O Segredo do Anjo
19 How Old Do You Have? 10?
Notas iniciais
*Narrador on*
– Você tem muito que explicar, guri — falou Miguel quando Edu entrou na sala da casa da Vó Nena. Ele tinha ficado fora por mais de uma semana, não estava aguentando ficar perto do irmão.
– Eu tenho que me explicar? — disse Edu deixando as chaves na bancada com força. Não acreditava no que estava ouvindo. — Eu estava na casa de uns amigos e a Vó sabia. E onde você estava?
– Trabalhando, você sabe — disse ele desanimado se sentando no sofá e abrindo um livro.
– Ah claro — disse Edu dando uma risada cínica. Ele se lembrou do que José havia dito há muitos dias atrás. Ele não pensava que pudesse, mas não custa perguntar. Miguel estava distraído com um livro, seria o melhor momento pra ele falar algo — Por acaso onde você trabalha tem pessoas presas?
– Até tem, mas eu nunca vi ninguém, não — disse ele virando a pagina distraidamente. — Não espere já vi sim, uma garota. O cara que cuidava dela tinha faltado e me colocaram pra dar uma ordem uma vez. Ela era muito delicia pra ta ali.
– Uma moça? — pergunta Edu ignorando o comentário desnecessário do irmão. — Como ela era?
– Ah eu não sei — disse Miguel fechando o livro e o encarando. — O que se passa aí nessa cabeça?
Edu ignorou a pergunta e procurou em seu celular a foto que a policia tinha feito para encontrar Agatha.
– Era essa a garota? — Miguel encara a tela do celular e não responde. Falando mais alto repetiu: — Me diga: era essa garota?
Miguel apenas assentiu. Edu pegou o casaco e saiu pela porta, segundos depois ouve Miguel atrás dele:
– Eu não tenho culpa! — gritou enquanto atravessava o quintal a passos largos para alcançar o irmão. — Eu não sabia que era ela!
– Chega Miguel! — Edu gritou e parou se virando para encara-lo — O que você fez não está nem perto de estar certo e você deveria se demitir nesse instante — disse Edu e viu Miguel abaixar os olhos — Mas você nos ajudou. A Agatha vai ser salva e a culpa é sua.
Dizendo isso Edu puxou o irmão para um abraço não muito longo. Miguel sabia da procura dela, mas nunca tinha visto a Agatha e nem aquela foto. Ele nunca estava em casa, estava sempre trabalhando. Edu sentia raiva e alivio pelo que tinha acontecido. E ele sentia urgência. Ele precisava sair dali pra avisar aos garotos. Ao Lucas em especial, mas ele sabia que tinha que passar em outro lugar antes.
*Luz on*
Eu não estava acreditando que isso estava acontecendo. Primeiro a minha melhor amiga some, não, melhor: primeiro eu me comporto daquele jeito, depois minha melhor amiga some, depois o cara mais bonito daqui me beija e agora eu estou parada na frente da porta do Bruno pronta pra dar uma bronca nele, (tudo bem, normal) e são 5 horas da manha.
Eu não consegui dormir a noite, por isso fiquei acordada pensando no que dizer. Hoje eu teria aula, então aproveitei e arrumei meu material, separei uma roupa, tudo que eu precisava pra ter um dia normal. Quando deu 4:30 eu pensei: chega, vou acordar o Bruno. Caminhei meus trinta minutos e então aqui estou.
Bati na porta dele pegando o celular, pronta pra ligar pra ele. Um minuto. Dois minutos. Três. Quatro. Digitei e liguei pra ele.
– Fala — disse ele dois toques depois. Sua voz estava ativa, não parecia que ele tinha acabado de acordar.
– Bruno? É a Luz.
– Ah — disse ele meio decepcionado — O que você precisa Lu?
– Eu preciso que você abra a porta da sua casa que eu tenho que falar com você. — antes de ele falar algo acrescentei — Agora.
– Ahn, eu to no Lucas. Chega aí.
– O que você faz há essa hora no Lucas? — pergunto rindo e caminhando até lá.
– Ahn... Algo — disse ele distraído. — Mas o que você faz na minha casa a essa hora da manhã?
– Algo — digo nervosa. Chegando a casa dele — To na porta abre aí.
Ele desligou e disse que ia abrir a porta pra mim. Já ia começar a dar uma bronca nele assim que ele abrisse a porta. Bruno abriu e eu vi os meninos que estavam jogando futebol naquele dia, mais o irmão do Du e um cara alto e musculoso espalhados pela sala. O que eles estavam aprontando? Todos pararam de falar quando eu entrei na sala.
– O que ta acontecendo? — perguntei. Percebi que Bruno encarou Lucas antes de me responder.
– Estamos... Ahn... Tendo uma... Ahn...
– É uma reunião Luz, então fale logo e vá — disse Jonas, como sempre de mal humor. Não me lembro de já ter visto o Jonas rir, ele sempre age de um jeito estranho. Revirei os olhos e me voltei para o Bruno que estava na minha frente segurando a porta.
– Venha, entre — disse Bruno e me puxou para dentro. Se eles não começassem a falar eu ia armar o maior escândalo.
– Ela não pode saber — ouvi o garoto que estava jogando futebol junto com eles dizer baixo para o Lucas.
– O que eu não devo saber? — parando em frente a ele, cruzei os braços em frente ao meu corpo, uma mania que eu tinha adquirido nos últimos tempos. Ele limpou a garganta antes de me responder, ou pelo menos tentar, já que interrompi ele — Eu não posso saber que a minha melhor amiga sumiu? E que vocês estão procurando ela? E que tem um anjo ajudando vocês?
Pensamentos de calma e tranquilidade me invadiram quando eu parei de falar. Me senti leve, como se eu estivesse no paraíso, sem nenhuma preocupação. O que eu estava fazendo ali mesmo? Andei em direção ao sofá e os pensamentos sumiram. Reorganizei minha mente e coloquei as palavras em ordem.
– Por que você não me contou Lucas? — falei meio grogue, por causa da tranquilidade que tinha me invadido antes.
– Por que você ia ficar irritada, e não é disso que precisamos. — disse Lucas com sinceridade. Não me ofendi com o que ele disse, pelo contrário: achei graça.
– Eu não ia ficar irritada — falei rindo — Eu posso ajudar.
– Isso não tem graça — disse Jonas no outro sofá.
– É efeito do tranquilizante — disse o cara alto musculoso.
– Quem é você? — perguntei encarando ele — Tu parece o Taylor Lautner.
– Eu sou Nate. — disse ele.
– Você é o anjo, ou é ele? — falei apontando para o outro garoto.
– Ele é o anjo e o outro é o José, um colega da Agatha — disse Lucas encerrando o papo.
– Colega é? Sei — falei pra encher o saco do Lucas. Lucas olhou para o menino que deu de ombros. Eu ri com aquilo.
– Não tem como fazer ela parar? Ta incomodando já — disse Edu que não tinha falado nada até o momento. Mandei um beijo pra ele. Em um segundo pensamentos de foco e realidade me motivaram a voltar ao assunto principal e esquecer a risada. Me dei conta do que estava acontecendo e me levantei do sofá. Não conseguiria ficar parada depois de ouvir que a Gath tinha sumido. Gath, seria um bom apelido pra Agatha, pensei rindo. Foco!
Saindo do meu debate mental perguntei O que estava rolando, tipo no geral.
– Luz, pra começo de conversa a Agatha que você conheceu mudou, muito. — disse Thomas, cauteloso.
– Ela ajuda os anjos, só isso — disse Jonas sem paciência. Eu estava me irritando com ele, poxa não da pra desestressar pelo menos uma vez? Antes que eu pudesse fazer um comentário maldoso o garoto, José, eu acho disse:
– É muito mais do que apenas ajudar os anjos, é se tornar amigo deles, é saber como agir na frente de um. É lutar e defender algo ou alguém em quem você aprende a confiar, mesmo sendo um completo estranho. Um Protetor faz mais do que ajudar um anjo. Um Protetor se envolve nos problemas de um anjo e os resolve. É aprender a derrotar qualquer sobrenatural. É o que vocês estão aprendendo a ser.
Dizendo isso ele saiu da sala, em direção à cozinha. Eu olhei perplexa para eles.
– Pera e volta. Anjos? Sobrenatural? Protetor? O que esta acontecendo? — perguntei, quase escandalosa. Bruno me colocou sentada no sofá
– Senta e se acalma. — disse ele se sentando do meu lado.
– Eu to calma — gritei. Eles apenas me olharam. Senti a calma me envolver de novo, mas não ia deixar isso. — Tira essa droga de mim!
Senti aquilo saindo. Era muito estranho, perguntei se era um poder do anjo e eles afirmaram. Tratei de me acalmar, não ia conseguir ajudar em nada se não o fizesse.
– A Agatha foi marcada como Protetora, Lu — diz Gabe — Ela ajuda os anjo, como o José disse. Na verdade os dois fazem isso.
Pude perceber que ele estava meio confuso com as palavras. Acenei com a cabeça, indicando que estava entendendo.
– Ela estava ajudando um anjo — disse Alex — Quando ela sumiu.
– Ela encontrou uns caras e eles pegaram ela, pelo que parece. — comentou Thomas.
– Mas ela simplesmente sumiu do mapa! Ninguém achou ela — disse o anjo.
– Mas não foi só isso, não é Lucas? — pergunta John olhando para ele. Só então percebi o quão quieto ele estava, mas é claro que estaria. Como eu fui egoísta! Não acredito que eu fiz isso. Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ele falou com uma voz muito sinistra:
– Não, não foi só isso. A gente tinha brigado, horas antes dela sumir — pude sentir a dor dos olhos dele enquanto ele falava. Acho que ele não tinha pensado muito sobre isso. — E então ela apareceu pra mim — ele sorriu com lágrimas nos olhos, era difícil ver ele assim — Mas logo ela voltou a sumir.
Senti meu coração se partir em pedaços quando o Edu o abraçou com força, ambos choravam. Levantei-me e o abracei também, só agora notando que estava chorando também.
– Mas como... — comecei, limpando meus olhos — Como ela apareceu?
– É um poder que Protetores adquirem com o passar dos anos, mas ela desenvolveu muito cedo — disse Nate, com um livro que eu não sei da onde surgiu — Aqui diz que leva no mínimo três anos para desenvolver e aprender a controlar isso. Não há exceções aqui.
– Mas não tem um mês que ela é. — disse Gabe, espantado.
– Mas ela apareceu e falou comigo — disse Lucas se levantando e encarando Gabe – Está duvidando da minha palavra?
– Que isso cara, só to falando... — começou Gabe.
– Então não fala nada! — interrompeu Lucas, saiu do cômodo também. Fui atrás dele. Ele tinha ido lá para fora e eu não havia notado, mas estava chovendo, nem o tempo contribuía pra isso. Revirei os olhos e toquei no ombro dele. Ele se virou bruscamente, seus olhos ardiam em raiva. Sem falar nada o abracei. Senti ele soluçar em meus braços e a chuva nos molhar devagar. Ela estava gelada. Ficamos algum tempo ali, sem falar nada. Ele levantou sua cabeça e beijou minha testa e disse:
– É bom ter você aqui, Lu, vamos entrar.
Ele estava mais calmo, devo me lembrar de perguntar como ele estava. Sempre foi assim: eu cedia o meu ombro para ele e para a Agatha e eles faziam o mesmo. Agatha. Meu coração se apertou quando pensei na minha melhor amiga. Onde foi que ela se meteu?
Entramos pela cozinha e ele foi à lavanderia e trouxe duas toalhas. Me entregou uma e pediu desculpas por ter me feito sair.
– Não tem problema. Talvez seja por isso que eu tenha voltado: pra ajudar vocês. — sorri pra ele enquanto secava meu cabelo — Por acaso tem alguma roupa pra mim? Tipo da Agatha, ou coisa parecida?
Ele abaixou a cabeça, mas logo sorriu.
– Da Agatha não tem não — ele deu risada — Mas tem da minha irmã.
Eu parei.
– Como assim irmã?
– Meus pais adotaram uma menina — disse ele. Eu gritei não acreditando e abracei ele:
– Parabéns, é mais nova?
Ele acenou com a cabeça e eu o abracei de novo, rindo. Ele disse que ia arranjar roupa pra mim e subiu as escadas. O Bruno entrou pela porta. Sorriu pra mim e foi até o galão de água. Encheu um copo e eu percebi que ele queria falar alguma coisa. Nós éramos amigos desde que eu consigo me lembrar, sempre brincamos juntos e não me lembro de nenhuma briga. Tentamos namorar, uma vez, mas não deu certo. Ele era muito certinho, e eu também e então viramos amigos, quase irmãos, nunca nos separávamos, até eu ir pra Florianópolis. Ele aguentou tudo pelo o que eu passei, incluindo todas as vezes que o Rafael me rejeitou. Sorri de pensar no Rafael. Ele percebeu, pois logo me perguntou o porquê do sorriso.
– Ah sei lá. — menti – É bom estar de volta.
Fui até ele e o abracei. Ele fez tanta falta. Ele colocou seu braço ao meu redor, mas logo se afastou.
– Eca! Você ta molhada.
Eu ri e me afastei dele.
– O que estava acontecendo antes de eu chegar?
– O Edu e o irmão dele tinham algo a dizer. Mas você os interrompeu quando o Lucas atendeu ao telefone. Estamos apenas esperando você e o Lucas pra eles contarem. Está todo mundo curioso.
–Ah — digo. O Lucas entra na cozinha vestindo roupas secas e me entrega algumas roupas. — Okay vou me trocar. Me esperem.
Subi para me trocar e logo voltei para a sala. Eles estavam sentados na sala. Edu e o irmão dele estavam em pé ao lado do anjo e do José que tinha voltado para a sala. Me sentei entre o Lucas e o Bruno e segurei na mão dos dois. No Lucas para dar apoio e no Bruno pra receber apoio. Não sei o que seria de mim sem eles. O Edu soltou a bomba: eles sabiam onde a Agatha estava presa. Miguel confessou que estava trabalhando no local e ele tinha visto ela. Lucas apertou a minha mão e eu a do Bruno que deu um aperto de volta me sustentando. Lucas estava em estado de choque. Sua expressão estava neutra e eu não sabia o que falar ou fazer. E de uma hora pra outra começou um alvoroço na sala. Todos os garotos se levantaram e começaram a falar ao mesmo tempo. Eu estava perdida no meio daquilo, e parecia que eu teria que colocar ordem nessa bagunça.
– Ei — gritei, alguns me ouviram, mas a maioria não prestou atenção. Percebi que o Lucas estava sentado no sofá, com as mãos na cabeça e não prestando atenção nos meninos. Parecia que o Gabe ia acabar batendo no Miguel, que gritava desesperadamente. Olhei para o lado e vi o Bruno me olhar com uma expressão de solidariedade e em seguida pegou e jogou alguma coisa no chão, chamando a atenção de todos.
– Fale Luz — disse ele, olhando para Gabe com um olhar reprovador.
– Obrigada Bru. — digo e encaro aqueles meninos. — Olhem para vocês! Não consigo acreditar nessa briga. Quantos anos vocês tem? 10? Por favor! Agora calem a boca e ouça o Miguel falar.
– Ele não tem nada o que falar! — disse Gabe com os olhos ardendo em raiva. — Você não ajudou ela! Como pôde?
Gabe foi pra cima de Miguel, Alex e Jonas o seguraram para que ele não fizesse nada. Olhei para aquilo, podia claramente perceber o ódio que Gabe sentia por Miguel. Um ódio que não estava aqui antes. Um ódio que não estava aqui antes da Agatha ser mencionada. Olhei pro Lucas e me surpreendi ao ver ele chorando em silêncio, com as mãos lhe tampando a boca. Percebi que todos estavam esperando que eu falasse alguma coisa. Então eu fiz.
– Claro que ele tem o que falar — comecei ainda abalada por ver Lucas chorando. — Ele tem que nos dar o endereço, ele tem que descrever o lugar. Miguel, você sabe onde os guardas ficam?
– Sim, eu cuido da sala da segurança, sei onde todos ficam e quais são as horas dos turnos. E cada pessoa que entra ou sai eu controlo na parte da noite.
Isso me deu uma ideia, era claro o que estava a nossa frente. Precisávamos do Miguel para entrar no local. Uma gota de esperança se instalou no meu peito e pude perceber que estávamos a um passo de salvar a Agatha. Uma lágrima escapou do meu rosto e não pude continuar falando. O anjo percebeu e comentou:
– Precisamos dele. Se você realmente conhece o lugar poderia nos passar uma planta com todas as entradas – falando isso puxou uma mesa e abriu espaço, pegando folhas e lápis e entregando para Miguel – E é claro, precisamos de um plano, quem tiver ideias falem.
– Tem guardas? – perguntou John, sendo o primeiro a se aproximar da mesa.
– Sim. Muitos.
– Quantos? – perguntou Jonas.
– Na cela dela uns 150, sem brincadeiras.
– Pra que tantos? – perguntei, me juntando ao resto que já estava ao redor da mesa.
– Ela é considerada "perigosa" – ele disse e eu pude ouvir algumas risadinhas. Olhei ao redor e vi que nos olhos de cada um existia uma esperança maior agora. Até mesmo em Lucas.
– Eu tenho uma ideia. – disse ele olhando os desenhos que Miguel estava fazendo – Onde ficam os guardas?
– Deste ponto – apontou um lugar e desligou seguindo a linha e parando no final do que parecia ser um corredor – Até aqui, dos dois lados.
– E ela fica a onde? – perguntou Bruno. Lucas parecia pensativo.
– Aqui – disse Miguel indicando um quadrado no começo desse corredor – E também em uma área que fica depois desse corredor. Aqui no fim tem uma porta que é destravada por senha que leva para outro corredor onde tem os quartos dos “prisioneiros”. E antes desses quartos há uma porta muito grande e pesada. Os outros da segurança chamam de Arena. É um espaço gigantesco coberto por areia, e é como uma área para treinamento onde o teto é alto. E tem uma das celas que...
Miguel continuou explicando como funcionava tudo e todos comentavam e perguntavam. Ficamos assim até perto do meio-dia. Acabei faltando na aula. Os pais do Lucas estavam viajando, então me ofereci para cozinhar pra eles.
Peguei meu celular para colocar uma música e vejo uma mensagem do Rafael.
“Ei cadê você?”
“Passei mal, não deu pra ir :x”
Odeio ter que mentir pra ele, mas não vou contar onde eu estou, ele viria aqui e armaria a maior confusão.
“Ah, mas ta tudo certo agora?” – ele respondeu.
“Um pouco”
“Vou aí na tua casa, okay?” – meu coração gelou.
“Não vai dar, meus pais estão me levando pro médico”
“Nossa então foi sério! Preciso te ver, pequena” – sorri.
“Eu também, mas a tarde vou ficar na casa da Bia” – rapidamente mandei uma mensagem pra Thais, a prima da Bia e avisei o meu “plano”, falando que eu ia me reunir com os meninos, porque essa era a verdade. Ela me disse que todo bem, que avisaria a Bia.
“Ah, tudo bem então Lu mas amanhã você é minha” – sorri com a mensagem dele.
“Tudo bem. Já vou indo agora”
“Ta bom, fica bem, beijo te amo” – meu coração disparou. Ele disse que me ama!
“Eu também, beijos” – e desliguei o celular. Respirei fundo e peguei as coisas para preparar um macarrão pra eles. Abri um pacote e vi que era pouco, peguei mais um pacote. Eu já havia cozinhado muitas vezes nessa cozinha. A mãe do Lucas havia me dado aulas de culinária, pois ela era a chefe do restaurante e ainda fazia as pizzas para o Tom.
Preparei o molho e o macarrão estava cozinhando. Peguei um copo para tomar água, servi o copo e quando me virei deixei ele cair, quebrando-se em muitos pedaços. Não acreditei naquilo, ela estava parada na minha frente, tão surpresa quanto eu. Agatha estava parada na minha frente, suas roupas estavam sujas e rasgadas, seus cabelos bagunçados, seus pés descalços pareciam duas bolas de tão inchados.
Eu não sabia como reagir, meus pés não se mexiam. Tampei a minha boca quando ela se aproximou, eu sabia que ia chorar, minha garganta estava apertada e eu já sentia as lágrimas chegando aos meus olhos. Meus pés finalmente se mexeram e cheguei perto dela, a abraçando apertado.
– Ei, cuidado – falou ela com um suspiro. Seu rosto já estava manchado por lágrimas. A soltei devagar e ela soltou um suspiro aliviado.
– O que aconteceu? Como você...
– Luz, o que aconteceu? – perguntou Bruno entrando na cozinha e vendo a Agatha parada do meu lado. Ele vacilou. Não sabia se falava com a Agatha, se saía correndo ou se chamava os outros. Ele escolheu a ultima opção e gritou para os outros: — Gente, é a Agatha!
Depois veio e abraçou ela muito apertado, vi seu rosto se contrair, mas ela não falou nada. Ele a soltou enquanto os outros chegavam na cozinha. Lucas abriu caminho entre eles e ficou só observando enquanto eles a cumprimentavam.
– Oi – ele disse chegando perto dela. Ela abriu um sorriso e o abraçou. Sussurrou algo em seu ouvido e o beijou depois.
– Nate? – disse ela notando o anjo entrando na cozinha.
– Ele está ajudando – falou Lucas. Com um braço ao redor da cintura dela – E este é o José, um Protetor também.
– É um prazer conhecê-la, senhorita Horan – José se apresentou. Agatha olhou pra mim e eu olhei pra ela. Soltei uma pequena risada enquanto ela lhe respondia formalmente.
Quando Miguel entrou na cozinha o rosto de Agatha ficou pálido. Ela sussurrou algo para Lucas e ele respondeu de volta. Parecia que ela queria sair dali e todos olhavam para eles. Ela passou as mãos no cabelo de um jeito preocupado. Sua aparência era fraca, parecia que não comia há dias. Ela se mexia devagar, como se doesse algo ao fazê-lo.
Limpei a sujeira do copo e desliguei as panelas do fogo, não daria pra terminar agora. Me sentei junto com os outros na mesa. Agatha falava sobre o que estava passando. Falou que sua mãe agora era um anjo, contou sobre o que estava enfrentando e disse que a ultima vez que alguém falou com ela, do lugar onde estava presa, foi um dia depois que falou com o Lucas.
Ele se espantou. Havia conversado com ela a mais de uma semana. Ela disse que estava com fome e eu comentei que estava preparando o almoço. Ela disse que ia me ajudar. Chegamos na cozinha só nós duas. Ela fechou a porta e a trancou. Olhei estranho pra ela.
– Pra que isso?- perguntei ligando as panelas de volta.
– Luz, me responda a verdade — ela me olhava com intensidade.
– Fale logo, você está me assustando. – falei largando as coisas. Ela se aproximou e desligou o fogão. Nos sentamos nos bancos e ela me olhou séria.
– Você está com o Rafael? – ela perguntou de um modo frio.
– Ele me levou para jantar ontem. – respondi rapidamente, sem conter um sorriso. Ela arregalou os olhos e como um chamado meu celular tocou. Era ele.
– Atenda – mandou Agatha – E coloque no alto-falante.
Assim eu fiz, estranhando o comportamento dela.
– Oi Rafa – falei ao microfone.
– Luz, onde você está? – ele falou de forma irritada. Agatha arregalou os olhos.
– Eu, eu – gaguejei, Agatha fez que não com a cabeça, me dizendo para não contar dela. Ela parecia estar com medo – Estou em casa.
– Não minta pra mim Luz – ele estava ficando mais irritado – Eu acabei de sair da sua casa e seus pais me falaram que você estava bem. Onde você está?
– Rafa, calma e pare de gritar comigo – digo começando a ficar estressada. Agatha tampa o microfone e diz:
– Não discuta com ele – ela fala pausadamente e o medo é presente ao seu redor.
– Luz, quem está com você? – eu gelo, não posso falar da Agatha, nem dos garotos.
– Ninguém. Rafa onde você está? – ouço uma música ao fundo e o som parece de alguma festa.
– Só um pouquinho – ele falou de repente o barulho foi diminuindo até se extinguir – Eu estou em casa.
– E esse barulho? Olha Rafael, eu não sou idiota. – falei começando um discurso. Agatha fez que não com a cabeça novamente. Respirei fundo e o ouvi, tentando manter a calma.
– Não é idiota, mas acha que eu sou, não é? Vamos Luz, me diga onde você está!
– Rafa eu tenho que desligar – apenas desligo nem ouvindo o que ele tem a dizer – O que foi isso?
– Luz, você tem que se afastar dele – disse ela andando de um lado para o outro.
– Por que Agatha? – eu não estava entendendo o motivo dessa paranoia.
– Ele é perigoso, Luz – ela parou e encarou meus olhos como se quisesse ver minha alma. Ela fechou os olhos e sua cor foi se apagando.
Achei que ela fosse desaparecer, mas logo sua cor foi retomada. Estava arfando, ainda de olhos fechados. Ela se contraiu como se sentisse dor. Ela gritou e mandou eu chamar o Lucas e assim eu fiz. Quando voltei ela estava no chão com pouca cor e estava chorando contorcida. Vi algo brilhando em seu braço e perguntei o que era enquanto a ajudava a se levantar.
– Depois, eu preciso do Lucas, cadê o Lucas? — ela estava desesperada. Me desesperei também e gritei pelo Lucas novamente, logo ele chegou na cozinha a levantando e levando para o sofá da sala. Os meninos se reuniram ao redor e ficaram quietos esperando ela reagir. Sua cor oscilava, e sua expressão era de dor, mas ela não falava nada.
Sua cor oscilava, e sua expressão era de dor, mas ela não emitia som algum. Estávamos todos a aguardando silenciosamente. Ela fechou os olhos, enquanto ainda chorava. Lucas passou a mão em seu rosto apaixonadamente. Todos ficamos em um silêncio maior ainda. Notei que o brilho em seu braço aos poucos se apagava e enquanto isso ela abria seus olhos. Quando notou Lucas ao seu lado o abraçou como se sua vida dependesse dele. Ele a abraçou de volta, chorando e falando que ia ficar tudo bem. Naquele momento percebi que precisávamos de ajuda. Mais do que já estávamos tendo. E eu ia conseguir essa ajuda.
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