O Segredo do Anjo
14 It's Amazing That You Still Alive!
Notas iniciais
*Agatha on*
Eu me vesti e esperei na cela. Fiquei em silêncio e pude ouvir o som do meu coração batendo no peito. Cada batida era lenta e parecia a de um tambor: ritmado e contido. Eu já havia chorado o suficiente pelo meu pai e decidi que iria parar. O choro apenas faria mal a mim e como eu não sabia o que estava me aguardado guardei todas as minhas energias que restaram, mas sabia que me recuperaria rápido e o que quer que fosse seria fácil de aguentar.
Pensei em o que Lucas estaria fazendo nesse momento e rezei para que ele estivesse em segurança e acabei pensando em Nate, rezei por ele também. Pensei em sua risada, em seu rosto e pedi para que ele estivesse bem.
Controlando-me para não chorar, acalmei meu emocional: meditei. Havia feito varias aulas e aprendi varias maneiras de me manter calma durante qualquer situação estressante. Concentrei-me no nada e apenas ouvi. Deixei-me vagar pelos corações que batiam nos guardas ao redor da cela, cada um tinha um ritmo diferente. O meu era o mais pesado e mais fácil de ser ignorado. Me acostumei a ele e ouvi água pingando em algum lugar distante. Com os olhos fechados me encontrava no meio de uma selva com uma nascente a cortando ao meio.
Vi árvores altas e pássaros cantando. Podia ver cada detalhe nas pedras e avistei ao longe uma pequena, porem formosa, cachoeira. Ela pingava devagar, como se não tivesse pressa como todo o mundo. E talvez ela não tivesse.
Ouvi passos na grama e imaginei se era isso que eu não enxergava no fim do corredor, percebi o silêncio repentino de nenhum coração batendo. Continuei firme com a visualização do lugar onde eu estava, era tudo verde e com cheiro de terra e grama crescendo, um cheiro que eu havia amado durante toda a minha infância quando chovia.
Os passos se aproximaram e senti meu coração pulando no peito e usando um vestido branco esvoaçante, com o cabelo preso em um coque alto estava, minha mãe fugindo ou caçando algo. Quando seus olhos se fixaram em mim, sua expressão foi de assustada a preocupada e de preocupada a triste.
Ela estava descalça, segurando uma bolsa prata e sua pele estava mais branca, mais pálida, do que eu me lembrava. “Não pode ser ela” minha cabeça gritava, mas meu coração dizia: “É ela, é um anjo, corre, abraça ela”, mas eu não me mexi. Meu coração se apertou no peito enquanto ela se aproximava. Ela colocou a mão no meu rosto, sentindo a minha pele, e logo em seguida tampou a boca com ela.
Seu rosto estava borrado com lágrimas, assim como o meu. Eu sentia tanto a falta dela que essa podia ser apenas uma alucinação da minha cabeça. Tentei falar, mas da minha boca não saiu voz, olhei para ela e percebi que eu não estava ali realmente. Mesmo podendo senti-la eu não estava na presença da minha mãe. Era como se eu fosse um holograma.
– Não fale – disse ela com a voz controlada, quando percebeu o que eu estava tentando fazer – Pense, eu posso te escutar. Me mostre onde você está.
“Eu não sei” pensei.
Ela respondeu:
– Está na cidade?
“Eu fui pega na Ponte”
– Certo – disse ela como se isso revelasse algo.
Eu tinha tanto o que perguntar e o que falar. Perguntar se ela estava bem, o que havia acontecido, se ela sabia o que houve com meu pai. Eram tantas dúvidas, mas não falei nada disso, apenas pensei:
“E o Lucas?” senti uma lágrima escorrer pelo meu rosto, lembrando-me novamente do sorriso dele.
– Ele está bem – disse ela com um sorriso no rosto – Está te procurando, assim como eu. Estou tão orgulhosa de vocês dois.
Senti mais lágrimas escorrendo pelo meu rosto, mas fui obrigada a abrir meus olhos com um tapa forte que me atingiu no rosto. Eu estava estirada no chão da cela, devia ter perdido a consciência. Vi o polaco parado na frente da Izabel. O olhei não entendendo nada.
– Isso é para você aprender a não me responder – disse ele com o rosto vermelho de raiva.
Eu não entendi. Não ouvi eles chegando. Lágrimas escorriam de meu rosto. Odiava chorar na frente dos outros, ainda mais na frente de inimigos. Me recompus rapidamente me levantando.
– Me desculpe – falei contendo as lagrimas e desamassando a minha roupa. Ele pareceu surpreso, como se esperasse que eu reagisse de modo diferente.
– Impressionante – disse ele se virando para Izabel – Sinto muito por não ter acreditado em ti quando falou.
Ela apenas deu de ombros, e logo em seguida saiu da cela, deixando-a aberta para ele passar. Ele segurou um dos meus braços brutalmente e falou ao meu ouvido, sua voz parecendo um rosnado.
– Eu avisei, não? O próximo é o coitado do Lucas – disse ele cuspindo o nome do meu namorado. Com isso ele colocou uma venda sobre os meus olhos e amarrou meus pulsos.
Eu estava apavorada, mas me mantive calma, não deixei que esse ato me abalasse. Fiquei calma e enquanto ele me arrastava atrás dele, contei os passos até pararmos de novo. Ouvi algo ser digitado e o som de uma porta se abrindo logo em seguida. Decorei o barulho. Eu era boa em memorização e o fato de ser uma Protetora também me ajudava.
Passamos por um degrau e logo percebi a mudança de terreno. Antes era piso, duro, mas agora estava mole, como areia ou terra seca. Senti um vento gelado no meu rosto e identifiquei o cheiro do mar. Era salgado e me lembrava de quando eu era pequena e eu, meu pai e minha mãe íamos de casa para a praia durante os sábados, dias na praia com os amigos e tardes de surf com o Lucas.
Ele soltou e desamarrou meu braço e soltou minha venda. Olhei o redor. O chão era feito de areia, como eu tinha pensado e não havia nada além dela. Era areia para todos os lados. Haviam paredes feitas de metal me cercando, em todos os lados e no teto distante. Em alguns intervalos havia pequenos buracos nas paredes e do outro lado da "arena" havia uma porta, idêntica a que havia atrás de mim.
Ouvi o cara e Izabel saírem dali e a porta ser trancada, com o mesmo código, notei. Logo acima da porta havia um espelho gigante. Cerrei meus olhos e notei que era um espelho falso, daqueles usados em salas de interrogação em filmes policiais. Concentrei mais ainda meu olhar e pude notar apenas quatro vultos. Um muito alto e outros três um pouco mais baixos, e eu pensei ter visto asas.
Olhei ao redor, esperando algo acontecer e já estava pronta quando de uma das paredes veio um barulho de algo queimando e um cheiro insuportável seguido de uma bola de fogo vinda em minha direção. Me abaixei e rolei na areia. Logo vi mais duas vindo em minha direção e com facilidade desviei delas.
Eles estavam me testando. Ouvi algo ser girado e me virei em direção ao som. A adrenalina da luta estava começando a tomar conta do meu corpo, logo eu teria força para fazer qualquer coisa e eu amava essa sensação.
A porta do outro lado estava se abrindo e eu encarei enquanto um cão preto se aproximava de mim. Olhei melhor e reparei nas orelhas pontudas que estavam erguidas e na calda rebelde que se arrastava no chão atrás dele. Sua boca estava com os dentes a mostras e um rosnado saía por entre eles. Seus olhos eram cor de safira e ele parecia muito selvagem, pois seu pelo estava com alguns buracos faltando. Não era um cão. Era um lobo.
Um rosnado feroz saia de sua boca e meus olhos se arregalaram de surpresa quando reparei que seu coração batia igual à de um humano. Eu estava pronta para ataca-lo quando uma voz grossa falou de algum lugar que eu não podia ver.
– Não se matem, preciso dos dois vivos.
Eu encarei o lobo e me perguntei por que uma pessoa iria precisar de um lobo? Certamente havia mais de onde veio esse. O lobo balançou a cabeça, como se concordasse e foi então que eu me dei conta: Não era um lobo, mas sim um lobisomem.
Desde que me tornei Protetora eu quis encontrar um, mas em uma arena não era a forma mais segura de fazer isso. Eles são fortes, tanto quanto um vampiro, ou um demônio, são as criaturas mais rápidas do mundo e também as mais bonitas.
Engoli em seco. O único ponto fraco que eu conhecia de um lobisomem era a bala de prata, e isso poderia mata-lo. Eu não tinha a mínima ideia de como ganhar sem matar ele. Me preparei e ouvi um apito ser soado muito alto, tão alto que qualquer um seria incapaz de ouvir, mas eu não sou uma humana comum.
O lobo correu em minha direção e chegou a um espaço de tempo muito curto. Pulou com as duas patas dianteiras no meu peito me fazendo cair no chão. Sua boca tentava me morder, mas eu o arremessei para o outro lado da arena. Ele acertou uma das paredes. Ouvi o impacto e provavelmente eu quebrei algum osso dele, pois ao tentar se levantar ele caiu novamente no chão.
Ele mudou de lobo para humano e isso era muito estranho. Seu pelo virou roupa, sua pele se esticou e revelou um homem com os mesmos olhos safiras penetrante do lobo. Suas roupas estavam rasgadas e seu cabelo escuro estava mal cuidado. Ele se contorceu onde estava.
Eu sabia que lobisomens se recuperavam rapidamente e achei que ele não iria me atacar de novo. Mas ele se levantou com a raiva dominando seu olhar e a dor presente em seus movimentos. Ele correu e deu um pulo, voltando a ser lobo. Ele me atacou e eu senti seus dentes perfurarem o lado esquerdo do tronco. Dei um soco em seu rosto, fazendo-o se afastar de mim. Senti o sangue escorrendo do ferimento e logo em seguida ele começando a querer cicatrizar.
Não iria deixar que ele me atacasse de novo. Corri até o lobo e o ferimento abriu, mas de algum modo eu consegui imobilizar o lobo. Era difícil lutar com o ferimento aberto, todo o movimento que eu fazia machucava, mas não daria para ficar parada.
Ele se debatia embaixo de mim, tentava me morder e de livrar do meu braço que lhe apertava o pescoço. Apertei o braço, com certa dificuldade e ele ganiu desistindo de reagir. Soltei um pouco o aperto, mas afinal ninguém tinha mandado parar, portanto continuei segurando, mas mais fraco. Ele se debateu e eu acertei sua perna, fazendo ele uivar.
– Solte-o – disse a mesma voz de antes – Muito bom. Excelente desempenho dos dois.
Soltei o lobo. Ele voltou a ser humano e saiu da arena mancando, sem nem olhar para mim. Me deitei na areia. O ferimento estava doendo muito, coloquei minha mão encima dele e fechei os olhos, sentindo a marca dos dentes dele, onde agora se fechava. Fiquei parada encarando o teto escuro.
– Está pronta? – perguntou a voz.
Me levantei mostrando a minha resposta e esperando que outro ser entrasse pela porta. Ouvi varias coisas sendo giradas, em maior número dessa vez, estão se virando na minha direção. De repente no ponto onde eu estava olhando um tiro veio em minha direção.
Arregalei meus olhos e me joguei no chão, desviando do tiro que acertou a areia ao meu lado eu fiquei encarando aquilo. Era uma bola pequena e prateada, ao atingir o solo ela se abriu em um liquido verde que foi absorvido pela areia, sem deixar rastro para trás.
O ferimento do lobisomem ainda ardia, mas mesmo assim me levantei e desviei de mais três tiros. Quando notei que a frequência começou a ficar mais forte gritei:
– Eu preciso de uma arma! – e logo depois disso um tiro acertou minha perna me fazendo gritar de dor e me jogar no chão novamente. Podia ver o líquido verde adentrando na minha perna. Minha perna começou a queimar por dentro, mas eu não podia desistir. Vi algo brilhando ao meu lado e arranjando forças de algum lugar desenterrei uma adaga larga, comprida e prateada. Havia inscrições em todo o seu comprimento em um tipo de runa que eu desconhecia, mas eu não ia me preocupar com isso agora.
A segurei pelo cabo e com certa dificuldade me coloquei de pé enquanto os tiros tentavam me acertar. Ergui a adaga e segui uma serie de instruções, do mesmo jeito que aconteceu na Ponte, e defendi todos os tiros que tentaram me acertar. Minha perna latejava e a dor começara a se espalhar para outros cantos como meu pé e minha coxa, mas eu não podia parar. Percebi que o ritmo diminuía e decidi terminar com estilo.
No momento em que o ultimo tiro vinha em minha direção eu ergui a adaga e no momento seguinte cortei a bala ao meio fazendo o líquido verde escorrer pelo fio da adaga. Me joguei no chão, largando a adaga e aliviada pelos tiros terem acabado.
– Tenente Robert, leve-a para dentro, foi o suficiente por hoje. – ouvi a voz dizendo. Com isso o mesmo cara de antes entrou na arena e me ajudou a me levantar. Eu já não sentia minha perna direita, por isso me deixei ser ajudada por ele.
– Venha, eu te ajudo – disse ele com algo diferente na voz e me apoiando em cima de seu ombro – Foi incrível o que você fez aqui.
Eu assenti com a cabeça. Não teria coragem de falar, sentia que durante alguns segundos eu explodiria em mil cacos de vidro. Ele não me vendou dessa vez e eu pude ver todo o caminho. Prestei atenção em cada detalhe por onde passávamos lentamente. Alguém digitou o código, mas eu não consegui ver quem foi. Ele me levou para dentro de corredores cheios de tochas acessas nas paredes. Senti o cheiro de fogo e também de um perfume meio ácido, ouvi o som de nossos passos ecoando e ouvi seu coração batendo, não estava calmo como das outras vezes, nem irritado, apenas... Preocupado.
Ele destrancou uma das portas e revelou um quarto com uma cama de casal aconchegante e uma lareira quentinha. Havia um armário e roupas dobradas encima da cama. Havia uma porta aberta ao lado da cama e eu vi que era um banheiro com uma pia, um vaso sanitário e uma banheira com alguns produtos de higiene pessoal.
Ele me ajudou a sentar na cama e depois trancou a porta, voltando com uma maleta de primeiros socorros. Ele se aproximou de mim e eu me afastei. Não iria confiar nele, nem em ninguém daqui.
– Calma – disse ele erguendo as mãos e me olhando com uma certa pena – Eu vou te ajudar com isso aqui.
Ele indicou a minha perna que doía então que eu vi como eu estava. Minha roupa estava completamente rasgada e tanto a calça quanto a blusa estavam manchadas de sangue. Ele se aproximou novamente e dessa vez eu deixei.
Ele rasgou um pedaço da minha calça, mostrando um ferimento terrível. Ainda saía sangue do ferimento, por isso ele pegou algodão e colocou em cima. Ele limpou todo o ferimento e eu vi que não estava tão mal assim. Ele pegou uma pinça de dentro da maleta e eu fechei meus olhos.
No momento em que a pinça tocou minha perna, tive que morder meu lábio para não gritar. A primeira vez foi a mais doída. Senti a pinça entrar e sair mais duas vezes da minha perna. Senti ele passar um algodão pela minha perna e decidi abrir os olhos. Não vi onde a bala estava, mas a minha perna antes sangrenta e rasgada, agora estava limpa e começando a cicatrizar.
Ele desviou o olhar enquanto eu não podia parar de olhar, claro que eu já havia visto outros ferimentos cicatrizarem, mas esse foi muito mais rápido, pelo tamanho. Fui me levantar, mas me lembrei do ferimento do lobisomem, que não me deixou me mexer sem antes gritar de dor. Ele arregalou os olhos, acho que não sabia que o lobisomem havia me atacado.
– deite – disse ele urgentemente, talvez pensando que havia sido outra bala. Me deitei – erga a camiseta, por favor.
Ergui a camiseta apenas o suficiente para deixar o ferimento à mostra. Ele arregalou os olhos, não acreditando que eu havia levado uma mordida de lobisomem. Ele rapidamente pegou a maleta e começou a limpar meu ferimento.
– Santo Deus, não tenho muito que fazer aqui – ele limpava cuidadosamente o ferimento, mas mesmo assim fez eu me contorcer de dor – Desculpe.
Ele começou a passar o algodão com mais cuidado ainda. Ele limpou o sangue e colocou algo para parar o sangramento. A dor não passou, mas aliviou. Me sentei na cama e olhei para ele que estava sentado ao meu lado na cama.
– É incrível que você ainda esteja viva – disse ele indo até o banheiro e limpando as mãos – Essa bala tem veneno e ele se espalha por todo o corpo e em questão de segundos a pessoa desmaia desse modo nós a trazemos inconsciente para um desses quartos como recompensa, mas você merecia muito mais. Nunca vi ninguém lutar tão bem quanto você lutou hoje, e olha que estava ferida, imagina se não tivesse.
Dizendo isso ele pegou a maleta e começou a sair do quarto. Eu o chamei, fazendo-o se virar e me encarar. Mesmo com tudo o que ele me disse, não conseguia me sentir bem, nem mesmo orgulhosa pelo o que eu tinha feito.
– Obrigada – disse sincera – Você sabe por quanto tempo eu vou ficar aqui?
– Eu realmente não tenho certeza, mas continue assim que será recompensada.
Com isso ele saiu do quarto me deixando sozinha novamente, a dor na minha barriga era tanta que eu não conseguia me mexer. Fiquei deitada na cama encarando o teto e novamente meditei. Fechei os olhos e dessa vez um quarto se formou ao meu redor. Vi a cortina esvoaçante na janela ao meu lado e reconhecendo a paisagem lá fora, senti um cheiro. Um cheiro pelo o qual eu era viciada, apaixonada e completamente louca por ele. Era o cheiro do Lucas. O perfume dele estava em todo lugar e então eu notei o porquê que eu reconhecia a paisagem: Eu estava no quarto dele.
Ouvi passos subindo a escada e um coração batendo calmo e tranquilo. Os tênis de corrida batiam nos degraus de um jeito que acelerou meu coração, pois eu sabia que eram os seus tênis de corrida. Eu queria vê-lo, mais que tudo nessa vida eu queria vê-lo. Pela primeira vez em dias eu tinha algo pelo o que sorrir, mas ainda assim não conseguia. Apenas estava nervosa e ansiosa.
– Não Nate, eu não achei o Punhal dela. – disse Lucas com a voz muito próxima fazendo minha garganta se fechar nesse instante. Ele falava com alguém, provavelmente no telefone, pensei ter ouvido a voz do Nate, mas eu simplesmente não conseguia entender. Eu ouvia a doce voz dele, mas não fazia sentido pra mim. Só conseguia entender que ele estava do outro lado da porta. A maçaneta girou e meu coração bateu desesperadamente. Ele queria abrir um buraco no meu peito, pular para fora do meu corpo e correr para os braços do Lucas, mas meus pés não me obedeciam. De algum modo eu estava com medo de ver ele. – Não estava no carro.
Ele abriu a porta e olhou em minha direção. Ouvi seu coração acelerar, o celular cair no chão e seus olhos se arregalarem. Minha garganta não aguentou mais e eu chorei, deixando lágrimas quentes escorrerem pelo meu rosto. Ele se aproximou de mim relutante, esticou a mão e tocou no meu rosto, do mesmo modo que minha mãe havia feito mais cedo, coloquei minha mão sobre a dele e fechei meus olhos apenas sentindo sua pele macia contra a minha. O simples toque dele lançava faíscas e correntes de choque pelo meu corpo, era como se nada mais existisse apenas eu e ele, como se eu não estivesse presa, como se eu estivesse realmente lá. Ele me puxou pelo braço e me deu o abraço pelo o qual eu estava esperando há dias. Enterrei meu rosto em seu ombro o abraçando também.
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