O Sacerdote Impetuoso: Protegendo os Inocentes
14 Embate com os poderosos

- Sr. Baek, não o esperávamos aqui. – disse o delegado, sem jeito, ao reconhecer o visitante ilustre.
- Eu venho em nome do meu tio, para pedir novamente a ajuda de vocês. – revelou o rapaz, educadamente. – Como o seu detetive acabou de dizer, eu realmente andei investigando por conta. As imagens as quais eu tive acesso não indicam que a Srta. Yoon estivesse sendo perseguida, mas depois de ouvir parte do relato do seu detetive, admito que, embora eu não acredite muito, talvez exista essa possibilidade. Contudo, assim como existe a possibilidade de ela ter sido obrigada a fugir com a menina, também existe a possibilidade de tudo não ter passado de uma encenação para as câmeras e isso precisa ser investigado. Mas eu também descobri outra coisa muito interessante, que o seu detetive omitiu ou parece não estar ciente: a In-a não está mais com a Seo-jin.
- Como assim, Sr. Baek? – inquiriu o delegado, confuso. – Se o bebê não está com a mãe, onde ele estaria?
- Se formos seguir pela linha de raciocínio do investigador, podemos apenas supor que ela estivesse sendo perseguida, mas se esse for mesmo o caso, não sabemos o motivo dessa perseguição. – disse Baek Ji-sung, ainda sem aceitar inteiramente a opinião de Dae-yeong sobre os fatos. – Mas nas outras imagens, que aparentemente apenas nós obtivemos e seu detetive, não, nós vimos que ela e seu cúmplice seguiram em direção à Catedral de Gudam, só que nas imagens seguintes, a menina já não estava mais com ela. Imaginamos que ela pode ter abandonado a pobre Seo-jin na igreja.
- Na Catedral de Gudam, é? – inquiriu o delegado, disparando um olhar atravessado para o Detetive Gu, que não sabia onde enfiar a cara depois de ouvir aquilo. – Investigador Gu, essa não é a igreja daquele seu amigo curioso, o Padre Kim? Ele, por acaso, não te disse nada a respeito, disse?
-Er… sim, é a paróquia dele… mas ele não mencionou nada sobre isso. Ele só se intrometeu no caso, porque ficou muito preocupado com o sumiço da mãe e da filha.
- Que interessante saber que ele tem um contato assim tão próximo com a polícia. – animou-se Baek Ji-sung. – Acho que com a minha denúncia, vocês não terão problemas em conseguir um mandado para vasculhar o lugar. E acredito que em se tratando de um conhecido seu, ele não vai dificultar o trabalho dos policiais, não é mesmo, detetive?
- Não, ele não vai. – respondeu o Dae-yeong, tentando demonstrar confiança. – Mas apenas a sua denúncia, baseada no seu achismo, não é motivo suficiente para pedirmos um mandado de busca contra o Padre Kim e a paróquia. Precisamos investigar antes se a sua denúncia tem fundamentos.
- Ora, mas temos pistas que nos levam até lá. – insistiu o visitante. – Eu trouxe comigo cópias das imagens que assisti, e vou entregá-las como provas, assim os senhores podem verificar por si próprios. Acho que, como sendo um Homem de Deus e seu amigo, ele não se oporia a darmos uma olhada por lá, ainda mais se, como o senhor mesmo disse, ele está tão interessado no andamento do caso...
- Tem toda razão, Sr. Baek. – concordou o Delegado Ahn. – Nós, da Delegacia de Gudam, da Divisão de Crimes Violentos, também estamos entrando neste caso com força total e diga, por favor, ao Presidente Baek, que faremos de tudo para encontrar a netinha dele e a traremos de volta sã e salva para a família.
- Eu direi, Sr. Ahn. Obrigado pelo apoio incondicional à família Baek. Meu tio conversou diretamente com o Comissário e pediu, como um favor pessoal, que eu fosse autorizado a acompanhar as investigações e ele, gentilmente, permitiu a minha presença. Acredito que em breve o senhor será notificado oficialmente quanto a isso. Nós sempre sabemos reconhecer e agradecer devidamente àqueles que nos ajudam nos momentos de crise.
O Delegado Ahn, abriu um sorriso enorme ao ouvir àquelas palavras, já pensando nos benefícios que teria, caso sua equipe fosse realmente a responsável por resolver um caso daquela magnitude. Como o Detetive Gu havia dito, além de cair nas graças da poderosa Família Baek, isso poderia lhe render uma promoção.
Assim que o Diretor Baek entregou as imagens que tinha trazido, todos, incluindo Dae-yeong, se amontoaram novamente atrás da mesa do delegado para assisti-las. Ele tinha imagens de duas câmeras de estabelecimentos diferentes e realmente elas mostravam o que ele havia relatado. Na primeira delas, a mulher, carregando o bebê, e o homem vestido de preto, seguiam na direção da igreja, mas nenhum suspeito aparecia em seu encalço. Estavam na calçada, a poucos metros de distância de lá. Já na imagem seguinte, com dez minutos de diferença entre elas, apenas apareciam a mulher e o homem. Sem sinal da criança. A denúncia apresentada por ele era bastante coerente e Dae-yeong não teve como refutá-la depois de ver aquilo, porque seria ainda mais suspeito da parte dele se fizesse isso.
- Capitão Go, peça agora mesmo um mandado de inspeção para a Catedral de Gudam e para a casa paroquial. – ordenou o Delegado Ahn, assim que assistiu as imagens trazidas por Baek Ji-sung.
- Sim, senhor! – obedeceu imediatamente o capitão, que saiu correndo para atender o pedido do superior, enquanto Dae-yeong acompanhava toda a ação em silêncio.
“Por que esse cara tinha que aparecer justo agora? Eu preciso avisar o Padre Kim!” – pensou Gu Dae-young, preocupado. Ele sabia que todos na igreja estavam tomando cuidado, mas eles não conseguiriam esconder a menina de uma inspeção surpresa da polícia. O único jeito seria tirá-la de lá o mais rápido possível.
Ele pensou em sair discretamente para fazer uma ligação, mas todos os olhares pareciam estar sobre ele depois de saberem de sua conexão com o padre supostamente envolvido no caso. Sua ausência chamaria a atenção e poderia incriminar ainda mais o Padre Kim. Pensou, então, que enviar uma mensagem de texto fosse uma solução mais discreta. Pegou o telefone e o colocou sobre as pernas, encobertas pela mesa, e começou a escrever sem nem conseguir ver direito o que estava digitando. Ele enviou a mensagem, mas por algum motivo, o destinatário não a estava recebendo. “Mas que droga, Kim Hae-il! Por que desligou a porcaria do telefone?” – irritou-se com o padre em pensamento.
Ele precisava avisá-lo com urgência, mas não sabia mais como fazer isso, até que um enviado do Senhor, com um forte sotaque tailandês, entrou na delegacia e fez o sorriso do policial se iluminar. O aviso seria feito à moda antiga.
- Entrega de comida para os senhores policiais! – disse Songsak, o entregador do restaurante chinês, assim que entrou na delegacia. Os policiais esfomeados imediatamente o cercaram para pegarem seus pedidos, enquanto ele retirava animadamente as marmitas de sua bolsa térmica.
Enquanto os colegas se distraíam recebendo suas marmitas, Gu Dae-yeong aproveitou para escrever rapidamente um bilhete, também com o papel sobre as coxas e as mãos escondidas embaixo da mesa, e tratou de entregá-lo a Songsak, quando foi pegar seu pedido de jajangmyeon. Ele se aproximou do entregador ecochichou em seu ouvido, enquanto enfiava o pedaço de papel no bolso de sua jaqueta.
- Disfarça e leva esse bilhete voando pro Padre Kim. – falou o detetive, enquanto sorria e disfarçava ao pegar sua marmita.
Songsak levou alguns segundos para entender o que estava acontecendo, mas também disfarçou e continuou sorrindo, como era de seu feitio, até finalizar a entrega. Antes de sair, fez um sinal para o policial de “ok” com a mão, não muito discreto, avisando que tinha entendido sua missão. Por sorte ninguém percebeu sua atitude suspeita.
Assim que saiu da delegacia, subiu em sua moto de entregas e partiu o mais rápido que pôde para a igreja, mas sempre respeitando exemplarmente as leis de trânsito. Ele fazia questão de ser um condutor modelo.
Songsak, que já haviaexercido um cargo de grande responsabilidade em sua terra natal, sendo um dos guarda-costas da família real tailandesa, mas demitido por uma injustiça,agora morava na Coreia e trabalhava humildemente como entregador de um restaurante de comida chinesa para ajudar a sustentar os pais e seus 8 irmãos, que moravam na Tailândia.
O falecido Padre Lee tinha sido um dos poucos a lhe tratar com respeito quando ele chegou ao país e por isso, ele sentiu muito sua morte. Songsakfoi uma das pessoas que ajudaram o Padre Kim a desvendar todo o mistério do crime. Ele também passou a respeitar muito o sacerdote impetuoso, não somente pela pessoa que ele era, mas também o admirava como guerreiro. Ambos eram exímios lutadores, mas possuíam estilos de luta diferentes. O Padre Kim exibia principalmente habilidades de Taekwondo, enquanto Songsak era adepto da principal arte marcial de seu país, o Muay Thai. Depois de enfrentarem os criminosos juntos, ele jurou que se, algum dia, o Padre Kim estivesse precisando de ajuda em algum momento, seja qual fosse o motivo, ele estaria lá.
Ele não sabia o que tinha acontecido, nem qual era o conteúdo da mensagem que estava encarregado de entregar, mas se era do Detetive Gu para o Padre Kim, certamente era importante.
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