O Sangue dos Nobres
6 Capítulo 6 – O Plano
Notas iniciais
Susan não conseguiu dormir, o seu rosto ainda estava um pouco inchado na região das têmporas, e também ela ainda pensava muito no confronto que havia tido com os nobres, principalmente em Feng, o tigre com voz extremamente grave e assustadora, de como eles eram de certa forma parecidos, levando uma vida de sofrimento e desprezo. Pensou também bastante sobre o que ele havia falado da Grande Guerra, ela adoraria saber mais sobre este lendário e sangrento conflito, embora soubesse que jamais conseguiria saber mais do que sabe atualmente, visto que ela nunca foi a escola, mesmo quando estava sob custódia de seu pai, que a escondia ao máximo das pessoas, por ser um símbolo de vergonha para o clã. Ela também estava muito preocupada com a situação atual de Roston em relação aos Blennister e aos Lownsh, se o que aquele homem disse a ela fosse realmente verdade, a cidade muito em breve iria perecer em caos novamente, assim como há mais de 100 anos atrás, na ocasião Roston era a grande capital do reino Wolfireano, mas após a Grande Guerra a cidade foi quase totalmente destruída por ser o grande centro do conflito, a capital precisou ser deslocada mais ao norte, para Termaria, e Roston foi reconstruída dos destroços que fazem agora parte de seu passado sombrio, tornando-se apenas uma cidade comum de Wolfire. Susan soube de tudo isso no período em que ainda tinha um lar, antes de ser abandonada, pegando alguns livros de história da vasta biblioteca de seu pai, mas isso era tudo, a história completa da cidade e da Grande Guerra era desconhecida para ela, mas ela sabia que uma guerra entre clãs seria ruim para todos, inclusive para os bastardos, que certamente seriam recrutados a força para lutar em qualquer um dos lados no conflito, e isso resultaria em muito, muito derramamento de sangue de inocentes.
Susan compartilhou seus medos com Bastian, que concordou sombriamente com ela a respeito de um possível massacre de Bastardos e outros inocentes em um conflito entre clãs, mas mostrou-se mais sombrio sobre o que ele pensava a respeito de qualquer ação para impedir uma guerra.
– Susan, mesmo que eu pudesse fazer algo não moveria uma palha para ajuda-los. – disse ele.
– Por quê? – Susan quis saber.
– Porque eu ajudaria alguém que me despreza e sequer se importa com minha existência? – questionou ele.
– Eu pensei que precisava dar lição de moral apenas naqueles dois nobres na floresta ontem à noite. – disse ela, rabugenta. – Acho que me enganei.
– Eu ouvi tudo o que você disse naquele dia, mas é difícil não cultivar o ódio Susan, e mesmo que ajudássemos a evitar o conflito, ou a vencer se o mesmo acontecer, não ganharíamos nada, nada mudaria, vamos continuar a margem da sociedade, somos bastardos, lembra?
– Bastian, um conflito poderia separar nosso bando, uma metade seria forçada a lutar ao lado dos Lownshs, e outra metade teria de lutar ao lado dos Blennisters, nós dois poderíamos lutar um contra o outro, um teria de matar o outro, você quer isso Bastian, você realmente quer isso? – Perguntou Susan, em tom acusador.
Bastian deu um suspiro de impaciência.
– Não Susan, eu não quero, nós poderíamos fugir para a floresta se a guerra acontecer de fato. – sugeriu Bastian.
– Ah sim, fugir para a floresta, ótima ideia, vamos dormir abraçadinhos com os nobres em uma caverna aquecida por fogo à lenha sob a luz de um lindo luar em um inverno rigoroso, conversando com eles como se fossem nossos melhores amigos, sem dúvida você teve uma ideia incrível. – ironizou Susan. – Cai na real Bastian, se formos a floresta seremos presas de Nobres cheios de ódio da nossa raça.
– E o que você supõe então? – perguntou Bastian, cruzando os braços. – Já que minha ideia é tão ridícula e você é a grande sabichona, sem dúvida tem um plano perfeito sem nenhuma falha ou brecha que irá resolver nossos problemas de maneira rápida e sem mais demoras. – disse ele devolvendo sendo irônico da mesma maneira que Susan havia sido com ele.
– Olha, não temos certeza ainda se o que aquele homem nos disse na floresta ontem a noite é realmente verdade. – disse Susan, adotando uma expressão séria agora. – As coisas na cidade parecem transcorrer na maior normalidade possível, mas como não temos muito acesso a decisões políticas e relações interpessoais entre clãs, precisamos investigar. – disse ela.
– Se vamos investigar, precisamos de um ponto de partida. – respondeu Bastian, ainda de braços cruzados.
– Sim eu sei, e pensei em Luna Blennister, nós a salvamos ontem, talvez ela saiba de alguma coisa sobre a relação do clã dela com os Lownsh atualmente.
– Ela jamais falaria com a gente. – disse Bastian, que depois completou. – Não em público.
– Precisamos conversar com ela a sós. – disse Susan.
– Bem, nós não podemos andar perto da mansão dos Blennister por que os guardas suspeitariam, precisamos saber os lugares em que Luna costuma visitar durante o dia. – concluiu Bastian.
– Até antes do sol se pôr, pois tenho certeza de que ela será proibida de sair à noite depois do ocorrido de ontem. – observou Susan.
– Precisamos de uma abordagem, rápida, precisa e perfeita. – disse Bastian.
– Eu sei, e para isso precisaremos da ajuda de uma pessoa em especial. – disse Susan fazendo sua voz ficar a mais misteriosa possível.
– E quem seria essa pessoa? – quis saber Bastian.
– Não é óbvio? Precisaremos da ajuda de Lia Blennister.
Fale com o autor