O Sangue em nossas Veias
3 Sentimento Recíproco
Notas iniciais
–Eu atendo! – gritei quando a campainha tocou, pulando do sofá e indo até a porta.
A primeira pessoa que vi foi Lily e... Al.
–Oi gente, entrem.
Eles entraram, Lily foi para a sala e depois de fechar a porta eu e Al estávamos sozinhos no hall de entrada, fiquei sem graça e sem saber o que fazer, então disse:
–Hugo está lá em cima, se quiser falar com ele...
Ele assentiu, mas não subiu de imediato.
–Escute Rose, sobre o que aconteceu ontem... Eu queria muito conversar com você.
–Tudo bem Al, foi um impulso de momento, eu entendo...
–É exatamente sobre isso que temos que conversar, na verdade...
–Rose, vem logo! – Chamou Lily da sala.
Bem, ela me salvou, e eu devo uma a ela...
–Eu vou pra sala, conversamos sobre isso depois.
–Vamos, conta tudo o que aconteceu ontem entre você e o Scorp no encontro! – Lily disse.
Então ela não sabia...
–Foi tudo normal Lily, não sei pra que vocês fizeram isso, a gente só conversou, somos amigos e apenas isso, você sabe bem disso. Agora me diga, que ameaça vocês fizeram ao Scorpius pra ele ter um encontro comigo?
Lily torceu o lábio e fez careta, típica expressão dela de quando havia sido descoberta por alguma coisa.
–Nada, nadinha mesmo? Ai mais que coisa Rose! – ela bufou e cruzou os braços.
Eu ri, mas não deixei de notar que ela tentava mudar de assunto.
–Que ameaça?
–Nada que você precise saber, ta bom? Mas mesmo assim, ele fez de bom gosto também, não foi tão forçado porque ele gosta muito de passar o tempo com você.
–Como amiga, Lily! E eu também, ele é apenas um bom amigo meu. Vocês não precisam ter essa atitude infantil de me empurrar pra alguém, eu posso muito bem saber quando gosto de alguém de modo diferente, e namorar não é tudo nessa vida!
–Tudo bem, desculpe Rose...
Respirei fundo, sei que ela não havia feito por mal, mas era sim uma infantilidade e eu não havia gostado.
–Desculpas aceitas – sorri e ela sorriu de volta. – Lily, você é minha melhor amiga e... sinto que tenho de lhe contar uma coisa que venho guardando pra mim faz tempo, só quero saber se você vai me apoiar não importa o quão louco isso seja.
Ela fez uma expressão confusa, mas logo disse:
–Pode contar Rose, eu nunca te julgaria.
–É que... Bem, Lily eu estou apaixonada por alguém.
Lily ficou de boca aberta, sorriu e deu uns tapinhas na minha perna de felicidade.
–Como você não me conta algo assim? Menina, diz agora quem é, e há quanto tempo isso vem acontecendo!
–Isso é meio difícil porque... Isso vem acontecendo a minha vida toda, mas acho que só agora que eu realmente percebi que essa pessoa é muito especial, mas esse sentimento não é correspondido e... Eu tenho muito medo.
–Rose – Lily chegou mais perto de mim. – Como você pode saber se não é correspondido? Não precisa ter medo, o amor é se por à risco, risco de se decepcionar, de se magoar. Agora me diz quem é o garoto de sorte?
–Alvo – eu disse meio que olhando para baixo. – Seu irmão Lily, eu estou apaixonada pelo meu primo e... E ele está apaixonado por uma garota, e é por isso que eu sei que não tenho chance.
Olhei para cima e Lily estava de boca aberta novamente, ela engoliu em seco, levantou minha cabeça para olhar em meus olhos e disse:
–Olhe, eu não acho isso loucura, só estou surpresa, eu acho mesmo é normal. Vocês foram sempre tão grudados, melhores amigos e companheiros, isso é muito lindo Rose. E quanto ao fato de vocês serem primos, bem isso realmente é um empecilho por conta do dos nossos pais, mas o fato é que você ao menos deve tentar, e se for reciproco, então vocês encontrarão um modo de ficar juntos.
–Mas a garota...
–Olha, não estou dizendo que é, mas já pensou alguma vez que ela pode ser você? Poxa, você não sabe! Tente, se entregue, conte a ele o que sente.
Fiquei ainda um pouco em duvida, mas sabia que havia feito a coisa certa em contar à Lily sobre o Al.
–Vem Rose.
Lily me levou até o quarto de Hugo e me fez entrar lá, meu irmão e Alvo estavam jogando videogame trouxa e só Al levantou a cabeça para nos olhar.
–Hugo, posso falar com você um instante?
–Agora não Lily, estou jogando.
–Agora Hugo – ela disse em um tom mais bravo, que pra mim significava algo como “ou eu te mato”.
No começo, eu realmente pensei que ela quisesse apenas falar com o Hugo, mas no final de tudo eu descobri que era uma armação. A minha inocência me surpreende, e irrita às vezes.
Ela fechou a porta ao sair do quarto e deixou-nos a sós. Al já havia parado de jogar videogame e estava sentado na cama, olhando pra mim. Ele se levantou e veio até mim.
–Podemos conversar agora?
Sorri com o canto da boca, mas no fundo eu estava super nervosa, e meu estomago parecia que estava a ponto de sair pela boca.
–Eu só queria que você não mantivesse segredos comigo Al, somos melhores amigos, eu quero que você me conte sobre a garota que gosta e quero que confie em mim.
Sei que esse não era o rumo que ele desejava que a conversa tomasse, mas eu estava justamente tentando leva-la para outro rumo.
–Rose... Por favor, olhe pra mim.
Eu olhei e meu coração disparou, seus olhos verdes se encontraram com os meus e eu tive uma vontade tão grande de acariciar seus cabelos negros e o puxar para o beijo mais longo que a gente pudesse dar.
–Aquele beijo, teve muito mais significado pra mim do que você imagina.
Aquilo me pegou de surpresa.
–O... O que você quer dizer? – eu gaguejei.
–Quero dizer que – ele segurou minhas mãos nas suas e me olhou diretamente nos olhos, e eu estava derretendo. – Foi muito mais que um beijo, sim pode ter sido por impulso de momento, mas isso não necessariamente quer dizer que não teve significado.
Tive vontade de sorrir quando ele continuou.
–Você Rose, é você, sempre foi você. A garota por quem estou apaixonado, por quem eu daria a minha vida, e o que eu quero saber é se o sentimento é reciproco. Porque todo esse tempo eu tive medo de lhe contar e ser rejeitado, mas agora eu descobri que eu te amo muito pra perder a chance, pra nunca ter tentado.
Eu não sabia como responder adequadamente, estava estupefata com aquela situação, então me aproximei mais ainda, soltei nossas mãos e por um momento vi uma pontada de decepção no olhar de Al, como se pensasse que o seu sentimento não era correspondido.
Continuei a olhar em seus olhos, mas peguei uma de suas mãos entrelaçando nas minhas, e com a outra segurei seu rosto, pela primeira vez reparando em todos os detalhes, ele tinha as sardas de sua mãe.
Beijei Al antes que ele pudesse protestar ou fazer algo, e dessa vez foi mais apaixonante ainda do que da primeira, ele me envolveu em seus braços e me apertou contra si da forma mais carinhosa.
Nossos sorrisos se encontraram e nos abraçamos.
–Al, nós somos primos, isso é...
–Loucura, eu sei. Mas Rose, a gente pode namorar escondido, ou enfrentar nossos pais, o que você preferir eu estou disposto.
–Ah Alvo... Eu nunca imaginei que meu amor poderia ser reciproco.
–Rosie, eu é que nunca imaginei, sempre achei que me acharia um louco e que nunca mais olharia pra mim quando eu lhe contasse. Eu te amo, minha flor, sempre te amei e sempre soube que era muito além de amor de primo, amor de irmão ou que quer que for.
–Vamos, lutar pra ficar juntos, certo? Não importa o que vier, sempre vamos lutar um pelo outro?
–Sim, Rosie, sempre.
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