O Réquiem de um Homem Morto
5 Eu Cantarei o Meu Réquiem à Morte
Repugnar qualquer ação
É apenas um ato em vão.
Respiro sem querer
Escuto sem querer
Vejo sem querer
Mas parei de andar.
Finalmente a morte posso aceitar,
dentro dos seus pequenos braços
para um mundo melhor vou passar.
Demorei a entender o que deveria fazer,
tentar viver é a mim próprio contradizer.
Não demorou para sentir,
da mesma lâmina o cabo me ferir.
Só poderia ser ela,
aquela quem me mataria.
Com arma, com intenção,
ação e uma reação,
frente a mim estava ela
que parada permanecia.
Que aquela era a Morte eu sabia.
Agora sei como eu sabia.
Sabendo daquilo tudo,
eu agora entendia.
“Nesse palco de uma única luz,
usa teu fulgor pra me iluminar
agora que eu parei de brilhar.
Mesmo sem meu brilho que acabou
haverá nesta chama um calor.
Pressiona tua arma com força,
sinta que ele ainda pulsa.
Estou morto, logo não pulsa por vida,
ele anseia por uma paixão,
só pode ser teu meu coração.
Tu me deste um motivo para seguir,
um lugar para o qual devo ir.
Hoje não preciso mais buscar
pela bela utopia que assenta distante.
Quando eu fechar meus olhos
a contemplarei num instante.
Acabei por deixar ela suja,
a faca que me perfura.
Talvez posso a limpar
se eu continuar chorar.
Meu tempo aqui é indeterminado,
quero que tudo possa ser terminado
em um último quente abraço, pois
se meu caixão é como tu,
quente e confortável, a morte
já deveria ter experimentado.
Agora carregue-me contigo
como um sentimento antigo.
Até o dia em que nos revermos,
saiba que agora parto sorrindo.”
Com a vida já não mais me importo.
Hoje ganho uma esperança e um sonho,
os quais não são ilusórios.
Por que deveria seguir com meu corpo
se um dia eu vou revê-la como um morto?
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