O Sangue em nossas Veias
4 Promessa
Notas iniciais
Dois anos atrás...
Era uma tarde particularmente agradável de outono, Rose e eu estávamos recostados nas árvores perto do lago, era final de semana, mas ela estava com um pergaminho em mãos e fazendo seu trabalho de poções.
Seu cabelo ruivo estava amarrado firmemente em um rabo de cavalo, e eu não conseguia deixar de notar as pequeninas, mas muitas sardas em sua maçã do rosto, e também havia o modo que ela enrugava a testa quando parava de escrever, provavelmente para pensar um pouco mais no que colocaria a seguir no pergaminho.
–Terminei! – ela exclamou de repente e seus olhos me encararam, sorridentes, eu sorri pra ela e disse:
–Finalmente, né?! Parece que só sabe estudar.
Ela estreitou os olhos, mas depois sorriu.
–Só priorizo as minhas tarefas, não quero tirar nota baixa em algo só porque preferi não fazer nada o dia inteiro.
–Ah, então quer dizer que ficar comigo é não fazer nada? Realmente agradeço a sua consideração! – falei ironicamente.
Rose me empurrou para o lado, sorrindo.
–Você me entendeu Al! Não se faça de bobo, é claro que eu amo ficar com você.
Ela disse isso tão espontaneamente que eu até me surpreendi, eu também amava passar o tempo com ela, muito mais do que ela podia imaginar...
–Mas é claro que sim, afinal quem não amaria?!
Ela revirou os olhos verdes e brilhantes, me dizendo:
–Convencido demais pro meu gosto, abaixa a bola ai priminho – e riu.
Eu adorava quando ela ria, se eu tivesse que escolher um som para ser meu preferido, seria o som da risada dela. E o jeito que ela sorria, o tempo todo ela sorria, não importava como estava, ela só gostava da ideia de contagiar os outros com felicidade, e sorrindo fazia isto.
–Al – Rose estava me olhando fixamente, a expressão em seu rosto estava tão séria que comecei a me preocupar. Ela recostou sua cabeça em meu ombro e continuou: — Obrigada por estar sempre do meu lado quando eu preciso, e quando não preciso também – ela riu quando disse isso. – Posso sempre contar com você, certo?
–Claro minha flor, sempre – eu falei e beijei carinhosamente o topo de sua cabeça.
–Posso... Te contar algo muito sério? – indagou, agora olhando em meus olhos.
Eu afirmei, Rosie respirou fundo e nervosamente me contou.
–Tem um garoto da minha aula de Herbologia, o nome dele é Travis, ele é da Lufa-Lufa, e eu meio que era afim dele há um tempo – meu coração parou, não gostava nada da ideia de Rose gostando de algum garoto. – Mas não era um gostar de verdade, era só atração mesmo... Bem, o fato é que ele veio me pedir pra “ficar” com ele, e eu disse que ia pensar, e isso já tem dois dias. Olha Al, a pergunta que eu vou te fazer aqui é bem constrangedora, mas... O que ele quis dizer com “ficar”?
Eu não vou mentir, tive vontade de rir quando ela me fez aquela pergunta, mas a pior coisa que eu poderia ter feito no momento era isso, então eu só dei um sorrisinho e respondi:
–Ele quer te beijar Rose, ficar com você... Te abraçar, e quem sabe namorar mais pra frente?! Eu não sei explicar bem, mas é isso.
Vi uma expressão confusa se desvaindo dela quando terminei de falar, ela respirou fundo, mas demorou a falar novamente.
Eu não me surpreendia nada com o fato de garotos quererem ficar com a Rose, apesar de uma nerd sabe-tudo, ela era linda e incomparável às outras garotas, a beleza que ela possuía era a de um anjo. Mas que isso me incomodava, incomodava e muito! Meu coração doía só de pensar em outro garoto abraçando-a e beijando-a, isso porque ela era a minha flor, e eu tinha um desejo intenso de que fosse só minha e não apenas como amiga, ela só não sabia disso...
–Ai Merlin, que vergonha! Você deve estar me achando uma tonta agora, como é que eu não sei dizer nem o que significa ficar? Céus, eu já tenho catorze anos – Rose riu. Ah, e eu também amava o modo como ela sabia rir de si mesma.
–Tudo bem, você só está concentrada demais nos estudos para querer saber dessas coisas – falei.
–É, acho que sim.
–Mas então, você vai? – perguntei, a curiosidade me vencendo e minhas sobrancelhas arqueadas.
–Vou o que? – indagou-me de volta, como se o assunto já estivesse encerrado e ela já não mais sabia do que eu estava falando. – Ah... Não, de jeito nenhum, não acho que esteja preparada para isso. E além do mais, espero que a minha primeira vez “ficando” seja ao menos com alguém que eu goste de verdade.
Eu sorri inevitavelmente, ah Rosie...
–Mas e você, qual foi sua primeira vez ficando Al?
Tá bem, eu nunca tinha ficado com ninguém na vida também, eu só achava que a esperança dentro de mim de um dia poder conquistá-la era maior. E também havia o fato de que nenhuma outra menina havia me interessado, apesar de muitas delas terem se interessado por mim.
–Ah Rose... Você sabe que eu nunca fiquei com ninguém, e nem pretendo – respondi.
Não sei se foi apenas impressão minha, mas enquanto ela olhava para baixo eu juro que pude ver um pequeno sorriso se formando em seus lábios.
–E por quê? – ela continuou perguntando.
–Bem – comecei. – Talvez eu só queira seguir o exemplo da minha priminha estudiosa aqui.
Ou talvez eu só esteja apaixonado demais por você, para ao menos pensar em ficar ou namorar com outro alguém...
–Ah há, está vendo como eu sou um bom exemplo? – o sorriso dela se expandiu, e quando Rose olhou pra mim nossos olhares se encontraram e se fixaram por tanto tempo que depois que percebi me senti envergonhado, além de ter a certeza de ter corado, assim como aconteceu com ela.
Após alguns minutos tensos em que o silêncio foi quem dominou, Rose foi quem falou primeiro:
–Pensando bem, é até melhor, não nos desviamos dos estudos, nem temos decepções amorosas e tudo o mais.
–Concordo, não acho que essas coisas sejam lá tão importantes também, e além do mais, somos muito jovens ainda.
–Al – ela pegou minha mão e meu coração disparou. – Promete que, não importa o que aconteça, não importa quem namoremos, fiquemos ou o que seja, que nada disso vai atrapalhar a nossa amizade e esse laço tão forte que temos?
–Eu prometo Rose, não vou deixar garota alguma atrapalhar a nossa amizade.
–Ótimo, porque se você deixar, eu juro que dou um tapa na sua cara e na dela também – ela disse rindo, mas logo sua expressão voltou a ser séria novamente. – E você também pode contar comigo, eu também prometo.
As únicas coisas que me deixaram chateado naquele instante foram a possibilidade de Rose um dia ter outro garoto em sua vida, da forma que provavelmente eu nunca poderia ser, e o momento em que ela soltou sua mão da minha.
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