O Segredo do Anjo
16 Agatha Is His World And Now He Knows It
Notas iniciais
*Narrador on*
No outro dia Lucas foi para a Sede cedo e contou tudo que pode se lembrar de que ela havia dito para Nate. Ele ouviu com atenção e pediu para que Lucas avisasse caso ela aparecesse de novo. Ele passou a tarde inteira esmurrando bonecos infláveis e sacos de areia. Quando os meninos chegaram eles combinaram de fazer uma partida de futebol no campinho depois do treino.
Eles estavam rindo e conversando quando Nick chegou. Ele mandou que formassem trios e começassem a treinar um tipo de arremesso. Lucas não entendeu pra que isso serviria, mas fez como ele mandou.
Ficou no grupo junto com o Gabe e o Edu. Eles receberam uma bola e começaram a lançar como faziam durante a aula de educação física do colégio. Nick se aproximou dizendo que eles fazendo errado.
– Fique aqui – disse ele para Lucas. Nick correu para longe e segurando a bola com apenas uma mão a arremessou. A bola veio com tanta força que quando Lucas pegou foi jogado no chão por causa do impacto. Os garotos olharam surpresos quando ele voltou e disse:
– Não precisam fazer exatamente isso, mas joguem com toda a força de vocês.
Ele se afastou e os meninos começaram a tentar fazer igual. Todos já estavam cansados quando Nick mandou que eles entrassem e descansassem enquanto ele arrumava as coisas para o próximo treino. Eles entraram na cozinha do Nate e tomaram água, rindo e brincando. A tensão dos primeiros dias já não era mais presente, todos estavam fazendo o melhor que podiam e estavam treinando duro para poder ajudar.
Nate chegou à cozinha e falou, colocando barras nutritivas na mesa:
– O Lucas tem novidade.
– Pra que isso? – perguntou Jonas olhando com desdém para a barrinha.
– Apenas comam – disse Nate – Lucas, se quiser contar.
Todos olharam ansiosos para ele que tomou um gole de água e disse:
– Eu vi a Agatha ontem.
Os meninos o olharam confusos. Ele estava dizendo que havia sonhado com ela ou que ele havia encontrado a garota? Eles ouviram com atenção enquanto Lucas repetia o que havia acontecido na noite anterior, tirando as partes melosas.
– Então – disse Alex com uma nova esperança no olhar – Quer dizer que ela ta viva?
– Mas é claro que sim – disse Thomas – Você duvidava?
Eles riram e Gabe fez um comentário que deixou Lucas com ciúmes.
– Ela está bem e precisa da nossa ajuda, então vamos fazer isso, vamos achá-la!
Lucas não gostou, pois ele deveria ter sido aquele a falar isso, ele deveria estar encorajando os garotos, não o Gabe. Estressado colocou o copo em cima da mesa e saiu para o banheiro. Ouviu Nick chamando e depois de jogar água na cara foi para fora, indo para frente do grupo. Era infantil agir desse modo, mas ele não se importava. Ele ainda era o namorado da Agatha.
Chegando ao lado de fora, eles se surpreenderam com o que encontraram. Espalhados pelo quintal havia vários alvos espalhado e nove arcos e uma aljava cheias de flechas para cada um ao lado. Os arcos eram prateados e longos, todos iguais e na alijava cada uma estava marcada com um símbolo diferente. As flechas eram brancas com uma ponta prateada e na outra uma pena vermelha.
– Essas são Flechas Celestiais – disse Nick pegando uma e mostrando aos garotos – Elas são feitas por anjos e seu veneno é perfeito pra matar um monstro. Não confie totalmente nela, pois existem monstros que são imunes ao veneno. E tomem cuidado: se ela tocar a ponta de prata na pele humana pode causar um ferimento muito grande, não mata felizmente, mas é muito doloroso.
A cada nova arma que Nick mostrava a eles, Lucas sentia mais esperança em encontrar ela. Mas ele sabia que levaria tempo para isso acontecer. Os garotos guardaram em uma sala da casa do Nate onde eles já haviam guardado as outras, mas Lucas guardou no carro que havia estacionado na frente da casa, diferente dos meninos preferia ter as armas perto. Abriu o porta-malas e tirou a tampa da onde deveria estar o estepe, lugar onde tinha guardado as outras armas, e colocou o arco e a aljava lá dentro. Quando estava fechando, percebeu um pequeno papel dobrado no fundo do porta-malas, uma folha de caderno toda dobrada, amaçada e velha. Nela estava escrita a letra de uma musica:
“Cause tonight I’m feeling like an astronaut
Sending S.O.S from this tiny box
And I lost all signal when I lifted up
Now I’m stuck out here and the world forgot
Can I please come down?
Cause I’m tired of drifting round and round
Can I please come down?”
Ele se lembrava do dia em que haviam escrito a música nessa folha, foi em um tempo que parecia muito distante. As frases se dividiam na caligrafia pesada dele e nas pequenas e frágeis letras de Agatha. Simple Plan, ela sempre gostou dessa banda, mas Astronaut (https://www.youtube.com/watch?v=N-MgRkSh5Xk) era especial. Os melhores e piores momentos da vida dela haviam sido comemorados e chorados com essa musica.
Ele encontrou ali mais um motivo para continuar treinando, ele não poderia deixa-la se sentindo abandonada, sozinha ou esquecida. Ela estava perdida e sua “tiny SOS box” estava chegando. Agatha era seu mundo e agora ele sabia disso.
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