Hermione só conseguiu chegar ao próprio gabinete quase uma hora depois de entrar no Ministério.

O que normalmente já seria um péssimo sinal.

Naquele dia parecia ainda pior.

Porque cada corredor continha alguém que queria falar sobre o baile.

Ou sobre uma fotografia.

Ou sobre uma manchete.

Ou, inexplicavelmente, sobre os arranjos florais.

— Eu nem escolhi as flores.

Murmurou ela.

Mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.

Pouco depois.

Hermione finalmente conseguiu fechar a porta do gabinete.

O silêncio foi imediato.

Maravilhoso.

Perfeito.

Durou aproximadamente quarenta segundos.

Até que seus olhos encontraram um envelope sobre a mesa.

Diferente dos demais.

Mais elegante.

Mais formal.

Com um selo que ela reconheceu imediatamente.

E isso foi suficiente para fazê-la sentar.

Devagar.

Porque aquele selo não aparecia em correspondências comuns.

Nem em convites.

Nem em memorandos.

Nem em relatórios.

A carta vinha diretamente do gabinete do Ministro.

Hermione abriu o envelope.

Leu uma vez.

Depois outra.

Depois uma terceira.

Porque tinha certeza de que havia entendido errado.

A batida na porta veio exatamente naquele momento.

— Entre.

Bianca apareceu.

— Tudo bem?

Hermione demorou alguns segundos para responder.

— Não tenho certeza.

— Isso normalmente não é uma boa resposta.

— Recebi um convite.

— Para quê?

Hermione virou a carta.

Mostrando o cabeçalho.

Bianca arregalou os olhos.

— Ah.

— Exatamente.

— Isso é um "ah" bom?

— Acho que sim.

Hermione voltou a olhar para o documento.

Ainda tentando processar.

— O Ministro quer que eu lidere uma delegação.

O silêncio foi imediato.

— Uma delegação?

— Sim.

— Internacional?

— Sim.

— Sozinha?

— Não.

— Menos mal.

Hermione continuou lendo.

E então chegou ao último parágrafo.

Aquele que Bianca ainda não tinha visto.

E imediatamente franziu a testa.

— Certo.

— O quê?

— Isso ficou interessante.

— Hermione.

— Eu não vou gostar disso.

— Do quê?

Ela entregou a carta.

Bianca leu.

Demorou alguns segundos.

Depois levantou os olhos.

E começou a sorrir.

Lentamente.

Perigosamente.

— Ah, eu gostei muito disso.

— Bianca.

— Muito mesmo.

— Bianca.

— Isso é extraordinário.

Hermione apoiou a cabeça nas mãos.

Porque já sabia exatamente o que viria.

— O Ministro está sugerindo que você leve um acompanhante oficial.

— Sim.

— E ele literalmente escreveu o nome.

— Eu percebi.

— Isso é incrível.

Hermione fechou os olhos.

Porque o nome escrito ali era absurdamente familiar.

Draco Malfoy.

Do outro lado de Londres.

Draco estava terminando uma consulta quando um patrono prateado atravessou a sala.

Assumindo imediatamente a forma de uma lontra.

O que já era um péssimo sinal.

A voz de Hermione ecoou no ambiente.

Calma.

Controlada.

Perigosamente controlada.

— Quando terminar o trabalho hoje, venha direto para casa. Precisamos conversar.

Draco permaneceu imóvel.

Observando o patrono desaparecer.

Então suspirou.

— Ah, não.

Porque, na experiência dele.

Nenhuma conversa importante da própria esposa jamais começava bem com aquelas palavras.

Draco passou o restante da tarde convencido de que algo tinha dado errado.

Gravemente errado.

Talvez alguém tivesse processado o Ministério.

Talvez algum acordo internacional tivesse fracassado.

Talvez Theo tivesse feito alguma coisa.

O que, honestamente, era sempre uma possibilidade real.

— Você está distraído.

Comentou Lorenzo.

Pela terceira vez.

Draco não ergueu os olhos dos relatórios.

— Não estou.

— Está sim.

— Não estou.

— Está.

— Lorenzo.

— Malfoy.

— Vá embora.

— Não.

Draco fechou o arquivo.

Porque claramente não conseguiria trabalhar.

— O que você quer?

— Descobrir por que você parece um homem aguardando uma sentença.

— Não pareço.

— Parece exatamente isso.

Draco considerou negar novamente.

Desistiu.

— Hermione me enviou um patrono.

— E?

— Precisamos conversar.

O silêncio foi imediato.

Lorenzo piscou.

Uma vez.

Depois outra.

— Ah.

Draco fechou os olhos.

— Exatamente.

— Isso é ruim.

— Eu sei.

— Muito ruim.

— Eu sei.

— Boa sorte.

— Lorenzo.

— Estou apenas sendo honesto.

— Você está sendo inútil.

— Também.


Duas horas depois.

Draco atravessou as portas da Mansão Malfoy.

Preparado para uma crise.

Talvez uma catástrofe.

Definitivamente algum problema.

Encontrou Hermione no solário.

Lendo.

Completamente tranquila.

— Certo.

Ela ergueu os olhos.

— Certo o quê?

— Você está calma.

— Sim.

— Isso é irritante.

— Obrigada.

— Não foi um elogio.

— Ainda assim vou aceitar.

Hermione marcou a página do livro.

Observando-o.

Claramente divertida.

O que apenas aumentou a desconfiança dele.

— Você me fez atravessar Londres acreditando que algo estava errado.

— Eu pedi que viesse para casa.

— E acrescentou "precisamos conversar".

— Sim.

— Essas palavras nunca significam nada bom.

— Dramático.

— Experiente.

Hermione começou a rir.

O que não ajudou em nada.

— Sente-se.

— Não gosto desse tom.

— Draco.

— Hermione.

— Sente-se.

Ele sentou.

Porque, infelizmente, ambos sabiam como aquilo terminaria.

Hermione estendeu a carta.

Sem dizer nada.

Draco pegou o documento.

Leu a primeira página.

Depois a segunda.

Então voltou para a primeira.

Porque tinha certeza de que havia entendido errado.

— Ah.

— Exatamente.

— Isso é...

— Sim.

— Bastante importante.

— Sim.

Draco continuou lendo.

Com mais atenção dessa vez.

Os olhos percorrendo cada linha.

Cada detalhe.

Cada instrução.

Até chegarem ao último parágrafo.

E então ele ficou imóvel.

Hermione reconheceu imediatamente o momento.

Porque fora exatamente a mesma reação que tivera.

— Certo.

Disse ele.

Finalmente.

— Certo?

— Isso ficou interessante.

Hermione apoiou o queixo na mão.

— Foi exatamente o que eu disse.

— Eu sei.

Draco voltou a olhar para a carta.

— Eles realmente escreveram meu nome.

— Sim.

— Explicitamente.

— Sim.

— Sem qualquer sutileza.

— Nenhuma.

O silêncio pairou entre eles.

Então Hermione observou algo raro.

Muito raro.

Draco parecia genuinamente surpreso.

Não desconfortável.

Não irritado.

Surpreso.

— Você não esperava isso.

Comentou ela.

Ele soltou uma pequena risada.

— Hermione.

— O quê?

— Eu sou curandeiro.

— Sim.

— Não diplomata.

— Tecnicamente você é um Malfoy.

— Isso não é uma profissão.

— Alguns discordariam.

Aquilo arrancou um sorriso dele.

Pequeno.

Mas real.

Hermione observou-o por alguns segundos.

— Você não precisa aceitar.

A frase saiu simples.

Honesta.

Porque era verdade.

Draco ergueu os olhos.

— Você acha que eu não vou?

— Acho que sua vida também existe fora da minha.

— Continua existindo.

— Draco.

— Hermione.

Ele pousou a carta sobre a mesa.

E sustentou o olhar dela.

— Você realmente acredita que eu perderia a oportunidade de assistir ministros internacionais descobrirem que precisam negociar com você?

Hermione arqueou uma sobrancelha.

— Isso não parece uma resposta profissional.

— Não sou diplomata.

— Justo.

— Além disso.

Ele inclinou-se ligeiramente para frente.

— Eu ainda não me recuperei completamente da expressão de Viktor Krum no baile.

Hermione fechou os olhos.

— Ah, não.

— Ah, sim.

— Draco.

— Hermione.

— Já passou.

— Nunca passou.

— Você é impossível.

— Frequentemente me dizem isso.

Ela começou a rir.

E dessa vez ele a acompanhou.

Porque a verdade era simples.

Nenhum dos dois sabia exatamente o que aquela viagem significaria.

Nenhum dos dois sabia o que viria depois.

Mas, pela primeira vez em muito tempo...

A incerteza parecia interessante.

E não assustadora.