O Segredo De Ellie
1 Estranho modo de se conhecer
Notas iniciais
Era manhã de uma quarta-feira de Junho. Este dia era como qualquer outro, as pessoas circulavam, por aquele bairro aparentemente desconhecido pelo resto da cidade, capital e principalmente do país. Andavam sempre ás pressas, buscando algo aparentemente nunca alcançável, nunca olhavam para os lados. Mas em um simples e pequeno colégio, nas imediações do bairro havia algo que mudaria a vida de muitos e Última Parada nunca mais seria a mesma.
Catherine olhava para as paredes encardidas do pátio, inexpressível, nunca pensara que algo assim poderia acontecer com ela. Aquela agitação não era normal, carros de policia, populares se amontoando, resgate e pericia realizando seu serviço de praxe e ela ali sentada com algumas lágrimas a embaçar seu olhar.
***
Naquela manhã ela descera apressada para o pátio procura de seus amigos, estava ansiosa para falar sobre sua semana, havia acontecido coisas realmente importante em sua vida de adolescente. Um garoto a havia elogiado, ela finalmente terminara de assistir a uma série do canal fechado, e principalmente uma agência de modelos havia ligado para ela com o intuito de admiti-la. Isto era memorável.
Enquanto ninguém, ou seja, nenhum de seus amigos populares aparecia, ela sentou-se em um canto qualquer a observar o local em que estudava. Abrindo seu lanche, ficou olhando aquelas pessoas circulando e gritando com aquele animalesco modo de viver, não via nenhuma necessidade daquele alarde todo. Ela era totalmente diferente e superior, em sua imaginação, via-se como uma deusa, todos a amavam. Com um murmúrio,como se pudesse impor toda sua superioridade, deu a primeira mordida em seu lanche.
De repente surge uma garota a correr em sua direção. Catherine a vislumbra rapidamente, rápido demais para encontrar ali um chamado “ser inferior”. Roupas enormes e encardidas, cabelo ruivo emaranhado e tênis extremamente encardido e masculino.
-Meu nome é Ellie, por favor, não se assuste, preciso falar com você, não sei quanto tempo mais eu possuo... -Disse sentando-se próximo á uma Catherine assustada... — Por favor querem me matar, descubra meu segredo, eles me encontraram eu não...
Dizendo isto repentinamente caiu no chão com espasmos e convulsionando.
***
Com estes pensamentos Catherine balançou a cabeça como se pudesse dissipar aquele fato, mas não era um pesadelo, era tudo real, algo que ela simplesmente não podia compreender, um mistério, uma frase: “descubra meu segredo...”.Mas o que descobrir? Não conhecia a garota Ellie, só a havia visto uma única vez em um canto sujo escondido da escola, nunca imaginara que sua rica e glamourosa vida poderia deparar-se com a vida de um “ser” tão estranho como a de Ellie.
Subitamente Catherine foi despertada por um policial:
-Desculpe! Te assustei?
Ela nada respondeu.
-Ok então vamos direto ao ponto.A senhorita deverá vir conosco para prestar depoimento, como você é de menor vou ligar para seus pais.Ok? Vamos!
Catherine permaneceu imóvel.Não queria levantar, queria sumir, mas acabou acompanhando o policial insistente
-Droga- Disse com uma voz quase inaudível e suplicante.
-Disse alguma coisa?
-...
-Desculpe, mas são os procedimentos.Você não sabe o quanto é difícil para nós também.Acho que você deveria compreender nosso lado.
Catherine nem ouviu, agora seu olhar pousou abruptamente sob o olhar do corpo imóvel de Ellie que era carregado por alguns auxiliares, a visão era surpreendente, ela estava com seus castanhos e grandes olhos bem dilatados, demonstrando o pavor com que morrera, sua pele adquirira outra cor, e ela estava totalmente imobilizada, como de praxe, mas para Catherine era estranho vê-la daquela maneira, Há pouco ela se movia freneticamente e naquele instante ela estava imóvel, sem vida...Catherine moveu rapidamente o rosto, procurando qualquer coisa que não fosse a morte.
-Nosso pequeno amigo veneno, mais precisamente algum cianureto, isso cabe aos nossos legistas explicarem -Disse o policial Bruno- Vamos!
Catherine deixou-se levar novamente, não estava em condições de fazer objeções,mas antes de deixar a escola, Catherine arriscou um último olhar ao local fatal, pensava que tinha deixado algo muito importante passar, não conseguia,portanto, de maneira alguma lembrar.Tomada por estes pensamentos foi encaminhada á viatura policial onde circundavam curiosos e pessoas com enorme ares de dúvida.
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