O Segredo Mais Bem Guardado
45 Capítulo 45
Hermione só conseguiu chegar ao próprio gabinete quase uma hora depois de entrar no Ministério.
O que normalmente já seria um péssimo sinal.
Naquele dia parecia ainda pior.
Porque cada corredor continha alguém que queria falar sobre o baile.
Ou sobre uma fotografia.
Ou sobre uma manchete.
Ou, inexplicavelmente, sobre os arranjos florais.
— Eu nem escolhi as flores.
Murmurou ela.
Mais para si mesma do que para qualquer outra pessoa.
Pouco depois.
Hermione finalmente conseguiu fechar a porta do gabinete.
O silêncio foi imediato.
Maravilhoso.
Perfeito.
Durou aproximadamente quarenta segundos.
Até que seus olhos encontraram um envelope sobre a mesa.
Diferente dos demais.
Mais elegante.
Mais formal.
Com um selo que ela reconheceu imediatamente.
E isso foi suficiente para fazê-la sentar.
Devagar.
Porque aquele selo não aparecia em correspondências comuns.
Nem em convites.
Nem em memorandos.
Nem em relatórios.
A carta vinha diretamente do gabinete do Ministro.
Hermione abriu o envelope.
Leu uma vez.
Depois outra.
Depois uma terceira.
Porque tinha certeza de que havia entendido errado.
A batida na porta veio exatamente naquele momento.
— Entre.
Bianca apareceu.
— Tudo bem?
Hermione demorou alguns segundos para responder.
— Não tenho certeza.
— Isso normalmente não é uma boa resposta.
— Recebi um convite.
— Para quê?
Hermione virou a carta.
Mostrando o cabeçalho.
Bianca arregalou os olhos.
— Ah.
— Exatamente.
— Isso é um "ah" bom?
— Acho que sim.
Hermione voltou a olhar para o documento.
Ainda tentando processar.
— O Ministro quer que eu lidere uma delegação.
O silêncio foi imediato.
— Uma delegação?
— Sim.
— Internacional?
— Sim.
— Sozinha?
— Não.
— Menos mal.
Hermione continuou lendo.
E então chegou ao último parágrafo.
Aquele que Bianca ainda não tinha visto.
E imediatamente franziu a testa.
— Certo.
— O quê?
— Isso ficou interessante.
— Hermione.
— Eu não vou gostar disso.
— Do quê?
Ela entregou a carta.
Bianca leu.
Demorou alguns segundos.
Depois levantou os olhos.
E começou a sorrir.
Lentamente.
Perigosamente.
— Ah, eu gostei muito disso.
— Bianca.
— Muito mesmo.
— Bianca.
— Isso é extraordinário.
Hermione apoiou a cabeça nas mãos.
Porque já sabia exatamente o que viria.
— O Ministro está sugerindo que você leve um acompanhante oficial.
— Sim.
— E ele literalmente escreveu o nome.
— Eu percebi.
— Isso é incrível.
Hermione fechou os olhos.
Porque o nome escrito ali era absurdamente familiar.
Draco Malfoy.
Do outro lado de Londres.
Draco estava terminando uma consulta quando um patrono prateado atravessou a sala.
Assumindo imediatamente a forma de uma lontra.
O que já era um péssimo sinal.
A voz de Hermione ecoou no ambiente.
Calma.
Controlada.
Perigosamente controlada.
— Quando terminar o trabalho hoje, venha direto para casa. Precisamos conversar.
Draco permaneceu imóvel.
Observando o patrono desaparecer.
Então suspirou.
— Ah, não.
Porque, na experiência dele.
Nenhuma conversa importante da própria esposa jamais começava bem com aquelas palavras.
Draco passou o restante da tarde convencido de que algo tinha dado errado.
Gravemente errado.
Talvez alguém tivesse processado o Ministério.
Talvez algum acordo internacional tivesse fracassado.
Talvez Theo tivesse feito alguma coisa.
O que, honestamente, era sempre uma possibilidade real.
— Você está distraído.
Comentou Lorenzo.
Pela terceira vez.
Draco não ergueu os olhos dos relatórios.
— Não estou.
— Está sim.
— Não estou.
— Está.
— Lorenzo.
— Malfoy.
— Vá embora.
— Não.
Draco fechou o arquivo.
Porque claramente não conseguiria trabalhar.
— O que você quer?
— Descobrir por que você parece um homem aguardando uma sentença.
— Não pareço.
— Parece exatamente isso.
Draco considerou negar novamente.
Desistiu.
— Hermione me enviou um patrono.
— E?
— Precisamos conversar.
O silêncio foi imediato.
Lorenzo piscou.
Uma vez.
Depois outra.
— Ah.
Draco fechou os olhos.
— Exatamente.
— Isso é ruim.
— Eu sei.
— Muito ruim.
— Eu sei.
— Boa sorte.
— Lorenzo.
— Estou apenas sendo honesto.
— Você está sendo inútil.
— Também.
Duas horas depois.
Draco atravessou as portas da Mansão Malfoy.
Preparado para uma crise.
Talvez uma catástrofe.
Definitivamente algum problema.
Encontrou Hermione no solário.
Lendo.
Completamente tranquila.
— Certo.
Ela ergueu os olhos.
— Certo o quê?
— Você está calma.
— Sim.
— Isso é irritante.
— Obrigada.
— Não foi um elogio.
— Ainda assim vou aceitar.
Hermione marcou a página do livro.
Observando-o.
Claramente divertida.
O que apenas aumentou a desconfiança dele.
— Você me fez atravessar Londres acreditando que algo estava errado.
— Eu pedi que viesse para casa.
— E acrescentou "precisamos conversar".
— Sim.
— Essas palavras nunca significam nada bom.
— Dramático.
— Experiente.
Hermione começou a rir.
O que não ajudou em nada.
— Sente-se.
— Não gosto desse tom.
— Draco.
— Hermione.
— Sente-se.
Ele sentou.
Porque, infelizmente, ambos sabiam como aquilo terminaria.
Hermione estendeu a carta.
Sem dizer nada.
Draco pegou o documento.
Leu a primeira página.
Depois a segunda.
Então voltou para a primeira.
Porque tinha certeza de que havia entendido errado.
— Ah.
— Exatamente.
— Isso é...
— Sim.
— Bastante importante.
— Sim.
Draco continuou lendo.
Com mais atenção dessa vez.
Os olhos percorrendo cada linha.
Cada detalhe.
Cada instrução.
Até chegarem ao último parágrafo.
E então ele ficou imóvel.
Hermione reconheceu imediatamente o momento.
Porque fora exatamente a mesma reação que tivera.
— Certo.
Disse ele.
Finalmente.
— Certo?
— Isso ficou interessante.
Hermione apoiou o queixo na mão.
— Foi exatamente o que eu disse.
— Eu sei.
Draco voltou a olhar para a carta.
— Eles realmente escreveram meu nome.
— Sim.
— Explicitamente.
— Sim.
— Sem qualquer sutileza.
— Nenhuma.
O silêncio pairou entre eles.
Então Hermione observou algo raro.
Muito raro.
Draco parecia genuinamente surpreso.
Não desconfortável.
Não irritado.
Surpreso.
— Você não esperava isso.
Comentou ela.
Ele soltou uma pequena risada.
— Hermione.
— O quê?
— Eu sou curandeiro.
— Sim.
— Não diplomata.
— Tecnicamente você é um Malfoy.
— Isso não é uma profissão.
— Alguns discordariam.
Aquilo arrancou um sorriso dele.
Pequeno.
Mas real.
Hermione observou-o por alguns segundos.
— Você não precisa aceitar.
A frase saiu simples.
Honesta.
Porque era verdade.
Draco ergueu os olhos.
— Você acha que eu não vou?
— Acho que sua vida também existe fora da minha.
— Continua existindo.
— Draco.
— Hermione.
Ele pousou a carta sobre a mesa.
E sustentou o olhar dela.
— Você realmente acredita que eu perderia a oportunidade de assistir ministros internacionais descobrirem que precisam negociar com você?
Hermione arqueou uma sobrancelha.
— Isso não parece uma resposta profissional.
— Não sou diplomata.
— Justo.
— Além disso.
Ele inclinou-se ligeiramente para frente.
— Eu ainda não me recuperei completamente da expressão de Viktor Krum no baile.
Hermione fechou os olhos.
— Ah, não.
— Ah, sim.
— Draco.
— Hermione.
— Já passou.
— Nunca passou.
— Você é impossível.
— Frequentemente me dizem isso.
Ela começou a rir.
E dessa vez ele a acompanhou.
Porque a verdade era simples.
Nenhum dos dois sabia exatamente o que aquela viagem significaria.
Nenhum dos dois sabia o que viria depois.
Mas, pela primeira vez em muito tempo...
A incerteza parecia interessante.
E não assustadora.
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