O Sangue
2 Assim a caçada começa - Reescrito
Notas iniciais
Era sábado, o dia estava nebuloso, na região de Minas Gerais.
Não vejo a hora que você desaparecer! Droga de pirralho. Lorena estava ansiosa naquele dia, era seu aniversário de dezessete anos, e seu irmãozinho a deixaria pela primeira vez desde que seus pais haviam se mudado para outro estado, ele iria dormir na casa de um dos colegas da escola e ela ficaria com seu namorado Ronald.
– Será apenas um dia, então não se alegre tanto. – o rapazinho, com uma aparência divertida, ficou sentado o sábado inteiro no sofá, enquanto a irmã limpava a casa de maneira impaciente, não vendo à hora em que aquele que compartilhava do mesmo sangue, cairia fora por um dia ou quem sabe pelo resto de sua vida, se dependesse dela. Uma festa de pijama com Cassie, só isso nada de mais.
Uma festa com um garoto mais velho, com o qual saia há apenas sete meses. Nem sabia se estariam mesmo namorando firme, mas pelo o que notara nele, poderia confiar naquele que supostamente a estava amando há uma semana e meia, com aliança e tudo. Seu segundo namorado, porque o primeiro foi um completo babaca, a forçando a todo o momento, para que tivessem logo a bendita primeira vez que Lorena tentava evitar.
O telefone celular começou a tocar, Junior foi atrevido o suficiente para atendê-lo, quando Lorena que segurava a vassoura se aproximou para pegá-lo de suas mãos.
– Devolva! – ela falou em um tom baixo de ameaça, mas já era tarde ele já havia atendido.
– Oi mamãe! – ele disse com um olhar de Ah hoje não, maninha. E era exatamente isso que pensava, sorriu presunçoso e então começou uma conversa animada, e pediu para que a mãe passasse para o pai, e mais uma vez se seguiu outra conversa, em que ele tocava vez ou outra, no nome de Ronald, o que fazia o pai ficar irado.
– Me dê logo o celular! – disse Lorena, colocando uma mexa de cabelo para da orelha, seu corpo todo pedia e suplicava por um banho, mas ele teria de esperar um pouco mais.
– Ela quer falar com você. – disse o garoto com desdém, unindo suas sobrancelhas grossas em um olhar contrariado.
– Oi mamãe! – a voz dela soava nervosa, não era isso que tentava aparentar diante da autoridade.
– Lorena! Aqui é seu pai. – ela corou um pouco, havia se esquecido disso.
– Desculpa pai, isso é só para não perder o costume. – eles riram um pouco.
– Aquele Ronald vai ficar bem longe de você quando eu chegar. – o coração de Lorena deu um pulo, Como assim chegar? Ela estava nervosa, sim, agora que o irmão sorria traiçoeiro, tudo o que ela queria era socar aquelas bochechas bronzeadas até perderem a cor e ganhar um tom arroxeado.
Eu vou te matar! – ela sussurrou afastando um pouco o telefone de sua boca, o garoto rebelde deu de ombros ainda sorrindo, foi andando até a escada e irônico, piscou e mandou um beijo para a irmã que fervilhava de raiva.
– Pai, eu não ia sair com ele, iríamos apenas ver um filme, ele iria para a casa dele, e depois Cassie viria para fazermos nossa festa do pijama. – ela tentou parecer convincente enquanto apertava o cabo de madeira da vassoura, nervosa pelo irmão ter estragado seu aniversário. – Mas vocês não iriam vir só daqui a um mês, isso só para passar uma semana e depois voltariam que eu sei. – ela retrucou tentando mudar o rumo da conversa.
– Nem tente isso mocinha. – o pai a repreendeu, era possível imaginar um homem de cabelos louros dourados, sentado no banco do passageiro revirando os olhos por causa da filha, com a mãe dirigindo ao lado, esboçando um sorriso brincalhão e com o pensamento Lá vamos nós de novo.
– Pai eu já sei o que acontece entre os casais, não preciso saber de mais nada, eu estudo para isso! – ela ficou na defensiva antes que o senhor de quarenta e poucos anos começasse a mesma ladainha.
– Mas eu ainda nem comecei a dizer nada, querida. – ele deu uma risada abafada, o telefone estava no alto-falante, ela suspeitava, pois sua mãe dera uma risadinha de fundo.
– Eu sei no que está pensado! – ela falou mais uma vez, com um tom mais calmo, evitando expor seus pensamentos maliciosos com Ronald.
– Você sabe que existem pílulas e eu ainda não falei delas. – o pai dela começou e fez uma pausa, esperando que a filha o retrucasse, mas esta estava envergonhada demais para isso, e pensou em apenas uma coisa. – Sabe que tem aquela que você pode tomar no dia seguinte, mas eu não apoio, seria como um aborto se você já estivesse...
– Pai! Eu sou virgem! E pretendo continuar assim por um bom tempo, tudo bem? – ela falou de uma só vez, escutou um breve Ah! De surpresa e tentou ignorar.
– Acho que já cumpri o meu trabalho hoje. – o pai falou dando de ombros, enquanto a mãe começava uma breve conversa com a filha, que particularmente estava ficando entediada.
– Sabe, seu pai e eu estamos levando uma surpresa para você, uma pessoa da qual você gostava muito. – Como assim? Que droga é esta, agora que a Cassie será obrigada a vir, e Ronald... Bem... Argh! Lorena estava impaciente demais, e agora teria mais um motivo para manter a casa bem limpa, Visitas! Por que seus pais eram tão grudados? Ela queria estapear o irmão, queria deixar aquela casa por um instante e tentar viver sozinha por uma semaninha que fosse. Seus pais a sufocavam tanto, mesmo estando tão longe.
– Gostava? Pessoa? Nenhuma dica além destas? Letra inicial do nome? – ela tentou, sim, tentar não é bem a palavra, seria somente para fingir um pequeno interesse, porque pelo o que ela sabia o telefone estava no alto-falante e a pessoa estivera a ouvindo este tempo todo. Lorena ficara envergonha por alguns instantes.
– Não, nadinha, você vai saber só de ouvir a voz, então, vamos deixar para a surpresa. Chegaremos daqui a três horas. Beijos. – antes que Lorena se pronunciasse mais uma vez, já frustrada o suficiente para não agüentar mais aqueles assuntos idiotas, a mãe desligou. Ela apertou o telefone celular com tamanha força que era possível ver os nós brancos de seus dedos.
O restante do dia se passou com tamanha rapidez que Lorena ainda nem tinha terminado de limpar os três principais quartos da casa, pelo menos o de visitas estava impecável, assim como o corredor e o banheiro logo no final deste, no segundo andar tudo estava bem, calmo e silencioso demais, se não fosse o som alto e agitado logo abaixo dos pés de Lorena, que vibrava através dela fazendo-a ficar mais animada e que se apressasse um pouco mais.
Começava a anoitecer, Lorena arrumava os lençóis na cama dos pais, e Junior já havia saído para a casa dos colegas, que por sinal ficava logo ao lado, se ele quisesse voltar e atrapalhar até mesmo seus planos com seus pais, ela arrancaria os miolos do garoto atrevido.
Espero que se divirta maninha. Fora isso que ele a dissera antes de sair, com sua mochila do Batman, cheia de bugigangas de pessoas viciadas em games, ainda não entendia o que ele via naqueles trecos. E apesar disso ser uma diferença entre eles, era o que os aproximava, ela passou a se acostumar com os gostos excêntricos do irmão mais novo e vez ou outra jogava com ele, haviam também os livros baseados nos jogos que ele possuía, e as histórias eram sempre cheias de bravura, coragem e lealdade, guerreiros e mestres. Devo admitir que adorei estes livros, ela pensou enquanto entrava no quarto já vazio do irmão e reorganizava a pilha tombada em cima do guarda-roupa. Ela estava apoiada na parte superior do guarda-roupa enquanto seus pés se equilibravam em uma pequena escada, com seis degraus a mais do que deveriam.
Arrumando os livros, desceu da escada, e o cansaço a consumiu, ainda faltava o seu quarto, este ela deixaria para o final, ninguém entraria nele a não ser ela, estava exausta o suficiente para cair na cama, sem nem se quer falar com Ronald, para que não aparecesse. Ronald! Droga se ele vier... A campainha começou a tocar, seriam seus pais? Não, ela notou os cabelos cor de cobre logo depois que conseguira correr pelo corredor e descer o lance de escadas até se aproximar do sofá e dele olhar para a porta, que esta era feita de vidro revestido. Talvez o pai fosse super protetor, mas Nem um fuzil conseguiria destruir aquela porta, o pai dizia sempre de forma exagerada. Quem quer que esteja lá fora, não conseguiria ver nenhum vestígio de pessoas dentro da casa, via somente o reflexo de si mesmo. Mais um motivo para achar que talvez o pai fosse louco? Talvez.
– Ronald, eu... Ah – ela parou de falar no instante em que abriu a porta. – Tudo bem com você? – ele estava ensangüentado, se apoiado em um braço, manchando a parede imaculada de escarlate.
– Ele veio atrás de você, e mandou que eu trouxesse este recado. – ele está bêbado?
– Você tem que entrar, venha vamos cuidar dos seus ferimentos. – falou Lorena tentando segurar uma das mãos de Ronald, que a desviou, ele não necessitava de ajuda.
– Você que precisará de ajuda. – ele sorriu levantando o rosto, os olhos traiçoeiros possuíam a mesma cor do sangue escorria de suas roupas. Ela estava começando a suspeitar de que aquele sangue não pertencia a ele.
Ele a olhou como se pudesse ler seus pensamentos, reparando que seus lábios estavam sujos de sangue, e que seus caninos transpassavam o tamanho normal, ela se perguntou que droga havia acontecido com o seu namorado que pelo visto, seria ex-namorado a partir de agora. Praguejou não tê-lo avisado que seus pais chegariam naquela noite, mas agora não adiantava mais nada, ele estava parado diante dela quando avançou, e foi quando ela percebeu que ele a atacaria ele a devoraria?!Fechou a porta imediatamente, e Ronald gargalhou louco e psicopata.
O que eu faço? O que eu faço? O que eu faço? Lorena estava com medo, mais medo do que qualquer outra coisa, o medo que sentia quando mais nova do monstro dentro de seu armário não fazia nem cócegas ao contar com o que sentia agora. O monstro é ele... Saiu do armário para me pegar. Ela se encolheu enquanto olhava para trás, dizendo a si mesma que não deveria ter feito isso. Meu quarto! A janela está aberta, tenho que fechá-la. Ela se lembrou, no instante em que Ronald desapareceu de suas vistas com um olhar cínico.
Pegou a vassoura que estava usando antes para varrer a sala de estar e caminhou de vagar, tentando se convencer de que as aulas de defesa pessoal que o pai a dera valeria à pena, e que Ronald só havia surtado, ele não era nenhum predador enlouquecido e que de uma hora para outra ela não se tornara a sua presa.
O telefone fixo tocou, seu coração parecia um tambor em seu peito, ela queria se sentir como se tudo não passasse de um pesadelo e que estava desesperada para ser acordada a qualquer instante, e quando isso acontecesse ainda seria de manhã, ela estaria conversando com Cassie ao telefone, falando da possível noite que teria com seu namorado Normal.
Subiu as escadas, não olhando para trás, e foi o mais rápido que pôde para seu quarto, felizmente a janela não estava destruída, e não tinha nenhuma brecha, estava fechada. Agora ela não se lembrava o porquê de ter ido até seu quarto, o porquê de ter subido, ela olhou envolta procurando alguma outra entrada e um frio percorreu sua espinha, ela tinha certeza que... O barulho do vidro da porta sendo quebrado assustou-a.
Não, não... Preciso de ajuda. Onde estariam seus pais? Já deviam ter chegado! Trancou-se no quarto como se isso fosse ajudar, e escutou uma risada do andar debaixo, era como se ele a tivesse comandado seus pensamentos. Isso é possível? Ela se jogou, sentada na cama, com a vassoura na mão. O que ele é afinal?Queria ficar calma, controlar a respiração e o coração que socava as costelas, ela poderia entrar em pânico a qualquer momento. Respire, é um sonho, ou alguma coisa louca igual a um sonho, surreal!
– Eu conheço esta casa como a palma das suas mãos, como eu também conheço você, pobre menina, eu amei você, por uma semana e meia, o que foi o suficiente para combinar com seu irmãozinho que ele saísse de casa. Você é esperta, ficar sozinha comigo, com um recém-criado, desculpe-me por te fazer sentir medo, mas ainda estou aprendendo a caçar e a me alimentar, digamos que não sou fã de devorar na primeira oportunidade, sou como um felino mal criado. – ele fez uma pausa, e ela escutou seus passos pela escada, um passo após o outro, Meu Deus! Ela se encolheu e devagar, o mais devagar que pôde e se colocou embaixo da cama. – Eu adoro brincar com a comida. – ela o escutou, encolhendo-se ainda mais, porque seus pais não chegavam, porque alguém não aparecia para atrapalhar o seu ex-namorado, acabando com os planos que ele tinha de devorá-la.
Ele é um vampiro. Aqueles que você viu em filmes! Pode ser que ele a leve para conhecer vários monstros como ele, mas eu suponho que não seja isso que ele queira. Tome cuidado! Lembra do seriado Diários do meu amigo! Estaca... No coração. Ela tentava se convencer, mas tremia de medo, nunca vira um de verdade, e pensava que a existência destes seres era impossível. Onde ela acharia a estaca?
Abraçada a vassoura, encolhida o máximo se era possível para uma garota de um metro e setenta, ela tentava se concentrar em apenas uma coisa: se manter calma, mas então os passos cessaram, ele havia chegado à porta, estava ali, provocando calafrios por todo o corpo de Lorena, ela sentia a sua presença forte e escura, medonha e com toda certeza tudo o que restava de Ronald, deveria estar no mais intimo daquele vampiro, que somente possuía sua face, seu corpo inteiro, e até mesmo a voz, que tanto amava, doce e calma, mas que agora a causava pavor.
– Sabe... De onde estou eu consigo sentir todo o seu corpo, o calor que sua pele possui, escuto as marteladas violentas do seu coração, igualadas a batidas das asas de um corvo, e é claro, não posso esquecer-me de seu medo, ele faz com que tudo isso se torne mais interessante. – ela podia imaginar o sorriso feroz na boca de Ronald, podia vê-lo e revê-lo como um filme em sua mente, sempre voltando desde quando ele tocou a campainha até naquele exato momento, em que ela poderia até mesmo fazer xixi nas calças.
A maçaneta foi girada, Lorena se esticou um pouco para ver se a porta fora aberta, pelo menos esperasse que uma porta pesada de madeira o segurasse, coisa que no momento ela começava a duvidar, olhou para a vassoura em suas mãos tremulas, e fungou, notando que estava chorando.
Ah meu Deus, não creio que isso esteja mesmo acontecendo! Talvez seja uma alucinação ridícula, não é? Quando eu sair debaixo da cama, e quebrar esta vassoura, quem entrará pela a porta será meu irmão, trazendo consigo meus pais e Cassie. E depois diriam que eu estava delirando, e que fazer dezessete anos não era fácil, e que seria melhor eu ir morar com eles. Ou quem sabe eles voltariam a morar aqui. Ela saiu debaixo da cama, passando as costas de sua destra no rosto e limpando em sua bermuda velha, fungou outra vez, seu nariz escorria, e seus olhos não pareciam estar sob o seu controle, derramavam lágrimas mesmo que tentasse involuntariamente secá-las com as costas das mãos. Quebrou a vassoura resgatando a força que ainda restava usando o joelho como apoio e forçou ambos os lados e então se quebrou, ela se assustara com o barulho e desviou os olhos, antes que as farpas caíssem em seus olhos. Sua cabeça latejava, depois de um dia agitado de faxina, era óbvio que estaria exausta.
– Pensa que um pedaço de madeira irá me machucar? – Espero que sim, ela pensou, enquanto ia de encontro à parede, andando o mais de vagar que conseguia, e foi neste momento em que ele derrubou a porta, de uma só vez, fazendo com que ela se encolhesse, ele sorriu e ela quis desesperadamente fechar os olhos. Droga!
– O que fizeram com você? – ela tentou fazer com que sua voz soasse o mais normal possível, mas havia falhado no final da frase, e ele sorriu irônico, aproximando-se dela em uma velocidade inumana. Ronald segurou o rosto de Lorena com arrogância, levantando-o na direção de sua boca de forma bruta e então aproximou seus lábios do dela, Mesmo morto ele consegue ser um beijoqueiro? Ela quis rir, mas se segurou, não era à hora certa, mas riria de que? De a morte vir tocar sua campainha e depois de matá-la a levaria para qualquer lugar que não fosse um caixão? Não, isso não era nada engraçado, talvez ela estivesse ficando no seu extremo.
– O mesmo que farão com você, o mesmo que farão com toda a sua família e aqueles que ama ou já amou, não dando a mínima importância, vocês são uma pedra nos sapatos dele. – ela ficou agitada, cerrou o punho e levantou à estaca improvisada, ele desviou o olhar dos lábios de Lorena e observou a estaca, pegou-a de sua mão, e ela se desequilibrou ficando prensada contra a parede, literalmente. A mão gelada ou talvez morna de Ronald, tocou-lhe a cintura, seu corpo feito de mármore, uma rocha que não poderia ser movida. – Ele irá matá-los. – disse jogando o pedaço da vassoura atrás de si. Por um instante ela ficou chocada, sentia um vazio no peito, seu coração agora, queria escapulir por sua boca, deveria estar cansado de tanta adrenalina.
O motor de um carro se aproximou, ela respirou fundo, mas não teve como ficar calma. Uma das portas bateu, e os estilhaços de vidro foram pisados.
– Lorena! – seus pais haviam chegado. Ela ficou feliz e aliviada por terem chegado, mas se Ronald era mesmo um vampiro, ele poderia matá-los de uma só vez, destruir a família dela sem piedade ou misericórdia. Sem arrependimentos.
– Não entrem! – ela gritou, com os olhos marejados, Ronald tampou sua boca e depois a soltou com fúria, levantou o lábio superior mostrando-lhe suas presas, como se fosse direcionar seus dentes em direção ao pescoço de Lorena que fechou os olhos assustada, mas não teve tempo. Mais duas portas bateram no carro.
– Filha! O que aconteceu aqui? – a voz de sua mãe soava preocupada, e Lorena deixou seu corpo deslizar para o chão, ainda de olhos fechados, não sentindo mais a presença de Ronald, se permitiu chorar, derramar lágrimas de medo, pavor e todos os outros sentimentos misturados, ódio, traição, frustração, uma chuva de responsabilidades desabou em seus ombros finos.
– Mãe... – ela começou a dizer, mas não tinha forças, não teria como se expressar, enquanto não deixasse tudo sair.
– Lorena, você esta bem? O que houve? – ela se encolheu ainda mais no chão, sentiu a mão quente se sua mãe em seus ombros, e então abriu os olhos. Os cabelos cacheados estavam brilhantes, as sobrancelhas escuras quase juntas e no meio delas uma pequena ruguinha se formava. Lorena abraçou a mãe, abraçou como se fosse à última vez que se veriam, se sentiram como mãe e filha, o que realmente eram, sentiam falta uma da outra.
– Ronald. – ela disse ainda tremula e a mãe a ajudou a se levantar, os cabelos de Lorena, castanhos e ondulados, estavam presos em uma trança, que agora estava quase desfeita, e seu corpo cheio de poeira. Ela estava deprimente.
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