O Sacerdote Impetuoso: Protegendo os Inocentes
16 Recepcionando a polícia

Mal tinham se passado quinze minutos da partida de Songsak, quando os religiosos escutaram o som das sirenes se aproximando. Eles ainda não sabiam ao certo como a polícia tinha chegado a conclusão de que a menina poderia estar na igreja, mas agora era a hora de atuar como nunca.
Antes que os policiais chegassem, Hae-il foi até a entrada da igreja para recebê-los.
Duas viaturas e um carro particular estacionaram diante dele. As sirenes foram desligadas e sete policiais, dentre eles Gu Dae-yeong, mais dois civis, desceram dos veículos.
Um dos policiais tomou a dianteira. Hae-il não o conhecia. Era o novo delegado, que havia assumido o cargo fazia pouco tempo.
- O senhor deve ser o Padre Kim Hae-il, de quem tanto ouvi falar. Estou certo? – perguntou o homem.
- Sim, sou eu. E o senhor é?
- Ahn Jae-ho, o novo Delegado de Polícia do Distrito de Gudam.
- Ah, sim! Prazer em conhecê-lo, Delegado Ahn. Já faz algum tempo que eu não vou à delegacia. Como vai CapitãoGo? Policial Cha, Policial Han, Policial Lee, Sargento Kang, Investigador Gu. Vocês estão bem?
- Sim, Padre Kim. – responderam todos educadamente, com uma reverência respeitosa.
- Parece mesmo que o senhor é bem famoso na delegacia, como me disseram. – surpreendeu-se o delegado com o fato de o padre conhecer todos os policiais pelos nomes. Nem ele tinha conseguido decorar o nome de todos os seus subordinados ainda.
- É que, às vezes, eu tenho alguns assuntos pra tratar por lá...
- Boa noite, padre. – cumprimentou um dos civis, que se aproximava deles.
- Boa noite. – respondeu Hae-il, educadamente. – Eu acho que já vi o senhor em algum lugar...
- Eu sou Baek Ji-sung…
- Ah! – estalou os dedos animadamente. – É o sobrinho do Presidente do Grupo Baek, né? Eu sabia que já tinha te visto. Foi na televisão.
- Isso mesmo.
- Mas a que se deve essa visita de tantas pessoas ilustres na minha humilde paróquia?
- Trouxemos um mandado de busca. Podemos entrar? – revelou o delegado, o que o padre já sabia.
- É claro. Mas o senhor poderia me dizer qual é o motivo dessa busca e por que tem civis participando dela?
- Nos deixe entrar, que conversaremos lá dentro.
- Pois não. – concordou Hae-il, enquanto olhava para Gu Dae-yeong, que não conseguia disfarçar o nervosismo e a cara de angústia.
Todo mundo entrou na casa paroquial e o espaço ficou pequeno para tantas pessoas. O Delegado, o Capitão, Dae-yeong e o Sr. Baek foram convidados a se sentarem à mesa da cozinha, enquanto os demais policiais, o motorista do Sr. Baek, o Padre Han e a Irmã Kim, tiveram que acompanhar a conversa entre eles, em pé.
- Bom, Padre Kim. – começou o delegado Ahn. – Pelo que o Investigador Gu nos passou, o senhor já está ciente do caso do desaparecimento da neta do Presidente Baek.
- Sim. A essa altura, eu acho que todos no país devem estar sabendo.
- É verdade, mas de acordo com o Investigador Gu, o senhor está realmente interessado no caso, e foi, inclusive, sem permissão, com ele até a casa da Srta. Yoon, onde vocês encontraram algumas pistas de que ela, pode não ter fugido com a menina por vontade própria, mas sim, obrigada.
Hae-il direcionou seu já conhecido olhar matador para o amigo policial, ao descobrir que ele tinha contado detalhes desnecessários da sua pequena aventura não autorizada, mas logo depois sorriu, disfarçadamente. Por um segundo, Dae-yeong quis fugir de lá, mas imaginou que estivesse seguro momentaneamente, pois sabia que não iria apanhar do sacerdote ali na frente de todos. Se estivessem sozinhos, aí a conversa seria outra...
- Eu reconheço que passei um pouco da conta, mas é que eu sou uma pessoa muito curiosa. A minha preocupação sempre fala mais alto do que a minha razão quando a segurança de crianças está em jogo, e também, algumas coisas desse caso não me pareciam certas... Conversando com o meu amigo aqui, o Detetive Gu, me veio a ideia de ir dar uma olhada na casa, mas nós só entramos porque as portas estavam abertas…
- Só porque estavam abertas. – reiterou Dae-yeong pela enésima vez, para que ficasse bem claro que não havia sido uma invasão, caso alguém ainda tivesse alguma dúvida.
- Sim, detetive. Eu já tinha entendido das outras dez vezes que você mencionou isso. – respondeu à intromissão do policial, mas logo retornou à conversa com o padre. – Ele também nos mostrou as imagens da câmera de segurança do mercadinho vizinho, que vocês conseguiram sem um mandado...
- É… como eu disse, eu sou muito curioso, e as senhoras, donas do estabelecimento, foram muito gentis ao atenderem ao nosso pedido para ver as imagens.
- Estou vendo. Mas a partir de agora, deixe o trabalho policial para a polícia. – disse o delegado de forma leve, mas fazendo-se entender de que aquilo havia sido uma ordem.
- Sim, senhor. Pode deixar. Não vou mais me intrometer. – concordou o padre, mesmo não tendo a mínima intenção de cumprir a promessa. Era melhor concordar, para evitar mais problemas. Um pecadinho leve. – Eu sei que o que fizemos não foi certo, mas vocês vieram aqui com tantos policiais, só por essa nossa transgressãozinha?
- Não, não foi por isso. Foi porque o Sr. Baek, como membro da família, também está fazendo uma investigação paralela a pedido do seu tio e descobriu que naquela noite, a rota de fuga da Srta. Yoon passou por aqui, e imagens apontam que, pouco depois de ela ter passado próximo a sua igreja, a menina simplesmente desapareceu.
- Não me diga! Então vocês acham que…
- Exatamente, padre. Achamos que ela pode ter deixado a menina aqui para poder continuar fugindo.
- Bom, senhores, eu queria muito ajudar, mas eu realmente não faço ideia de onde a Srta. Yoon possa ter deixado a filha, mas posso assegurar que, infelizmente, a menina nunca esteve aqui. – mentiu Hae-il, descaradamente, mais uma vez, enquanto o Padre Han e a Irmã Kim assistiam à conversa, roendo as unhas de nervosismo e rezando para que os policiais se contentassem em interrogar apenas o Padre Kim e deixassem eles bem quietinhos onde eles estavam. – Mas fiquem à vontade para procurar, tanto aqui, quanto na igreja. Também podem ir até o orfanato que gerenciamos. Fica bem perto daqui. Não temos nada a esconder.
- Entenda que precisamos checar todas as possibilidades...
- Mas é claro. Façam o que vocês tiverem que fazer.
Sem encontrar objeção por parte do padre ou de qualquer outro membro do clero, a polícia iniciou seus trabalhos. Metade dos homens seguiu para a igreja, guiados pelo Padre Han, enquanto o restante iniciou a investigação na casa paroquial, acompanhados da Irmã Kim. O empregado do Sr. Baek também acompanhou todo o trabalho dos policiais bem de perto.
Dae-yeong não conseguiu falar com Kim Hae-il como gostaria, mas ao ver que o padre se manteve tranquilo durante toda a conversa com o delegado, ele deduziu que seu mensageiro improvisado havia chegado a tempo.
- Songsak… – cochichou Dae-yeong, quando todos saíam para começar a investigação.
- Recebido… – cochichou Hae-il de volta. Foi suficiente para que eles se entendessem.
Enquanto os policiais faziam o seu trabalho, Hae-il ficou sozinho na companhia de Baek Ji-sung. Ao observar aquele homem jovem, elegante e, aparentemente, bastante atarefado, porque não saía do celular, Hae-il ficou curioso e resolveu que era hora de puxar conversa. Talvez ali ele conseguisse entender um pouco melhor o que de fato estava acontecendo dentro da Família Baek.
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