O Réquiem de um Homem Morto
4 Eu lembrei da Minha Morte
Na minha fuga acabei por lembrar
do meio, o motivo e o dia de eu me matar.
Não poderia ficar aconchegado
sentindo daquela faca o cabo
que no meu coração havia penetrado;
O motivo para mim era aparente
aquela paixão que veio como acidente.
Nem o primeiro olhar pude desviar.
Concluí que aquilo era o dito “amar”.
Ninfa que não podia ser alcançada
era a imagem dela por mim criada.
Não podia cogitar uma declaração,
mas a ela dediquei de amor uma canção
e depois parti sem compunção.
A única esperança na qual me atinha
era que talvez em uma outra vida,
de todas, a corda que eu escolheria
à minha amada me guiaria.
Mesmo que não fosse destinado,
para o fardo estava preparado.
E antes de perceber
por primeiro vou ascender.
E quando chegares à minha frente
Vou ter em mente: Bem-vinda,
espero que tenha aproveitado a vida,
mas vou mostrar que a morte pode ser linda.
Mesmo se não for para acontecer,
se a corda for errada ou corrompida,
se o caminho certo fosse a vida,
ser a minha existência esquecida,
se não houver uma paixão ardida,
mesmo se eu não a amar como devia,
estou certo que num certo dia
de mãos dadas tu me guiaria
para um começo, uma tentativa.
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