O Segredo do Anjo
4 I Love You
Notas iniciais
Eram 15 para as sete quando cheguei em casa, teria esses 15 minutos para que o Lucas chegasse. Eu havia decidido que contaria para ele hoje ainda, talvez antes que chegássemos ao restaurante. Eu sabia que ele não aceitaria o fato de que jamais seriamos apenas eu e ele. Sempre terá os anjos. E eu sempre terei que ajuda-los. Não sei se ele vai entender. Mas enfim me arrumei e liguei pra ele.
– Ei, onde é que você ta? –perguntei hora que ele atendeu.
– Sabe o restaurante? – pergunta ele.
– Claro, é o único daqui – digo rindo.
– Então, ele não abre hoje, foi mal gata – diz ele.
– E agora? Posso me preocupar com a minha fome? – digo ainda rindo.
– Não precisa se preocupar Agatha, o jantar será aqui em casa hoje, só que ou eu faço a janta ou eu te busco.
– Você ta fazendo a janta?
– Pois é, minha mãe não ta em casa hoje.
– Não tudo bem, eu vou. A que horas?
– Bom, se você já quiser vir, estou precisando de ajuda — diz ele.
– Ta bom, já chego aí – digo rindo.
– Ta bom, te amo– diz ele.
– Eu também, tchau.
– Ah Meu Deus o forno – grita ele e desliga.
Eu dou risada e pego minha bolsa para ir para a casa dele. Pego as chaves e aviso meu pai que eu vou sair. E saio com o carro da garagem. O bom é que ele não mora longe, mas ainda assim é perigoso sair a essa hora. Meu pai é policial, mas mesmo assim. Enfim. Liguei o radio para ver o que estava tocando, e adivinha: horário politico. Se tinha uma coisa que eu odiava as sete da noite era isso. Peguei meu CD que o Lucas me deu (Demi Lovato, hehe) e comecei a cantar. Não é por nada, mas eu amo a minha voz.
Virei à esquina que eu tão bem conhecia e parei na frente da casa dele. Peguei minha bolsa e desliguei o carro. Desci do carro e abri o portão da casa dele. Bati na porta duas vezes.
– Entra, você sabe onde ta a chave.
Peguei a chave no meio da luminária de fora e abri a porta. A sala de entrada, que era também a de estar, estava com as luzes apagadas, mas as da cozinha estavam acesas. Ouvi o barulho de talheres caindo.
– Droga – disse ele.
Fui para a porta da cozinha. Estava a maior bagunça, ele havia arrumado a mesa para dois, com uma toalha vermelha embaixo de uma branca. Os pratos já estavam postos, mas o resto não. Os talheres estavam espalhados no chão. Tinha uma torta encima do fogão, o forno estava aberto, e havia duas taças junto com uma garrafa, já aberta, de champanhe encima da pia.
– Me parece que você não estava brincando quando disse que precisava de ajuda. – digo pegando a torta e colocando-a encima da mesa.
– Pois é – disse ele começando a juntar os talheres que havia derrubado no chão.
– Como você conseguiu isso? – pergunto, me referindo a champanhe aberta.
– Meus pais saíram para uma “noite romântica” e esqueceram a champanhe. Ah, eles só voltam amanhã – disse me olhando de um jeito safado.
– Que bom, eu acho – digo meio insegura.
– Olha, eu não quero te obrigar a nada. Se não quiser dormir aqui, tudo bem. Ta bom? – diz ele me segurando pela cintura.
– Ta – digo e começo a beija-lo. Eu amo aquele beijo. Nos beijamos por algum tempo quando o oxigênio começa a fazer falta.
– Vamos comer? – pergunta ele puxando uma cadeira pra mim. Eu me sento.
– E o que temos para a janta? – pergunto curiosa.
– Minha ideia inicial foi uma pizza, mas não tinha massa, aí eu fiz uma torta de calabresa – disse ele se sentando do outro lado da mesa.
– Ah, senta mais perto – pedi carinhosamente.
– Ta bom, mi amore — diz e leva a cadeira até o meu lado.
A gente come conversando e quando terminamos eu tiro os pratos da mesa e os levo até a pia.
– Tem certeza que não quer que eu lave? – pergunto.
– Não. A Bruna vem amanhã – diz ele se sentando no sofá da sala e ligando a TV.
Bruna era a empregada, e amiga, da mãe dele. Ela vinha às vezes para ajudar com a arrumação da casa, já que a mãe do Lucas era meio desastrada. O pai do Lucas diz que ela não nasceu pra ser dona de casa.
Eu vou até a sala, que ainda está com as luzes apagadas e sento ao lado dele. Ele coloca em um canal de musica. Está passando o clipe Girlfriend da Avril Lavigne (http://www.youtube.com/watch?v=Bg59q4puhmg)
– Hey, hey, you, you I don’t like your girlfriend, no way, no way, I think you need a new one – canto pra ele
– Eu não acho – diz ele e me puxa para um beijo. Ele coloca um filme e nós ficamos assistindo até ele ter uma ideia.
– Hey, quer beber? – perguntou ele.
– Claro – respondi, como se essa pergunta fosse obvia.
Ele vai até a cozinha e pega o champanhe para a gente beber. Ele serve os dois copos e me entrega um. Eu viro tudo de uma vez e encho o copo de volta. E bebo mais uns cinco copos assim. Ele me observa e toma um gole de sua bebida.
– Então estamos namorando? – pergunto.
– Mas nós já não estávamos? – pergunta ele.
– Não sei, já?
– É, acho que sim – diz ele me puxando para perto – Vai dormir aqui?
– Você se incomodaria se eu dormisse?
– Não, meu amor, claro que não.
– Então eu durmo aqui.
– Seu pai não vai ligar? – diz ele se apoiando em cima de mim
– Ele sabe que eu to aqui então acho que não liga não, desde que a gente não faça nada proibido, tudo bem – digo.
– Então que viva o amor.
– E que seja eterno enquanto dure – completei bebendo mais um gole.
– Para a filha de um policial você bebe muito, hein – diz Lucas tirando o copo da minha mão – Me da um beijo, minha bêbada?
– Não sei. O que eu ganho com isso? – pergunto.
– O que você quer pra fazer isso? – pergunta ele, ainda sóbrio.
– Sei lá. Você, eu acho – digo e dou risada.
– Mas isso você já tem
– Então acho que estou te devendo algo – digo e lhe dou um beijo.
– Agatha – chama ele, depois do beijo – Quer fazer alguma coisa?
– O que você sugere? – digo me virando e pegando o copo de volta.
– Ah sei lá. – diz e se aproxima de mim, tirando o copo das minhas mãos de novo – Que tal você parar de beber?
– Por quê? – protesto – Deixa vai, só hoje.
– Não! Não quero você mal amanhã.
– Ah Lucas, por favor – digo me sentando no colo dele.
Eu pego o copo de novo e tomo um gole grande. O líquido desce queimando minha garganta
– Agatha é serio. Chega, eu to preocupado com você, garota.
– Preocupado por quê? Eu não vou passar a noite aqui? Então não tem problema – digo deitando e fechando os olhos.
– Amor, não beba mais, ta bom? – pede ele, deitando do meu lado e mexendo no meu cabelo. Eu concordo com a cabeça e o sinto beijar minha testa e dizer – Te amo.
Então eu durmo.
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