As primeiras confirmações começaram a chegar um dia depois.

No segundo dia, já ocupavam uma pilha considerável sobre a mesa do escritório.

Hermione observava os envelopes enquanto terminava uma xícara de café.

Narcisa analisava a lista principal.

Fazendo anotações ocasionais com uma pena elegante.

O silêncio era confortável.

Produtivo.

O tipo de silêncio que surgia quando duas pessoas estavam concentradas no mesmo objetivo.

— Quantas confirmações?

Perguntou Narcisa sem erguer os olhos.

Hermione consultou a lista.

— Cinquenta e oito.

A pena parou por um instante.

— Já?

— Isso é bom?

Agora Narcisa ergueu os olhos.

— Considerando que algumas dessas famílias não recebem um convite para um evento desse tipo há quase vinte anos?

Hermione sorriu.

— Então sim.

— Então sim.

Ela voltou a escrever.

Hermione observou mais algumas respostas.

Longbottom.

Confirmado.

Lovegood.

Confirmado.

Abbott.

Confirmado.

Greengrass.

Confirmado.

Nott.

Confirmado.

Zabini.

Confirmado.

Weasley.

Confirmado.

Potter.

Confirmado.

A lista crescia de forma satisfatória.

Sem grandes surpresas.

Sem grandes problemas.

O que, segundo sua experiência administrativa, geralmente significava que os problemas ainda não haviam chegado.

— Posso fazer uma pergunta?

— Naturalmente.

— Quando foi o último baile?

Narcisa permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Fazendo as contas mentalmente.

— Draco tinha treze anos.

Hermione piscou.

— Treze?

— Sim.

Aquilo a fez recostar-se na cadeira.

— Então ninguém da minha geração participou.

Narcisa balançou a cabeça.

— Nenhum deles.

Hermione observou a pilha de confirmações novamente.

De repente, tudo pareceu diferente.

A maioria das pessoas que estaria naquele salão jamais havia participado daquele evento.

Nem mesmo os convidados das famílias tradicionais.

— Isso significa que praticamente todos estarão vendo isso pela primeira vez.

— Exatamente.

Hermione sorriu.

— Isso é estranhamente reconfortante.

— Concordo.

A resposta veio tão rápida que ambas pareceram levemente surpresas.

Narcisa foi a primeira a recuperar a compostura.

— Bem.

Ela puxou uma nova folha para o centro da mesa.

— Agora vamos para a parte realmente complicada.

Hermione arqueou uma sobrancelha.

— Achei que essa fosse a parte complicada.

— Não.

Narcisa deslizou o pergaminho em sua direção.

Era uma planta detalhada do salão principal.

Mesas circulares.

Posicionamentos.

Entradas.

Pista de dança.

Área de recepção.

— Ah.

— Exatamente.

Hermione observou o desenho.

— Quantas mesas?

— Dezesseis.

— Certo.

— E agora precisamos decidir quem ficará em cada uma delas.

Hermione imediatamente puxou a lista.

— Isso parece simples.

Narcisa apenas sorriu.

O que deveria ter sido um aviso.

Uma hora depois, Hermione já havia concluído que estava errada.

— Os Longbottom podem ficar aqui.

Ela apontou.

— Próximos dos Abbott.

— Sim.

Concordou Narcisa.

— Faz sentido.

— Ótimo.

— Mas não por esse motivo.

Hermione ergueu os olhos.

— Não?

— Não.

— Então por quê?

— Porque Augusta Longbottom sempre gostou da tia de Hannah.

Hermione ficou imóvel por alguns segundos.

— Como você sabe disso?

— Porque participei do casamento da prima dela.

— Claro.

— Naturalmente.

Hermione fez uma anotação.

Decidindo não investigar mais.

Por enquanto.

— Certo.

Ela apontou novamente.

— Então os Lovegood ficam aqui.

— Por quê?

— Porque Luna se dá bem com praticamente todo mundo.

— Argumento válido.

— Obrigada.

— Ainda assim vamos colocá-los aqui.

Narcisa moveu o cartão correspondente alguns centímetros para a esquerda.

— Por quê?

— Porque Xenophilius provavelmente passará metade da noite falando sobre criaturas inexistentes.

— Elas existem para ele.

— Exatamente.

— E?

— E Theodore Nott vai achar isso fascinante.

Hermione encarou-a.

— Isso é absurdamente específico.

— Funciona.

Hermione odiava admitir.

Mas funcionava.

As horas passaram.

Os cartões foram mudando de lugar.

Mesas inteiras foram reorganizadas.

Reconstruídas.

Reorganizadas novamente.

Até que finalmente começaram a enxergar um padrão.

Não era apenas sobre quem gostava de quem.

Ou quem era parente de quem.

Era sobre quem faria aquela noite funcionar.

Quem iniciaria conversas.

Quem aproximaria grupos diferentes.

Quem faria pessoas sentirem-se confortáveis.

Hermione apoiou-se na cadeira.

Observando o resultado.

Dezenas de nomes.

Famílias.

Histórias.

Relacionamentos.

Tudo distribuído diante delas.

— É estranho.

Comentou.

— O quê?

— No Ministério eu estou acostumada a resolver problemas através de regulamentos.

Leis.

Projetos.

Documentos.

Narcisa observou-a em silêncio.

— E aqui?

Hermione voltou os olhos para o mapa.

— Aqui parece que estamos resolvendo problemas colocando pessoas na mesma mesa.

Pela primeira vez naquela tarde, Narcisa riu.

Uma risada baixa.

Genuína.

— Bem-vinda à alta sociedade.

Hermione revirou os olhos.

Mas sorria.

— Isso é ridiculamente ineficiente.

— E surpreendentemente eficaz.

— Odeio quando você tem razão.

— Eu também odiaria.

O comentário arrancou uma nova risada de Hermione.

Então ambas voltaram a observar o salão desenhado diante delas.

Ainda faltavam alguns detalhes.

Algumas confirmações.

Alguns ajustes.

Mas pela primeira vez o evento começava a parecer real.

Não apenas uma ideia.

Não apenas um projeto.

Mas uma noite que realmente aconteceria.

Uma noite que reuniria pessoas que não ocupavam o mesmo salão havia quase vinte anos.

E enquanto observava os cartões espalhados sobre a mesa, Hermione percebeu algo.

Sem discursos.

Sem decretos.

Sem manchetes.

Aquele talvez fosse um dos gestos mais políticos que já havia feito na vida.

E, curiosamente, estava sendo realizado através de um baile.


Faltavam seis dias para o baile quando Gina apareceu no Ministério.

Sem aviso.

Sem correspondência prévia.

Sem agendamento.

O que, para qualquer pessoa que trabalhasse com Hermione Granger, era geralmente um sinal de problema.

Hermione ergueu os olhos quando a porta do escritório se abriu.

— Gina?

— Preciso da sua ajuda.

Hermione imediatamente deixou a pena de lado.

— Aconteceu alguma coisa?

— Sim.

O tom era grave.

Sério.

Preocupado.

Hermione endireitou-se na cadeira.

— O quê?

Gina colocou as duas mãos sobre a mesa.

— Você tem noção da quantidade de lojas que eu já visitei?

O silêncio durou dois segundos.

Então Hermione recostou-se novamente.

— Ah.

— Não faça "ah".

— Estou fazendo "ah".

— Hermione.

— Gina.

— É sério.

Hermione já estava sorrindo.

O que claramente não ajudava.

— Eu sei que é sério.

— Não, você não sabe.

— Sei sim.

— Não sabe.

— Certo.

Hermione cruzou os braços.

— Explique.

Gina apontou para ela.

— Eu e as meninas estamos procurando vestidos há dias.

— Certo.

— Dias.

— Entendido.

— E não encontramos nada.

Hermione arqueou uma sobrancelha.

— Nada?

— Nada.

— Isso parece improvável.

— Porque você não foi comigo.

Hermione mordeu o interior da bochecha para não rir.

Sem sucesso.

— Hermione.

— Desculpe.

— Não está desculpada.

— Justo.

Gina puxou uma cadeira e sentou-se.

Claramente decidida a permanecer ali até que o problema fosse resolvido.

— Parece que metade de Londres resolveu comprar roupas para esse baile.

— Isso provavelmente aconteceu.

— Eu sei.

— Angelina não encontrou. Audrey não encontrou. Eu não encontrei. E agora faltam seis dias.

Hermione observou a amiga por alguns segundos.

Depois abriu a agenda sobre a mesa.

Folheou algumas páginas.

Pensou.

Então puxou um pequeno pedaço de pergaminho.

— O que está fazendo?

— Resolvendo o problema.

— Você tem uma loja secreta?

— Não.

— Então?

— Eu tenho Narcisa.

Gina piscou.

— Isso foi assustadoramente aristocrático.

— Eu sei.

Hermione escreveu rapidamente algumas linhas.

Dobrou o pergaminho.

Prendeu-o à pata de uma pequena coruja de recados que aguardava próxima à janela.

— Vai.

A ave desapareceu imediatamente.

Gina observou.

— E agora?

— Agora aguardamos.

— Você fala como uma pessoa acostumada a fazer coisas absurdamente eficientes.

— Obrigada.

— Não foi um elogio.

— Eu decido que foi.

Menos de dez minutos depois, a coruja retornou.

Pousando diretamente sobre a mesa.

Hermione retirou a resposta.

Leu.

Sorriu.

— Bem.

— O quê?

— Problema resolvido.

— Hermione.

— Estou chegando nessa parte.

Ela estendeu o bilhete.

A resposta ocupava apenas duas linhas.

Curta.

Direta.

Muito Narcisa.

"Amanhã. Treze horas. Maison Beaumont. Já avisei que estarão esperando."

Gina leu.

Depois releu.

— Isso existe mesmo?

— Aparentemente.

— Você nunca ouviu falar?

— Não.

— Eu suspeito que seja o tipo de lugar que não anuncia.

Hermione pegou uma folha em branco.

Anotou um endereço.

Depois entregou para Gina.

— Amanhã.

— Treze horas.

— Nós?

— Nós.

— Angelina e Audrey?

— Naturalmente.

Gina observou o endereço.

Depois Hermione.

Depois o endereço novamente.

— Você sabia que eu viria, não sabia?

— Não.

— Tem certeza?

— Absoluta.

— Porque parece muito conveniente.

Hermione sorriu.

— Gina.

— Sim?

— Eu trabalho com crises há anos.

— Vestidos não são uma crise.

— Você não parece concordar com isso.

— Excelente argumento.

Hermione levantou-se.

Voltando para a pilha de documentos sobre a mesa.

— Amanhã às treze.

— Estaremos lá.

Gina levantou-se também.

Claramente muito mais tranquila do que havia chegado.

— Obrigada.

— De nada.

Ela já estava quase na porta quando parou.

— Hermione?

— Sim?

— Isso vai funcionar mesmo?

Hermione pensou por um instante.

Então sorriu.

— Honestamente?

— Sim.

— Acho que você vai sair de lá com um vestido.

Gina estreitou os olhos.

— Essa resposta parece suspeitamente incompleta.

— Talvez.

— Hermione.

— Vejo você amanhã.