O Segredo do Anjo

12 I Miss You So Much!


Notas iniciais
Nome do Capítulo: Eu Sinto Tanto a Sua Falta

*Agatha on*

Eu não tive noção de quanto tempo se passou até que alguém falou comigo de novo. Um curto período de tempo depois que o cara me visitou o que parecia ser um criado, que não falou comigo, me trouxe água e comida e me levou a um banheiro para eu me lavar e fazer as necessidades. E isso se repetiu mais duas vezes. Nas duas primeiras eu me recusei a comer, eles podiam estar querendo me dopar com a comida, mas na terceira vez eu não aguentei. Meu corpo estava precisando disso.

Não muito depois que o criado saiu, na terceira vez, logo uma mulher com cabelos castanhos avermelhados, não muito alta de olhos castanhos entrou sozinha na cela. Vestida da mesma maneira que todos aqui, ela me era familiar. Tinha certeza de que já havia visto ela antes.

Fiquei sentada na cama, com a cabeça encostada na grade, encarando-a com ódio enquanto ela olhava ao redor com desprezo. Tentei imaginar o que eles queriam de mim, mas nenhuma resposta me veio à cabeça. A única pessoa humana que sabia que eu era uma Protetora era o Lucas.

“A não ser que o Chefe não seja humano” pensei, me surpreendendo.

– O que foi? – perguntou ela com uma voz muito irritante.

– Senti o cheiro de cobra, mas agora que vi você já sei de onde vem – falei usando o meu melhor tom de sarcasmo. Ela respirou fundo e eu desviei o olhar, voltando a encarar a parede, que havia se tornado o meu passatempo preferido.

– Olha garota, acho que você não sabe como as coisas funcionam por aqui. – disse ela, ajeitando o cabelo.

– E eu acho que é você quem não sabe, mas fazer o que estamos todos errados nessa vida – falei a provocando. Eu sabia do que ela estava falando, mas sabe-se lá quantos dias eu estava aqui, merecia um pouco de divertimento. E a cara dela fez eu faturar meu dia. Ela se aproximou da cama e disse:

– Eu conheço o seu tipo, usa a ironia para parecer forte – disse ela, me encarando com desprezo. Me aproximei dela, como lutador de MMA na hora da encarada, só que sem as mãos e falei:

– E eu conheço o seu, dorme com o chefe para garantir o emprego. – ela me olhou com uma cara que dizia que ela seria capaz de me bater e eu sabia que se ela erguesse um dedo contra mim eu iria acabar com ela. Me joguei de volta na cama e falei: – Como vai seu amiguinho, já se recuperou da dor no queixo?

– Não interessa – disparou ela – Quem faz as perguntas aqui sou eu, entendeu?

– Manda – falei dando de ombros.

– Levante-se e me de o pulso.

– Isso não é uma pergunta — afirmei.

– Levante-se — ela ordenou.

Eu não me mexi. Ela era louca se achava que eu ia entregar meu pulso a uma inimiga. Deixei uma risada escapar de meus lábios

– Qual é a graça? – perguntou ela.

– Você realmente acha que eu seria burra de entregar meu pulso a uma estranha? Tenho cara de idiota?

– Anda, não temos o dia todo.

– Na verdade, eu tenho – falei cruzando as mãos atrás da cabeça e os pés esticados no resto da cama.

– Não irá obedecer, pois bem. – disse ela e saiu da cela que foi trancada logo depois. As luzes se apagaram com a saída dela. Eu estava certa de que ela queria me punir. Fiquei na cama tentando me acostumar com o escuro. Como não tinha nada para fazer comecei a pensar no Lucas. Eu sentia a falta dele e sabia que ele também sentia a minha.

Me lembrei de quando a gente ficou pela primeira vez. Era um sábado à tarde, estávamos eu e ele no cinema, junto com a Luz. Depois do filme ela foi ao banheiro e a gente estava esperando ela, rindo e conversando.

– Posso te dizer uma coisa louca? – ele perguntou, fazendo meu coração acelerar.

– Diga – falei sorrindo, com as pernas bambas.

– Eu... – começou ele, mas parou, respirou fundo e disparou – Eu acho que to gostando de você.

Me lembro de ter ficado muito surpresa. Eu também gostava dele, mas não consegui falar, porque a Luz voltou e a gente foi andando para a saída do shopping.

A mãe da Luz foi buscá-la. Naquela época o Lucas morava na mesma rua que eu, então voltamos andando juntos. O silencio era muito constrangedor, e eu não me lembro direito do que aconteceu, mas um tempo depois, na esquina de casa, embaixo da macieira eu dei meu primeiro beijo com ele. Claro que eu já havia namorado outros, mas ele foi diferente.

Ele me encarou surpreso e sem palavras. Peguei a mão dele e senti que ele estava suando. Ele me olhou surpreso, se se encostou à árvore e me puxou para os seus lábios.

– Eu sinto tanto a sua falta – falei com lágrimas nos olhos e um nó na garganta. Ouvi os saltos daquela mulher batendo no chão.

As luzes se acenderam e ela entrou na cela. Parou na minha frente e me entregou um jornal. Sentei na cama e olhei para o jornal. A primeira coisa que eu reparei foi a data. Se passaram 2 dias. Desci meus olhos pela pagina e meu coração se apertou no peito. A manchete principal dizia:

“Extra! Notícia de última hora! Delegacia de Policia da cidade pega fogo. 2 feridos e um morto”

Havia mais, mas eu não consegui ler. Abaixo dessas palavras estava a foto da delegacia. Minhas pernas cederam e eu caí de joelhos no chão, gritando.

Não podia ser possível. Eles não deveriam ter feito isso. Me levantei e fui pra cima daquela mulher e senti dois guardas me darem um tranquilizante, que não fez efeito, mas eu parei de me debater. Tampei minha boca com as mãos.

– Pai – sussurrei, chorando.

– Você foi avisada – falou aquela cobra, limpando sua roupa e ajeitando seu cabelo – Agora o pulso.

Estiquei meu braço para frente e senti uma picada no pulso, não adianta mais resistir, se eles quiserem me matar, que façam pelo menos ninguém mais vai estar em perigo.

– Esteja pronta em 5 minutos.

– Deixe – comecei e limpei a garganta, parando. Eu teria que cooperar, eles pegaram meu pai, não vou deixar que aconteça com o Lucas – Por favor, deixe a luz acesa.

Ela pareceu satisfeita. Meu coração dizia para não deixa-la sair dali e que eu deveria acabar com ela, por honra ao meu pai. Mas minha cabeça, ou a parte que estava raciocinando, me fez ficar parada com a mão sobre o coração, rezando para que ele estivesse bem aonde quer ele estivesse e pedindo para que nada de ruim acontecesse com o Lucas.

Primeiro a minha mãe, agora ele. Eu ia fazer, pensei clareando o cérebro. Eu ia ser o que eles quisessem. Ela saiu da cela batendo o cadeado, com um sorriso cínico no rosto.

Logo um homem magro, baixo, de olhos escuros e cabelos escuros raspados dos lados e com um topete loiro, entrou na cela. Ele trazia algumas roupas dobradas e parecia muito atraente para ser um servo.

– A senhorita Izabel pediu para você vestir isso e prender o cabelo – ele me entregou a roupa e eu fiquei olhando com cara de quem não estava entendendo nada – Izabel? A mulher que acabou de sair daqui?

– Ah sim – falei, sendo educada pela primeira vez nesse lugar – Obrigada.

Ele acenou com a cabeça e se virou para sair da cela, mas parou na porta e se virou.

– A proposito, me chamo Miguel.

– Agatha – falei acenando

– Eu sei – falou ele piscando para mim e saindo da cela me deixando sozinha.