O Segredo do Anjo

13 How Dare You Be Here?


Notas iniciais
Nome do Capítulo: Como Se Atreve a Estar Aqui?

*Narrador on*

Naquele dia Lucas esperou no carro até que o anjo aparecesse, não queria admitir, mas estava ansioso, pois nunca havia visto um anjo antes.

Minutos depois ele viu algo brilhante descendo do céu e ele não acreditou no que viu. Era um homem! E tinha asas! E elas eram gigantes! Ele ficou parado encarando o anjo, sem conseguir desviar o olhar. O anjo pousou suavemente e olhou ao redor.

Quando o anjo olhou para ele, ele simplesmente teve medo. Um medo sombrio que vinha de um canto escuro de sua mente, que fazia com que ele acreditasse nas piores coisas que já havia imaginado, como a morte de Agatha, por exemplo.

Ele lutou contra o pânico interno e lembrou a si mesmo que estava fazendo isso pela Agatha e que se não fizesse, ela provavelmente seria morta. Abriu a porta do carro e desceu, tão logo viu os olhos do anjo teve vontade de não ter o feito.

Seus olhos eram chamas vivas, como se pudesse matar Lucas apenas com um olhar. O medo aumentou enquanto Lucas fechava a porta do carro.

– Você é Lucas Payne? Namorado de Agatha Horan? – falou o anjo com uma voz que parecia Zeus falando. Um arrepio percorreu Lucas e ele sentiu-se culpado por estar ali naquele momento. O rosto do anjo estava contraído em uma expressão zangada. Controlou o terror que havia se instalado nele e respirou fundo.

– Sim, sou eu – respondeu meio gaguejando e sentiu um alivio quando o anjo abaixou as asas. E com ela e expressão rígida e toda a tensão e medo que estavam ao redor dele. Ele suspirou aliviado, como se algo que o segurasse finalmente o tivesse soltado, deixando-o livre.

– Precisamos conversar – falou o anjo, olhando ao redor, com a voz amenizada. Lucas simplesmente concordou e se virou para entrar no carro e notou que não poderia simplesmente deixar o carro da Agatha ali, nem o dele.

– Um minuto – disse ele para o anjo. Pegando o celular se lembrou de que um amigo havia pedido mais cedo seu carro emprestado para uma festa que deveria começar logo. Ligou para ele.

– Fala aí brother! – falou Bruno do outro lado do telefone.

– E aí Bruno, então ainda ta precisando de um carro pra hoje?

– Com certeza, minha mãe quem vai me levar – falou ele desanimado.

– Ah, eu não vou usar o meu então se quiser emprestado – Lucas não conseguiu terminar, só ouviu o Bruno gritando: “Ô mãe! Vô lá no Lucas, ta?”.

– Ta em casa? – perguntou logo em seguida.

– Não, não to na Ponte Quebrada – respondeu Lucas olhando ao redor para ver se o anjo ainda estava por perto. Ele estava parado encostado no capô do carro da Agatha.

– Í cara, o que aconteceu? – perguntou Bruno e Lucas ouviu uma chave ser girada, ele realmente não perdia tempo.

– Ah, umas paradas aí, vim pra cá para pensar e a Agatha me ofereceu uma carona – falou Lucas sentindo o coração apertar ao falar o nome dela.

– Então beleza, já chego ai, falou.

– Falou – disse Lucas desligando o telefone e se virando para Nataniel – Meu amigo vai vir aí pra levar o meu carro, mas... — ele se interrompeu quando notou que as asas do anjo haviam desaparecido, ele parecia apenas um humano normal agora. Virado de costas, olhando embaixo do carro de Agatha, falou:

– Mas seu amigo não está acostumado a ver anjos – perguntou ele encarando Lucas em seguida.

– Isso – disse Lucas tentando entender em como asas tão grandes podiam simplesmente desaparecer no ar, como se nunca tivesse existido e ele reparou que a camisa permanecia intacta. Lucas pensou que ela pudesse estar rasgada, mas não.

– Eu tenho muito que aprender – sussurrou Lucas para si mesmo – Espere no carro, sim?

O anjo deu de ombros e entrou no carro da Agatha. Lucas respirou fundo e esperou que Bruno chegasse o que levou uns 10 minutos.

Ele veio a pé. Estava vestido com uma jaqueta grossa de couro preto, botas de acampamento, uma toca cinza na cabeça e luvas da mesma cor.

“Mas é exagerado” pensou Lucas.

Bruno já morava na cidade quando Lucas chegou. Seu pai era o dono da academia e por causa dele Lucas conseguiu um desconto no primeiro ano que ele fez academia. Bruno tinha cabelo loiro escuro, olhos verdes e era muito alto.

– Ei Luca! – falou Bruno chegando e cumprimentando Lucas com um tapinha nas costas – Valeu por quebrar essa, levar a gatinha com a mãe junto não dá – falou ele dando risada logo em seguida.

Deu tudo certo. Depois disso o anjo indicou o lugar onde ele precisava ir e Lucas foi. Era um barracão, meio afastado da cidade. O anjo disse que era ali que ele ficava quando vinha para a cidade.

Ele abriu o barracão com uma marca desenhada perfeita e suavemente. Lá dentro era... Agradável. A entrada era em uma sala de estar, lá havia sofás, uma mesa de centro e varias armas expostas em quadros e havia três portas de vidro. Uma dava para uma cozinha com geladeira, fogão e micro-ondas. A outra dava para outra sala com uma mesa afastada cheia de papeis e matérias de pesquisas e uma mesa maior com varias cadeiras ao redor. E a outra porta dava para um “jardim” nos fundas da casa.

O anjo o levou até a sala com a mesa grande. Eles se sentaram à mesa e Nataniel pegou algo que se parecia com uma bola do bolso. Ela era perfeitamente redonda e tinha uma espécie de botão bem no meio. Ele piscava uma luz azul claro e quando Nataniel o apertou a bola se abriu em um mapa. Era incrível! Ele se espalhava pela mesa toda e mostrava todos os canos do planeta e em vários lugares havia luzes brilhando em diferentes cores.

– Eu não sei se você sabe – começou Nataniel – Mas a sua namorada é uma Protetora – Lucas assentiu. Indicando o mapa o anjo continuou – Isso é uma representação do Rastreador que nós anjos acionamos quando precisamos de ajuda. Ele rastreia todos os Protetores que existem no mundo e nos conecta com o mais próximo. Se tivéssemos sorte, Agatha seria a única Protetora da cidade e nós economizaríamos tempo. Mas como ela não é a única, teremos que entrar em contato com todos eles e isso pode levar dias.

– Olha Nataniel – disse Lucas – Ela sumiu, mas pode ser que amanhã ou depois ela volte.

– Sim, isso é possível, mas e se eu lhe dissesse que ela não vai aparecer? E que cada dia que temos é precioso para livra-la da morte?

– O que? – perguntou Lucas começando a ficar mais preocupado.

– Eu entrei em contato com um Protetor vindo de Florianópolis. Ele deve chegar logo. Ele tem trabalhado escondido para uma gangue e ele acha que ela pode ter sido capturada por eles.

– Ta, mas por quê?

– Deixe... – começou o anjo, mas foi interrompido por uma batida na porta – Deve ser ele.

O anjo saiu da sala e foi até a porta. Lucas ficou imaginando quem seria esse Protetor. Olhou para o mapa estendido encima da mesa, ele sempre fora bom com mapas e esse em especial lhe intrigava, pois ao mesmo tempo em que era um holograma, também estava lá realmente.

Ele tocou em um canto do Rastreador e ele se aproximou como se tivesse dado zoom. Ele tocou de volta e ele voltou a ficar grande de volta. Procurou a cidade no mapa e tocou próximo a ela. Com as mãos fez se aproximar mais e ele pode ver cinco Protetores na cidade e ele esperava que um deles fosse Agatha.

Ficou curioso e aproximou o mapa de onde estavam, mas não havia luz alguma ali. Era como se o Protetor que estivesse na porta, não fosse realmente um Protetor. Ele se levantou e se se encostou à porta da sala, encarando a outra, que havia sido aberta.

Um garoto alto, musculoso de cabelos escuros e espetados estava entrando pela porta. Ele vestia uma jaqueta de couro e estava com as mãos nos bolsos. Tirando uma das mãos ele a estendeu para Nate.

– Sou José, o Protetor que você chamou.

– Nataniel – falou o anjo apertando a mão dele – Agradeço que tenha vindo

– É sempre uma honra – disse ele olhando ao redor até que enxergou Lucas. Seu rosto ficou franzido ao encara-lo – Quem é ele? O que faz aqui?

– Ele...

– Eu sou Lucas Payne, namorado da Protetora que sumiu – falou Lucas se aproximando e estendendo a mão para ele.

– José Pitz, protetor de anjos.

Eles foram até a sala da mesa e se sentaram. Começaram a expor os fatos. José disse que ouviu os caras da gangue comentando sobre como a garota que eles pegaram era forte e comentaram que não era coisa natural. Lucas perguntou se ele tinha visto ela e ele negou, afirmando que estava ganhando a confiança do chefe primeiro que era um anjo caído, pelo que tinha ouvido. Lucas estava desconfiado dele e lançou a pergunta:

– Mas como eles não te viram chegar? Se ele é um anjo poderia ter visto pelo Rastreador, não?

– Sim, poderia. Se minhas roupas não fossem feitas para me camuflar de qualquer Rastreador.

– Legal, por isso eu não te vi chegando. Ta e o que faremos?

– Todo protetor deve ficar com o seu punhal, se o encontrarmos a encontramos – falou José.

– Mas não é mais fácil encontrar uma pessoa a um punhal?

– Sim e não – respondeu Nataniel. Lucas olhou para ele, confuso.

– Com o punhal nós podemos achar mais fácil pessoa a quem ele pertence, pois os fios de pensamento da pessoa estão diretamente ligados ao Punhal, por magia – falou José – Mas sem ele nós teremos que procurar em todos os lugares e aceitar qualquer alternativa.

– Mas e se ela não estiver com o punhal? – perguntou Lucas.

– Então teremos de encontra-lo — disse Nataniel.

Eles decidiram que Nataniel acharia o punhal, por ele ter mais experiência em buscas. José entraria em contato com os outros Protetores e Lucas, por conhecer melhor a cidade, recrutaria pessoas para ajudar.

Dois dias depois ele já havia contatado quase todos para ajudar. Explicou que Agatha havia desparecido e que precisavam da ajuda de todos eles para encontra-la. Todos os garotos toparam, exceto o Toninho que estava viajando. Lucas passou para Nataniel os nomes dos garotos e avisou que eles não sabiam lutar, apenas um ou outro faziam luta e ainda assim era um tipo de luta que não se usava nesse tipo de combate. Nataniel garantiu que ia encontrar alguém para ensinar eles a lutar.

Lucas se jogou na cama e se lembrou de todas as tardes que havia ficado naquela cama com a Agatha deitada em seu peito e sua respiração ali, perto dele. Parecia que isso havia acontecido há muito tempo.

Seu celular começou a tocar e o tirou de seus devaneios. Pegou o celular encima da mesa de cabeceira, e viu que era o anjo.

– Fala Nataniel – disse Lucas. Por mais que estivesse desanimado por Agatha ter sumido, estava ansioso para começar a treinar, entusiasmado até.

– Me chame de Nate, já falei – respondeu o anjo – Chame os garotos, achei alguém para ensinar vocês. Vocês começam hoje.

– Tudo bem, aonde te encontramos?

– Na minha casa tem um campo atrás, me encontrem lá em meia hora.

– Okay – disse Lucas e desligou. Desceu as escadas e foi para a sala onde sua mãe lia um livro ao som de Legião Urbana. Catarina Payne era uma mulher muito singular. Tinha o cabelo loiro-prateado muito cacheado e comprido que emolduram seu rosto pálido de olhos verdes e lábios finos. É muito caridosa e bem liberal com o Lucas. Ela era alta e tinha um estilo zen de se vestir.

– Mãe, eu vou me encontrar com os garotos, ta bom? – perguntou Lucas.

– Claro filho – disse ela e acenou para ele sentar ao seu lado no sofá. Ele foi e segurou sua mão – E a Agatha? Vocês conseguiram encontra-la?

– Não – disse Lucas. Ela havia contado a ela sobre tudo. Desde a conversa no carro até as revelações do anjo. Seu coração se apertou e a garganta se fechou em um nó – Eu sinto a falta dela – disse começando a chorar.

– Eu sei, eu sei – falou Catarina colocando a cabeça de Lucas em seu colo, como fazia quando ele tinha sete anos – Vocês vão achá-la. E além de tudo ela não é boba, vai volta na primeira oportunidade que ela tiver.

– Você está certa – disse Lucas – Obrigado.

Dizendo isso ele a abraçou e saiu. O Eduardo, ajudante dele na loja, morava com a avó na casa ao lado da de Lucas. Ele entrou pelo jardim e bateu na porta. A Vó Nena, como era conhecida a avó do Edu, abriu a porta e sorriu para Lucas.

– Oi Lucas, como você está, querido? – disse Vó Nena o abraçando. Ela era uma senhora de 63 anos de idade, tinha os cabelos brancos e a pele marcada por rugas da idade. Tinha a mania de dar conselhos que apenas a pessoa que recebia sabia do que se tratava. Todos a amavam era a avó de todos os garotos da cidade, não de sangue, mas sim de consideração.

– Tudo certo, Vó Nena – disse Lucas – O Edu ta ai?

– Ta sim, entre que eu vou chama-lo.

Lucas se entrou se sentou no sofá, onde eles costumavam se reunir para jogar videogame. Era meio de tarde, e Lucas estava frustrado. Há dois dias Nate tentava localizar o punhal, mas não teve nenhum sucesso. José estava tendo a mesma sorte, não havia encontrado nenhum dos protetores.

O Edu veio lá do quintal de trás com as calças sujas de lama e com luvas de jardinagem. Ele tirou as botas sujas e entrou na sala.

– Fala Payne – disse Edu cumprimentando ele com um tapinha nas costas.

– E aí Malik – falou Lucas – Nós temos que ir.

– Aonde? – perguntou Edu, ficando sério, já sabendo do que se tratava.

– Na Sede – disse Lucas. Os garotos não sabiam onde ficava, mas todos eles tratavam a casa do Nataniel como Sede.

– Ta bom, e os outros? – perguntou Edu.

Ele era baixinho, com cabelos castanhos bagunçados de skatista e com olhos verde-acinzentados. Ele tinha um irmão mais velho chamado Miguel. Ambos moravam com a avó, pois seus pais eram muito ocupados e moravam em Curitiba. Edu ajudava a avó com as tarefas da casa enquanto Miguel ajudava com as despesas.

– Tenho que avisar eles ainda. Vamos indo na casa do Gabe, enquanto eu falo com o Bruno. – disse Lucas, já pegando o celular. Edu avisou a Vó Nena e garantiu que ia ficar tudo bem. Eles saíram no momento que Bruno atendeu.

– Diga – falou Bruno, provavelmente ocupado, pois a voz parecia distante.

– Reunião, em dez minutos, na praça, fala com o Jonas e com o Alex.

– Beleza.

Lucas desligou e discou o número do John. Repetiu a mensagem pedindo pra ele levar o Thomas e o Gui, ele garantiu que estariam lá. Eles chegaram na casa do Gabe, Edu bateu na porta e eles esperaram até que Gabe abriu a porta sem camisa e com cara de quem estava dormindo.

– Hm – resmungou.

– Precisamos ir – falou Lucas. Gabe logo se espertou e mandou eles entrarem enquanto colocava alguma roupa. Eles entraram e se sentaram no sofá e começaram a conversar. Ambos estavam tensos, mas o silencio não ajudaria em nada. Logo Gabe voltou e eles saíram em direção à praça. Todos estavam nervosos e aqueles que estavam na praça não estavam muito melhor. Eles se cumprimentaram e Lucas passou os avisos.

– É o seguinte: nós vamos treinar para matar. Nós vos aprender a esfaquear um humano ou monstro. Estejam preparados para enfrentar qualquer coisa. Não sei o que Nate está preparando. Não sei quem vai nos treinar. Mas eu sei que a Agatha precisa de ajuda e que está correndo perigo de vida e eu sei que eu vou ajudar ela, vocês vão?

Os garotos ficaram em silencio. Não havia resposta para essa pergunta. Muitos deles conheciam a Agatha desde pequenos. E todos tinham uma amizade muito forte com Lucas. Eles foram andando até a Sede, o que levou uns vinte minutos.

Lucas bateu na porta e percebeu que muitos estavam nervosos, a tensão no ar era quase palpável. Ele riu por dentro. Nate abriu a porta por dentro e encerou Lucas, olhando de relance para os outros. Ele estava com as asas fechadas em suas costas, sua camisa estava encharcada e suor e a respiração pesada.

– Está atrasado – disse o anjo. Alguns garotos estremeceram, mas Lucas se manteve calmo.

– Vim o mais rápido que pude – disse Lucas. O anjo abriu mais a porta e deixou que eles entrassem, trancando a porta atrás do ultimo.

– E então? O que vamos treinar? – perguntou Bruno, o mais animado deles.

– Vocês vão aprender a matar, não chame isso de treino – repreendeu Nate. Ele assobiou e um lobo entrou na sala, vindo do lado de fora.

Ele era gigante e tinha os olhos castanho-avermelhados e um pelo cinza brilhante. Em algum momento entre um piscar de olhos e outro ele se transformou em um humano. Varias exclamações de surpresa percorreram a sala, até mesmo Lucas se assustou.

O lobisomem aparentava ter mais ou menos vinte e dois anos. Tinha os cabelos ruivos curtos, a pela muito pálida e um jeito de “pai” por assim dizer.

– Eu sou Nick Grey-Wolf – disse o rapaz – Sou o lobo-alfa do bando de Floripa. Meus lobos vão ajuda-los nessa busca. Nesse momento estão percorrendo a cidade em busca de pistas. Enquanto isso eu ensino vocês a matar e sobreviver em guerra.

Alguns garotos engoliram em seco. Falando assim parecia algo terrível, mas todos eles estavam dispostos a ajudar Agatha e nenhum queria morrer. O lobisomem os levou para o campo atrás da casa. Havia vários objetos de luta ali, como por exemplo, muitos sacos de areia (daqueles de academia) e bonecos que imitavam humanos, mas sem braços e pernas.

– Formem duplas, vocês vão se revezar na corrida – falou Nick colocando um cone perto da casa e de repente ele estava do outro lado do campo colocando outro cone lá e depois ele voltou ao meio do percurso, formando um triangulo entre os cones.

As duplas foram: Lucas e Gabe, Edu e Bruno, Alex e Gui, John e Thomas. Jonas sobrou, mas ele até iria preferir ficar sozinho quando o anjo falou:

– Está faltando um.

– Não, não está – disse José chegando e largando o cinto de armas – Eu só estou atrasado.

– Então vamos – repreendeu Nick.

– Espera aí – disse Lucas – Ele também vai treinar?

– Apenas pra fechar o número – disse José dando de ombros – Protetores não precisam... – ele parou de falar quando avistou o Edu – Eu conheço você, era você quem estava falando da Agatha. Como se atreve a estar aqui?

Ele gritou a última frase. Não estava acreditando que ele estaria ali pra ajudar a “achar” a Agatha, sendo que sabia muito bem onde ela estava, já que ele trabalhava pra o anjo que pegou ela.

– Do que você ta falando? – disse Edu – Eu nunca te vi antes.

– Era você que está trabalhando para o anjo – disse José. Lucas não acreditou no que estava ouvindo, não era possível. Edu não faria uma coisa dessas, mas o Miguel talvez.

– Não, você está enganado – disse Lucas – Você deve ter confundido ele com o irmão, Miguel.

– É, eu nem trabalho, cara – disse Edu.

– Mas o seu irmão sim, e ele sabe onde está Agatha – disse José, como se achar ela também fosse algo que ele quisesse.

– Chega de discutir – disse Nick fazendo eles pararem e prestarem atenção nele. Lucas olhou o percurso, não seria fácil, mas também não era tão difícil. – O primeiro de vocês fica aqui – Nick se aproximou da casa e foi em direção ao outro lado do campo – E o outro aqui vocês devem correr até aqui – se aproximou da ponta do triangulo – Pegar um cordão e levar até o outro da dupla. A outra pessoa deve vir até aqui, deixar o cordão e voltar para o primeiro cone, aí é a vez da próxima dupla. Quem tiver o menor tempo ganha. Entenderam?

Todos assentiram com a cabeça e a primeira dupla (Lucas e Gabe) se posicionou. Nick apitou e soltou o cronômetro. Lucas correu até o cordão e levou até Gabe, que assim que tocou no cordão correu até o cone e o largou lá, voltando para o primeiro cone.

– Muito bom, mas se um demônio estivesse perseguindo, você – apontou para o Gabe, que estava arfando – Estaria morto. Próximos.

As duplas foram correndo e a dupla mais rápida foi a do José e do Jonas. Depois disso eles pararam para tomar água e descansar, vendo Nick explicar sobre armas. Eles aprenderam como segurar uma espada e os lugares certos para acertar um demônio para que esse morresse.

– O tipo mais difícil de demônio, para se matar, são os Galitus. Eu nunca vi ninguém matá-lo e nunca matei um. – falou José, só comentando.

– Eu já vi um ser morto – falou Nate, atraindo a atenção de todos.

– E quem o matou? – perguntou Thomas, curioso.

– A Agatha.