns minutos, mas Rafael havia pressionado a faca contra a minha barriga.
Parecia que eles não haviam percebido a minha ausência e eu notei que esse era o momento perfeito para atacar Rafael. Peguei ele desprevenido e comecei a ataca-lo.
Me levantei do chão e decidi que não iria deixar ele me matar. Apesar de ter perdido o meu amor eu ainda tinha uma família e amigos e não iria deixar um babaca acabar com as minhas chances de ser feliz.
– Não achou que iria ser tão fácil, não é mesmo idiota – falei cuspindo na cara dele. Ele tentava me controlar pela minha mente, mas notei uma pequena ajuda. “Obrigada mãe” pensei.
Ele se levantou e percebeu que estava em desvantagem. Foi então que eu notei que não havia outro meio de pará-lo se não o matando. Ele foi atacando os guardas e um por um eles caiam de joelhos no chão.
Notei que aquele outro Protetor estava perto de Gabe e que ele tinha um arco em suas costas.
– Gabe! O arco! – gritei e antes que Rafael pudesse impedir, o próprio José estava em pé do meu lado.
– Aqui – disse ele.
– Obrigada – sorri tímida e no momento em que ergui meu braço para puxar a flecha senti o ferimento aumentando e começando a me consumir por dentro. Eu queria lutar contra ele, mas Rafael conseguiu me deixar impossibilitada. Com um ultimo sussurro pedi para minha mãe ajudar os meninos e a ultima coisa que eu vi foi uma flecha ser disparada pelo Lucas que estava do lado de fora da sala.
E então tudo ficou escuro mais uma vez.
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