O Segredo Mais Bem Guardado
49 Capítulo 49
Os sete dias passaram mais rápido do que qualquer um dos dois considerou razoável.
Principalmente Hermione.
Porque, segundo ela, o cronograma possuía uma quantidade ofensiva de compromissos.
Segundo Draco.
O cronograma possuía exatamente a quantidade de compromissos que ela teria criado se tivesse tido oportunidade.
Hermione continuou sustentando que aquilo era diferente.
Draco continuou sustentando que não era.
Nenhum dos dois convenceu o outro.
Os primeiros dias foram ocupados por reuniões.
Muitas reuniões.
Delegações internacionais.
Representantes ministeriais.
Grupos de trabalho.
Discussões jurídicas.
Discussões médicas.
Discussões que começaram jurídicas e terminaram médicas.
E outras que começaram médicas e terminaram políticas.
Segundo Draco, todas eram excessivamente longas.
Segundo Hermione, apenas algumas.
Pela primeira vez desde que se conheciam.
Trabalharam juntos.
Não em paralelo.
Não em áreas diferentes.
Mas na mesma mesa.
Nos mesmos projetos.
Nas mesmas discussões.
E descobriram algo inesperado.
Funcionavam absurdamente bem.
O que teria sido menos surpreendente se ambos não fossem tão teimosos.
— Você acabou de reformular exatamente o que eu disse.
Comentou Draco.
Durante uma reunião.
Hermione nem ergueu os olhos dos documentos.
— Eu reformulei melhor.
— Isso é objetivamente ofensivo.
— E ainda assim eficiente.
O representante francês responsável pela mediação precisou esconder um sorriso.
Porque aquela conversa claramente não era nova.
No quarto dia.
Hermione descobriu que Draco falava francês muito melhor do que havia admitido.
— Você mentiu.
Acusou.
Assim que saíram de uma reunião.
— Não menti.
— Mentiu sim.
— Você nunca perguntou.
— Draco.
— Hermione.
— Você passou quarenta minutos discutindo terminologia técnica em francês.
— Sim.
— Como se isso fosse perfeitamente normal.
— É perfeitamente normal.
— Para quem?
— Para mim.
Hermione continuou olhando para ele.
Claramente traída.
Draco pareceu satisfeito demais com aquilo.
No quinto dia.
Finalmente conseguiram uma tarde livre.
O que Hermione considerou um acidente administrativo.
E Draco considerou intervenção divina.
Caminharam pelas margens do Sena.
Sem relatórios.
Sem reuniões.
Sem cronogramas.
Pela primeira vez desde a chegada.
Apenas os dois.
Hermione observava os livros espalhados pelos pequenos vendedores ao longo do rio.
Naturalmente.
Porque mesmo em outro país ela continuava encontrando livros.
Draco observava Hermione.
Naturalmente.
Porque continuava sendo uma atividade significativamente mais interessante.
— Você percebe que isso é estranho?
Perguntou ela.
Sem desviar os olhos das bancas.
— O quê?
— Nós.
— Excelente definição.
— Draco.
— Hermione.
Ela sorriu.
— Estamos em Paris.
— Sim.
— Trabalhando juntos.
— Sim.
— E isso parece completamente normal.
Draco pensou por alguns segundos.
Depois entrelaçou os dedos aos dela.
Como se aquilo também fosse completamente normal.
Porque era.
— Acho que esse é o objetivo.
A resposta saiu simples.
Tranquila.
E, por algum motivo.
Hermione sorriu.
No sétimo dia.
Quando a delegação finalmente recebeu a confirmação de que todos os acordos haviam sido aprovados.
Hermione percebeu uma coisa.
Pela primeira vez em muitos anos.
Não estava pensando no próximo objetivo.
Nem na próxima promoção.
Nem no próximo projeto.
Nem no próximo problema.
Estava pensando em voltar para casa.
E isso talvez fosse a maior mudança de todas.
Porque agora existia um lugar para onde queria voltar.
E pessoas esperando por ela quando chegasse.
O jantar aconteceu quatro dias depois do retorno da França.
E foi inteiramente culpa de Narcisa.
O que surpreendeu exatamente ninguém.
— Eu não organizei nada.
Declarou ela.
Durante o café da manhã.
— Convidei algumas pessoas para jantar.
Hermione ergueu os olhos.
— Algumas?
— Sim.
— Quantas?
Narcisa pareceu pensar.
— Um número razoável.
Draco imediatamente suspirou.
— Isso nunca significa um número razoável.
— Significa para mim.
— Esse é exatamente o problema.
No sábado à noite, a Mansão Malfoy estava mais cheia do que estivera em semanas.
Não por causa de bailes.
Nem de eventos beneficentes.
Nem de reuniões diplomáticas.
Apenas pessoas.
Família.
Amigos.
Gente que aparecia com frequência suficiente para já não precisar de convite formal.
Os primeiros a chegar foram Harry e Gina.
Naturalmente.
Seguidos por Rony.
Que continuava fingindo não gostar da ideia de frequentar a Mansão Malfoy.
Uma atuação que vinha ficando cada vez menos convincente.
Neville apareceu logo depois.
Luna alguns minutos mais tarde.
E então vieram os demais Weasleys.
Os sonserinos chegaram juntos.
O que foi imediatamente suspeito.
Porque normalmente nenhum deles conseguia concordar sequer sobre horários.
— Isso é uma intervenção?
Perguntou Hermione.
Assim que viu Theo, Blaise, Pansy, Daphne e Astoria entrando ao mesmo tempo.
— Não.
Respondeu Theo.
— Excelente.
— Porque intervenções costumam ser planejadas.
— Theodore.
— Ainda.
A sala de estar tornou-se o centro da noite.
O jantar já havia terminado.
As mesas menores estavam espalhadas pelo ambiente.
Taças.
Sobremesas.
Conversas.
O tipo de caos confortável que surgia quando ninguém estava tentando impressionar ninguém.
Hermione observava aquilo da poltrona próxima à lareira.
Uma taça esquecida entre os dedos.
A conversa ao redor mudava constantemente.
Pessoas entrando e saindo dos grupos.
Histórias cruzando o ambiente.
Risadas surgindo de diferentes cantos.
Era estranho.
Porque durante anos ela acreditara que aquelas partes da vida jamais se encontrariam.
Os Weasley.
Os Potter.
Os sonserinos.
Narcisa.
Draco.
Ela.
Tudo existia em compartimentos separados.
Agora não.
— Você está fazendo aquela coisa de novo.
Hermione ergueu os olhos.
Draco ocupava o sofá ao lado.
— Que coisa?
— Pensando demais.
— Difamação.
— Eu conheço você.
Hermione sorriu.
Pequeno.
Porque aquela resposta continuava funcionando.
Foi então que George apareceu.
O que raramente significava tranquilidade.
— Excelente.
Disse.
Segurando um exemplar do Profeta Diário.
— Eu estava procurando vocês dois.
— Não.
Respondeu Draco imediatamente.
— Sim.
— George.
— Draco.
George ignorou completamente a resistência.
Sentando-se no braço de uma poltrona próxima.
— Vocês viram isso?
— Não.
— Mentira.
— Não vimos.
— Ainda melhor.
Harry fechou os olhos.
Porque reconhecia aquele tom.
— George...
— Estou compartilhando informação de interesse público.
— Isso é exatamente o que me preocupa.
George abriu o jornal.
Com visível satisfação.
— Página três.
— George.
— Página três.
Hermione aceitou o jornal.
Principalmente porque sabia que ele não desistiria.
Leu a manchete.
Depois a linha abaixo.
E imediatamente fechou os olhos.
— Ah, não.
O sorriso de George aumentou.
— Ah, sim.
Gina já começava a rir.
Porque conhecia aquela expressão.
— O que foi?
Perguntou Neville.
George respondeu antes que qualquer outra pessoa pudesse fazê-lo.
— Aparentemente a França acredita que Hermione e Malfoy representam risco moderado de futura dominação internacional.
O silêncio durou aproximadamente um segundo.
Então a sala inteira explodiu.
Harry começou a rir.
Gina também.
Angelina precisou apoiar a testa na mão.
Até Neville parecia perigosamente próximo de perder a compostura.
— Isso não pode ser real.
Disse Hermione.
— Está impresso.
Observou Luna.
— Tecnicamente isso aumenta bastante as chances.
— Obrigado, Luna.
Murmurou Draco.
— Disponha.
George retomou a leitura.
Com entusiasmo renovado.
— "Fontes francesas destacaram a atuação coordenada do casal Malfoy durante as negociações."
Pequena pausa dramática.
— "Um diplomata chegou a comentar que os dois parecem capazes de reorganizar metade da Europa antes do almoço."
Agora até Pansy ria.
— Isso é injustamente específico.
Comentou.
— Eu achei bastante preciso.
Respondeu Theo.
— Theodore.
— Estou apenas apoiando o jornalismo internacional.
Hermione afundou mais na poltrona.
Draco parecia estranhamente satisfeito.
O que era profundamente irritante.
— Você está gostando disso.
Acusou Hermione.
— Talvez.
— Draco.
— "Dominação internacional moderada" parece uma meta razoável.
Agora foi a vez dela rir.
Contra a própria vontade.
Do outro lado da sala.
Narcisa observava a cena em silêncio.
A taça apoiada sobre o colo.
Um pequeno sorriso nos lábios.
Porque não era sobre a manchete.
Nem sobre a França.
Nem sobre os acordos.
Era sobre aquilo.
A sala cheia.
As risadas.
As conversas cruzadas.
Os grupos misturados.
Pessoas que anos antes jamais teriam dividido o mesmo espaço.
Agora ocupando a própria casa como se sempre tivesse sido assim.
E talvez.
Pensou Narcisa.
Enquanto observava Hermione rir de alguma coisa que George acabara de dizer.
Talvez aquela fosse a verdadeira conquista de todos eles.
Não Paris.
Não o Ministério.
Não os jornais.
Mas aquilo.
A vida que construíram depois.
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