A sensação de que aquela conversa estava prestes a sair completamente do seu controle.

E pior.

Hermione já sabia exatamente como.

— O que você está escondendo?

Perguntou Audrey.

— Nada.

— Mentira.

Disse Gina imediatamente.

— Concordo.

Acrescentou Angelina.

— Vocês três são insuportáveis.

— Isso não é uma resposta.

— Nem uma mentira.

— Hermione.

— Gina.

Antes que a discussão pudesse continuar, a própria Narcisa aproximou-se.

Elegante como sempre.

Cumprimentando algumas pessoas pelo caminho.

Até parar ao lado do grupo.

— Meninas.

As três imediatamente sorriram.

Porque, apesar das diferenças, Narcisa possuía aquela rara capacidade de fazer qualquer pessoa sentir-se bem-vinda.

— Sra. Malfoy.

Disse Angelina.

— Finalmente conseguimos encontrá-la.

Narcisa arqueou levemente uma sobrancelha.

— Espero que isso seja algo bom.

— É.

Respondeu Audrey.

— Na verdade queríamos agradecer.

Hermione fechou os olhos.

Merlin.

— Agradecer?

Perguntou Narcisa.

— Pelos vestidos.

O silêncio foi imediato.

Hermione não precisou abrir os olhos para saber que aquilo havia dado errado.

Muito errado.

Quando finalmente o fez, encontrou Narcisa observando as três com genuína confusão.

— Receio não entender.

Angelina piscou.

— A loja.

— Qual loja?

— Beaumont.

Narcisa continuava olhando para elas.

Claramente tentando acompanhar o raciocínio.

— Eu apenas indiquei o endereço.

Agora foi a vez de Audrey piscar.

— Como assim?

— Hermione pediu uma recomendação.

Respondeu Narcisa.

— Eu indiquei a loja. Só isso.

O silêncio voltou.

Mais longo dessa vez.

Muito mais longo.

Lentamente.

Muito lentamente.

As três mulheres viraram a cabeça na mesma direção.

Hermione considerou fugir.

Infelizmente seria pouco elegante.

E extremamente óbvio.

— Hermione.

Disse Gina.

Com uma calma assustadora.

— Sim?

— O que exatamente você fez?

— Essa pergunta parece acusatória.

— Hermione.

— Gina.

— O que você fez?

Hermione suspirou.

Porque claramente não havia saída.

— Resolvi um problema.

— Hermione.

— Vocês precisavam de vestidos.

— Hermione.

— Eu tinha acesso a vestidos.

— HERMIONE.

Angelina levou uma das mãos à testa.

— Eu sabia.

— Sabia?

Perguntou Audrey.

— Eu sabia que tinha alguma coisa errada.

— Como?

— Porque ninguém consegue um horário naquela loja em menos de vinte e quatro horas.

— Ah.

Disse Audrey.

— Isso faz sentido.

— Não ajuda.

Respondeu Gina.

— Continua sendo absurdo.

Hermione parecia genuinamente confusa.

— Vocês precisavam de vestidos.

— Hermione.

— O quê?

— Aqueles vestidos custaram uma fortuna.

— Provavelmente.

— Provavelmente?

Repetiu Angelina.

— Você não sabe?

— Eu não olhei a conta.

O silêncio que se seguiu foi tão absoluto que até Narcisa pareceu impressionada.

— Você não olhou a conta?

Perguntou Audrey.

— Não.

— Como alguém não olha a conta?

— Eu estava ocupada resolvendo o problema.

— Isso não é uma resposta normal.

— Eu nunca aleguei ser normal.

Theo, que passava naquele exato momento, ouviu apenas a última frase.

— Finalmente.

Disse.

— Algo em que todos concordamos.

— Vá embora, Theo.

— Com prazer.

E desapareceu novamente no salão.

Como se tivesse surgido exclusivamente para causar problemas.

O que provavelmente era verdade.

Narcisa observava tudo em silêncio.

Os olhos azuis alternando entre Hermione e as demais.

Até que um pequeno sorriso surgiu.

Discreto.

Mas inegavelmente orgulhoso.

Porque, de todas as explicações que esperava ouvir naquela noite, aquela certamente não estava na lista.

E, ainda assim.

Parecia exatamente algo que Hermione faria.

Por alguns segundos, ninguém disse nada.

Hermione considerou seriamente a possibilidade de desaparecer.

Infelizmente ainda não havia aprendido aquele feitiço.

— Você é inacreditável.

Disse Gina por fim.

— Isso não foi um agradecimento.

— Não era para ser.

— Justo.

Angelina ainda balançava a cabeça.

Como alguém tentando processar uma informação particularmente absurda.

— Você simplesmente resolveu isso sozinha.

— Sim.

— Sem avisar ninguém.

— Sim.

— Sem pedir nada em troca.

— Eu literalmente só comprei vestidos.

— Não.

Angelina apontou para ela.

— É exatamente esse o problema.

Hermione parecia cada vez mais confusa.

O que só piorava a situação.

— Continuo sem entender.

— Claro que continua.

Murmurou Gina.

Audrey observava a cena em silêncio.

Pensativa.

Até que finalmente falou.

— Agora eu entendo uma coisa.

As demais voltaram-se para ela.

— O quê?

Audrey olhou diretamente para Hermione.

— Por que essa família gosta tanto de você.

O comentário pareceu pegar Hermione completamente desprevenida.

— Audrey...

— Estou falando sério.

Ela sorriu.

Pequeno.

Sincero.

— Antes de conhecer você, tudo o que eu sabia era o que Percy contava.

Hermione arqueou uma sobrancelha.

— Isso é preocupante.

— Um pouco.

Concordou Audrey.

Arrancando algumas risadas.

Mas continuou.

— Depois ouvi histórias do Harry.

— Isso é ainda mais preocupante.

— Definitivamente.

— Concordo.

Disse Gina.

— Obrigada pelo apoio.

— Sempre.

Audrey riu.

Então voltou a olhar para Hermione.

— Mas uma coisa é ouvir sobre alguém. Outra é conhecer.

O sorriso dela suavizou.

— E acho que agora estou entendendo a diferença.

O silêncio que se seguiu foi breve.

Mas sincero.

Porque não havia exagero.

Nem drama.

Apenas honestidade.

Angelina assentiu.

— Ela tem razão.

— Ah, ótimo.

Murmurou Hermione.

— Agora são duas.

— Somos três.

Corrigiu Gina imediatamente.

— Eu me recuso a participar dessa conversa.

— Tarde demais.

Respondeu Gina.

Narcisa observava tudo em silêncio.

Sem interferir.

Sem interromper.

Apenas assistindo.

E, pela segunda vez naquela noite, sentiu uma satisfação profunda.

Porque não era sobre os vestidos.

Nunca tinha sido.

Era sobre aquilo.

Sobre a facilidade com que Hermione cuidava das pessoas sem perceber que estava fazendo isso.

Sobre a forma como criava laços.

Sobre como era amada por pessoas tão diferentes entre si.

E talvez fosse exatamente por isso que Draco a amava tanto.

— Bem.

Disse Gina de repente.

Cruzando os braços.

Hermione imediatamente ficou desconfiada.

— O quê?

— Já que estamos descobrindo segredos esta noite...

— Gina.

— Quero deixar registrado que ainda pretendo encontrar uma forma de retribuir.

— Não precisa.

— Precisa.

— Não precisa.

— Precisa.

Hermione fechou os olhos.

— Eu odeio quando vocês fazem isso.

— Mentira.

Disse Angelina.

— Você adora.

— Não adoro.

— Adora.

— Não adoro.

— Hermione.

— Angelina.

— Você está sorrindo.

E, irritantemente, ela estava mesmo.

Hermione abriu a boca para responder.

Mas foi interrompida por uma voz masculina atrás delas.

Uma voz que não ouvia havia muitos anos.

— Herm-own-ninny?

O mundo pareceu parar por um instante.

Hermione congelou.

Piscou uma vez.

Depois outra.

Porque aquilo era impossível.

Lentamente, virou-se.

E por um segundo teve certeza de que estava imaginando coisas.

— Krum?