O Segredo do Anjo

7 So I Have Closed My Eyes


Notas iniciais
Nome do Capítulo: Então Eu Fechei Meus Olhos

Eu voltei pra casa no outro dia. Era uma terça-feira e eu estava faltando na escola. Passei a tarde inteira no tédio. Abri os presentes dos meus amigos. Todos eles me mandaram cartões de “Melhore” e “espero que fique bem” e até um do meu chefe, Tom, que dizia “Melhore logo, Agatha, como vou cuidar da padaria sem você aqui? Serio mesmo volte a Lucia ta acabando com a cozinha”. Eu caí na risada com esse cartão.

Mas então, eu estava em casa, num dia de sol quente, sem nada pra fazer e sozinha. O que eu ia fazer? Normalmente a essa hora eu estava na padaria entregando algum lanche, ou limpando alguma mesa. Peguei meu celular, nove ligações perdidas. “Nossa, estão desesperados O.o” – pensei olhando as chamadas. Tinha duas da Luz, uma de um número desconhecido, outra de outro número desconhecido e o resto do numero do Nataniel.

Resolvi retornar a ligação do Nataniel. Liguei.

– Alô? – disse a voz no telefone.

– Nataniel? É a Agatha, aconteceu alguma coisa?

– Oi Agatha, não aconteceu nada, eu liguei porque eu fiquei sabendo que você tinha ido para o hospital e eu quis saber o que tinha acontecido. – disse Nataniel de forma muito descontraída. Acho que foi a primeira vez que eu vi ele assim, de forma tão despreocupada.

– Então, está tudo certo? – perguntei, me sentindo estranha, quase como se estivesse melhorando. Estava quase me sentindo bem.

– Sim, tudo certo. E você? Está melhor?

– Sim, Nataniel, eu estou me sentindo melhor, mas acho que para defender os anjos não estou bem o suficiente.

– Você vai se recuperar. – falou ele como se fosse algo óbvio – Protetores sempre se recuperam rapidamente.

– Bom saber Nataniel, bom saber.

– Por favor, senhora, me chame apenas de Nate, é mais bonito.

– Ah, então anjos também se preocupam com a aparência, nem que essa seja a do nome? – perguntou ela rindo e ouviu Nate rindo do outro lado. A risada de um anjo era diferente de qualquer coisa que eu já tivesse ouvido. Parecia uma risada humana, mas tinha algo que a tornava mais suave, como a brisa do mar.

Conversamos mais um pouco e eu percebi que ele não era tão jovem quanto aparentava ser e que ele sabia de muita coisa. Ele me explicou como os anjos foram criados, me contando detalhe por detalhe, como se ele tivesse visto isso acontecer. Ele me explicou que quando uma pessoa morre injustamente, antes do tempo, ou no lugar de alguém, essa pessoa vira um anjo. Ou a pessoa pode simplesmente ter nascido anjo.

Ele tem 230 anos de anjo e 17 de humano, ele me contou que viveu esses 17 anos e deu a vida no lugar da do irmão. Ele me contou que o irmão acabou virando um Protetor e eles viviam conversando, assim como a gente estava só que pessoalmente. Ele acompanhou a vida do irmão e viu a morte dele, tranquila e indolor.

Contei a ele a historia da minha mãe, e perguntei se ela pode ter se transformado em um anjo e se algum dia eu possa ver ela. Ele disse que se ela se transformou em um anjo logo vai entrar em contato comigo. Eu fiquei melhor depois dessa conversa. Meu pai chegou em casa e eu desliguei. Nate estava se tornando um ótimo amigo.

Meu pai estava com varias sacolas do mercado e eu fui ajuda-lo a guardar as compras. Fizemos o jantar e alguns minutos depois de terminar a louça recebi uma ligação do Lucas. Perguntei a ele o por que dele não ter me visitado naquele dia e ele me contou das dificuldades que estava tendo na loja, incluindo risco de demissão. Eu o consolei, e depois de um tempo desligamos.

No meio da noite recebi um chamado de um anjo. Peguei o meu punhal que guardo embaixo da cama e fui até o local do chamado, senti um frio na barriga e logo avistei o anjo. Ele estava sendo atacado por dois bichos cheios de tentáculos de uma cor rosada. Cheguei mais perto dos bichos e vi que eles estavam sufocando o anjo, que tinha a aparência completamente diferente do Nate. Ele tinha o cabelo loiro e os olhos completamente azuis, tinha a pele corada e suas asas estavam perdendo o brilho.

Com certeza do que eu estava fazendo, peguei meu punhal e ataquei um dos monstros enquanto o outro continuava a atacar o anjo. O monstro começou a me atacar com seus tentáculos nojentos enquanto eu me defendia e atacava-o. Ele se distraiu com algo e eu o matei, fazendo-o explodir do mesmo modo que aquele Galitu no outro dia. Olhei ao redor e não encontrei o anjo nem o monstro, ouço algo atrás de mim e então eu fechei meus olhos.