O Sangue dos Nobres

7 Capítulo 7 - O Encontro


Notas iniciais
"- O homem de quem vocês falam provavelmente deve ser o Coronel Salazar, ele é um grande amigo da minha família, apesar de eu nunca ter confiado totalmente naquele homem."

– Você tem certeza que isso irá dar certo? – quis saber Susan.

– Tenho sim, ela sempre faz esse caminho. – respondeu Lia.

– Não esqueça que nem Brandon, Astrid ou qualquer outra pessoa do bando deverá saber disso. – alertou Bastian.

– Sem problemas. – respondeu Lia.

– Vamos lá, falta pouco para o anoitecer. – disse Susan.

Susan e Bastian foram bem sutis ao falarem com Lia sobre o plano que eles tinham de falar com Luna Blennister. A menina surpreendentemente se mostrou disposta ajudar e disse que não se importava muito com o fato de ela ser pertencente ao clã do qual ela foi abandonada anos atrás. Lia estava sabendo também do encontro de Susan e Bastian com os nobres, e se mostrou muito impressionada com todo o desenrolar, inclusive com fato de uma possível guerra entre clãs estourar em Roston.

– Ali está ela. – apontou Bastian.

– Vamos esperar com que ela fique sozinha, para podermos aborda-la. – disse Susan.

Eles estavam no centro de Roston, na principal rua comercia da cidade, onde dezenas de barracas estavam alinhadas na calçada com diversos comerciantes gritando e mostrando diversos produtos em mãos. Os bastardos dificilmente frequentavam o comércio, não em pouco número, pois seriam presas fáceis para marginais ou vagabundos e zombadores alheios.

– Ela terminou de fazer as compras. – anunciou Lia.

– Vamos segui-la pela rua oposta para encontra-la mais a frente. – disse Susan.

Os três não perderam tempo e andaram rapidamente para não perderem Luna de vista. Algumas dezenas de metros à frente eles a avistaram conversando com um homem de meia idade, e se esconderam para não serem vistos, tudo precisava ser feito com a mais cautela possível.

Assim que Luna terminou de falar com o homem, eles esperaram o mesmo sair do campo de visão deles para voltarem a seguir a jovem Blennister.

Luna de vez em quando fazia uma observação panorâmica do local, provavelmente ainda receosa pelo o que havia acontecido no dia anterior, Susan inclusive achou bastante estranho ela estar andando sozinha novamente após ter sido quase morta no dia anterior, ela não sabia dizer ao certo se isso era muita coragem ou idiotice.

Luna agora estava completamente sozinha em uma rua deserta, era a oportunidade ideal para uma abordagem silenciosa.

– Bastian, agora é com você. – disse Susan.

– Pode deixar. – falou Bastian.

Bastian correu em direção a Luna de uma maneira surpreendentemente rápida e silenciosa, quase sendo impossível perceber seus passos na rua feita de grandes blocos de pedra.

Bastian fez uma mordaça humana em Luna com uma das suas grandes mãos, enquanto que a outra a imobilizava pelo pescoço.

Luna tentava se desvencilhar de seu agressor cujo ela não sabia quem era a qualquer custo, enquanto isso Susan e Lia corriam para tentar acalma-la.

– Acalme-se Luna, somos nós, não queremos machuca-la. – disse Susan, cara a cara com a Blennister.

Ao ver Susan ela imediatamente parou de se debater, e quando viu Lia, ficou extremamente surpresa.

– Olha, ele vai soltar você. – disse Lia. – Mas, por favor, não fuja, ou grite, precisamos falar de um assunto extremamente urgente com você, que pode definir o futuro dessa cidade, e dos Blennister também. – completou a jovem bastarda.

Luna assentiu positivamente com a cabeça e então Bastian a soltou.

– Desculpe pela abordagem imprópria, mas era a única maneira que encontramos de falar com você a sós. – disse Bastian.

– Você poderia ter sido mais sutil, fui abordada dessa mesma maneira ontem, querem me matar do coração? – perguntou Luna, um pouco indignada.

– Desculpe, é que os cidadãos não gostam de falar conosco, afinal somos bastardos. – disse Susan.

– Eu nunca me importei com esse negócio de bastardo ou legítimo. – disse Luna. – Isso é uma bobagem, você são pessoas assim como eu. – finalizou.

– Você é a primeira pessoa de alta sociedade que vejo pensar deste jeito. – disse Susan.

– Não sou a única a pensar assim, mas sou a única a manifestar esta opinião publicamente, afinal, vocês não tem culpa de serem bastardos, a culpa é de seus pais. – disse ela. – E você Lia, há quanto tempo? Senti muitas saudades suas desde que foi embora. – disse ela abraçando Lia.

– Desde que me mandaram embora. – corrigiu Lia com amargura.

– Bem, vamos esquecer formalidade e ir direto ao ponto, o que vocês querem falar de tão importante comigo? – Luna quis saber. – Com certeza tem relação com os acontecimentos de ontem. – ela completou.

– Sim. – respondeu Susan. – Logo depois que você foi embora, nós fomos surpreendidos por dois homens que faziam parte daquele grupo que estava sequestrando você. – ela fez uma pausa. – Eles amarraram nossas mãos e pés e nos deixaram sozinhos na floresta no meio da noite.

– Meu Deus. – disse Luna, alarmada.

– Antes de ir embora, um dos homens, um cara alto, corpulento e de pele escura, nos disse que o objetivo do sequestro era matar você para iniciar uma guerra entre clãs. – disse Susan.

Luna arregalou os olhos.

– Explique com um pouco mais de detalhes, por favor. – pediu a jovem.

– Ele disse que com sua morte o clã Blennister iria acusar o clã Lownsh pela sua morte, o que teoricamente seria verdade, pois ele nos disse que foi contratado pelos Lownsh, e que isso seria um estopim para que os Lownsh declarassem guerra aos Blennister, que segundo o homem estão em desvantagem militar em relação ao rival, fazendo com que os Lownsh vencessem a guerra e assumam o controle total da cidade. – disse Susan sombriamente.

– O homem também disse que irá tentar um novo assassinato de um Blennister para que a guerra ocorra de qualquer maneira. – disse Bastian.

– Não querendo parecer que estou desconfiando de vocês, mas porque ele diria tudo isso a vocês? – perguntou Luna.

– Ele não contava que iríamos sobreviver na floresta, afinal, ela está infestada de Nobres que odeiam os humanos, inclusive. – ela deu um rápido suspiro antes de voltar a falar. – Nós tivemos de enfrentar dois Nobres para escaparmos, um lobo cinzento e um tigre de bengala, que não nos mataram por que eu e Bastian tivemos muita sorte, e também por que conseguimos distraí-los por tempo suficiente até nos desvencilharmos das cordas.

Luna cruzou os braços e encarou os três bastardos, pensativa.

– O homem de quem vocês falam provavelmente deve ser o Coronel Salazar, ele é um grande amigo da minha família, apesar de eu nunca ter confiado totalmente naquele homem.

– Luna, nós precisamos saber se os Blennister tem uma relação estável com os Lownsh, esse é objetivo central da conversa, já que você é uma Blennister, poderia nos responder a essa pergunta. – disse Susan.

– Queremos saber se o que aquele homem nos disse ontem a noite na floresta é verídico. – completou Bastian.

– Bem, as mulheres não tem muita ligação com a política, mas pelo que soube das fofocas das criadas em casa é que ultimamente os dois clãs estão em divergência quanto a decisões do conselho em relação ao atual representante do rei Willian em Roston. – disse Luna.

– Como assim? – perguntou Lia.

– Bem, o representante atual do rei aqui é Laurence Blennister, da minha família, que é um grande amigo de meu pai. – Luna fez uma pausa antes de continuar. – Alguma semana atrás chegou uma carta do rei dizendo que ele tem o desejo de manter Laurence como representante pelos próximos quatro anos, e isso deixou os Lownsh muito bravos, visto que existe um acordo entre nossas famílias, que a cada quatro anos o representante do rei deve variar entre as duas famílias, só que creio que vocês devem estar cientes que na última gestão de um representante do nosso clã rival, feita por Bart Lownsh, foi considerada um fracasso pelo rei Willian, e que por este motivo está com receio de colocar um Lownsh novamente no poder em Roston.

– Eu realmente lembro da gestão de Bart Lownsh, foi bastante ruim. – disse Lia.

– Você é suspeita para falar mal de um Lownsh. – disse Bastian abrindo um pequeno sorriso.

– O rei também está considerando a gestão de Laurence como a melhor da história desde a Grande Guerra, e que isso também o motiva a mantê-lo no cargo, mesmo que isso quebre o acordo entre nossos clãs. – disse Luna.

– Então é verdade, existem grandes chances de uma guerra estourar aqui em Roston. – disse Susan.

– Isso seria péssimo, pois o rei tem pretensões de tornar Roston novamente a capital de Wolfire. – disse Luna.

– Sério? – perguntou Bastian impressionado.

– Sim, mas ele quer vir para cá quando a cidade estiver pronta para receber a corte real novamente. – disse Luna.

– Bem, já conseguimos a informação que queríamos. – disse Susan. – Obrigada Luna.

– Não há de que. – respondeu Luna.

– Não se esqueça, essa conversa nunca existiu entre nós. – alertou Bastian. – Caso você queira alertar seu pai a respeito de um possível conflito entre os Blennister com os Lownsh, por favor, seja discreta, não diga que nós estamos envolvidos com isso.

– Sem problema, com certeza eu farei o alerta, vou dizer que um dos homens me disse antes de tentar me matar. – respondeu Luna.

– Vamos embora agora, já estamos aqui faz bastante tempo e alguém pode nos ver, ou já ter visto. – disse Susan.

– Adeus. – despediu-se Luna. – Com certeza nos veremos novamente.

Em poucos segundos Luna desapareceu ao virar a esquina.

– Conseguimos muitas informações valiosas com Luna. – disse Lia.

– O que você pretende fazer agora que descobrimos que uma guerra está perto de acontecer? – quis saber Bastian.

– Temos de evita-la, mas preciso ainda pensar em alguma coisa. – respondeu Susan.

Notas finais
Nossos protagonistas estão se envolvendo cada vez mais em um assunto extremamente delicado e perigoso, Susan agora precisa bolar um novo plano para dar sequencia em sua investida de evitar uma guerra entre clãs em Roston, vamos ver no que ela irá pensar nos próximos capítulos. Jovens, vocês já sabem o esquema, comentem pra que essa história seja finalizada, preciso de animo para continua-la por que esta história aqui terá um enredo complexo e demorado, então preciso de tempo para pensar e escrever bem, por isso preciso de apoio, do apoio de vocês leitores, até a próxima!