O Segredo do Anjo
5 You Know What I Want
Notas iniciais
No outro dia acordo no quarto dele com uma dor imensa na cabeça, era como se eu fosse explodir. Sento na cama e vejo que o Lucas não esta no quarto. Ouço vozes na cozinha, então me visto, e vou até lá.
Na cozinha estava o Lucas, só de bermuda sentado na mesa e a Bruna arrumando a louça. Os dois conversavam sobre futebol. Eu parei na porta da cozinha e fiquei olhando o Lucas. Ele estava feliz, mas o jeito como mexia na caneca, mostrava que ele estava preocupado com alguma coisa.
Eu entro na cozinha e me sento ao lado dele.
– Bom dia, meu amor – diz ele me dando um beijo e segurando minha mão.
– Bom dia – respondo, cansada.
– O que foi? – pergunta ele, olhando no fundo dos meus olhos.
– Ressaca – sussurro no ouvido dele.
– Eu falei. – disse ele rindo – Ei Bruna, adivinha? A Agatha bebeu ontem.
– Até você garota?- pergunta ela, me olhando surpresa. Eu sinto meu rosto queimar e encosto meu rosto no ombro dele.
– Ta com vergonha agora é? – diz o Lucas, me abraçando.
– Ah, fica quieto, Lucas – digo me sentando no colo dele. Coloco meu rosto no seu pescoço e fecho os olhos. Pouco tempo depois eu to dormindo no colo dele.
– Agatha? Amor? Venha, vou te levar pra sala – ouço ele falar.
Ele me pega no colo e me deita no sofá. Ele fecha as cortinas, e as portas. Eu fico olhando pra ele
– Que horas os seus pais voltam? – pergunto.
– Eles ligaram agora pouco, não vão voltar hoje. – diz se sentando do meu lado. Eu vou e deito nas pernas dele. – Temos mais uma noite.
– É nós temos – digo sorrindo pra ele.
– Já falei que eu amo esse sorriso? – pergunta ele, me beijando.
– Não. E eu já falei que te amo? – pergunto beijando sua boca como se nunca quisesse soltar.
Então Fluxo Perfeito (http://www.youtube.com/watch?v=fAbZjCigrYM) começa a tocar. Ele levanta e atende o celular, voltando a se sentar no sofá. Eu volto a deitar no colo dele e começo a mexer em sua barriga, contornando os músculos tão bem definidos dele.
– Alô – diz ele. A voz no telefone responde — Oi cara, o que foi? Pedi folga hoje – diz Lucas. A voz do telefone fala um tanto e ele diz – Não, eu não tenho como ir hoje, não to na cidade – disse ele. A voz responde mais alguma coisa e o Lucas diz – Se é só o carregamento deixe as caixas no escritório que segunda eu arrumo. – a voz fala de novo – Ta então, até mais.
E ele desliga o celular.
– Quem era amor? – pergunto, parando de beija-lo.
– Que fofa, me chamou de amor – diz ele me provocando e me deixando vermelha de novo – Era o Jonas, da loja. Me chama de amor de novo.
– Por que amor? – digo.
– O novo carregamento chegou. Fala de novo – diz ele.
– Falar o que, amor? Que eu te amo? Que você é o amor da minha vida? Que eu não seria nada sem você?
– E eu também, viu – disse ele e começa a me beijar ferozmente.
– Ei, ei, ei – digo o fazendo parar.
– Que foi? – pergunta ele.
– E se a Bruna vier aqui? Não quero que ela espalhe pro meu pai.
– A Bruna já foi embora, pequena. – disse ele.
– Se ela já foi então tudo bem, tem certeza que seus pais não vêm hoje?
– Agatha, eles só voltam domingo de tarde.
– Então quer dizer que temos o fim de semana inteiro só pra nós dois? – pergunto, gostando do papo.
– Era o que eu ia dizer, quando você dormiu lá na cozinha.
– Me beija? – pedi.
– Cara, eu te amo garota – disse ele quando o ar nos faltou.
– Eu te amo muito, garoto – digo dando um selinho nele e saindo de cima dele – Acho que vou tomar um banho.
– Então vá – diz ele.
Eu levanto e pego uma roupa minha que eu tinha deixado dentro da bolsa. Sou uma garota prevenida, horas. Vou para o banheiro do quarto do Lucas e começo a me molhar, adorando sentir aquela água caindo sobre o meu corpo. Me lavo rapidamente e me dou conta que esqueci de pegar a toalha.
– Lucas – grito do banheiro.
– Diga amor – fala do outro lado da porta.
– Esqueci a toalha, pega pra mim?
Ele não responde e depois bate na porta – Posso entrar?
– Claro que não, deixa ai na porta – digo e pego a toalha e me visto rapidamente. Saio do banheiro e arrumo o meu cabelo no quarto que tinha um espelho com penteadeira. Quando vejo o Lucas está na cama me olhando.
– Que foi? – pergunto olhando pra ele pelo espelho
– Tu é muito gostosa, hein – diz ele eu reviro os olhos e jogo a almofada do banquinho nele.
Ele segura a almofada e da risada.
Eu vou para a sala e ligo a TV, no canal de musica (é claro) e ta tocando Mirrors, do Justin Timberlake (http://www.youtube.com/watch?v=uuZE_IRwLNI). Ele senta do meu lado e no final da musica eu canto:
– You are, you are, the love, of my life.
– And you are the love of MY life – diz ele me beijando.
– O que vamos fazer hoje à tarde? – pergunto, trocando de canal.
– Temos que fazer algo? – Pergunta ele desanimado.
– Mas claro que sim. Não quero passar o fim de semana inteiro só ouvindo musica com você
– Mas isso seria bom, né? – diz ele passando a mão na minha perna.
Eu mostro a língua pra ele. Mas seria bom. Não pude deixar de pensar nisso. Mas era sábado a tarde, não dava pra ficar em casa.
– Vamos ao parque? – perguntei.
– No qual? No de diversões?
– Claro né – digo.
– Pode ser, parece que ta bem legal esse ano.
– Vamos então?
– Me dá um beijo antes? – pede ele. Eu me inclino sobre ele e lhe dou um beijo suave, daqueles que se dá em um primeiro encontro, calmo, tranquilo e romântico. Daqueles que faz você se apaixonar por uma pessoa.
Eu saio de cima dele e digo
– Vamos.
A gente sai de casa e pega o carro. Ele enciste em dirigir e eu deixo, não querendo causar discussões. Chegamos ao parque 15 minutos depois de sairmos de casa. O Lucas estaciona e desce para abrir a porta do carro pra mim.
– Senhorita – diz ele me dando a mão, para descer do carro.
Nós pagamos a passagem e entramos no parque de mãos dadas. Como já era começo de tarde, as luzes estão todas apagadas, mas parece que seria muito bonito de noite.
Nesse ano, o parque estava mais colorido, e até um circo estava montado ao lado da roda gigante. E tinha uma área, meio afastada do portão principal, em que havia um espaço para novos artistas cantarem, para quem quisesse ouvir. Eu puxei o Lucas até lá. Quem estava cantando era o Toninho. Ele é alguns anos mais novo que a gente e era um ótimo cantor. Isso quando não estava cercado por muitas pessoas.
– Ei, vamos canta um dueto? – perguntou o Lucas, muito empolgado.
– Vamos, qual musica?
– Ahn... que tal a Na Linha do Tempo (http://www.youtube.com/watch?v=DULQudMe7vA)? – pergunta ele.
– Sertanejo? – pergunto surpresa, normalmente o Lucas cantaria uma musica em inglês, mas não vamos discutir né. Ele concorda com a cabeça – Pode ser então.
Ele vai até a moça que está apresentando e indica pra ela os nossos nomes. O Toninho termina de cantar e todos o aplaudem. Ele fica vermelho de vergonha e sai da pequena área, pegando suas gorjetas. A moça, filha do dono da loja de roupa da cidade, anuncia os próximos que, para a minha surpresa, somos nós dois. Cantamos a musica, e as pessoas vão passando e deixando gorjeta.
– Canta mais uma – grita uma moça que estava nos assistindo.
Eu olho pro Lucas e ele dá de ombros
– Qual? – sussurro pra ele.
– Desde que seja em inglês, qualquer uma – diz ele passando a mão pelos cabelos molhados de suor.
– Everything Has Changed (http://www.youtube.com/watch?v=w1oM3kQpXRo)? – sugiro.
– Qual é essa? – pergunta, depois de tomar um gole da água que a moça nos ofereceu e me puxando pela cintura – Aquela da Taylor Swift com o Ed Sheeran?
– Sim, essa mesma – digo dando um selinho nele.
– Ei, vão cantar ou não? – pergunta alguém na pequena plateia que se forma a nossa frente. A moça pega o microfone e anuncia:
– Para um bis, com vocês, Agatha e Lucas. – e todos batem palmas. Sinto meu rosto corar e começo a cantar. Vejo algumas meninas do colégio gravarem com seus celulares e um monte de gente começa a tirar fotos nossas.
No fim da musica, O Lucas me pega pela cintura e me dá um beijo, na frente de todo mundo! Eu fiquei vermelha na hora. Peguei as gorjetas e saímos de lá com todo mundo nos aplaudindo.
– Isso foi muito divertido, amigo – digo pra ele depois de separar as gorjetas.
– Nem me fale, amiga – diz ele pegando na minha mão. – Quer fazer o que agora?
A gente para na frente de um carrinho de cachorro quente, e aquele cheiro me dá fome.
– Comer – digo, sem pensar, colocando meus braços no pescoço dele.
– Cara, não sei como você não é gorda – diz ele e pede dois cachorros quente – Sem ofensas.
Ele paga os lanches e a gente volta a andar. São quase quatro da tarde, então está começando a ficar movimentado. A gente termina de comer e vamos sentar em um banco, meio afastado da multidão, ele coloca o braço por trás de mim e me dá um selinho.
– Eu te amo, Agatha Horan – declara ele.
– Eu te amo, Lucas Payne – digo, segurando na mão dele. Ele me puxa para um beijo, suave e calmo. Esse momento teria sido perfeito se não fosse por um babaca que atrapalhou tudo.
– Hora, hora, se não é o rapaz Payne – diz Rafael com sua gangue atrás dele.
– O que você quer? – diz Lucas olhando desanimadamente para ele.
– De você? Nada, já que o que eu quero você não pode me dar, apenas uma pessoa pode.
– E quem seria Rafa? – pergunta Caio, um dos caras que estava com ele.
– Ela – diz ele apontando pra mim.
– Eu? Como assim? O que eu poderia ter que lhe fosse útil? – digo apoiando meu cotovelo na coxa com o queixo apoiado no cotovelo e me fazendo de desentendida. Eu sinto uma raiva tremenda dele. Toda vez que ele está por perto eu me sinto outra pessoa, alguém que seria capaz de matá-lo.
– Você sabe o que eu quero.
Eu dou risada e me encosto no Lucas que me olha surpreso.
– Desiste Rafael. Isso você nunca terá – digo séria.
– E por que não? Sou apaixonado por você – diz ele se abaixando em um joelho, segurando minha mão e beijando-a. – Você iria gostar, eu juro.
O Lucas empurra ele para longe de mim e se levanta do banco.
– Nem pense nisso, seu canalha – diz Lucas indo pra cima dele. Os outros caras chegam pra cima do Lucas, e eu me coloco entre eles.
– Querem briga? Então venham. Me batam – digo tirando o casaco.
– Agatha, não acho que seja uma boa ideia – diz Rafael, se levantando do chão, todo sujo.
– Ah é? E por que não? – digo indo pra cima dele. O Lucas me segura pelo braço e balança a cabeça negativamente. – Ta com medo de mim? – pergunto ignorando o Lucas e me livrando da mão dele.
– Olha Agatha, não quero ofender, mas você é garota, não sabe brigar, tudo o que você poderia fazer é puxar o cabelo e bater na cara, e nenhum dos dois seria grande coisa – diz ele rindo, e fazendo o resto da gangue rir também.
Eu pego e dou um soco no nariz dele. Dois dos caras o seguram, que cambaleia pra trás e coloca a mão no nariz, que está sangrando muito.
– Isso parece pouca coisa pra você? – pergunto provocando.
– Isso... – começa ele tirando a mão do rosto e olhando o sangue delas – Isso vai ter volta, eu juro.
– Pode vir querido – digo me virando para o Lucas depois que o Rafael sai com seu bando. Uma forte dor na cabeça me faz cambalear.
– Amor, o que foi? – diz ele me segurando e sentando.
– Não sei, to meio tonta – digo meio atordoada.
– Você não deveria ter feito isso. Esses caras são perigosos, podem querer se vingar. – disse ele me olhando como se estivesse muito preocupado comigo. – Por que você fez isso?
– Aquele verme tocou em mim – digo enojada – Não aguento olhar para a cara dele, você sabe disso.
– Você nunca foi violenta, o que está acontecendo?
– Vamos pra casa. – digo virando o rosto.
Ele segura meu braço gentilmente e me puxa para um abraço.
– Ei, não fica assim, você sabe que pode contar comigo, não sabe?
Eu concordo com a cabeça e encosto meu rosto no seu peito e ele me abraça.
No caminho para casa, ele não puxou assunto e eu nem quis falar nada. Em casa eu liguei para o meu pai e falei que eu e mais alguns amigos íamos passar o fim de semana acampando na praia. Ele deixou bem de boa, seguindo as mesmas regras: “sem fazer nada proibido e sem ir muito longe”. Eu adorava meu pai. A gente morava juntos havia seis anos, desde que a minha mãe morreu. Eles se separaram quando eu tinha dois anos e nunca se falavam. Eu passei minha infância conhecendo os namorados da minha mãe.
O último namorado dela era um professor da faculdade, que adorava sair para beber e fumar nos fim de semana. Em um final de semana minha mãe viajou com ele e ele estava bêbado e bateu o carro. Os dois morreram na hora.
Só de pensar em como tudo isso aconteceu já me vem um nó na garganta. E eu não sei por que depois que eu desliguei, eu me lembrei dela. Minha garganta se fechou e eu não consegui mais respirar, estava chorando com uma dor no peito muito intensa. Eu caí no chão me contorcendo. Não conseguia ver nada ao meu redor e meu pé começou a doer. Mas não era uma dor fraquinha, era uma dor de como se meu pé estivesse sendo arrancado do meu corpo.
Chamei o Lucas e ele veio correndo. Ele me levantou e me colocou no sofá, perguntando desesperadamente o que tinha acontecido. Minha visão começou a ficar turva e eu vi minha mãe parada ao lado dele, colocando a mão sobre o ombro dele e olhando firmemente pra mim, ouvi sua voz na minha cabeça dizendo que ia ficar tudo bem e minha mãe estendeu o braço para tocar em mim. No momento em que ela me tocou meus olhos se fecharam e eu não pude controla-los.
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