— Claramente não sabia.

Gina estreitou os olhos.

Pensativa.

Como alguém tentando recuperar uma lembrança antiga.

— Espera.

Hermione imediatamente pareceu desconfiada.

— Isso nunca termina bem.

— No meu casamento.

Hermione piscou.

— O quê?

— Eu perguntei se tinha alguém.

Agora Hermione começou a rir.

— Ah.

— Ah?

— Eu lembro disso.

— Você desconversou.

— Sim.

— Completamente.

— Também sim.

Gina apontou para ela.

— Era ele?

Hermione apoiou a cabeça em uma das mãos.

Ainda sorrindo.

— Era.

— Eu sabia.

— Não sabia.

— Sabia que tinha alguém.

— Isso é diferente.

— Hermione.

— Gina.

— Eu fiz perguntas.

— Você fez muitas perguntas.

— Porque você estava estranha.

— Eu estava tentando preservar minha sanidade.

— Eu estava tentando ajudar.

— Você estava tentando descobrir detalhes.

— Também.

As duas riram.

Gina balançou a cabeça.

— Então era Draco.

— Era.

— E você não contou porque sabia exatamente qual seria a reação de todo mundo.

Hermione nem precisou pensar.

— Sim.

A resposta veio imediata.

Honesta.

— Harry teria surtado.

— Provavelmente.

— Ron teria surtado.

— Definitivamente.

— Você teria feito cento e cinquenta perguntas.

— Esse número parece baixo.

— Concordo.

Gina sorriu.

Mas a expressão de Hermione suavizou um pouco.

— Além disso...

Ela girou lentamente a própria xícara.

— Naquela época eu ainda estava tentando entender o que estava acontecendo.

— Como assim?

Hermione demorou alguns segundos para responder.

— Porque eu não estava reencontrando o Draco que conhecíamos em Hogwarts.

Gina permaneceu em silêncio.

Escutando.

— E eu sabia que ninguém acreditaria nisso sem conhecê-lo.

O sorriso dela tornou-se pequeno.

Quase nostálgico.

— Na verdade, às vezes eu mesma tinha dificuldade em acreditar.

— Ele era tão diferente assim?

Hermione soltou uma risada.

— Gina.

— O quê?

— A primeira vez que conversamos adequadamente depois de anos separados, eu passei metade da conversa esperando alguma provocação.

— E ela não veio?

— Não.

— Nenhuma?

— Nenhuma.

— Isso é perturbador.

— Foi exatamente o que eu pensei.

As duas riram.

— Então eu preferi não contar nada.

— Porque queria entender aquilo primeiro.

Hermione assentiu.

— Porque, pela primeira vez em muito tempo, algo na minha vida era só meu.

A frase saiu tranquila.

Sem culpa.

Sem necessidade de justificativa.

Apenas verdade.

— Eu não queria opiniões. Não queria especulações. Não queria ouvir o que as pessoas achavam que eu deveria sentir. Eu só queria viver aquilo.

Gina observou a amiga por alguns segundos.

E, pela primeira vez, entendeu perfeitamente.

Porque aquilo parecia muito com a Hermione que acabara de descrever.

A mulher que tinha ido para outro país para descobrir quem era quando ninguém estava esperando nada dela.

— Certo.

— Certo?

— Isso foi surpreendentemente razoável.

— Obrigada.

— Odeio admitir isso.

— Também agradeço por isso.

Gina tomou mais um gole do chá.

Depois estreitou os olhos novamente.

Hermione reconheceu aquele olhar imediatamente.

— Não.

— Nem perguntei ainda.

— Vai perguntar.

— Vou.

— Gina.

— Como vocês se reencontraram?

Hermione suspirou.

Já sabendo que não escaparia.

— Da forma mais ridícula possível.

— Excelente.

— Não foi excelente.

— Foi para mim.

Hermione balançou a cabeça.

— Eu deveria ter previsto essa reação.

Hermione balançou a cabeça.

— Eu deveria ter previsto essa reação.

— E deveria ter começado a responder mais rápido.

— Isso também.

Gina acomodou-se melhor na poltrona.

— Então?

Hermione sorriu.

Pequeno.

Distante.

Como alguém revisitando uma lembrança antiga.

— Eu já estava na Itália havia alguns meses. Já tinha um apartamento. Já tinha começado o curso. Já tinha uma rotina. Pela primeira vez em muitos anos minha vida era simplesmente... minha.

Gina permaneceu em silêncio.

Escutando.

— E então eu fui para a biblioteca.

— Claro que foi.

— Eu passava muito tempo lá.

— Eu estou chocada.

— Sua capacidade de acreditar em mim é emocionante.

— Continue.

Hermione riu.

— Era uma das áreas de estudo mais silenciosas da universidade. E eu gostava disso, gostava porque ninguém me conhecia. Ninguém esperava nada de mim. Eu podia simplesmente sentar, abrir um livro e existir.

Os olhos dela suavizaram.

— Naquele dia eu estava ocupando uma mesa mais afastada. Estudando.

Tentando ignorar uma quantidade absurda de leitura obrigatória.

— Isso parece muito com você.

— Eu sei.

Hermione levou a xícara aos lábios.

— Então alguém puxou a cadeira ao meu lado.

Gina piscou.

— Ao seu lado?

— Ao meu lado.

— Existiam outras mesas?

— Muitas.

— Então por quê?

— Essa foi exatamente a minha pergunta.

O sorriso dela aumentou ligeiramente.

— Eu ergui os olhos pronta para ficar irritada. E encontrei Draco.

O silêncio pairou entre elas.

— O que ele disse?

— Nada.

— Nada?

— Nada.

Gina franziu a testa.

— Absolutamente nada?

— Absolutamente nada.

— Isso é estranhamente perturbador.

— Foi exatamente o que eu pensei.

Hermione começou a rir.

— Ele simplesmente sentou. Abriu um livro. E começou a estudar.

— Sem explicar por que tinha escolhido sua mesa?

— Sem explicar.

— Sem provocar você?

— Sem provocar.

— Sem comentários desagradáveis?

— Sem comentários desagradáveis.

— Hermione.

— Eu sei.

— Isso realmente era Draco?

— Foi o que eu pensei.

As duas riram.

— Então vocês ficaram estudando juntos?

— Não exatamente juntos. Mas lado a lado. Por algumas horas.

— E depois?

— Depois eu voltei no dia seguinte. E ele estava lá.

— Na mesma mesa?

— Na mesma mesa.

— Isso já estava ficando suspeito.

— Bastante.

Hermione sorriu.

— E então aconteceu de novo. E de novo. E de novo.

— Nenhum dos dois comentou?

— Não.

— Vocês são estranhos.

— Muito.

Gina aceitou a resposta imediatamente.

Porque era verdade.

— Acho que passamos quase duas semanas assim.

— Duas semanas?

— Mais ou menos.

— Sem conversar?

— Conversávamos. Mas coisas pequenas. "Você vai usar esse livro?", "Que horas fecham a biblioteca?"., "Esse lugar está ocupado?". Nada importante.

— Até que alguém quebrou o silêncio.

— Você.

— Não.

— Ele?

— Eu também fiquei surpresa.

Gina imediatamente sorriu.

— O que aconteceu?

Hermione apoiou a xícara no pires.

— Nós estávamos estudando um texto particularmente horrível.

— Isso continua parecendo você.

— Gina.

— Continue.

— E havia uma expressão em italiano que eu não conseguia entender. Então eu reclamei. Em voz alta.

— Claro.

— E ele respondeu.

— Sabia a resposta?

— Não.

— Não?

— Também não entendia.

Gina riu.

— Excelente.

— Foi o início de uma discussão de quase quarenta minutos sobre o significado daquela frase.

— Que nenhum dos dois conhecia.

— Exatamente.

— Vocês são insuportáveis.

— Nós sabemos.

O sorriso de Hermione tornou-se mais suave.

Mais nostálgico.

— Depois disso ficou mais fácil. As perguntas começaram a aparecer. Os cafés também. Às vezes estudávamos juntos, mesmo não sendo do mesmo curso. Às vezes acabávamos saindo depois das aulas.

— E simplesmente aconteceu?

Hermione pensou por um instante.

Lembrando-se de anos atrás.

Da biblioteca.

Dos cafés.

Das caminhadas.

Da estranha facilidade que surgiu entre eles.

— Sim.

A resposta saiu tranquila.

Honesta.

— Simplesmente aconteceu. Porque nenhum de nós estava procurando aquilo. E talvez tenha sido exatamente por isso que funcionou.

Por alguns segundos, nenhuma das duas falou.

O silêncio não era desconfortável.

Era apenas o silêncio de duas pessoas observando uma lembrança ocupar espaço entre elas.

Foi Gina quem percebeu primeiro.

Ou melhor.

Foi o relógio.

— Espera.

Hermione ergueu os olhos.

Gina estava encarando o mostrador preso à parede do solário.

— Não.

— O quê?

— Nós estamos conversando há quase três horas.

Hermione piscou.

Então olhou para o relógio.

— Ah.

— "Ah"?

— Eu avisei que gostava deste lugar.

— Hermione.

— Gina.

— Eu vim para tomar chá.

— E tomou.

— Isso já é praticamente um jantar.

Hermione observou a mesa.

As xícaras haviam sido substituídas duas vezes.

Os doces diminuído pela metade.

Em algum momento alguém trouxera sanduíches.

Nenhuma das duas lembrava exatamente quando.

— Certo.

— Certo?

— Talvez tenhamos nos empolgado um pouco.

— Um pouco?

— Um pouco mais do que um pouco.

Gina soltou uma risada.

Depois recostou-se na poltrona.

O sorriso ainda presente.

Mas agora mais tranquilo.

Mais pensativo.

— Sabe...

Hermione esperou.

— Eu acho que finalmente entendi.

— Entendeu o quê?

Gina girou lentamente a própria xícara.

— Por que você ficou.

O silêncio instalou-se novamente.

Hermione não respondeu imediatamente.

— Eu costumava pensar que era só trabalho. Ou a Itália. Ou alguma oportunidade incrível. Mas não era só isso.

Os olhos dela encontraram os de Hermione.

— Você encontrou uma vida.

Hermione sustentou seu olhar por alguns segundos.

Então assentiu.

Pequeno.

Quase imperceptível.

— Sim.

A resposta veio baixa.

Honesta.

— Eu encontrei.

Gina sorriu.

Sem julgamento.

Sem mágoa.

Apenas compreensão.

— Fico feliz.

Hermione sentiu algo aquecer dentro do peito.

Porque aquelas palavras significavam mais do que talvez Gina imaginasse.

— Obrigada.

O silêncio voltou.

Mas dessa vez foi Gina quem o quebrou.

— Ainda senti sua falta.

Hermione baixou os olhos por um instante.

Um sorriso pequeno surgiu em seus lábios.

— Eu sei.

— E continuo achando que você poderia ter escrito mais.

— Isso é justo.

— Muito justo.

— Eu não vou discutir.

— Excelente.

— Aprendi com os melhores.

— Isso foi uma provocação?

— Talvez.

— Finalmente.

As duas riram.

E, de repente, a distância dos últimos anos pareceu um pouco menor.

Não desaparecida.

Mas menor.

Mais administrável.

Como algo que podia ser reconstruído.

Um passo de cada vez.

Gina apoiou as mãos nos braços da poltrona.

— Certo. Acho que preciso voltar para casa antes que Harry comece a imaginar que fui sequestrada.

— Considerando que você entrou na Mansão Malfoy sozinha...

— Exatamente.

— Um risco considerável.

— Enorme.

Hermione levantou-se.

Ainda sorrindo.

— Vou considerar isso um elogio à hospitalidade.

— Considere.

As duas caminharam juntas em direção à saída do solário.

E, desde que Gina atravessara a lareira naquela tarde, nenhuma delas parecia estar tentando recuperar uma amizade antiga.

Porque, em algum momento entre o chá, as histórias e as risadas, aquilo simplesmente voltou a parecer natural.