O Segredo do Anjo

10 What's Supposed To Me To Do?


Notas iniciais
Nome do Capítulo: O Que Eu Devo Fazer?

*Narrador on*

Lucas estava em casa depois do trabalho. Achou estranho Agatha não ter passado na loja na hora de fechar, mas pensou que ela poderia ter tido algum compromisso e por isso não se preocupou.

A noite chegou e como ela não havia dado nenhum sinal de vida ele decidiu ligar para ela. Um toque, dois, três. Ele estranhou, pois o celular tocou até cair na caixa postal. Ela sempre o atendia. Ele ligou de novo. Ninguém atendeu. Decidiu ligar na casa dela. Charlie atendeu:

– Alô.

– Ei, seu Charlie, é o Lucas.

– Fala Lucas, aconteceu alguma coisa?

– Não, não se preocupe. Er, a Agatha ta ai?

– Não, eu pensei que ela estivesse com você – falou Charlie, Lucas percebeu o nervosismo na voz dele – Ela não apareceu em casa hoje, só para almoçar, depois não vi mais ela.

– Obrigado então, vou procura-la.

– Tudo bem, qualquer coisa me avise – falou Charlie desligando logo em seguida.

Lucas sentiu seu coração apertar no peito. Sabia que alguma coisa estava errada, que algo tinha acontecido com ela. Ele pegou seu casaco e saiu.

*Agatha on*

Estava escuro. Eu abri meus olhos e estava tudo escuro, não consegui ver nada. Todos os meus sentidos me diziam que aquele lugar era sinônimo de perigo. Fiquei logo alerta, pronta para lutar. Não estava amarrada, como no sonho, e dessa vez eu tinha certeza de que era real.

Me levantei, ainda cega pelo escuro, tentando fazer meus olhos se acostumarem. Uma clara luz branca brilhou no canto do meu olho, ao lado direito. Percebi, com certa duvida, que a luz vinha do meu braço, da marca que brilhava bem fraca, mas começou a aumentar a força, ouvi passos andando no molhado se aproximando de mim, ouvi um cadeado ser destrancado e uma porta ranger e senti meu coração pulando no peito, não de medo, mas sim de adrenalina.

Os passos ficaram mais altos e outra porta abriu. Os passos pararam quando a porta bateu atrás. A luz que brilhava pulsante no meu braço foi ofuscada quando luzes se acenderam.

Eu estava vestida com a mesma roupa do dia da ponte, mas estava toda suja, com rasgos na camiseta e na calça. Mexendo o pé senti que meu punhal havia sido retirado dali. Um ódio começou a crescer em mim.

Eu estava em uma cela, era muito grande e havia apenas uma cama lá dentro. O chão era sujo, até úmido, não havia paredes, apenas grades e parecia que ficava no meio de um salão, onde havia guardas em todos os cantos possíveis. Se havia um teto eu não saberia dizer, pois era muito escuro, mas não era o céu, pois não havia estrelas. As luzes eram tochas que ficavam ao redor da cela, não havia janelas, então eu não tinha noção de quanto tempo havia passado.

Um homem alto, loiro com olhos pretos estava parado na frente da porta da cela. Ele estava vestido como os caras que me atacaram na Ponte. Ele usava um cinto de ferramentas com muitas adagas e armas. Junto com ele entrou mais dois guardas. Olhei para ele com ódio, com certeza ele não era o responsável. Não seria burro de se mostrar, mas aquela cara de desprezo que estava em sua face me fez ter vontade de meter um soco nele que seria capaz de quebrar alguns dentes. E foi o que eu fiz. Dei um soco naquele polaco acertando o queixo e quando ia repetir o feito os guardas me seguraram. Ele colocou a mão no local que eu havia acertado.

– Olha garota, se eu fosse você não repetiria isso novamente – disse ele olhando para a mão. Olhei para ele rosnando de raiva – Ei, ei, calma docinho nossa intenção não é te machucar, querida.

O modo como ele disse essas palavras me deixaram com mais ódio ainda. Me debati tentando sair do aperto dos guardas o que fez eles me segurarem com mais força.

– O que você quer de mim? – falei com um rosnado. Ele riu.

– Eu? Eu não quero nada de você, e se não fosse pelo chefe eu te mataria nesse instante, querida – disse ele com um desprezo notável.

Rosnei pra ele de novo, deixando claro que eu também o odiava. Parei de me debater.

– O que o seu chefe quer de mim? – perguntei encarando meus pés.

– Obediência – disse ele levantando a voz e continuou com uma voz mais baixa – E cooperação. Você terá, daqui a algum tempo, uma serie de testes, que você vai cumprir direito, entendeu?

– E se eu não fizer? – digo o desafiando.

– O pobre Lucas e o coitado do Charles vão sofrem suas imprudências – meu coração começou a disparar quando ouvi o nome do meu pai.

– Vocês não podem fazer isso – gritei quase conseguindo me liberar.

– Você acha? Temos mais pessoas aliadas do que você imagina, já pensou se por acaso sua casa começasse a pegar fogo com seu pai lá dentro? Ia ser uma tragédia.

Parei de me debater, percebendo que eles realmente poderiam fazer isso. Me rendi.

– O que eu devo fazer? – perguntei olhando para os meus pés.

– Boa garota – falou ele se distanciando – Agora você vai esperar até próximas ordens.

Ele saiu da sala e os guardas me largaram ali. Eu desabei comecei a chorar, de joelhos no meio daquela sala imunda. Eles iriam vir atrás de mim, o Lucas vai dar um jeito, eu tenho certeza disso.