O Segredo do Anjo

11 Simple, I Am An Angel


Notas iniciais
Nome do Capítulo: Simples, Eu Sou Um Anjo

*Narrador on*

Lucas estava andando com seu UNO, indo a todos os lugares que seria possível que ela estivesse. Estava chovendo o que dificultava a vista na rua. Ele foi até a lanchonete, que de noite servia como pizzaria.

Ele estacionou no estacionamento ao lado da vaga onde costuma ficar o carro dela. Desceu do carro e colocou o capuz sobre a cabeça. Entrando na padaria encontrou com Gabriel, um colega das aulas de luta da academia.

Gabriel era da mesma altura de Lucas, com cabelos curtos estilo surfista. Tinha olhos cor de mel que davam um enorme contraste com a pele morena de quem passava muito tempo na praia. Ele trabalhava na lojinha de pranchas da cidade e fazia pouco tempo que morava na cidade.

– Ei, Luca, como vai meu saco de pancadas favorito – falou Gabriel de um jeito que eles costumavam se tratar, mesmo que nunca tenham treinado um com o outro os dois eram bem amigos. Cumprimentaram-se com dois tapinhas nas costas.

– Vamos indo, né Gabe? – disse Lucas tentando esconder a preocupação sobre a Agatha – Você viu se a Agatha ta ai?

– Í cara, o Tom ta sozinho no balcão, mas talvez ela esteja na cozinha, viu. Bom, eu vou indo, falo Luca!

– Tchau – respondeu e entrou na pizzaria, com esperança de que ela estivesse ali.

Percebeu Rafael em uma mesa no canto junto com seus capangas. Um arrepio passou por seu corpo e ele ficou encarando ele enquanto ele ria com eles. Com um aceno reprovador Lucas foi até o balcão.

Tom estava conferindo o dinheiro que um dos clientes acabara de lhe entregar. Lucas aguardou pacientemente, esperando que a qualquer segundo ela saísse de dentro da cozinha com seu jeito elegante de carregar bandejas e levasse alguma bebida para o casal que estava na mesa perto da janela.

– Ei, Lucas – disse Tom, o tirando de seus devaneios – Quanto tempo meu garoto.

– Pois é, Tom, andei ocupado. Ahn, a Agatha ta ai?

– Não, ela saiu cedo hoje, não estava muito bem. Acho que você deveria conversar com ela.

– Pode deixar, quando eu a encontrar eu falo com ela. – disse Lucas meio decepcionado por ela não estar ali. – Bom, eu tenho que ir, minha mãe ta me esperando em casa.

– Vai mesmo, garoto, você também não está com uma cara muito boa não. Diga pro seu pai que eu mandei um abraço.

– Pode deixar Tom.

E com isso saiu da lanchonete, ciente do olhar de Rafael em suas costas. Voltou para o carro e dirigiu sem rumo, pensando nela, se ela estava bem, onde ela estava e porque estava sem o celular. Ela nunca saia sem o celular. Quando percebeu estava na Ponte Quebrada. Achou que estava louco ninguém vinha aqui.

Ele já estava fazendo a volta quando um brilho chamou sua atenção. Um brilho azulado. Parou o UNO e desceu do carro. A chuva estava forte, mas nem por isso ele desistiu da ideia. Talvez ela estivesse ali, precisando de um tempo para pensar, do mesmo modo que mais cedo.

Ele se aproximou do carro, agora com certeza de que era o carro dela e olhou pelo vidro de frente. O carro estava desligado e não havia ninguém lá dentro. Ele puxou a porta que abriu e com uma decepção enorme trancou seu UNO e entrou no carro dela fechando a porta em seguida.

Ficou no carro sentindo o cheiro dela e pensando na conversa que tiveram ali horas antes. Fazia tão pouco tempo, mas parecia que fazia anos. Ele se lembrou de quando se conheceram. Ele era apenas um garoto de 10 anos de idade que os pais estavam querendo uma vida diferente, mais tranquila do que a que tinham na movimentada Florianópolis.

Ele gostava de lá. Onde morava em um prédio e tinha muitos amigos, dos quais nem se lembra o nome. E ele não queria se mudar. Quando chegaram à cidade, ele lembra, estava de mau humor, só pensando que aquele não era o lugar dele, e que ele não deveria morar ali.

Tudo o que ele queria era voltar para a cidade onde nasceu. Pensando nisso ele entrou na escola, quase atrasado no primeiro dia de aula na 4ª série. Os alunos já estavam na sala de aula e quando ele entrou todos ficaram olhando pra ele e logo se aproximaram de sua mesa para lhe fazer perguntas.

Quando a professora entrou na sala, que todos os alunos ficaram em seus lugares ele pensou: em Floripa essa aula seria muito melhor. Mas ai entrou na sala, bem atrasada, uma garota cheia de apostilas caindo pelos braços. Tinha o cabelo preto e comprido e brilhante. Ele nunca havia visto um cabelo tão brilhante.

Logo que se desculpou com a professora pelo atraso e guardou as apostilas no armário ao lado do quadro, ela se virou para encarar a turma e logo avistou o único lugar vazio na sala: uma carteira ao lado da de Lucas. Ela se apressou em puxar a mala para cima do ombro e correu para a carteira.

Nesse momento ele pensou: um dia a gente vai ser amigos. E logo em seguida ela o cumprimentou:

– Oi, sou Agatha – cochichando ela estendeu a mão cheia de pulseiras para ele – Você é novo, não é?

– Sim, eu sou – disse ele apertando a mão dela, tentando decifrar que cor tinha aqueles olhos penetráveis que o fazia perder o que iria falar.

– Ótimo! Quero saber tudo sobre você!

Fazia anos que essa conversa havia acontecido e ele se lembra de como foi olhá-la pela primeira vez. E se lembrou de como haviam se tornado amigos no mesmo instante. Ele não sabia, mas já estava apaixonado por ela e ela ficava, à noite antes de dormir, pensando nele e em se ele estaria no colégio no outro dia.

– Onde você está meu amor – perguntou ele respirando fundo o perfume dela. Como se esperasse a deixa algo começou a tocar e vibrar ao seu lado. Ele levou um susto ao perceber que o celular dela estava no meio do casaco, encima do banco do passageiro.

Ela nunca saia sem o celular. Ele o pegou e viu no identificador de chamadas: Nate. Não sabia se atendia ou não, por isso esperou parar de tocar, para ver se teria alguma pista de onde ela estava nas mensagens.

Mas nada. A ultima mensagem que ela recebera fora dele, à tarde, logo que ele saiu do trabalho em que ele dizia que a amava. Olhou nas notas, onde ela costumava anotar as coisas para não esquecer, mas não tinha nada. Foi no calendário, nada também.

Ele jogou o celular encima do casaco e encarou o teto, tentando imaginar que diabos havia acontecido com ela. O celular tocou novamente. Lucas apenas o desligou. Respirou fundo novamente, tentando forçar sua mente a pensar em um lugar onde ela poderia estar.

O celular tocou de novo, ele se irritou e atendeu.

– Alô – disse a voz do outro lado – Agatha, você está bem?

– Ahn, a Agatha não está aqui é o namorado dela – disse Lucas, tentando imaginar quem seria aquele cara — Quem é você?

– Oh, me desculpe – falou o cara limpando a garganta e sendo mais formal – Sou Nataniel, amigo da Agatha. Você sabe onde ela está?

– Não – disse Lucas com um pesar na voz – Ela sumiu.

– Como eu pensei – sussurrou o cara do outro lado – Você está na cidade?

– Sim, estou, mas o que isso tem a ver?

– Me informe a sua localização. Algo terrível deve ter acontecido a ela e apenas saberemos o que se nos juntarmos.

Lucas falou onde estava, meio desconfiado e perguntou: — desculpe a indelicadeza, mas como sabe que algo aconteceu a ela?

– Simples, eu sou um anjo.