A porta fechou-se suavemente atrás do Ministro.

O silêncio que permaneceu pareceu imediatamente maior.

Mais pesado.

Mais real.

Agora não havia mais relatórios.

Não havia mais chefes de departamento.

Não havia mais reuniões.

Apenas Harry.

E Hermione.

Pela primeira vez desde o baile.

Sozinhos.

Durante alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Harry continuava do outro lado da mesa.

Organizando documentos que claramente já estavam organizados.

Hermione permaneceu junto à própria cadeira.

Subitamente, sentiu-se muito mais nervosa do que havia ficado ao entrar naquela sala naquela manhã.

Foi Harry quem cedeu primeiro.

— Então...

Hermione soltou uma pequena risada.

— Então.

Harry balançou a cabeça.

— Essa é provavelmente a conversa mais estranha que já tivemos.

— Considerando nosso histórico, isso é impressionante.

— Eu também acho.

Por um instante, algo próximo de um sorriso apareceu.

Mas desapareceu rápido.

O silêncio voltou.

Harry observou-a por alguns segundos.

Como se ainda estivesse tentando encaixar todas as peças.

— Eu fiquei pensando nisso desde o baile.

Hermione não respondeu.

Apenas esperou.

Harry passou uma das mãos pelos cabelos.

Um gesto tão familiar que trouxe de volta dezenas de lembranças que ela não visitava havia anos.

— Eu sabia que você estava na Itália.

Ela assentiu.

— Sabia.

— E acho que isso era praticamente tudo o que eu sabia.

A sinceridade da frase atingiu Hermione imediatamente.

Porque ela não podia dizer que ele estava errado.

Harry soltou uma respiração lenta.

— Eu sabia que você trabalhava. Mas não sabia exatamente com o quê.

— Harry...

— Não.

Ele ergueu uma das mãos.

Não para interrompê-la.

Apenas porque precisava terminar o raciocínio.

— Eu sabia que você estava bem. Ou pelo menos parecia estar... Mas não sabia onde morava, não sabia quem eram seus amigos. Não sabia como era sua vida.

Os olhos verdes encontraram os dela.

— Não sabia nem qual era o seu trabalho.

Hermione baixou os olhos por um instante.

Aquilo doía porque era verdade.

— E então eu descubro que você se tornou uma das pessoas mais importantes de um Ministério estrangeiro.

A risada que escapou dele foi breve.

Sem humor.

— Descubro que é casada. Que construiu uma vida inteira.

Harry apoiou as duas mãos sobre a mesa.

— E eu nem sabia o suficiente para ficar surpreso antes do baile.

O silêncio que se instalou foi pesado.

Hermione sabia que precisava dizer alguma coisa.

Sabia que devia isso a ele.

— Eu me afastei.

Harry permaneceu imóvel.

Escutando.

— Não aconteceu de uma vez.

Nem foi planejado.

Mas aconteceu.

Ela respirou fundo.

— Quando fui para a Austrália, eu realmente acreditava que voltaria em poucos meses.

Harry assentiu levemente.

Eles dois acreditavam nisso.

Todos acreditavam.

— E então os meses passaram. Eu estava tentando reencontrar meus pais... Tentando entender quem eu era sem a guerra. Sem Hogwarts. Sem...

Ela procurou as palavras.

— Sem tudo.

Harry continuou observando-a em silêncio.

— Quando me mudei para a Itália, achei que ainda fosse temporário. Mas então vieram os estudos. O estágio. O trabalho. As pessoas. A vida.

Hermione soltou uma pequena risada.

— E eu continuei adiando meu retorno. Porque cada vez parecia haver mais alguma coisa para fazer antes de voltar.

Harry abaixou os olhos.

— Você gostava de estar lá.

Não era uma pergunta.

Hermione assentiu.

— Muito.

Aquilo pareceu surpreendentemente difícil de admitir.

— Pela primeira vez em muito tempo eu não era a heroína da guerra. Não era a garota mais inteligente da sala. Não era uma expectativa ambulante. Eu era apenas...

Ela sorriu de leve.

— Jean.

Harry absorveu aquilo em silêncio.

— E eu gostei disso.

A confissão pairou entre eles.

Honesta.

Sem enfeites.

— Acho que uma parte de mim teve medo de voltar.

Os olhos verdes voltaram para os dela.

— Medo de quê?

— De voltar a ser apenas Hermione Granger.

A resposta saiu antes que pudesse filtrá-la.

Harry franziu levemente a testa.

— Você fala como se isso fosse algo ruim.

— Não é.

Hermione respondeu imediatamente.

— Nunca foi.

Ela respirou fundo.

— Mas eu passei anos sendo apenas isso. Hermione Granger... A heroína. A amiga do Harry Potter. A bruxa que fez isso. A bruxa que fez aquilo.

Ela balançou a cabeça.

— E na Itália ninguém esperava nada de mim.

Harry permaneceu em silêncio.

Porque, pela primeira vez, ele parecia realmente entender.

Não concordar.

Entender.

— Foi lá que você conheceu o Draco.

Hermione sorriu sem perceber.

E Harry notou.

Claro que notou.

— Foi.

— Você o ama.

Também não era uma pergunta.

O sorriso dela suavizou.

Tornou-se algo mais profundo.

Mais tranquilo.

— Amo.

Harry observou aquela expressão por alguns segundos.

E algo dentro dele finalmente se acomodou.

Porque nunca tinha sido sobre Draco.

Nem sobre a Sonserina.

Nem sobre o passado.

Era sobre aquela mulher diante dele.

E a felicidade dela era impossível de ignorar.

— Eu vi você olhando para ele no baile.

Hermione arqueou uma sobrancelha.

— Isso parece invasivo.

— Eu sou auror.

— Essa não é uma justificativa válida.

— Funciona para mim.

Pela primeira vez desde que a conversa começara, ambos sorriram.

Pequeno.

Mas genuíno.

Harry apoiou-se na cadeira.

— Sabe qual é a pior parte?

Hermione esperou.

— Eu não acho que você tenha me escondido alguma coisa de propósito.

Aquilo a surpreendeu.

— Não?

— Não.

Ele soltou uma respiração longa.

— Acho que nós simplesmente deixamos de fazer parte do dia a dia um do outro.

O coração dela apertou.

Porque aquelas palavras eram ainda mais difíceis de ouvir.

Harry deu um pequeno sorriso.

Triste.

Mas sincero.

— E eu devia ter percebido isso muito antes do baile.

Hermione permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Então contornou lentamente a mesa.

Harry acompanhou o movimento com os olhos.

Até que ela parou ao lado dele.

— Eu sinto muito.

A voz saiu baixa.

Honesta.

— Por ter te machucado. Porque eu sei que machuquei.

Harry sustentou seu olhar por alguns segundos.

Depois assentiu.

— Eu sei.

Não houve abraço.

Ainda não.

Não porque não quisessem.

Mas porque ainda existiam coisas demais para processar.

Coisas demais para dizer.

Ainda assim, pela primeira vez desde o baile, não parecia haver um abismo entre eles.

Apenas uma ponte.

Inacabada.

Mas finalmente sendo construída.

Não houve abraço.

Ainda não.

Não porque não quisessem.

Mas porque ainda existiam coisas demais para processar.

Coisas demais para dizer.

Ainda assim, pela primeira vez desde o baile, não parecia haver um abismo entre eles.

Apenas uma ponte.

Inacabada.

Mas finalmente sendo construída.

O silêncio que permaneceu já não era desconfortável.

Pela primeira vez naquela manhã, parecia haver espaço para respirar.

Harry recostou-se ligeiramente na cadeira.

Como se também estivesse sentindo o peso da conversa diminuir.

Hermione voltou para seu lugar à mesa.

Nenhum dos dois parecia particularmente apressado para encerrar aquele momento.

Foi então que alguém bateu à porta.

Duas vezes.

Firmemente.

Hermione franziu a testa.

— Entre.

A porta abriu-se.

E Draco Malfoy surgiu do outro lado.

Uma sacola de papel ocupava uma das mãos.

A outra permanecia no bolso do sobretudo.

Os olhos cinzentos encontraram Hermione imediatamente.

Como sempre.

Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

— Achei você.

Hermione arqueou uma sobrancelha.

— Estava me procurando?

— Naturalmente.

Ele entrou na sala sem qualquer pressa.

Então seus olhos passaram rapidamente por Harry.

— Potter.

— Malfoy.

O cumprimento foi breve.

Educado.

Muito mais civilizado do que qualquer um deles teria considerado possível anos atrás.

Draco voltou a atenção para a esposa.

— Como foi a reunião?

— Longa.

— Imaginei.

Hermione sustentou seu olhar por um instante.

Algo na expressão dela fez Draco compreender imediatamente que a primeira interação com Potter não havia sido um desastre.

Ele assentiu discretamente.

Como se aquilo bastasse.

Porque bastava.

Só então ergueu a sacola.

— Trouxe almoço.

Hermione piscou.

— Você trouxe almoço?

— Sim.

— Por quê?

Draco pareceu genuinamente confuso.

— Porque é hora do almoço.

— Draco.

— Hermione.

Ela cruzou os braços.

— Eu conseguiria encontrar comida sozinha.

— Tenho certeza que conseguiria.

— Então por que está aqui?

Um sorriso surgiu no canto dos lábios dele.

Pequeno.

Conhecido.

— Porque estamos falando da mesma mulher que, durante os exames finais na Itália, passou sete horas seguidas estudando e só percebeu que não tinha almoçado quando eu apareci com comida.

Harry soltou uma risada involuntária.

Hermione apontou para ele.

— Não incentive.

— Estou do lado da lógica nessa discussão.

— Traidor.

— Eu sou auror. Não advogado.

Draco pareceu satisfeito com aquela resposta.

— Além disso...

Ele voltou a olhar para Hermione.

— Primeiro dia em um novo cargo. Primeira reunião. Primeira manhã enfrentando metade do Ministério.

Os olhos cinzentos permaneceram fixos nos dela.

— Achei prudente garantir que você se alimentasse.

O olhar de Hermione suavizou imediatamente.

Porque aquilo era absurdamente específico.

Absurdamente Draco.

Ela observou a sacola novamente.

Depois voltou a encará-lo.

— Você saiu do hospital para isso?

— Tenho uma hora de almoço.

Hermione estreitou os olhos.

— Você nunca tira uma hora inteira de almoço.

— Hoje tirei.

— Draco.

— Hermione.

— Você atravessou Londres durante o horário de almoço.

— Tecnicamente, utilizei a Rede de Flu.

— Você sabe que esse não é o ponto.

— Sei.

Hermione continuou observando-o.

A expressão dele permanecia perfeitamente tranquila.

O que só confirmava sua suspeita.

— Você fez isso de propósito.

— Naturalmente.

— Eu estaria bem.

— Eu sei.

A resposta veio sem hesitação.

Sem dúvida.

Sem dramatização.

Apenas certeza.

— Nunca achei que não estaria.

Por algum motivo, aquilo tornou o gesto ainda mais significativo.

Porque Draco não estava ali para salvá-la.

Não estava preocupado que ela não conseguisse lidar com o cargo.

Ele estava ali simplesmente porque queria estar.

Porque sabia que aquele era um dia importante.

E porque, depois de anos ao lado dela, conhecia perfeitamente a diferença entre estar bem e cuidar de si mesma.

Um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele.

— Além disso, trouxe ravioli.

Hermione soltou uma risada.

— Você é impossível.

— E ainda assim você se casou comigo.

— Claramente um lapso de julgamento.

— Um lapso de julgamento que já dura anos.

— Um período particularmente longo.

Draco finalmente abriu a sacola.

O aroma espalhou-se imediatamente pela sala.

Hermione reconheceu antes mesmo de vê-lo.

— Você passou no Bellini.

— Passei.

— Draco...

— O ravioli de cogumelos continua sendo o seu favorito.

A voz dele era tranquila.

Como se estivesse apenas constatando um fato óbvio.

E talvez estivesse.

Hermione observou-o por alguns segundos.

Então sorriu.

Aquele sorriso sereno.

Fácil.

O mesmo sorriso que surgia quando estava com ele.

— Obrigada.

Os olhos cinzentos suavizaram imediatamente.

— Sempre.

Harry observou a troca em silêncio.

Não havia nada extraordinário acontecendo.

Nenhum gesto grandioso.

Nenhuma declaração dramática.

Apenas um homem que atravessara Londres durante o horário de almoço porque sabia que a esposa provavelmente esqueceria de comer.

E uma mulher que nem parecia surpresa com aquilo.

Como se fosse perfeitamente normal.

Como se aquela fosse apenas mais uma terça-feira.

Talvez fosse exatamente isso.

Talvez fosse essa a parte que ninguém tinha visto.

Não o casamento.

Não o segredo.

Não as manchetes.

Mas os anos que vieram antes deles.

Os pequenos hábitos.

As rotinas silenciosas.

A vida construída pouco a pouco.

O pensamento foi interrompido quando Draco voltou sua atenção para a sacola.

— Certo.

Ele começou a retirar o restante do conteúdo com a eficiência de alguém que claramente já havia planejado aquilo com antecedência.

Uma segunda embalagem foi colocada sobre a mesa.

— Lasanha.

Hermione arqueou uma sobrancelha.

— Você realmente organizou um almoço completo.

— Eu sou um homem preparado.

Harry soltou uma pequena risada.

Então deu um passo para trás.

— Bem...

Hermione ergueu os olhos.

— Harry.

— Eu vou deixar vocês almoçarem.

Antes que ela pudesse responder, a voz de Draco surgiu calmamente.

— Sente-se.

Harry parou no meio do movimento.

— O quê?

— Sente-se.

— Malfoy, eu realmente não preciso...

— Trouxe comida suficiente.

O silêncio que se seguiu foi quase cômico.

Harry olhou para a mesa.

Só então percebeu a terceira embalagem.

Depois voltou os olhos para Draco.

— Você trouxe comida suficiente?

— Sim.

— Para mim?

— Considerei a possibilidade.

Hermione piscou.

— Você considerou a possibilidade?

— Naturalmente.

Harry continuava encarando-o.

Claramente sem saber como reagir àquilo.

— Por quê?

Draco apoiou-se na mesa.

— Porque existiam três cenários possíveis.

Hermione já estava sorrindo.

Ela sabia exatamente que resposta estava vindo.

— O primeiro era encontrar minha esposa soterrada sob uma pilha de relatórios.

— Bastante provável — comentou Harry.

— Obrigado.

— Disponha.

— O segundo era encontrá-la em alguma reunião política interminável.

— Também provável.

— Concordo.

Draco pegou a terceira embalagem.

— O terceiro era encontrar minha esposa conversando com o melhor amigo que não via adequadamente há anos.

A sala ficou em silêncio.

Harry piscou.

Hermione também.

Porque aquilo tinha sido inesperadamente honesto.

Draco deu de ombros.

Como se estivesse apenas afirmando um fato.

— Pareceu uma possibilidade razoável.

Os olhos de Hermione suavizaram imediatamente.

Porque ela entendeu.

Claro que entendeu.

Aquilo não tinha nada a ver com Harry.

Tinha a ver com ela.

Com Draco sabendo exatamente o quanto aquela conversa significava.

— Então você trouxe uma refeição extra.

— Sim.

— Sem saber se eu estaria aqui.

— Sim.

— E se eu não estivesse?

— Eu teria duas sobremesas.

Harry soltou uma risada involuntária.

— Claro.

— Era um excelente plano de contingência.

Hermione balançou a cabeça.

Mas não conseguiu esconder o sorriso.

Porque, mais uma vez, Draco estava fazendo aquilo.

Apoiando-a.

Sem chamar atenção para isso.

Sem transformar o gesto em algo grandioso.

Simplesmente criando espaço para que algo importante acontecesse.

E fingindo que tudo era uma questão de logística alimentar.