O Sacrifício

1 Capítulo 1 - As docas


As rodas do trem rangiam agudamente em atrito com os trilhos. Enquanto o veículo terminava sua melodia desafinada, terminamos de matar aqueles que não deviam ter saído da cova.

Há mais ou menos duas semanas, um vírus letal se espalhou pelo sul de Equestria e menos de cinco dias depois já havia se espalhado por toda a terra. Seus afetados apresentavam comportamento agressivo e até mesmo canibal. Seus corpos entravam em decomposição, seus órgão não funcionavam mais, mas ainda assim se mantinham em alerta com um único objetivo: espalhar o vírus.

CEDA, sigla em inglês para “Civil Emergency and Defense Agency”, enviou instruções para diminuir a proliferação da doença, mas não obteve sucesso. Depois, a mesma disse que ajudaria os grupos sobreviventes e que não descansaria até que todos os infectados fossem curados, mas a grande verdade é que eles estão querendo se livrar do problema da forma mais fácil: matando a todos.

Até onde sei, somos o único grupo de sobreviventes. Eu sou Bill, um velho pônei verde oliva de barba cinzenta e bôina também verde. Sou ex-soldado e tenho certo conhecimento sobre armas e sobrevivência. Junto comigo estão Louis, um pônei marrom careca advogado vestindo uma camisa branca e gravata vermelha, Zoey, uma pônei avermelhada de crina e cauda negros estudante coberta por uma jaqueta vermelha, e Francis, um pônei cinza careca de barba rala de colete de couro preto e... Bem, vagabundo. Juntos temos um plano um tanto amador: chegar ao porto para pegar um barco e ir viver em uma ilha, pelo menos até a poeira baixar.

Bom, como ia dizendo, terminamos de dar fim nos infectados e descemos do trem. A linha férrea terminava ao lado de um galpão cheio de barcos, todos destruídos, sem falar que, com todo o barulho que faríamos para colocá-lo na água, atrairíamos uma horda implacável de zumbis. O céu estava nublado mas fios de luz passavam pelas nuvens. A água estava cheia de bolsas, malas, corpos e destroços de barcos.

Descemos para perto da terra arrasada e conseguimos encontrar o necessário: kits médicos, pistolas leves, pílulas e seringas de adrenalina e até mesmo um bastão de baseball.

Seguimos cautelosamente pelo galpão escuro e empoeirado. Por sorte, as pistolas tinham lanternas acopladas. Passamos por pilhas de corpos carbonizados que ainda exalavam um cheiro forte. Chegando aos fundos do lugar, encontramos uma escada que levava até a parte de cima da instalação e para a nossa saída:

-Quem vai primeiro?- Sussurrou Zoey

Nessa hora, Francis subiu as escadas e atirou na fechadura, destrancando-a:

-Eu odeio trancas...

-Francis, mais silêncio!

-Estes merdas não estão dormindo para ficarmos calados.

Ficamos quietos. Apesar de vagabundo, Francis costumava nos deixar sem argumento. Seguimos pelo escritório, uma sala retângular simples com uma estante de livros, uma mesa, um armário para arquivos e um cesto de lixo, cheio de potes de aspirinas. Mais corpos espalhados por todos os cantos. Atravessamos o lugar e saímos em um pátio cheio de contêineres vazios, prováveis esconderijos de sobreviventes. Logo na porta de um deles, encontramos uma pintura de uma casa com uma cruz dentro em vermelho no chão:

-Um esconderijo!- Disse Louis

-Bom, não chegaremos a lugar nenhum parados aqui. Vamos!-Disse, acendendo meu cigarro

Logo à esquerda de onde havíamos saído, tinha um espaço aberto que dava para a linha de outro trem local. Nos trilhos, um vagão cargueiro estava tombado e fechado. Ao nos aproximarmos, notamos que a lataria estava amassada de dentro para fora, avisando que, seja lá o que estivesse lá, era extremamente perigoso:

-Vamos lá. É o único caminho acessível até os suprimentos.- Disse Zoey

-Bem, precisamos de um plano!- Precaveu-se Louis: -Eu acho que algum de nós deveria ir abrir aquela coisa enquanto os outros assumem posições estraté...

Mal terminou e Francis já estava puxando para o lado a pesada porta de metal. O interior era negro como carvão. Silêncio. Nada saia do vagão:

-Viram? -Virou-se para nós: -Não há com o que se preocupar!

Nessa hora, pernas impressionantemente musculosas coicearam Francis, jogando-o para o outro lado da clareira. Um pônei musculoso de dois metros de altura saiu do trem, gritando gravemente e socando o ar à sua volta:

-Por Celestia, que porra é essa?!- Exclamou Louis

-Não importa, ATIRE!

Recuando e atirando, conseguimos enfim abater a criatura. Nos aproximamos ofegantes e suspiramos em uníssimo. Só depois nos lembramos de socorrer Francis:

-Você está bem? -Perguntei

-Claro...! -Disse, a voz falhando: -Ainda bem que sou indestrutível...

Seguimos sem mais impecilhos até uma fábrica de tijolos. Na porta de entrada, vimos novamente o desenho da casa:

-Estamos quase perto! -Exclamou Zoey.

Como a fábrica estava aos pedaços, tivemos que dar uma enorme volta para chegarmos à sala, mas fomos compensados com molotóvis e granadas especiais para zumbis, que emitiam luz e som. Nos certificamos de que não havia ficado nada para trás e lacramos a porta:

-Conseguimos... -Ofegou Louis: -Não acredito que conseguimos!

-Filho, isso foi só um passeio comparado ao que ainda resta... -Cortei-lhe.

Enfim tivemos um momento de descanso.