O Segredo Mais Bem Guardado
32 Capítulo 32
Cinco dias depois, o Baile de Inverno da Fundação Black tornou-se oficialmente assunto público.
Hermione descobriu isso da mesma forma que descobria a maioria das notícias envolvendo a sociedade bruxa britânica.
Através de uma manchete.
O exemplar do Profeta Diário encontrava-se aberto sobre a mesa do café da manhã.
Narcisa já havia terminado o chá.
Draco ainda analisava a seção esportiva.
Hermione lia a matéria principal.
Ou tentava.
Porque a jornalista parecia consideravelmente mais interessada nos convidados do que na própria fundação.
— Naturalmente.
Murmurou.
Draco nem precisou erguer os olhos.
— O que foi desta vez?
Hermione virou o jornal na direção dele.
Uma fotografia ocupava quase metade da página.
A fachada da Fundação Black.
A data do evento.
E um título excessivamente dramático.
"A Temporada Social Retorna: Expectativas para o Baile de Inverno da Fundação Black."
Draco leu apenas a primeira linha.
— Ah.
— Exatamente.
Narcisa tomou mais um gole de chá.
Completamente tranquila.
— Considerando o histórico do evento, a cobertura era previsível.
— A cobertura talvez.
Hermione voltou a atenção para a matéria.
— As especulações são outra questão.
— Estão especulando sobre o quê? — perguntou Draco.
— Tudo.
Ela começou a percorrer os trechos destacados.
— Quem será convidado.
— Quem não será.
— Quem comparecerá.
— Quem será visto chegando junto.
— Quem será visto saindo junto.
Draco apoiou a cabeça na mão.
— Jornalismo de altíssimo nível.
— Concordo.
Hermione continuou lendo.
Até encontrar um trecho específico.
Então arqueou uma sobrancelha.
— Ah, isso é interessante.
Narcisa observou-a por cima da xícara.
— O quê?
— Aparentemente existe uma aposta informal sobre quantos minutos levaremos para aparecer.
Draco fechou os olhos.
— Eu não queria saber disso.
— Eu também não.
— E ainda assim agora sabemos.
— Sim.
Narcisa, por outro lado, parecia divertida.
O que era profundamente suspeito.
Hermione voltou a ler.
Mas conforme avançava pela matéria, algo começou a chamar sua atenção.
Não o que estava escrito.
Mas o que não estava.
Os nomes mencionados repetiam-se.
Sempre os mesmos.
As mesmas famílias.
Os mesmos círculos.
Os mesmos sobrenomes que ela vinha analisando havia dias com Narcisa.
Ela fechou o jornal lentamente.
Pensativa.
— O que foi? — perguntou Draco.
Hermione apoiou o exemplar sobre a mesa.
— Nada.
Os dois Malfoy olharam para ela.
Porque aquilo era claramente mentira.
— Hermione.
— Estou apenas pensando.
— O que normalmente significa problema — observou Draco.
— Ou melhoria — corrigiu Narcisa.
Hermione ignorou ambos.
Mas um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.
Porque, pela primeira vez desde que começara a analisar os convidados, conseguia enxergar exatamente o tamanho da mudança que pretendia fazer.
E, aparentemente, o restante da sociedade ainda não fazia ideia do que estava por vir.
Na tarde seguinte, o sol atravessava as janelas do solário em faixas douradas sobre a mesa central.
Pela primeira vez em dias, não havia árvores genealógicas.
Nem diagramas familiares.
Nem listas de posicionamento.
Apenas envelopes.
Dezenas deles.
Empilhados cuidadosamente em grupos organizados.
Naturalmente organizados por Narcisa.
Hermione já havia desistido de tentar descobrir quantos critérios diferentes existiam naquela divisão.
Provavelmente mais do que gostaria de saber.
— Certo.
Ela pegou a lista final.
— Última revisão.
Narcisa assentiu.
Sentada do outro lado da mesa.
Uma xícara de chá repousava próxima à sua mão.
— Última revisão.
Hermione percorreu os nomes.
Mais uma vez.
Lentamente.
Confirmando detalhes.
Conferindo datas.
Garantindo que nenhum convite fosse enviado incorretamente.
Um hábito que Narcisa começava a suspeitar ser irreversível.
— Greengrass.
— Confirmados.
— Zabini.
— Confirmados.
— Nott.
— Confirmados.
— Parkinson.
— Confirmada.
Hermione fez uma pequena anotação.
Seguiu adiante.
Mais alguns nomes.
Mais algumas famílias.
Até chegar à página que haviam alterado dias antes.
Seu olhar desacelerou.
— Longbottom.
— Confirmados.
— Lovegood.
— Confirmados.
— Abbott.
— Confirmados.
Ela assentiu.
Então continuou.
— Weasley.
Pela primeira vez, Narcisa ergueu os olhos imediatamente.
Hermione percebeu.
— O quê?
— Nada.
— Narcisa.
A matriarca tomou um gole de chá.
— Apenas faz muito tempo.
Hermione observou-a por alguns segundos.
Depois voltou para a lista.
— Quanto tempo?
Narcisa demorou um instante antes de responder.
— Décadas.
O silêncio instalou-se entre elas.
Hermione baixou os olhos novamente para os nomes.
Arthur Weasley.
Molly Weasley.
Harry e Gina Potter.
Ronald Weasley.
Jorge Weasley.
Angelina Weasley.
Até aquele momento, para ela, aqueles eram apenas nomes de pessoas importantes.
Pessoas que amava.
Pessoas que faziam parte da sua vida.
Mas subitamente percebeu que, para Narcisa, aquilo significava outra coisa.
Uma mudança visível.
Oficial.
Registrada.
— Você conheceu os pais da Molly?
Perguntou.
Narcisa sorriu levemente.
— Sim.
— Eles vinham?
— Frequentemente.
Hermione ergueu os olhos.
Aquilo a surpreendeu.
— Frequentemente?
— A família Prewett era muito respeitada.
A resposta veio simples.
Como um fato.
— Antes da guerra, muita coisa era diferente.
Hermione permaneceu em silêncio.
Porque havia algo melancólico naquela frase.
Não nostalgia.
Não saudade.
Apenas reconhecimento.
Do tempo.
Das mudanças.
Das escolhas que haviam sido feitas ao longo dos anos.
— E depois deixaram de vir.
— Sim.
Narcisa não tentou suavizar a resposta.
Nem fingir que não entendia o motivo da pergunta.
— Aos poucos algumas portas foram sendo fechadas.
— Outras pessoas decidiram fechá-las.
Hermione observou novamente o nome de Molly.
Então pegou a pena.
Sem dizer nada.
Assinou a confirmação ao lado do convite.
O traço firme.
Seguro.
Decidido.
Narcisa acompanhou o movimento em silêncio.
E, por algum motivo, aquilo pareceu mais significativo do que qualquer discurso.
Porque Hermione não estava fazendo uma declaração.
Não estava tentando provar um ponto.
Estava simplesmente agindo como se aquelas pessoas pertencessem àquela lista.
Como se sempre devessem ter pertencido.
Talvez porque, para ela, fosse óbvio.
— Pronto.
Disse Hermione.
Passando para o próximo grupo.
Narcisa observou-a por mais alguns segundos.
Então permitiu-se um pequeno sorriso.
Discreto.
Orgulhoso.
— O que foi?
Perguntou Hermione.
— Nada.
— Narcisa.
— Estou apenas pensando.
Hermione reconheceu imediatamente o próprio argumento sendo usado contra ela.
— Isso nunca termina bem.
— Raramente.
O sorriso aumentou ligeiramente.
— Eu estava imaginando o que Orion acharia disso.
Hermione piscou.
— Seu pai?
— Sim.
O silêncio voltou.
Mas desta vez não era desconfortável.
Era reflexivo.
Narcisa olhou para os envelopes espalhados sobre a mesa.
Para os nomes.
Para a lista revisada.
— Acho que ele aprovaria.
Hermione sustentou seu olhar por um instante.
Depois assentiu.
E, juntas, continuaram assinando os últimos convites.
Enquanto, do lado de fora, dezenas de corujas já aguardavam nos poleiros da mansão.
Prontas para levar as notícias de que, naquele ano, algumas portas voltariam a se abrir.
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