O Segredo do Anjo

22 Now I Believe in Agatha


Notas iniciais
Nome do Capítulo: Agora Eu Acredito Na Agatha

*Luz on*

– Portal? Então isso existe?! – perguntou Alex. Todos os meninos estavam animados por causa da minha ajuda e do Punhal.

Foi fácil convencer o diretor a me ajudar. Ele logo selecionou os 20 melhores para vir, mas dois não puderam chegar hoje e vem amanhã. Eu já tive aula junto com todos eles. Depois de eles irem embora eu vi o Punhal e eles me contaram tudo o que eu ainda não sabia e quando terminaram o Gabe chegou e meu celular tocou.

Fui atender lá fora e vi que era o Rafa. Sorri, mas lembrei do aviso da Agatha. “Ele é perigoso” ela disse. Ignorei a ligação e me sentei na grama.

Pensando no que eu ia fazer, fechei meus olhos e me deitei na grama. Senti alguém se aproximando de mim, mas mantive meus olhos fechados, sentir o Sol tocando minha pele era melhor do que prestar atenção em quem quer que fosse. A pessoa se sentou e passou a mão pelo meu cabelo. Pensei que fosse o Bruno, mas ele já teria falado alguma coisa.

Me mexi e abri meus olhos sorrindo. Me surpreendi ao ver o Jonas olhando ao redor, ainda com a mão em meu cabelo. Ele me olhou e deu de ombros como se dissesse que não sabia o que estava fazendo ali. Ele ia se levantar, mas segurei o braço dele e ele ficou sentado. Me sentei ao seu lado.

– Por que você me trata daquele jeito? – perguntei, sem pensar muito, mas de um jeito carinhoso. Havia algum tempo que eu queria perguntar isso a ele. Senti minha garganta apertar, eu estava a ponto de chorar.

– Eu não sei – ele abaixou a cabeça – Eu sinto ódio quando alguém se aproxima de ti. E não acho legal que você esteja sempre aqui, porque você é a única menina e eu não gosto de ver você cercada por garotos.

– Mas eu conheço eles desde sempre – falei. Eu estava entendendo. Ele sente ciúmes. Ciúmes de mim!

– Eu sei – ele abaixou a cabeça e sussurrou algo que não consegui entender. Pedi pra ele repetir – Eu disse que queria que você fosse minha!

Ele se levantou estressado. Percebi que estava chorando. Meu coração se afundou como eu não percebi isso antes? Me levantei atrás dele e toquei seu ombro.

– Desculpa – disse ele antes de se virar e me segurar pelo ombro. Olhei em seus olhos verdes que brilhavam de desejo. Fechei meus olhos, deixando que ele decidisse o que fazer. Seu toque me deixava em êxtase, senti seus lábios tocarem os meus e cedi, me entreguei a ele. Não tinha percebido o que eu sentia, até esse momento. Ele me segurava pela cintura, enquanto me beijava. Ele terminou o beijo puxando levemente meu lábio inferior.

Apoiando sua testa na minha e com a respiração ofegante falou que me amava.

– Eu também – suspirei. Estava sem ar, e agora tinha mais um problema para resolver. Deixei uma lágrima escorrer pelo meu rosto e Jonas a pegou.

– Me desculpe – falou ele – Por tudo o que eu te fiz, eu não sabia o que eu sentia.

– Você não tem que se desculpar, eu não percebi o que você sentia. Poxa, eu não sabia nem o que eu sentia – falei olhando pra ele.

– Tudo bem – ele limpou seu rosto e o meu também. Pegou na minha mão e me levou para dentro. Os garotos ficaram olhando para as nossas mãos unidas. Bruno soltou uma risada, mas logo voltou a prestar atenção na imagem que passava vinda do Punhal.

Agatha estava vendada e sendo levada por um corredor cheio de guardas por um cara loiro e alto. Ele abriu uma porta com uma senha. A imagem parou.

– 9, 1, 2, 7, 5, 5 – disse José. Alex anotou em uma folha.

– Pronto – a imagem continuou e a porta se abriu. Ele colocou ela lá dentro e tirou sua venda e as amarras e trancou a porta atrás dela, saindo de lá. Uma bola de fogo foi lançada e ela se jogou no chão, desviando dela. Outras duas foram lançadas e ela com facilidade desviou. A outra porta foi aberta e um lobo entrou na cela. Apertei a mão de Jonas e ele me abraçou pela cintura. Assistimos a luta dela. Ela levou uma mordida na lateral de sua barriga. Nate parou a cena nesse momento.

– Se isso acontecer com qualquer um de vocês, estarão mortos em algumas horas – dizendo isso a imagem voltou a passar. E quando o lobo saiu, ela se jogou no chão exausta. Foi aí que eu percebi que estava sem som, porque quando ela estava imobilizando o lobo e depois o soltou ele apenas virou humano e saiu mancando da arena.

Me espantei com o que aconteceu em seguida. Do nada começaram a lhe atirar pequenas bolas prateadas. Uma delas lhe acertou a perna. Ela se abaixou e pegou uma faca comprida do meio da areia.

Agatha desviava das “balas” como se estivesse dançando. Era lindo e emocionante ver aquilo. Logo os tiros acabaram e ela se jogou exausta no chão. O homem a tirou de lá e Nate parou novamente.

Minha mão apertava o braço de Jonas fortemente e eu estava muito assustada. Eu podia sentir ele sorrindo com o queixo apoiado em minha cabeça. Sorri por dentro.

– Isso foi uma bela demonstração de uma boa luta – disse José, claramente impressionado – Mas eu ainda duvido que ela tenha matado um Galitu.

Os garotos vaiaram ele e Jonas jogou um copo de plástico nele. Todos riram, até ele. Nate balançou a cabeça em reprovação, sussurrou um encanto e a visão mudou. Agatha estava em seu carro, Respirou fundo e desceu olhando ao redor, ela estava andando quando um bicho a segurou pela cintura. Nate parou a imagem.

– Isso é um Galitu. Se o encontrarem, estarão mortos – o monstro tinha o dobro da altura da Agatha e tinha enormes asas negras. Parecia um corvo no corpo de um humano, era nojento. Suas mãos pareciam mãos normais, mas as unhas pareciam garras. Sua pele era negra e quando a imagem voltou a ser reproduzida Agatha se virou e começou a lutar com ele, desviando de seus golpes e de um jeito mais "iniciante" que na Arena, acertou um golpe bem dado no peito do monstro. Ele explodiu em pedaços, deixando a roupa dela toda suja.

A imagem parou de novo. José estava petrificado, sua boca estava ligeiramente aberta e ele engoliu em seco. Os garotos começaram a zoar com a cara do José que estava roxo de vergonha.

– Ta bom, desculpa ter duvidado da Agatha! — ele disse rindo, mas logo parou, pois alguém estava batendo na porta. Gelei. Havia conseguido driblar o Rafa as duas semanas inteiras, será que ele havia descoberto? Jonas percebeu minha preocupação e me segurou mais forte.

– Ele não vai fazer nada com você, princesa, eu não vou deixar. — ele sussurrou, parecia que sabia o que eu estava pensando. Eu assenti e dei um beijo rápido em sua boca. Nate se aproximou da porta e meu coração estava em disparada. Ele a abriu, revelando um homem alto e loiro. Seus olhos tinham a mesma cor dos olhos de Rafa. Parecia que eu conhecia ele de algum lugar.

– Jonas — falei me virando — Eu tenho que falar com você.

– Ta, deixa só eu cumprimentar o Nick. — pediu ele. Nick, Nick, Nicholas! Era isso! Ele era o irmão do Rafa! Eu realmente precisava falar com o Jonas. — O que foi Luz?

– Vem comigo, por favor. — implorei. Ele percebeu que algo estava errado, pois só assentiu e me seguiu para o lado de fora novamente. Chegando lá perguntei — Quem é ele?

– Ele é o Nick, o lobisomem que está nos treinando — ele falou. Era como se o ar tivesse saído dos meus pulmões. Me segurei nos braços do Jonas repetindo que eu tinha que sair dali. — Por quê? Luz o que esta acontecendo?

– Ele vai me achar, Jonas, e ele vai me matar — eu estava parecendo uma louca, repetindo isso.

– Não ele não vai te achar Luz, eu estou aqui.

– E o irmão dele também — falei com lágrimas escorrendo por meu rosto.

– Espera. Irmão? Do Rafa? — perguntou Jonas, me fazendo encarar ele. A preocupação era clara em seu rosto.

– Sim, ele tem um irmão mais velho chamado Nicholas e eu vi a foto! É muito parecido com ele.

– Calma luz, você está nervosa, pode ser outra pessoa pequena. — ele me abraçou fortemente e me manteve ali, segura de qualquer coisa. Agora eu acreditava em Agatha.