O sorriso que surgiu no rosto dele foi imediato.

O mesmo sorriso torto que ela lembrava.

— Finalmente.

Hermione soltou uma pequena risada incrédula.

— Viktor!

A surpresa na voz dela era impossível de esconder.

E completamente genuína.

— O que você está fazendo aqui?

— Eu poderia perguntar o mesmo.

— Eu moro aqui.

— Detalhes.

Krum abriu os braços.

Hermione riu novamente antes de abraçá-lo.

Foi rápido.

Natural.

O abraço de duas pessoas que não precisavam preencher anos de ausência com constrangimento.

Quando se afastaram, Hermione ainda parecia incapaz de acreditar.

— Você está mesmo aqui.

— Estou.

— Em Londres.

— Sim.

— No meu baile.

— Tecnicamente, sim.

Ela balançou a cabeça.

Ainda sorrindo.

— Isso é absurdo.

— Concordo.

Disse Gina imediatamente.

— Eu também gostaria de saber o que ele está fazendo aqui.

Krum finalmente voltou a atenção para o restante do grupo.

— Estou em Londres há alguns dias.

— Trabalho?

Perguntou Hermione.

— Reuniões da Federação Internacional. Recebi um convite para acompanhar um dos representantes búlgaros.

Hermione ainda parecia incrédula.

— E não avisou que viria?

— Pensei nisso.

— E?

— Decidi que seria mais divertido aparecer de surpresa.

— Funcionou.

— Eu percebi.

As demais observavam a cena com evidente interesse.

Principalmente porque era difícil ignorar uma realidade muito específica.

Viktor Krum continuava sendo Viktor Krum.

Mesmo depois de todos aqueles anos.

Talvez um pouco mais velho.

Talvez um pouco mais elegante.

Mas ainda imediatamente reconhecível.

— Meninas.

Disse Hermione.

Ainda sorrindo.

— Este é Viktor Krum.

Angelina arqueou uma sobrancelha.

— Nós sabemos quem é Viktor Krum.

Audrey soltou uma risada.

Gina nem tentou esconder.

— Acredite.

Disse.

— Ninguém precisou de apresentação.

Krum pareceu perigosamente satisfeito com aquilo.

— Sempre gostei delas.

— Gina.

— O quê?

— Não o incentive.

— Tarde demais.

Respondeu Krum.

Completamente sério.

O que só tornou tudo mais engraçado.

As risadas surgiram imediatamente.

Do outro lado do salão.

Jorge foi o primeiro a perceber.

Naturalmente.

Porque Jorge parecia possuir algum tipo de dom sobrenatural para identificar situações potencialmente divertidas.

— Ah.

Disse.

Harry ergueu os olhos da própria taça.

— O quê?

Jorge apontou discretamente.

Harry acompanhou o movimento.

Então piscou.

Uma vez.

Depois outra.

— Ah.

Rony seguiu o olhar dos dois.

Demorou aproximadamente três segundos.

— Quem convidou ele?

— Excelente pergunta.

Comentou Jorge.

— Eu gostaria muito da resposta.

— Não faço ideia.

Disse Harry.

Rony continuou observando.

A expressão piorando gradualmente.

— Eu não gosto disso.

— Você nunca gostou.

— Continuo não gostando.

Jorge virou-se lentamente para o irmão.

Como um predador que acabara de localizar uma presa particularmente interessante.

— Fascinante.

— O quê?

— Nada.

— Jorge.

— Estou apenas observando.

— O quê?

O sorriso dele aumentou.

— Você.

— Não.

— Ainda nem falei nada.

— Mas vai falar.

— Vou mesmo.

Harry já começava a sorrir.

Porque conhecia aquele tom.

E sabia exatamente o que vinha a seguir.

— Olhe só isso.

Disse Jorge.

— O quê?

— Você e Malfoy têm mais coisas em comum do que imaginam.

O silêncio foi imediato.

— Não.

Respondeu Rony.

Instantaneamente.

— Nem começa.

— Vocês acabaram de fazer exatamente a mesma cara.

— Não fiz cara nenhuma.

— Fez sim.

— Não fiz.

— Fez.

Harry baixou a cabeça.

Claramente tentando esconder um sorriso.

Sem sucesso.

— Harry.

— Sim?

— Eu fiz alguma cara?

Harry considerou a pergunta.

Por aproximadamente meio segundo.

— Fez.

— Traidor.

— Você perguntou.

Jorge parecia cada vez mais satisfeito.

— Estou só dizendo.

— Não diga.

— Vocês dois olham para Krum como se ele fosse uma ameaça internacional.

— Ele não é.

— Excelente.

— Não coloque palavras na minha boca.

— Então você gosta dele?

— Não.

— Exatamente.

— Isso não prova nada.

— Claro que prova.

— Não prova.

— Prova sim.

— Jorge.

— Ronald.

Antes que a discussão pudesse continuar, Jorge apontou discretamente para o outro lado do salão.

— Então talvez queira avisar o Malfoy.

Rony virou a cabeça.

E congelou.

Porque, do outro lado do salão, Draco Malfoy observava exatamente a mesma cena.

Taça na mão.

Postura impecável.

Expressão perfeitamente neutra.

Perfeitamente elegante.

Perfeitamente controlada.

O que, para quem o conhecia minimamente, era um péssimo sinal.

Harry soltou uma pequena risada pelo nariz.

— Ah.

— O quê?

Perguntou Rony.

— Nada.

— Potter.

— Nada.

Jorge observou Draco por mais alguns segundos.

Depois abriu um sorriso lento.

Perigosamente lento.

— Meu Deus.

— O quê agora?

— Eu acho que ele vai.

— Vai o quê?

Jorge apontou para Draco.

— Vai atravessar o salão.

Harry observou.

Depois observou Hermione.

Depois Krum.

Então voltou a observar Draco.

— Sim.

— Ele vai.

— Definitivamente vai.

Rony cruzou os braços.

— Vocês estão inventando coisas.

— Ronald.

Disse Jorge.

Sem sequer desviar o olhar.

— Eu cresci com você.

— E?

— Eu reconheço essa expressão.

Rony abriu a boca para responder.

Mas Jorge continuou:

— E infelizmente agora eu também reconheço a dele.

Do outro lado do salão.

Draco terminou a própria bebida.

Entregou a taça para um elfo que passava.

E começou a caminhar.

Jorge explodiu em gargalhadas.

— EU SABIA.

— Não acredito.

Murmurou Harry.

Já rindo.

Rony observou a cena.

Depois observou Jorge.

Depois observou Draco.

E soltou um longo suspiro.

— Ainda não gosto daquele búlgaro.

— Nem o Malfoy.

Respondeu Jorge.

— E honestamente? Isso torna tudo muito mais engraçado.

Enquanto isso, do outro lado do salão.

Theo acompanhou o olhar de Draco.

Demorou aproximadamente dois segundos para identificar o motivo.

Então começou a sorrir.

— Ah.

Blaise seguiu automaticamente a direção observada pelos dois.

E imediatamente suspirou.

— Ah.

Draco fechou os olhos.

— Não.

— Nem falei nada.

Respondeu Theo.

— Não precisava.

— Justo.

Blaise observava Hermione.

Observava Krum.

Observava Draco.

E parecia cada vez mais satisfeito.

— Isso é maravilhoso.

— Não é.

— É sim.

— Não é.

— Você está estranhamente investido para alguém que não está incomodado.

Draco voltou a atenção para ele.

— Eu não estou incomodado.

— Claro que não.

— Não estou.

— Naturalmente.

Theo apoiou uma das mãos no ombro de Blaise.

— Ele está usando a voz.

— Está mesmo.

— Que voz?

Perguntou Draco.

— A voz que aparece quando você está fingindo que não está irritado.

— Eu não estou irritado.

— Exatamente essa.

Blaise quase sorriu.

Quase.

— Fascinante.

Draco decidiu ignorá-los.

O que teria funcionado melhor se Hermione não tivesse acabado de rir de alguma coisa que Krum dissera.

Theo percebeu imediatamente.

— Ah, isso piorou.

— Theodore.

— O quê?

— Vá embora.

— Não posso.

— Pode sim.

— Estou assistindo.

— Assistindo o quê?

— Você.

— Eu estou parado.

— Não emocionalmente.

Theo recebeu um cotovelada discreta de Blaise.

— Essa foi boa.

— Obrigado.

Draco observou o grupo novamente.

Hermione ainda sorria.

Krum falava alguma coisa.

Angelina ria.

Gina claramente estava se divertindo demais.

E aquilo era ridículo.

Completamente ridículo.

Porque ele sabia exatamente quem Viktor Krum era.

Sabia que não existia ameaça alguma.

Sabia que Hermione o amava.

Sabia de tudo isso.

Mesmo assim...

— Ah.

Disse Blaise.

Draco virou a cabeça.

— O quê agora?

— Nada.

— Blaise.

— Só estou admirando a ironia.

— Que ironia?

— Depois de todos esses anos.

— Sim?

— Viktor Krum continua causando exatamente o mesmo efeito.

Theo começou a rir.

— Isso é verdade.

— Theodore.

— Vai até lá.

O silêncio durou um segundo.

— Eu estava pensando exatamente isso.

Disse Blaise.

— Vocês são insuportáveis.

— Mas estamos errados?

Draco não respondeu.

Porque infelizmente aquela era uma pergunta perigosa.

Theo percebeu.

Claro que percebeu.

— Ah, eu sabia.

— Theo.

— Eu sabia.

Draco terminou a própria bebida.

Entregou a taça a um elfo que passava.

Alisou discretamente uma das mangas do paletó.

E começou a caminhar.

Theo explodiu em gargalhadas.

— EU SABIA.

— Claro que sabia.

Murmurou Blaise.

Observando Draco atravessar o salão.

Elegante.

Impecável.

Perfeitamente aristocrático.

E completamente determinado a lembrar Viktor Krum de um detalhe muito específico.

Hermione Granger estava casada.

E, para o profundo desgosto de todos os envolvidos naquela piada.

Ela tinha escolhido Draco Malfoy.