O Segredo do Anjo
6 Immortal and True Love.
Notas iniciais
Eu acordei no hospital, algum tempo depois. As luzes estavam apagadas e meu pai estava dormindo sentado em uma cadeira ao lado da cama. As luzes estavam apagadas e em um canto da sala havia uma mesa cheia de flores, balões e presentes, o que eu achei mais bonito foram as tulipas vermelhas que estavam ao lado da cama, mas também gostei das rosas vermelhas. Estava de manhã e as cortinas estavam entreabertas. Me deu um ataque de tosse e meu pai levantou, todo apressado da cadeira.
– Calma, meu anjo, calma – disse ele olhando pra mim, e pegando um copo de água – Respire fundo e tome um gole desta água.
Eu peguei o copo, mas minhas mãos estavam tremendo e eu acabei derramando água em mim. Meu pai pegou o copo e me ajudou a beber.
– O que aconteceu, pai? — pergunto, quase chorando de novo.
– Você foi picada por uma aranha marrom, querida.
– Onde está o Lucas? – pergunto só me lembrando dele agora.
– Ele deve estar em casa, os pais dele o vieram buscar aqui ontem.
“Mas os pais dele só iam voltar hoje” pensei, mas não falei nada.
– A Luz mandou alguma mensagem?
– Eu não vi querida, não tenho a senha do teu computador.
– Quando que eu vou sair daqui? – perguntei, me sentando.
– Quando você estiver melhor – disse ele puxando a poltrona mais perto da cama e sentando ao meu lado.
– Hm – digo e depois de um tempo – De quem são os presentes?
– Tem de um monte de gente, Agatha – disse ele se levantando e indo até a mesa. – Tem do Toninho, da Gi, da Thais, do Paulo, do Alex, do Rafael, do Lucas. – ele se interrompe e pega o buque de rosas vermelhas e me entrega – E meu.
– São lindas pai – digo segurando as rosas. No meio delas havia um bilhete. Estava escrito:
Fique boa logo
Espero você bem
Assinado: papai e mamãe
E ao lado do escrito tinha uma foto da minha mãe, toda sorrindo pra mim, com um vestido azul turquesa, em uma praia com os cabelos ao vento.
Eu comecei a chorar, meu pai se aproximou e me deu um abraço, bem apertado.
– Ei boneca, não era pra você chorar – disse ele – Foi uma coisa boba do momento.
Eu olho de novo o cartão e agora está escrito:
Não acredito que deixou uma aranha te picar, quando voltar pra casa faço bolo de cenoura.
Brincadeira, com amor Papai.
E ao lado tinha uma foto de um pudim de leite com um sorriso desenhado no meio. Meu pai sabe que eu não suporto cenoura e amo pudim de leite. Mas eu achei estranho. Podia jurar que ali havia uma foto da minha mãe ali.
– Obrigada pai, são muito lindas. – digo cheirando-as – Te amo.
– Eu te amo mais, princesa – diz ele beijando minha testa. De repente me bate um sono e eu bocejo – Durma mais um pouco, Agatha, depois nós conversamos sobre o Lucas, viu.
– O que aconteceu? – pergunto desesperada.
– Nada. Ele me contou algo sobre vocês dois — disse me olhando de lado – Mas deixe, outra hora conversamos.
– Tudo bem – digo me arrumando na cama – Eu te amo.
– Eu te amo, minha princesa – diz ele me dando um beijo na testa – Agora durma.
Eu fecho os olhos e quase instantaneamente durmo.
No outro dia, ou melhor, quando eu acordei de novo, um monte de médicos e enfermeiras vieram no meu quarto e me falaram um monte de coisas esquisitas. Eu entendi que sou alérgica a esse tipo de aranha, e isso causou uma parada respiratória e eu posso ter tido alucinações, mas eu tinha dado um susto neles, eles falaram que fazia dois dias que eu tinha desmaiado. Eu me assustei com isso, fiquei em choque, muito tenso isso. Mas enfim, o Lucas falou pro meu pai que a gente ta namorando, e meu pai aceitou isso com uma tranquilidade surpreendente até pra ele, que normalmente já é super calmo.
Perto das cinco da tarde, o Lucas chegou ao hospital e me trouxe outro buquê de tulipas vermelhas. Aquelas flores eram realmente muito bonitas. Elas tinham uma delicadeza que pra entender só vendo mesmo. Ele entrou no quarto e meu pai falou:
– Vou respirar um ar lá fora – e saiu do quarto, me deixando sozinha com o Lucas.
– Oi meu amor – disse ele se aproximando de mim calmamente.
– Oi príncipe – digo me sentando na cama.
– Que susto, em? – disse ele sentando-se aos pés da cama e colocando as flores de lado. Os olhos dele eram como incríveis espirais verdes, me envolviam intensamente. Era impressionante o poder que ele tinha sobre mim, eu amava aquele ser lindo e perfeito, sabia que podia ser conquistada por suas palavras, e sabia que ele também me amava. Como eu sabia disso? Não sei, mas eu tinha certeza de que ele é minha alma gêmea. Tenho certeza de que no final das contas, nós vamos acabar morando junto, bem velhinhos, em uma casa aqui na cidade.
– Nem me fale – digo hipnotizada.
– O que foi? – disse ele olhando para a camisa polo dele – Minha camisa ta suja?
– Não seu bobo – digo rindo – Não é nada.
– Te amo sabia? – diz ele se aproximando de mim.
– Eu amo mais – digo, fazendo o espaço entre nossas bocas acabar. Fazendo ele me beijar e beijando ele.
– Você ia me contar algo, quando chegamos do parque, no sábado. – disse ele ainda perto – O que era?
– Ahn – começo olhando pro lençol branco da cama – Sabe Lucas? Há alguns dias aconteceu uma coisa comigo.
– O que aconteceu? – disse ele pacientemente me olhando com firmeza.
– Eu fui... Bem, escolhida, por assim dizer.
– Escolhida pra que? – diz ele confuso.
– Para ser uma Protetora – digo, sem coragem de olhar pra ele.
– Protetora? Protetora de que? – diz ele rindo.
– De anjos – digo, olhando nos olhos dele – É o que eu faço e que ta me preocupando há alguns dias.
–Agatha, não brinca comigo – disse ele sério – Eu não consigo entender. Há quantos dias?
– Há uns cinco dias no máximo. Você não deveria estar trabalhando? – pergunto olhando para o relógio do lado da minha cama.
– Saí mais cedo hoje, pra vir te ver – disse ele sério – Mas não era sobre isso que estávamos falando.
– Olha Lucas, eu te amo você sabe disso, mas eu não quero falar desse assunto agora. Eu quero poder te provar que eu não to brincando e no momento eu não posso.
– Tudo bem. – disse ele e desviou os olhos de mim por alguns instantes depois disse – Quando você vai sair daqui?
– Assim que eu conseguir ficar em pé sozinha – eu falei me arrumando na cama. Agora é definitivo: odeio cama de hospital! São pequenas, desconfortáveis e brancas.
Ficamos alguns segundos em silencio. Era muito estranho isso, nós nunca ficávamos em um silencio tão estranho quanto esse.
– Ah, eu trouxe esse flores pra você – disse me entregando o buquê.
– São lindas – eu disse depois de cheira-las.
– Você sabe o significado de tulipas vermelhas?
– Não, o que significam?
– Amor eterno e verdadeiro – disse ele, me olhando nos olhos, me fazendo ter vontade de chorar
– Isso... – começo, limpando a garganta – É lindo Lucas, obrigada.
– Você é linda – disse ele tocando no meu rosto. Eu fecho os olhos e coloco a minha mão encima da dele enquanto sinto uma lagrima escorrer pela minha bochecha.
– Não chore princesa, eu to aqui, e to com você – disse ele limpando as lagrimas que agora enchiam meu rosto. Eu olhei para os olhos dele. Eles tinham um brilho muito diferente. Se você se concentrasse neles, tudo ao redor sumia. Eu amava ficar perdida naquela imensidão verde. Ele me deu um beijo, segurando meu rosto com aquelas mãos tão macias.
– Lucas, você vai achar que foi uma alucinação, mas eu vi minha mãe – digo depois do beijo, chorando um monte – Ela estava ao seu lado, na sua casa, no sábado. E ontem no cartão do meu pai eu vi uma foto dela que não estava lá.
– Eu achei que você já tinha superado – disse ele, mais pra ele do que pra mim – Quer falar sobre isso?
– Sobre a minha mãe? Ou sobre eu ter visto ela? – digo cobrindo o meu rosto com as mãos.
– Agatha, quando sua mãe morreu, um mês depois, mais ou menos, você me contou sobre um sonho que você teve, lembra?
– Não.
– Você me disse que no sonho sua mãe te dizia que tudo ia ficar bem. Mesmo sem ela você ia conseguir passar por tudo na sua vida. E se eu me lembro bem, você me disse que havia prometido pra ela que não iria deixar outra pessoa vencer você. Que você sempre seria a melhor em tudo. Não deixe que a lembrança de sua mãe em um momento difícil faça você se esquecer de que é a melhor, seja a melhor em combater essa dor que machuca seu peito. Deixe o meu amor preencher o vazio de seu coração. Não se esqueça dela, mas me deixe ser alguém que você jamais vai esquecer, sim?
Eu concordo com a cabeça e digo:
– Obrigada Lucas, tenho sorte em te você.
Fale com o autor