Notas iniciais
Nome do Capítulo: Dia Normal...

Um dia normal. Mesmo movimentado hoje foi um dia normal. Terminei de limpar aquela mesa e fui para a dispensa, nos fundos, para tirar meu avental e pegar minha bolsa. Fui para o estacionamento e comecei a procurar minhas chaves na bolsa

“Droga, vou ter que ir até a loja da frente” – pensei.

Cheguei na loja do Lucas e entrei. O sino da porta fez barulho hora que a abri. O Lucas já veio lá de trás com um Cd na mão.

– Ei, já ouviu o novo da Selena? – pergunta ele me mostrando a capa.

– Oi pra você também. – digo colocando minha bolsa em cima do balcão.

– Ah é, oi – diz ele sentando na cadeira enquanto eu subo no balcão – O que faz aqui?

– Perdi as chaves.

– De novo?

– De novo – digo – Que horas você sai?

– Ahn, daqui a uns 5 min – diz olhando para relógio – Quer esperar?

– Claro – digo descendo do balcão e indo para o escritório – O que você tem pra comer?

– Na verdade, nada – diz ele me seguindo e se jogando no pufe que fica na frente da TV — Por quê?

– Porque eu to com fome horas – digo me jogando em cima dele.

– Não se preocupe cm isso – diz fechando os olhos.

– Não me preocupar com isso? – digo encarando ele – Por quê?

– Porque faltam 3 minutos pra eu sair – diz ele olhando no relógio novamente.

– E...

– E a gente vai ao restaurante hoje – diz ele – Agora levante-se.

Eu me levanto e uma musica me vem na cabeça:

– Have something in the way you move, makes me thing I just can live without you, I want to you stay – canto pra ele.

–Rihanna de novo? – pergunta ele rindo e começando a ajeitar as coisas pra fechar a loja. — Ontem já foi Diamonds e hoje Stay. Tem que dar uma mixada no seu repertório “My Darling”.

Eu mostro a língua pra ele e me levanto do pufe. Ele já está com as chaves quando sai do escritório. Eu fico sozinha por lá. Começo a pensar sobre anjos e sobre o sonho da noite passada. Eu ainda sou novata nessa historia de ajudar anjos. Pra falar bem a verdade, nunca vi um anjo assim na vida real. Me encosto na porta e fico olhando o Lucas fechar as cortinas e virar a plaquinha da porta de aberto para fechado. Ele apaga as luzes e vem em direção ao escritório.

– Vamos? – diz apagando a luz de lá e trancando a porta.

Caminho até a porta da frente e saio antes dele. Ele tranca a porta da frente e segue para o carro. Eu paro na frente dele e estendo a mão, querendo que ele me passe às chaves.

– O que? – diz ele parando.

– As chaves.

– As chaves? Você quer as chaves?

– Claro, o carro eh meu – digo cruzando os braços.

– Mas eu deveria dirigir. – diz ele estendendo a chave pra mim.

Eu vou para pegar a chave e ele desvia da minha mão.

– Opa não ta conseguindo pegar as chaves, Agatha? E agora? – diz dando risada e erguendo a chave.

Eu pulo para pegar a chave, mas não consigo. Ele me segura pela cintura e diz:

– O que eu ganho deixando você dirigir?

– O que você quer? – pergunto apoiando meus braços em seu pescoço.

– O que eu quero? – diz me puxando mais perto.

– É, o que você quer? – digo olhando para os olhos dele.

– Eu quero algo? – pergunta ele.

– Sim, você quer algo — digo dando um selinho nele.

– Mas eu já tenho tudo o que eu poderia querer – diz ele me olhando, tão lindo, nos olhos.

– Ah é? – pergunto puxando ele para perto do carro.

– É – diz ele me apoiando no capô do meu Fiesta azul.

Ele começa a me beijar de um jeito feroz, mas meu celular começa a tocar Rock N’roll da Avril. Eu paro de beija-lo e pego meu celular para atender

– Desculpa, eu tenho que atender – e me afasto do carro, indo para onde ele não possa me ouvir.

– Alô Agatha Horan? – pergunta uma voz no telefone, a voz era de homem, mas não parecia muito velha, parecia que a pessoa tinha acabado de correr, e muito, pois não parava de arfar, tentando recuperar o fôlego, mas não parecia que estava correndo por diversão, mais parecia por obrigação. A voz, além de tudo, estava desesperada e um pouco chorosa. Como se a pessoa estivesse com medo de algo.

– Quem é? – respondo desejando não ter atendido.

– Você é a Agatha? – pergunta a voz do outro lado.

– Sim, sou eu – respondo meio insegura.

– Sou Nataniel Grey, sou um anjo, preciso da sua ajuda, me encontre na praia.

– Ta, mas em qual praia?

– Você saberá. Seja rápida.

– Ta bom, já estou indo para aí

– Ahn, Agatha? – diz Nataniel.

– Oi? – respondo automaticamente.

– Estou cercado. Tem algo me perseguindo e eu estou com medo. Por favor, me ajuda. – e então ele desliga.

– Quem era coração? – diz Lucas se aproximando.

– Era... – limpo minha garganta, eu odiava ter que mentir pra ele. – Era a minha prima, querendo me encontrar na praia pra conversar.

– Hm, legal – diz ele voltando para o carro – Mas agora?

– Pois é, parece que o namorado dela lhe deu um fora e ela ta mal, precisando desabafar, você não se incomoda por eu ter que ir lá, né? – pergunto toda fofa.

– Claro que não, princesa.

– Passa lá em casa as sete? – digo entrando no carro.

– Claro – diz e me beija pela janela.

Pego as chaves e ligo o motor do carro e coloco meus óculos de sol. Ele se afasta do carro e eu saio do estacionamento e sigo em direção à praia. Eu precisava falar com ele, precisava falar tudo, e ia falar hoje no jantar.