O Segredo do Anjo
23 You Will Not Leave Me, Luz
Notas iniciais
*Luz on*
Parei o March do meu pai no portão da mansão do Rafa. Finamente tinha criado coragem para falar com ele. Faz cinco dias que venho ignorando as chamadas e mensagens dele, na escola tenho conversado apenas com as meninas e simplesmente o ignoro. Jonas tem sido cada vez mais gentil comigo, mas entende que não podemos ser vistos juntos, ainda. Ontem quando voltei do intervalo vi uma carta no meio dos meus cadernos.
"Venha à minha casa. E venha sozinha. Se você não vir, ou trouxer alguém contigo, eu vou te achar. E eu vou falar com você, querendo ou não. Isso está me irritando. E eu não gosto de ser irritado."
Mostrei a carta pro Jonas e ele disse que era melhor eu ir. Mesmo não tendo assinatura nenhuma eu reconheceria a caligrafia do Rafa em qualquer lugar do planeta. Antes de sair do carro digitei uma mensagem para o Jonas:
"Mesmo que eu não saia daqui viva, saiba que eu te amo" e enviei. Ele não me respondeu. Queria ouvir a voz dele, mas não seria possível, ele estava em treino lá na Sede. Respirei fundo e desci do carro, deixando o celular no bolso. Falei com o porteiro e ele me mandou entrar. Entrei e bati na porta da frente. Sentia como se estivesse me preparando para ser morta, minhas mãos suavam e meu coração batia desesperadamente. Uma moça alta, ruiva com cara de mesquinha abriu a porta para mim.
– Suba as escadas. Ele estará te esperando lá em cima — ela fechou a porta atrás de mim e foi em direção á sala de estar onde dois homens idênticos jogavam videogame. Eles me pareciam muito familiares.
Subi as escadas com as pernas bambas. Meu celular vibrou, mas não mexi nele. O medo percorria meu corpo junto com meu sangue. Cheguei ao topo e não vi Rafa em lugar nenhum. Me afastei da escada, não seria tola de me aproximar dela sem antes saber onde Rafael estava.
– Olá Luz — ele me assustou, aparecendo do nada atrás de mim. A escada logo atrás dele, se eu precisar fugir é só empurra-lo que ele…
– Nem pense nisso — ele interrompeu meus pensamentos trágicos, me surpreendendo — O que lhe faz pensar que precisará fugir?
– E-eu… não… — não consegui formar uma frase direito.
– Shh — disse ele se aproximando de mim. — Venha até meu quarto e vamos conversar.
Ele me guiou até uma das portas abertas e a fechou atrás de mim. Olhei ao redor, havia uma cama de solteiro arrumada, as paredes eram pretas e a da cabeceira da cama era azul. Do lado da cama havia uma prateleira com vários livros acadêmicos. Do outro lado desse imenso quarto havia uma mesa com um computador e uma porta ao lado dessa. E do lado oposto à porta de entrada há uma janela não muito grande com cortinas azuis. Tudo no quarto era meio escuro, me perguntei como seria passar a noite em um quarto assim.
– O que você quer Rafa? — perguntei com medo.
– Eu queria você — ele disse enquanto se aproximava e pegava uma mecha de meu cabelo que caía em meu rosto e a colocava atrás da minha orelha. Sua voz estava rouca de desejo, o que fez meu braço arrepiar — Mas você não me quis.
– Isso... — limpei minha garganta – Não é verdade. Eu quis você e você me menosprezou.
– Luz, isso foi a muito tempo — ele disse encarando meus lábios, pela primeira vez em muito tempo eu conseguia pensar perto dele.
– Mas isso me machucou — falei apelando para o emocional – Eu não consigo esquecer.
– Mas agora eu quero você…
– Não é assim que funciona, Rafa.
– Mas era assim até uma semana atrás — ele gritou se afastando de mim. — O que aconteceu Luz? Conheceu outra pessoa?
– Não Rafael eu apenas cansei de ser maltratada por você — gritei também. Lágrimas escorriam pelo meu rosto e meu medo começava a se tornar raiva.
– Eu… — começou ele com a voz mais controlada. — Eu sinto muito.
– Eu também sinto Rafael — falei com a voz chorosa. — Mas não tem como ficarmos juntos.
Ele ficou em silêncio, com a cabeça abaixada. Comecei a ouvir uma risada, olhei ao redor, esperando ver mais alguém no quarto. Uma voz começou a falar em minha cabeça coisas como "nunca quis você”, "tola, isso é apenas um jogo pra mim”. Coisas que há alguns dias me machucariam muito, mas agora eu tinha ele. As vozes pararam de repente e eu fiquei assustada.
– Ele? — Rafael perguntou e eu o olhei espantada, ele sabia? — Sabia o que?
– Do que você está falando? — ele estava ouvindo meus pensamentos, eu devo estar louca. Ou tudo isso é um sonho.
– Sim Luz eu estou ouvindo seus pensamentos, você não está louca, nem sonhando, mas bem que eu queria que isso fosse um sonho. — dizendo isso eu me dei conta do que ele era. Ele era um anjo, assim como… Me interrompi, ele não poderia saber…
– Assim como quem Luz? Vamos, me dê informações! — ele gritou, sua voz demonstrava raiva, muita raiva. E isso me deixou com medo, muito medo — Merda, não sinta medo de mim.
Ele parecia arrependido, seu tom de voz ficou mais calmo e ele se sentou com as mãos na cabeça.
– Tudo o que eu lhe disse aquele dia aqui em casa sobre nós dois é verdade. Eu mudei Luz.- ele falou e eu tentei lembrar daquela noite, mas aquilo não conseguia me convencer — Mas você não quer saber, não é? Não tem nada que eu possa te dizer que vá fazer você mudar de ideia em relação à mim.
Eu não sabia o que dizer, estava com medo, mas o que ele dizia era verdade. Ele não podia fazer nada em relação a isso, eu tinha encontrado o amor da minha vida. E não era ele.
– Então quem é Luz? — ele parecia acabado. Seus olhos demonstravam dor e eu senti pena. Mas não iria falar. Eu já sabia que ele era perigoso antes de entrar por aquele portão. Meu celular vibrou novamente em meu bolso, mas não pensei sobre. Pode ser a minha mãe, ou o meu pai. Não havia outra opção, Bruno estava sem celular e a Agatha sumiu. Sumiu não, foi raptada.
– Por que você pensa isso?
– O que? Que Agatha foi raptada? Ela nunca teria fugido, a vida dela era perfeita aqui, até alguém tirar isso dela. — minha fala pareceu uma ameaça, e não deixava de ser.
– Se você pensa e diz isso, não vou discordar. Até por que eu sei a verdade. — espera.
– O que? — perguntei, ele não podia estar falando a verdade. — Como você sabe a verdade? — minha mente gritava: “por que foi ele!" Eu sabia disso, mas queria ouvir da boca dele.
– Você quer ouvir da minha boca? — um sorriso estranho apareceu na boca dele. Não. Não podia ser ele não teria feito isso, teria? — Sim Luz. Eu sequestrei a Agatha. Eu torturei a Agatha. E eu vou matá-la.
Meu coração disparou, se ele podia fazer isso com a Agatha, imagina o que faria comigo, uma simples humana. Me aproximei devagar da porta enquanto meu celular tocava novamente em meu bolso. O toque de mensagem do Jonas tocou e eu peguei meu celular, com a mão tremendo. Havia cinco ligações perdidas da mesma pessoa, não vou pensar nele.
– É a minha mãe — falei digitando pra me ligar de novo — Está desesperada. Ó, está me ligando agora. Posso?
Ele assentiu. Aceitei a ligação, morrendo de medo que ele pudesse ouvir quem era.
– Oi mãe — falei quando atendi.
– Luz onde você está? - Jonas falava sussurrando.
– Na casa do Rafa — falei virada de costas pro Rafael que continuava a me encarar com um sorriso maldoso no rosto.
– Você ainda está aí? Luz você tem que sair agora!
– Sim mãe, não vou demorar muito. — minhas mãos tremiam ao segurar o telefone.
– Eu vou te buscar. Estou indo, em dez minutos esteja pronta. Se não nós vamos invadir. Okay?
– Ta bom então, estarei te esperando.
– Eu vou tomar cuidado, te amo.
– Eu também, beijo.
E desliguei com a mão tremendo. Me virei para o Rafael. Ele tinha se levantado e agora estava apoiado na janela ainda me encarando. Ergueu uma sobrancelha me perguntando o que ela tinha dito.
– Ela quer que eu volte pra casa. Em dez minutos ela estará me esperando lá fora.
– E você pensa que vai encontrá-la?
– Não só penso como vou — falei com medo, mas determinada. Eu tinha que sair em dez minutos e ele não iria me impedir. Ele riu dos meus pensamentos.
– É claro que vou. Você não vai sair daqui, Luz. — ele disse se aproximando de mim. O medo tomava conta de cada fibra do meu ser enquanto eu dava passos para trás, em direção à porta. Ele não seria capaz de me machucar, certo? — Não, eu jamais te machucaria. Como eu lhe disse Luz, você é a minha salvação, querida.
Dizendo isso ele me segurou em seus braços, nos apoiando na porta e fazendo-a se fechar com um estouro. Antes que eu pudesse dizer alguma coisa ele me beijou e eu senti nojo de seu toque. Mordi seu lábio, mas ele continuou me beijando. Eu não conseguia me mexer, seus braços me seguravam muito forte. Estava me machucando.
"Você prometeu que não faria isso" pensei, mas não adiantou nada ele continuou me beijando enquanto eu me debatia em seus fortes braços. Ele parou um tempo depois e falou para mim me concentrar em seus olhos, eu me debatia e dizia palavras de ódio para ele, mas ele segurou meu queixo, o que fez com que eu não conseguisse mexer minha cabeça, encarando seus brilhantes olhos castanhos. E é tudo o que eu via ao sentir as mãos dele em meu corpo enquanto eu parava de me debater e perdia a consciência.
– Isso... Durma meu amor – ouvi e logo em seguida um barulho, um estouro, uma porta caindo, mas eu já não estava ciente de coisa alguma.
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