Notas iniciais
Oii galera, essa é nossa primeira fic aqui no NYAH, esperamos que gostem!

– Então doutor, o que você acha que pode ser?

– Olha Tessa, nunca vi nada parecido... Vamos marcar uns exames pra você.

Há um mês notei que meus olhos ganharam um tom arroxeado, achei bonito no começo e pensei que fosse passageiro, então ouvi minha mãe e achei melhor não me preocupar... Mas agora estava assustada, por isso resolvi ir ao médico o mais rápido possível, mesmo depois de meus pais dizerem que eu estava exagerando.

Sai do consultório com um nó na garganta, agora sim estava assustada, o que poderia ter acontecido comigo? Ainda era dia, mas não se via ninguém na rua por causa da chuva forte. O pequeno guarda-chuva que me cobria não era suficiente para impedir que eu me molhasse, cinco minutos andando e a calça que eu vestia já estava ensopada.

Já estava á três quarteirões de casa quando ouvi o barulho de passos sobre poças, era alguém correndo devido à chuva, imaginei.

–Ei! Espera aí menina...

Olhei para trás assustada e vi alguém correndo até mim... Pensei em correr dali, mas antes que eu pudesse me mover ele já estava a poucos centímetros de mim segurando firme em meu braço.

O encarei atônita esperando por algum movimento dele, ele estava ofegante. Alguns segundos depois e ele me soltou.

–O que você quer? — Perguntei.

Ele passou as mãos nervosamente nos cabelos molhados.

–Vem comigo... — disse pegando meu braço novamente e dessa vez me puxando com ele.

–Não, me solta! O que você quer comigo?

–Não discute tá legal?! — disse entrando de baixo do meu guarda-chuva e se aproximando mais de mim — Só vem comigo.

–Não! Tá louco? Eu preciso ir para casa...

–Você não pode ir para casa, você tem que vir comigo.

Dei as costas para ele e continuei andando em direção á minha casa.

–Espera! — o ouvi gritando, acelerei o passo.

–Me deixa em paz! — Gritei.

Ele me alcançou e se colocou em minha frente segurando em meus braços, eu estava tão desesperada e assustada que ainda não havia notada que seus olhos eram incrivelmente... Roxos!

Perdi-me em meus pensamentos até ele me despertar dali com palavras que me deixaram sem chão:

–Seus pais estão mortos e você não pode voltar pra casa a não ser que também queira morrer...

–O que?!

Meus pés começaram a se moverem sozinhos, em um impulso de desespero soltei o guarda-chuva e me pus a correr como se a minha vida dependesse daquilo. Senti as gotas da chuva cada vez mais forte em minha pele como se quisessem me perfurar, meu coração batia mais rápido do que eu podia sentir, e minha visão embaçava pela chuva, ou talvez pelas lágrimas que eu segurava ali...

Quando avistei minha casa desejei com todas as forças que aquela maldita porta caída no chão fosse apenas a, tão esperada, atitude de meu pai de trocar a velha porta de madeira apodrecida, ou então que as janelas quebradas fossem apenas mais uma das travessuras dos filhos da vizinha... Ajoelhei-me na soleira da porta sem forças sentindo meu mundo desabar, meus pulmões clamavam pelo ar que eu recusava inspirar naquele momento.

Acariciei o rosto do meu pai implorando que acordasse, foi quando senti alguém tocar o meu ombro. O garoto de minutos atrás agora estava ajoelhado em minha frente dizendo algo que meus ouvidos não queriam ouvir. Olhava-o em busca de refúgio.

–Você precisa me ouvir... Precisamos sair daqui. — dizia me chacoalhando. — Fala comigo!

–Minha mãe... — Sussurrei — Onde ela está? — Perguntei chorando.

–Talvez ela ainda esteja viva...

–Onde ela está? — repeti com raiva.

–Nós vamos acha-la tá legal? — disse colocando a mão em meu ombro — Agora vem comigo... — e então me puxou consigo.

Me soltei da mão dele me voltando para o meu pai.

–Seja forte agora, tá? Se continuarmos aqui vamos acabar mortos.

–Como assim mortos? O que está acontecendo?

Ele passou novamente as mãos no cabelo, parecia impaciente...

–Eu vou te explicar... Mas vamos indo. — Disse saindo.

Pensei em minha mãe e que ainda poderia encontra-la, então decidi segui-lo.

Lá estava eu, me movendo involuntariamente atrás daquele garoto que eu nem ao menos sabia o nome. Procurava algo que me desse forças para continuar e isso era a vontade de encontrar minha mãe... Encontra-la viva era o que mais desejava naquele momento, e se seguir um desconhecido me ajudaria era isso que eu faria.

–Tudo bem? — o garoto me perguntou.

–E-eu... — respirei abaixando o olhar — Não. — Respondi.

Ele parou de andar esperando que eu o alcançasse, parei ao seu lado esperando o que viria, ele me olhava...

–O que foi? — Minha voz soou falha.

Ele meu deu um sorriso reconfortante e levou sua mão ao meu rosto enxugando uma lágrima que eu ainda não percebera que estava ali.

–Nós vamos achar sua mãe, mas... Bom, sei que não tenho direito de te pedir algo assim diante da situação, mas não chore mais...

Suspirei limpando as lágrimas e continuei a caminhar deixando-o para trás.

–Quem é você? — perguntei escutando seus passos logo atrás de mim.

–Pode me chamar de Lukke.

–Lukke?

–É... Lukke Hartz.

–Como tudo isso aconteceu? — perguntei confusa — Quero dizer... Meu pai está morto e você sabia; minha mãe sumiu e você diz que sabe onde ela está. Então... — disse parando de andar e virei para encara-lo — como você sabia de tudo isso? Porque eu devo confiar em você?

Notas finais
E aí? Estamos ansiosos para saber o que acharam, então não esqueçam de deixar seus comentários e críticas construtivas. Beijos