O Segredo Mais Bem Guardado
11 Capítulo 11
A conversa na mesa principal seguiu surpreendentemente leve após os anúncios.
O Ministro parecia genuinamente satisfeito com o sucesso da noite e claramente aliviado por finalmente poder revelar a nova chefe do departamento sem precisar continuar desviando perguntas da imprensa ministerial. Narcisa participava da conversa com elegância tranquila, ocasionalmente corrigindo alguma observação do Ministro com comentários refinadamente ácidos, enquanto Hermione lidava com tudo de forma muito mais natural do que imaginara horas antes.
Talvez porque, pela primeira vez em Londres, ela não estivesse enfrentando aquilo sozinha.
Draco permanecia ao seu lado durante todo o jantar.
Às vezes apenas ouvindo.
Às vezes comentando algo em voz baixa perto demais de seu ouvido.
Às vezes simplesmente mantendo a mão repousada em sua cintura como se precisasse lembrá-la constantemente de que estava ali.
E, honestamente?
Aquilo funcionava.
Em determinado momento, o Ministro entrou em uma conversa com Barnaby.
Narcisa observou discretamente o filho enquanto tomava um pequeno gole de vinho.
— Draco, você está olhando para Hermione como um homem perigosamente próximo de esquecer que existem outras pessoas no salão.
Ele sequer demonstrou vergonha.
— Porque realmente existem pouquíssimas pessoas no salão que me interessam no momento.
Hermione soltou uma pequena risada, sentindo o rosto aquecer discretamente.
Narcisa apenas suspirou com falsa resignação aristocrática.
— Absolutamente insuportável. Os dois.
Draco ignorou completamente o comentário da mãe antes de se levantar elegantemente da cadeira.
Em seguida, estendeu a mão para Hermione.
— Se me dão licença… — disse calmamente. — preciso roubar minha esposa por alguns minutos.
O Ministro e Barnaby acenaram e sorriram e acrescentaram Narcisa a conversa.
Os olhos cinzentos deslizaram rapidamente pelo salão antes de voltarem para ela com diversão contida.
— Afinal, preciso garantir que o Profeta Diário tenha fotos realmente fabulosas para publicar amanhã.
Hermione arqueou uma sobrancelha divertida enquanto aceitava sua mão.
— Ah, então esse é o verdadeiro motivo?
— Evidentemente. Minha reputação pública exige comprometimento.
Narcisa observou os dois seguirem em direção à pista com um pequeno sorriso discreto escondido atrás da taça.
Porque fazia muitos anos desde a última vez que vira Draco tão… leve.
A música suave ecoava elegantemente pelo salão enquanto diversos casais já ocupavam a pista de dança iluminada pelos enormes lustres dourados.
Mas ainda assim foi impossível não notar quando os dois Malfoy caminharam para o centro do salão.
Ou talvez tivesse sido impossível não notar Hermione.
O vestido verde-esmeralda parecia ganhar vida sob a iluminação dourada.
Os detalhes prateados em suas costas brilhavam discretamente conforme ela se movia ao lado de Draco, cuja presença só tornava a cena ainda mais absurdamente refinada.
E então ele a puxou para perto.
Naturalmente.
Como se aquela posição tivesse sido feita para existir.
Uma das mãos dele repousou firme em sua cintura enquanto a outra entrelaçava delicadamente seus dedos.
Hermione sentiu o corpo relaxar quase instantaneamente.
Porque Draco dançava exatamente da mesma forma que fazia todo o resto:
com controle absoluto do ambiente ao redor.
Como se nada pudesse atingi-lo.
Ou atingi-la enquanto estivesse com ele.
Por alguns instantes, o restante do salão realmente deixou de existir.
As conversas diminuíram ao redor deles.
Olhares inevitavelmente acompanharam os dois pela pista.
Até mesmo pessoas que não os conheciam pareciam incapazes de ignorar a forma como se moviam juntos.
Não era apenas beleza.
Ou status.
Ou o impacto social daquela aparição.
Era intimidade.
Aquela intimidade silenciosa construída por anos longe dali.
Nos pequenos gestos.
Nos olhares rápidos.
Na facilidade absurda com que pareciam pertencer um ao outro.
Draco inclinou-se levemente até o ouvido dela durante a dança.
— Está vendo? — murmurou suavemente. — Sobrevivemos aos primeiros anúncios oficiais sem nenhum colapso social significativo.
Hermione riu baixo.
— Ainda temos o restante da noite.
— Verdade. — ele aproximou-a um pouco mais. — Mas honestamente? Acho que Londres acabou de perceber que não tem mais qualquer chance contra nós.
E Merlin…
Talvez ele estivesse certo.
A mesa dos Weasley definitivamente já não prestava mais atenção na comida.
Ou em qualquer outra coisa.
Porque, naquele momento, Draco e Hermione haviam se tornado facilmente o centro absoluto do salão.
Gina observava a pista com os olhos arregalados em completo choque fascinado.
— Certo… isso está começando a parecer ofensivamente elegante.
— Isso não deveria ser permitido. — Angelina comentou quase indignada. — Eles parecem saída de alguma pintura mágica aristocrática absurda.
— Ou de um romance extremamente caro. — Audrey acrescentou.
Rony encarava a pista como se ainda estivesse tentando processar a própria realidade.
— Eu odeio o fato de que Malfoy parece feliz desse jeito.
— Você odeia o fato de que ele parece melhor vestido do que você. — Gina corrigiu automaticamente.
— Isso também.
George soltou uma pequena risada enquanto observava Draco girar Hermione suavemente pela pista.
— Não acredito que vou dizer isso… mas eles realmente combinam.
— Infelizmente combinam muito. — Angelina concordou.
George continuou observando a dança por tempo demais.
Tempo suficiente para Angelina estreitar os olhos perigosamente.
— Jorge Weasley.
— Hm?
— Você está olhando para a esposa do Draco Malfoy com um entusiasmo preocupante.
Ele virou imediatamente para a própria esposa com expressão inocente demais para ser confiável.
— Amor, eu estou olhando para o caos social. Existe diferença.
Angelina acertou um tapa leve porém extremamente significativo no braço dele.
— Engraçado. Porque faz uns três anos que você não me olha desse jeito quando me chama pra dançar.
Fred provavelmente teria pago dinheiro para assistir aquela cena.
George levou dramaticamente a mão ao peito.
— Isso é uma acusação gravíssima.
— E ainda assim correta. — Angelina rebateu cruzando os braços.
Gina começou a rir imediatamente enquanto Audrey quase engasgava com a bebida.
George então se levantou da cadeira com toda teatralidade possível antes de estender a mão para a esposa.
— Certo. Venha comigo antes que você decida me pedir divórcio em pleno baile ministerial.
Angelina tentou sustentar a expressão indignada por mais alguns segundos.
Falhou completamente quando começou a rir.
— Você é ridículo.
— Mas ainda extremamente charmoso.
— Debatível.
Mesmo assim ela aceitou sua mão.
Enquanto os dois seguiam para a pista, Gina observou a cena divertida antes de voltar os olhos para Draco e Hermione ao centro do salão.
E honestamente?
Era difícil culpá-los.
Porque os dois realmente pareciam pertencer àquele lugar juntos.
Neville acompanhava a cena com uma expressão quase surpresa.
— Acho estranho perceber que nunca vi Hermione parecer tão… tranquila em um evento do Ministério.
Aquilo fez Harry permanecer em silêncio por alguns segundos.
Porque Neville estava certo.
Hermione normalmente circulava por aquele tipo de ambiente sempre alerta.
Sempre preparada.
Sempre tentando corresponder a alguma expectativa invisível.
Mas ali…
Ela ria.
De verdade.
Leve.
Como se tivesse esquecido completamente que dezenas de pessoas observavam cada movimento seu.
E talvez o mais estranho de tudo fosse Draco.
Harry nunca imaginou que veria Draco Malfoy olhando para alguém daquela forma.
Sem arrogância.
Sem performance.
Sem necessidade de provar absolutamente nada.
Só completamente envolvido nela.
Como se o restante do salão fosse irrelevante.
— Merlin… — Simas murmurou observando a pista. — Ele realmente ama ela.
A frase saiu tão naturalmente que ninguém rebateu.
Porque estava óbvio demais.
Na mesa dos ex-sonserinos, Pansy apoiava o queixo na mão enquanto assistia a dança com expressão profundamente entretida.
— Ah, isso explica completamente porque ele desapareceu da vida social.
Theo soltou uma pequena risada.
— Draco passou anos recusando convites para eventos porque claramente preferia ficar em casa vivendo um romance aristocrático secreto.
— Honestamente? — Blaise comentou calmamente. — Eu teria feito exatamente o mesmo no lugar dele.
Astoria observava Hermione atentamente.
— Ela parece diferente da Hermione que conhecíamos em Hogwarts.
— Porque agora ela parece feliz. — Daphne respondeu de forma simples.
Pansy arqueou lentamente uma sobrancelha.
— E perigosamente poderosa.
Na mesa principal, Narcisa observava o filho e a nora na pista com uma serenidade quase orgulhosa.
O Ministro acompanhou discretamente seu olhar antes de sorrir.
— Admito que não esperava que a noite fosse terminar com metade do salão apaixonada pela Senhora Malfoy.
Narcisa sequer desviou os olhos da pista.
— Oh, Ministro… — comentou com elegância tranquila. — Acredito que esse problema só tende a piorar daqui para frente.
Enquanto isso, no centro do salão, Draco e Hermione continuavam dançando como se realmente não existisse mais ninguém ao redor.
E talvez, naquele instante…
Para eles, realmente não existisse.
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