O Segredo Mais Bem Guardado
35 Capítulo 35
No dia seguinte, às treze horas em ponto, Gina concluiu que já não fazia ideia de onde estava.
— Isso definitivamente não é uma loja.
Murmurou.
Angelina observava a fachada discreta diante delas.
— Concordo.
— Parece uma casa.
Audrey inclinou a cabeça.
— Uma casa absurdamente cara.
— Isso também.
Nenhuma placa.
Nenhuma vitrine.
Nenhum anúncio.
Apenas uma elegante construção de pedra clara em uma rua tranquila de Londres.
Gina consultou novamente o endereço.
Depois a fachada.
Depois o endereço.
— É aqui.
— Excelente.
Disse Angelina.
— Porque eu já estava ficando preocupada.
Antes que pudessem bater, a porta abriu-se.
E não foi uma atendente que apareceu.
— Hermione?
Hermione ergueu os olhos do elegante sofá onde estava sentada.
Um livro repousava aberto sobre seu colo.
— Olá.
Gina parou.
— Você já estava aqui?
— Há vinte minutos.
— Traidora.
— Eu gosto de pontualidade.
— Eu também.
— Não.
— Justo.
Hermione fechou o livro.
Levantando-se.
Angelina observou-a por alguns segundos.
Depois sorriu.
— Certo.
Hermione arqueou uma sobrancelha.
— Certo o quê?
— Você está absolutamente linda.
A resposta pareceu pegar Hermione desprevenida.
— Angelina...
— Não.
Ela apontou para a amiga.
— Estou falando sério. Gina não exagerou.
Audrey assentiu imediatamente.
— Nem um pouco.
Hermione soltou uma pequena risada.
Levemente corada.
— Obrigada.
— É estranho.
Continuou Angelina.
— O quê?
— Você continua parecendo a Hermione.
— Isso geralmente é um bom sinal.
— Mas também não parece.
Hermione sorriu.
Porque entendia perfeitamente o que ela queria dizer.
Os anos haviam mudado muita coisa.
Mas não tudo.
— Espero que isso também seja um elogio.
— Definitivamente é.
A conversa foi interrompida pela chegada de uma bruxa elegantemente vestida.
— Senhoras. Estamos esperando por vocês. Naturalmente.
Gina suspirou.
— Estou começando a odiar essa palavra.
Hermione sorriu.
— Você vai sobreviver.
— Não tenho certeza.
O interior era ainda mais impressionante.
Não havia filas.
Não havia araras lotadas.
Nem clientes disputando espaço.
Tudo parecia silencioso.
Privado.
Cuidadosamente planejado.
Como se cada detalhe tivesse sido pensado para existir exatamente onde estava.
— Isso é uma loja?
Perguntou Gina.
A atendente sorriu.
— Sim.
— Estranho.
— Costumam dizer isso.
Gina acreditou imediatamente.
Menos de vinte minutos depois, descobriu que tinha um problema ainda maior.
Gostava de tudo.
— Eu odeio esse lugar.
Declarou.
Uma das costureiras ergueu os olhos.
— Algum problema?
— Muitos.
Ela apontou para três vestidos diferentes.
— Eu quero esses três.
Angelina começou a rir.
— Bem-vinda ao meu sofrimento.
— Você também?
— Dois salões atrás.
— Ah.
— Exatamente.
Hermione observava tudo com visível diversão.
— Isso não é engraçado.
— É um pouco.
— Não é.
— É bastante.
— Hermione.
— Gina.
— Você está do lado errado.
— Eu não sabia que existiam lados.
— Existem.
— Fascinante.
As horas passaram surpreendentemente rápido.
Vestidos foram experimentados.
Tecidos comparados.
Detalhes ajustados.
Desde que recebera o convite, Gina começou a acreditar que realmente encontraria algo.
Enquanto ela desaparecia atrás de uma cortina para experimentar mais uma opção, Angelina foi arrastada para uma discussão sobre rendas e acabamentos.
O que deixou Hermione e Audrey momentaneamente sozinhas.
Hermione voltou-se para ela.
— Como você está?
— Bem.
— Melhorou?
Audrey piscou.
— Melhorar?
— Daquela gripe horrível que você pegou.
A surpresa foi imediata.
— Como você sabe disso?
Hermione pareceu confusa.
— Draco comentou.
— Draco comentou?
Audrey soltou uma pequena risada.
— Claro.
O silêncio que se seguiu foi confortável.
Novo.
Mas confortável.
Audrey observou Hermione por alguns segundos.
Sem a correria das outras.
Sem interrupções.
Apenas observando.
— Posso ser sincera?
— Claro.
— Eu não sabia o que esperar quando você voltou.
Hermione não pareceu ofendida.
Apenas curiosa.
— E agora?
Audrey inclinou levemente a cabeça.
Pensativa.
— Agora acho que todos esconderam uma versão muito boa de você durante anos.
Hermione soltou uma pequena risada.
— Isso parece preocupante.
— Não.
Audrey apoiou uma das mãos no braço da poltrona.
Pensativa.
— Acho que durante muito tempo eu ouvi histórias sobre você.
Hermione inclinou levemente a cabeça.
Escutando.
— A Hermione de Hogwarts.
— A melhor amiga do Harry.
— A garota que salvou o mundo.
Ela sorriu de leve.
— A Hermione que parecia existir em todas as histórias da família.
Hermione soltou uma pequena risada.
— Isso soa exaustivo.
— Um pouco.
— Para mim também.
Aquilo arrancou uma risada genuína de Audrey.
Então ela voltou a observá-la.
Como se estivesse organizando um pensamento que vinha construindo desde que chegara.
— Mas essa não é a pessoa que eu encontrei hoje.
Hermione arqueou uma sobrancelha.
— Não?
— Não.
Audrey balançou a cabeça.
— A pessoa que eu encontrei hoje lembrou que eu estive doente.
— Convenceu Gina a experimentar um vestido que ela jurava odiar.
— E passou metade da tarde prestando atenção em todo mundo, mesmo quando ninguém estava percebendo.
O silêncio pairou suavemente entre elas.
— Agora eu entendo por que essa família considera tanto você.
Hermione permaneceu em silêncio.
Audrey sorriu.
— Porque você faz parecer que as pessoas importam.
A resposta atingiu Hermione de forma inesperada.
Porque não falava da guerra.
Nem de Hogwarts.
Nem de tudo que havia feito.
Falava apenas dela.
Da mulher que havia se tornado.
— Obrigada.
Foi tudo o que conseguiu dizer.
E, pela expressão de Audrey, pareceu ser exatamente a resposta certa.
Antes que pudesse dizer qualquer outra coisa, a voz de Gina ecoou pelo salão.
— Hermione!
Ela virou a cabeça.
— Sim?
— Eu odeio precisar admitir isso.
— Isso nunca é um bom sinal.
— Você estava certa sobre o vestido azul.
Angelina ergueu as mãos imediatamente.
— Finalmente.
— Eu não quero falar sobre isso.
— Vai usar?
— Vou.
— Excelente.
— Continuo não gostando que você estivesse certa.
Hermione sorriu.
— Eu sobrevivo.
Quando os ajustes finalmente terminaram, as quatro já estavam exaustas.
Mas satisfeitas.
Gina observou seu reflexo uma última vez.
E sorriu.
Porque finalmente conseguia se imaginar naquele baile.
— Certo.
Disse.
Respirando fundo.
— Agora vem a parte dolorosa.
Angelina assentiu imediatamente.
— A conta.
— Exatamente.
Audrey concordou.
— Definitivamente a conta.
A atendente pareceu confusa.
— Desculpe?
— A conta.
Repetiu Gina.
— Dos vestidos.
A mulher consultou algumas anotações.
Então sorriu.
— Ah.
— Ah?
— Isso já foi resolvido.
O silêncio foi imediato.
— Resolvido?
Perguntou Audrey.
— Sim.
— Como assim resolvido?
Perguntou Angelina.
A mulher observou o pergaminho novamente.
— Os custos já foram cobertos.
Gina estreitou os olhos.
— Por quem?
A atendente consultou as anotações.
— Lady Malfoy.
As três trocaram olhares.
— Claro.
Murmurou Angelina.
— Faz sentido.
— Muito sentido.
Concordou Audrey.
Hermione permaneceu perfeitamente imóvel.
O que deveria ter sido um aviso.
Mas ninguém percebeu.
Ainda.
Porque naquele momento, todas estavam ocupadas demais tentando processar o fato de que tinham acabado de sair da loja mais cara que já haviam visto sem pagar um único galeão.
Fale com o autor