O Sacrifício
2 Capítulo 2 - Desembarque
Menos de dez minutos depois de entrarmos na sala, já estavamos deixando-a. O lugar era simples: encanamento exposto, luzes precárias, embalagens de comida e leite pelo chão e armas, muitas armas. Tinha também um ármario de primeiros socorros, onde pegamos todos um kit médico:
–First to aid, last to die...-Brinquei com as palavras
Saímos em outro galpão, desta vez cheio de tijolos, todos em cubos do nosso tamanho com o selo “Brian Bricks”. Caminhamos até o portão, que estava aberto, e cobrimos os olhos até nos acostumarmos com a luminosidade:
–Cara, esse lugar fede horrores!-Exclamou Louis
–Sim, estamos perto do porto onde desembarcam peixes e afins. Aposto que, com o incidente, deixaram a carga parada por MUITO tempo.-Explicou Zoey
Em meio aos tijolos, vimos um buraco na cerca de arame que contornava a propriedade. Passamos pela fresta sem problemas e saímos numa espécie de terreno baldio, com um grande lago no meio de onde saiam canos que se dirigiam às instalações ao seu redor:
–Vejam, podemos seguir por ali.-Afirmou Francis, apontando para uma janela quebrada do outro lado do terreno.
Entramos na construção e acabamos em uma garagem de oficina. O portão estava fechado. Decidimos seguir pela parte interna. Entramos na recepção do lugar e subimos uma escada até outro escritório.
Pela janela, já conseguia ver o alto da ponte do porto, nosso objetivo. Aproveitamos um caminhão de gasolina abandonado para descer do segundo andar. Seguimos por um corredor entre o mar e outras construções. Mais a frente, chegamos em uma espécie de piscina natural de água do mar, na qual estava encalhado um barco pesqueiro que havia nos ajudado um tempo atrás. Passando por ele, estavam mais construções e mais escritórios:
–Por Celestia, é realmente necessário essa quantidade de escritórios?!-Exclamou Louis
–Eu odeio escritórios...-Suspirou Francis
Seguimos pelo corredor de entrada e descemos as escadas da instalação. No andar de baixo, mais pinturas indicando o caminho para a segurança temporária:
–Estamos quase lá, não podemos desistir!-Bradou Zoey
–Garota, a esse ponto eu já desisti de quase tudo...-Respondi secamente
Mais a frente, escontramos a embarcação de frutos do mar, fonte de todo o mau cheiro:
–Estranho, não vimos nenhum infectado até agora...-Desconfia Louis
–Deve ser porque somos demais!-Concluiu Francis
–Talvez estejam apenas guardando o melhor para o final.-Corto-o
Avistamos uma montanha de carvão que dava acesso à esteira do navio:
–Talvez possamos seguir por ali. Não vejo outra alternativa.-Afirmou Louis
Subimos a montanha entre tropeços e quedas. Chegando no topo, corvos que estavam comendo um último cadáver fugiram assustados e fizeram o maior escândalo mas, surpreendentemente, nenhum zumbi veio ao nosso encontro:
–Aí tem coisa... E das grandes...-Digo, cuspindo no chão a bituca de meu cigarro.
Passando pela embarcação, percebemos mas embalagens de alimentos pelo chão, o que dizia que estávamos no caminho certo. Seguimos sem problemas até a sala segura, do lado do nosso destino.
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