O Sacerdote Impetuoso: Protegendo os Inocentes
17 Uma conversa informal

- O senhor aceita um café, Sr. Baek? – ofereceu o padre, tentando iniciar a conversa. – Acho que eles vão demorar um pouco para terminarem.
- Eu aceito. Obrigado, padre. – disse o homem, deixando o telefone de lado por um tempo e voltando a se sentar em uma das cadeiras da cozinha.
- Então, Sr. Baek, imagino que o senhor também esteja muito preocupado com o paradeiro e segurança da sua “priminha”, não é mesmo? – perguntou Kim Hae-il, finalmente, enquanto preparava duas xícaras de café solúvel instantâneo.
- Sim, padre. Depois da morte tão inesperada do meu primo, ficamos com o coração partido. Descobrir que uma pequena parte dele ainda vivia, trouxe muita alegria para a família. Os meus tios a adoram e por isso estão tão preocupados. Eu não podia ficar de braços cruzados enquanto a polícia investigava. Senti que eu também precisava fazer alguma coisa para ajudar a encontrá-la.
- Tem razão. Mas o senhor não acha que a decisão do Presidente Baek de querer tomar a menina da mãe é algo meio exagerado?
- O senhor pode achar isso, mas a Seo-jin agora é a única herdeira do Grupo Baek e precisa ser criada e orientada desde cedo para assumir suas responsabilidades no futuro e aquela mulher, que surgiu do nada, não comprovou que realmente tinha alguma relação afetiva com o meu primo. De início, eu até queria acreditar nas palavras dela, mas tudo leva a crer, que a menina tenha sido fruto de apenas uma noite de irresponsabilidade do Seok-jun com uma interesseira, que já tinha tudo planejado. Para nós, isso não passa de um golpe do baú, mas ela jamais conseguirá arrancar um centavo da minha família.
- É uma possibilidade… Eu só não entendi uma coisa. O senhor disse que a Seo-jin é a única herdeira do Grupo Baek, mas o senhor também não é um herdeiro?
- Bem, eu sou e não sou. – revelou ele, tentando explicar. – Apesar de a família Baek ter construído um império muito grande durante as últimas décadas, os irmãos Baek, que são o meu tio e meu falecido pai, não tiveram muitos herdeiros, apenas meu primo e eu. Com o falecimento dos meus pais, eu herdei a parte que cabia a eles, que não era muito. Eu me envergonho em dizer, mas meu pai era viciado em apostas, principalmente corridas de cavalos. Foi assim que ele perdeu praticamente tudo o que tinha e acumulou dívidas de empréstimos que fazia para jogar. O Seok-jun era quem estava sendo preparado desde pequeno para assumir o lugar do pai dele na presidência, mas aí aconteceu aquela tragédia que ninguém esperava e então eu acabei me tornando o herdeiro do meu tio também, mas com a chegada da Seo-jin, essa responsabilidade já não é mais minha. Meu tio planejava se aposentar dentro de um ano, mas com a morte do Seok-jun, ele precisou adiar essa decisão. Quando ele definir uma nova data, os acionistas decidirão quem ficará no lugar dele até a Seo-jin ter idade suficiente para assumir os negócios, já que ela é a herdeira direta.
- Perdoe a minha ignorância, mas é que eu não entendo muito desses assuntos. Então, nesse caso, o cargo não iria automaticamente para o senhor?
- Se eu fosse o herdeiro direto, sim, mas a Seo-jin tem prioridade. Eu, certamente, sou um dos candidatos, mas os acionistas podem nomear uma junta diretiva para comandar a empresa, caso não estejam de acordo com isso. Com a quantidade de ações que os meus pais me deixaram, eu não tenho muito poder. Apesar de ser o Diretor Executivo do Grupo Baek, eu sou só mais um empregado na folha de pagamento.
- Ah, eu não fazia ideia…
- A maioria das pessoas também pensa assim.
Enquanto conversavam, o telefone de Baek Ji-sung tocou novamente. Ele era realmente um homem muito ocupado.
- Com licença, padre. Eu preciso atender.
- Fique à vontade. Acabei de me lembrar que também preciso fazer umas ligações, mas minha bateria arriou completamente e eu só percebi agora a pouco. – disse ele dando risada, e mostrando que o aparelho estava realmente descarregado e sequer ligava. Com toda a correria que tinha sido para tirar a Maria de lá antes de a polícia chegar, ele ainda não tinha tido tempo de recarregar o aparelho. – Que cabeça a minha. Espero que ninguém tenha tentado me ligar nesse meio tempo.
O empresário sorriu e se retirou educadamente para atender à ligação do lado de fora, deixando o padre sozinho com seus pensamentos.
Depois daquela breve conversa, Hae-il, viu que algumas das teorias que vinha formando em sua cabeça poderiam não ser tão inverossímeis quanto pareciam inicialmente e ele ansiava por discuti-las com seus “companheiros de crime”, mas só poderia fazer isso depois que todos os visitantes indesejados estivessem bem longe.
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Do lado de fora da casa paroquial, Baek Ji-sung falava ao telefone, mas sem tirar os olhos da janela com as cortinas semiabertas, que dava para a sala e por onde ele permanecia observando o padre.
- Tudo resolvido? – perguntou o empresário, tentando conter a ansiedade.
- Sim, senhor. Tudo resolvido. – respondeu uma voz masculina grave do outro lado da linha. –Conseguiram terminar antes da chegada deles.
- Perfeito!
Baek Ji-sung desligou o telefone um pouco mais aliviado. Pelo menos “aquele” problema havia sido solucionado, mas ele continuava se recriminando por sua própria estupidez. Ele devia ter resolvido aquilo há dias, mas não deu importância, porque não pensou que a polícia inventaria de começar a investigar o caso de verdade. As coisas já não estavam saindo como o planejado desde o início e haviam ficado ainda mais complicadas depois da intromissão de um certo padre. Mas ele daria um jeito. Ele precisava dar um jeito.
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