O Segredo do Anjo
20 Nobody's Going to Die
Notas iniciais
*Lucas on*
Passaram-se duas semanas desde que a Agatha apareceu pra mim pela ultima vez, na minha casa. O que aconteceu naquele dia é um mistério, ninguém sabe explicar o que realmente aconteceu. Ela se machucou com o que quer que tenha acontecido ali. Suas costas estavam terríveis! Havia sangramentos por todos os lugares. Em uma de suas pernas havia uma marca roxa, parecia um tiro e em sua barriga havia uma marca que parecia uma mordida.
Me senti um lixo! Não deveria estar demorando tanto para salvá-la. Luz teve um ótimo plano e nós iriamos fazer ele. Ouvi ela conversando com o Bruno sobre o que a Agatha lhe disse. Parece que o Rafael está querendo algo da Luz, pois eles ficaram as aulas inteiras conversando e era um idiota quem não visse a proximidade dos dois.
Marcamos uma reunião na Sede e Luz iria levar a nossa “ajuda extra” que ela tanto insistia em manter em segredo. Ela disse que finalmente tinha conseguido convencer a “ajuda” a ajudar.
Juro que se ela inventar de trazer aquele idiota, eu acabo com ele. Não o suporto! Desde o dia em que sua mãe ficou doente ele se tornou um babaca. Um play boy que conseguiu ferrar com tudo.
Nem a própria Luz sabe, mas a culpa foi dele ela ter que se mudado. Eu conheço a história toda, assim como a Agatha e o Charlie.
Estávamos em uma festa, mais ou menos um mês antes da Luz ir embora. Tudo estava bem. Eu, a Agatha e o Rafael ainda nos dávamos bem. Éramos amigos. Fingimos para a Luz que estávamos em casa, cada um na sua e ela acreditou. Coitada, sempre foi muito ingênua.
Eu já era a fim da Agatha naquela época, mas ela não desconfiava de nada. Ela estava dançando bem de boa comigo quando o Rafa a puxou para o bar. Encontrei uma velha amiga e dançamos um pouco, mas não tirei os olhos da minha pequena.
Ele sussurrava coisas no ouvido dela e ela ria. Minha raiva por ele começou ali. Eles se levantaram e eu fui atrás, me despedindo da garota. Não tirei os olhos deles, mas alguém me chamou e eu os perdi de vista.
Saí à procura deles e algo me dizia que ela não estava bem. Alguém me falou que a Agatha estava no estacionamento. Corri pra lá e encontrei o Rafael mantendo a Agatha presa contra o carro dele. Ele a beijava enquanto passava a mão nela. Ela tentava gritar, mas não conseguia sair daquele lugar.
Não sei ao certo como, mas eu bati muito nele e ele ainda teve a cara-de-pau de ameaçar a Luz, dizendo que ela seria a próxima. A Agatha se jogou em meus braços e chorou. Eu a acalmei até o pai dela chegar ao local da festa.
Charlie estava possesso de raiva, se pudesse teria prendido o Rafael assim que o viu, mas eu já tinha feito um bom estrago. Seu rosto estava inchado e seu nariz quebrado. Voltei para casa com o pai da Agatha dirigindo e ela deitada em meu colo me agradecendo.
Charlie avisou o pai da Luz sobre a ameaça e ele decidiu levar a filha embora da cidade. Agatha nunca mais falou sobre isso nem comigo nem com ninguém. Pouco depois ela me contou que havia sido marcada como Protetora.
Afastando essa lembrança entrei na Sede mais determinado, estávamos próximos de invadir o lugar que era um Quartel General de alguém que queria ver a Agatha sofrer. Eu estava entrando na casa quando liguei os pontos. Parei e pensei na possibilidade e vi que era ele. Todas as coisas, tudo, levava a ele.
Invado a sala de reuniões batendo a porta atrás de mim. Os meninos já estavam ao redor da mesa analisando um mapa.
– Eu achei o culpado – falei com muito ódio. Eles me encararam esperando o que eu tinha a dizer – Foi o Rafael Darway.
– Espera – falou Gabe – O que você está dizendo é muito sério. Você não pode sair acusando ele desse jeito.
– Está do lado dele, Gabriel? – fui pra cima dele, não conseguia mais conter meu ciúme. Antes que ele pudesse falar alguma coisa e eu pudesse fazer alguma coisa, Nate entrou na sala e nos parou no lugar, mantendo-nos parados por tempo suficiente para nos acalmarmos. Assim que ele me soltou fiz sinal pro Edu ir lá fora agora. Saí pela porta com ele atrás.
– Ei – disse Edu enquanto eu andava de um lado para o outro – Você ta legal?
– Não – digo ainda pensando.
– O que te faz pensar que foi o Rafael?
– Uma coisa que aconteceu há algum tempo atrás. – falei e me dei conta que era isso que eu precisava fazer: eu precisava contar a eles o que aconteceu aquele dia na boate.
– O que você vai fazer? – perguntou Edu percebendo que eu planejava fazer alguma coisa.
– Eu? Vou contar. Tudo – falei e sorri.
– Então ta – ele deu de ombros e sorriu também – E sua irmã? Como ela está?
– Falamos dela depois – falei. Tessa era linda, chegou há alguns dias e estava adorando a cidade. Ela me tratava como se eu fosse o irmão de sangue dela, e eu faço o mesmo. Ela estava indo à escola, começou essa semana.
Ela tem olhos escuros, como os da Agatha, seus cabelos são ruivos e brilhantes. Ela tem a mesma idade que eu tinha quando conheci a Agatha. Respirei fundo e fui de volta para dentro. Eles discutiam sobre jogos de futebol e a Luz não havia chegado ainda.
– Você quer um motivo, não é? – falei para o Gabe, me aproximando da mesa – Eu te dou um motivo.
Nesse momento Luz entrou pela porta, estávamos todos em silêncio. Droga! Com ela aqui não vou conseguir contar o que aconteceu naquela noite.
– O que você quer Luz? – perguntou Jonas, ele é um cara legal, mas perto da Luz fica um idiota.
– Não fale comigo – mandou ela dispensando ele com a mão – Lucas a ajuda vai demorar um pouco, tenho que ir buscá-la, okay? Só vim avisar.
– Não podia ter ligado? – perguntou Bruno, provocando ela.
– Cala a boca – ela mandou – Já vou indo, beijos.
– Tu demora? – gritei enquanto ela saía.
– Um pouco! – gritou ela de volta. Agradeci em silêncio. Ela não podia saber disso. Esperei até que ela realmente saísse para poder falar. E então eu contei. E como ninguém sabia todos ficaram espantados com o que eu disse. Ainda mais quando falei sobre a ameaça à Luz.
Todos estavam com raiva do Rafael quando eu terminei de contar. Alguns sentiam pena da Agatha, mas Gabe continuava sem expressão alguma no rosto. Ele me encarava enquanto eu fazia o mesmo, estávamos em silencio novamente.
– Isso é motivo suficiente para acusá-lo, Gabe? – perguntei com a voz baixa. Ele assentiu e um telefone tocou. Nate atendeu e saiu da sala, nos deixando sozinhos.
– Mas o que aconteceu com ele? – perguntou John depois de muito tempo em silencio.
– Eu bati nele. Ele ia ser preso, mas fugiu.
– Covarde – comentou Alex. Apenas assentimos.
– Boa notícia – falou Nate voltando um tempo depois com algo nas mãos.
– Fala – eu estava ansioso, sentia que hoje o dia seria bom.
– Achamos o Punhal da Agatha – arregalei meus olhos, mas não tive outra reação. Tudo parou ao meu redor. Enquanto eles comemoravam o nosso progresso eu sentei em uma cadeira. Vi alguém falar comigo, mas eu não estava conseguindo entender. Minha Agatha estava próxima, era todo o que eu entendia. Me levantei da cadeira e me aproximei do embrulho que Nate deixou em cima da mesa.
– Cuidado – Nate segurou meu braço quando ia tocar seu cabo – Não toque na lâmina.
– E não pense na Agatha. As lembranças dela irão invadir sua mente, ainda mais você, que é tão ligado a ela. – falou José. Revirei os olhos e puxei os tecidos que envolviam o Punhal lentamente.
O Punhal tinha uma lâmina curva de duas partes, a maior era prata, lisa e brilhante, e a outra era completamente diferente. Sua cor é escura e fosca, há marcas de rachaduras nela toda, parece que se eu tocá-la ela se desmanchará em mil pedaços.
As duas partes da lâmina se juntam em uma só e dão origem ao cabo dourado. No topo do cabo, próximo à lâmina há um coração vermelho de rubi. Virei ele de um lado para o outro, a lâmina tem um brilho azulado quando mexo-a de um lado para o outro.
É tão lindo. Sua cor negra me lembrava de seus olhos e cabelos. Não pude evitar pensar nela. Segurei com força seu Punhal, imaginando quantas vezes ela já tinha feito isso e um número surgiu em minha cabeça: 89. Me perguntei se era a resposta e um "sim" apareceu. Notei que era o Punhal que estava fazendo isso. Fechei meus olhos. Perguntei se ela estava bem. Ele respondeu que estava machucada, mas ainda vivia. Perguntei se ela corria perigo de vida e ele respondeu que sim.
– Lucas o que você esta fazendo? — a voz do Bruno me tirou dos meus pensamentos.
– Nada — falei abrindo meus olhos e notando que eu tinha me sentado. Coloquei o Punhal sobre a mesa e senti como se estivesse esquecendo de algo. Me levantei enquanto Nate o pegava. Ele murmurou alguma coisa em uma língua estranha e o punhal começou a brilhar. Cobri meus olhos, pois a luz estava forte e quando abri novamente vi dois homens segurando a Agatha enquanto ela se debatia.
– Isso aconteceu na primeira semana que ela apareceu. — disse Nate. Falou outra palavra e a cena mudou. Estava no modo "visão noturna" e havia um anjo com um capuz cobrindo seu rosto junto com Agatha que estava amarrada e amordaçada. Ele segurava um chicote prateado e batia nela, dizendo insultos a ela. Tampei minha boca, estava morrendo de ódio desse anjo. Eu o iria matar.
Vi Agatha ser espancada e Nate parou a imagem, quando uma parte do pescoço do anjo ficou exposta, revelando uma tatuagem estranha. Era uma cobra mordendo o próprio rabo.
– O que significa?- perguntei.
– Significa que nosso inimigo é mais poderoso do que pensávamos. — respondeu Nate e erguendo a voz perguntou — De quem é essa marca?
– Eu já vi antes, mas faz muito tempo — disse José pensativo.
– Mas o que é esse símbolo? — perguntou Gui tirando as palavras da minha boca.
– É um Ouroboro — disse Alex do outro lado da imagem que continuava parada. — Só não me lembro o que significa.
– Da última vez que eu vi esse símbolo um Protetor morreu — comentou José.
– Cala a boca — mandei — Ninguém aqui vai morrer. Nem nós, nem a Agatha.
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