O Segredo Mais Bem Guardado
12 Capítulo 12
Depois de mais alguns minutos na pista, a música começou a desacelerar suavemente.
Hermione apoiou a cabeça por um breve instante no ombro de Draco enquanto sentia a mão dele deslizar devagar por sua cintura.
— Acho que sobrevivi oficialmente ao meu retorno para a sociedade britânica. — murmurou divertida.
Draco soltou uma pequena risada nasal.
— Honestamente? Você acabou de conquistar metade dela.
Hermione ergueu uma sobrancelha.
— Só metade?
— A outra metade provavelmente ainda está tentando processar o fato de que você casou comigo.
Ela riu baixo, sentindo o corpo finalmente começar a relaxar depois de horas sendo observada.
A música terminou sob aplausos suaves espalhados pelo salão e Draco depositou um beijo delicado em sua testa antes de entrelaçar novamente seus dedos aos dela.
— Vamos fugir antes que alguém tente nos transformar oficialmente em patrimônio histórico do Ministério.
Hermione aceitou imediatamente.
Os dois caminharam de volta até a mesa principal sob inúmeros olhares discretos — e outros nem tão discretos assim.
Assim que se aproximaram, um bruxo claramente nervoso surgiu segurando uma câmera mágica acompanhada de uma jovem jornalista do Profeta Diário.
— Senhor Malfoy, Senhora Malfoy… o Ministro perguntou se poderiam tirar uma fotografia oficial para a edição de amanhã.
Draco claramente parecia preparado para recusar.
Hermione percebeu imediatamente.
— Draco. — murmurou divertida em voz baixa.
Ele estreitou os olhos minimamente.
— Estou protegendo nossa paz.
— Você está traumatizando jornalistas.
— Ambos podem ser verdade.
O Ministro aproximou-se logo em seguida já sorrindo diplomaticamente.
— Prometo que serão apenas algumas fotos. O país inteiro vai acordar em completo caos amanhã de qualquer forma.
— Que reconfortante. — Draco comentou secamente.
Ainda assim, ele posicionou-se ao lado de Hermione enquanto o Ministro ficou do outro lado dela.
A câmera mágica disparou alguns flashes dourados rápidos.
Em uma das fotos, Draco olhava diretamente para Hermione ao invés da câmera.
Na outra, ela ria de algo que ele havia acabado de murmurar em seu ouvido.
Na terceira, Narcisa juntou-se discretamente ao grupo, elegante como sempre.
A jornalista do Profeta parecia perigosamente emocionada.
— Perfeito. Absolutamente perfeito.
— Isso nunca é uma frase tranquilizadora vinda de alguém do Profeta Diário. — Draco comentou enquanto se afastavam.
Hermione segurou o riso.
Os dois já caminhavam discretamente em direção à saída junto de Narcisa quando uma voz masculina ecoou próxima ao corredor lateral do salão.
— Então era por ISSO que você desapareceu da face da Terra.
Draco fechou os olhos brevemente.
— Ah, Merlin.
Theo Nott surgiu primeiro com um sorriso claramente divertido, seguido por Blaise Zabini, Pansy, Daphne e Astoria.
Hermione observou discretamente o pequeno grupo.
Era estranho vê-los adultos.
Mais calmos.
Menos afiados do que em Hogwarts.
Mas ainda perigosamente observadores.
Blaise analisou Hermione por alguns segundos antes de abrir um sorriso elegante.
— Então você realmente existe.
— Zabini. — Draco respondeu em tom de aviso.
— O quê? Depois de anos ouvindo sobre “minha esposa” sem um nome sequer, eu mereço estar um pouco impressionado.
Pansy cruzou os braços enquanto observava Hermione atentamente.
— Honestamente, Granger, estou ofendida. Você poderia ao menos ter aparecido antes para que eu pudesse fofocar adequadamente.
Hermione acabou rindo.
— Vou tentar organizar melhor meus escândalos sociais da próxima vez.
Theo apoiou uma mão no peito dramaticamente.
— Ela já tem humor sarcástico compatível com os Malfoy. Estamos perdidos.
Astoria sorria claramente entretida.
— Isso explica porque Draco parecia perigosamente domesticado nos últimos anos.
— Eu odeio todos vocês. — Draco respondeu imediatamente.
— Mentira. — Blaise rebateu calmamente. — Você sentiu saudades.
Draco não respondeu.
O que, honestamente, já era confirmação suficiente.
Narcisa observava a cena alguns passos atrás com uma expressão quase nostálgica.
Por um instante, conseguia enxergar fragmentos dos adolescentes que costumavam ocupar sua casa antes da guerra destruir metade daquela geração.
Theo percebeu o olhar dela primeiro.
— Tia Cissa está emocional. Isso é perigoso.
Narcisa arqueou elegantemente uma sobrancelha.
— Theodore, eu posso expulsá-lo da minha casa antes mesmo do almoço de amanhã começar.
— Então realmente existe almoço amanhã? — Blaise perguntou rapidamente.
— Evidentemente. — Narcisa respondeu como se aquilo já estivesse decidido havia horas. — Faz anos desde a última vez que reuni todos vocês adequadamente. Espero todos na mansão amanhã às treze horas.
Pansy abriu um pequeno sorriso.
— Você percebe que acabou de transformar isso em um evento obrigatório, certo?
— Evidentemente. — Narcisa respondeu como se aquilo já estivesse decidido havia horas. — Faz anos desde a última vez que reuni todos vocês adequadamente. Espero todos na mansão amanhã às treze horas.
Pansy abriu um pequeno sorriso divertido.
— Você percebe que acabou de transformar isso em um compromisso obrigatório, certo?
— Naturalmente. — Narcisa respondeu com absoluta tranquilidade.
Theo levou a mão ao peito dramaticamente.
— Merlin… os almoços supervisionados pela tia Cissa estão oficialmente de volta.
— E vocês vão comparecer apresentáveis. — Narcisa completou imediatamente.
Hermione soltou uma pequena risada ao lado dela.
— Theo, sinceramente, você ouviu aquilo como se existisse opção.
Os olhos claros de Narcisa deslizaram até a nora.
— Viu? Finalmente alguém nesta família entende como funcionam convites educados.
— Depois de anos convivendo com a senhora, eu aprendi a identificar ordens disfarçadas de gentileza. — Hermione respondeu divertida.
Draco soltou uma pequena risada nasal.
— Impressionante como vocês duas desenvolveram essa dinâmica assustadora tão rápido.
— “Assustadora” é uma palavra forte. — Hermione comentou calmamente.
— Discordo completamente. — Draco rebateu. — Em algum momento vocês começaram a trabalhar em equipe contra mim.
Pansy observava a interação claramente entretida.
— Certo… isso é estranhamente adorável.
— E profundamente preocupante para Draco. — Blaise acrescentou.
Theo assentiu imediatamente.
— O homem foi derrotado politicamente dentro da própria casa.
Draco suspirou com falsa resignação enquanto Hermione apenas entrelaçava os dedos aos dele de forma tranquila.
E talvez aquilo tenha sido o que mais chamou atenção deles.
A naturalidade.
Hermione não parecia deslocada entre os Malfoy.
Não parecia alguém tentando se adaptar àquela família.
Ela simplesmente… pertencia.
Narcisa despediu-se primeiro com elegância impecável, prometendo que os elfos preparariam algo “minimamente digno” para o almoço do dia seguinte, arrancando pequenas risadas do grupo.
Pansy abraçou Hermione rapidamente antes de se afastar.
— Ainda estou ofendida por você ter escondido isso de nós por anos.
— Tecnicamente eu escondi de todo mundo. — Hermione respondeu divertida.
— Verdade. Isso melhora um pouco.
Theo apertou a mão de Draco antes de apontar discretamente para Hermione.
— Honestamente, fico feliz que você tenha encontrado alguém que consiga lidar com você sem cometer homicídio.
— Eu também fico feliz com isso. — Hermione respondeu antes que Draco pudesse abrir a boca.
Blaise soltou uma pequena risada enquanto Astoria e Daphne se despediam com gentileza.
— Amanhã às treze horas. — Narcisa relembrou calmamente enquanto já se afastava. — E não me façam esperar.
— Sim, tia Cissa. — Theo respondeu automaticamente.
Draco apenas revirou discretamente os olhos enquanto conduzia Hermione em direção à saída do salão.
As portas douradas do Ministério se fecharam lentamente atrás dos três Malfoy.
E, pela primeira vez naquela noite, o pequeno grupo restante permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Pansy foi a primeira a quebrá-lo.
— Certo… então Draco Malfoy realmente casou com Hermione Granger.
Theo tomou um gole tranquilo da bebida.
— Continuo achando surreal ouvir isso em voz alta.
— Porque é surreal. — Blaise comentou calmamente. — Estamos falando do Draco.
Astoria cruzou os braços enquanto observava o salão já mais vazio.
— Honestamente? Acho que ainda estou tentando entender como exatamente isso aconteceu.
— França, trauma coletivo pós-guerra e tensão emocional reprimida. — Theo respondeu imediatamente.
— Theodore. — Daphne repreendeu em tom cansado.
— Estou errado?
Pansy soltou uma pequena risada nasal antes de apoiar o cotovelo na mesa.
— Eu gostei dela com ele.
Os outros a encararam automaticamente.
Ela deu de ombros.
— O quê? Ela parecia genuinamente feliz.
— Ele também parecia. — Astoria comentou.
O silêncio breve que surgiu depois carregou um desconforto estranho.
Porque todos ali conheciam Draco há tempo suficiente para saber o peso daquela mudança.
Ainda assim…
Blaise inclinou levemente a cabeça.
— Felizes, sim. — disse com calma. — Mas honestamente? Acho saudável mantermos um mínimo de cautela antes de assumir que entendemos essa dinâmica inteira.
Theo assentiu imediatamente.
— Concordo. Isso ainda é Hermione Granger e Draco Malfoy. O nível de potencial caótico dessa união é historicamente preocupante.
Daphne revirou os olhos.
— Você fala como se eles fossem explodir a sociedade britânica.
— Não estou descartando completamente a possibilidade.
Astoria começou a rir baixo.
Pansy girou lentamente a taça entre os dedos antes de comentar:
— Acho que amanhã vai dizer muita coisa.
— O almoço? — Blaise perguntou.
Ela assentiu.
— Hoje foi um evento público. Veremos como eles funcionam de verdade fora dos holofotes.
Theo apoiou o corpo na cadeira com expressão divertida.
— Em resumo: queremos analisar o casamento aristocrático secreto do Draco.
— Exatamente. — Pansy confirmou sem qualquer vergonha.
Blaise soltou uma pequena risada.
— Sonserinos até o fim.
— Evidentemente. — Daphne respondeu calmamente.
Ainda assim, enquanto o grupo começava finalmente a deixar o salão…
Todos carregavam exatamente o mesmo pensamento silencioso:
Draco Malfoy parecia feliz.
E talvez aquilo fosse o mais inesperado de toda a noite.
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