O Retorno do Guarda-roupa.
2 Capítulo 2 - Finalmente as explicações.
Gabriel e Maria sentiram-se muito bem naquela clareira, pois, como já devem ter imaginado, estavam congelando depois de duas horas e meia na neve que passara. Na verdade, se não fosse pelo pelo da onça os esquentarem, não teriam aguentado até ali.
– Pronto, crianças – disse a onça – aqui podemos falar melhor. Deixem-me apresentar-me: Meu nome é Esmeralda. E não se preocupem, eu já sei os seus nomes.
– Como sabe? – perguntou Maria.
– Irão entender! – foi só o que disse Esmeralda com um sorriso, e virou-se para Gabriel dizendo: – Senhor, deve estar cançado. Se quiser, eu deixarei de bom grado, que o senhor subisse em minhas costas para a caminhada até a caverna.
– Não precisa, obrigado – disse Gabriel que ainda não tinha total confiança na onça.
– E você, senhorita? – perguntou Esmeralda para Maria.
– Eu aceito, obrigada – respondeu Maria subindo nas costas da felina. Estava tão cansada que quase dormiu lá em cima.
Os três seguiram em frente. Rumo a caverna.
– Esmeralda – chamou Gabriel – Qual o único jeito que disse de voltar para casa?
– Assim como as crianças do passado, encontrando Aslam – respondeu Esmeralda – Mas asntes terão de acontecer muitas coisas.
– Então não voltaremos hoje.
– Concerteza não.
– O que teremos de fazer?
– Saberão logo.
Então se calaram. Gabriel tinha medo do que podia acontecer, mas não disse nada.
Gabriel notou que a clareira era realmente enorme. Como nenhuma outra poderia ser. O menino sentiu algo duro embaixo de seus sapatos. Diferente da relva macia. Era terra (não terra comum, era uma terra dura, seca, e morta). Notou que tinha uma forma em meio a grama. Que se estendia em uma palvra. Um nome: Susana. Mas a frente havia outra palavra: Reis e a diante: Paravel. Não fazia sentido algum. A principio, Gabriel achou que fosse algo escrito em uma língua desconhecida. Mas depois percebeu, pela distância de uma palvra para outra, que estavam faltando palavras ali, provavelmente apagadas pelo tempo.
Ao ler o nome Susana, Gabriel lembrou-se das quatro crianças que lutaram com a feiticeira, e pediu:
– Conte-nos sobre as quatro crianças que lutaram com aquela feiticeira, Esmeralda.
– Oh! Sim... Espere. Como sabem disso? – espeantou-se Esmeralda.
– O guarda-roupa nos contou – disse Maria.
– Oh, sim! O mesmo guarda-roupa que trouxe nossos reis e rainhas do Tempo de Ouro de Nárnia... – então, Esmeralda contou a história O leão, a feiticeira, e o guarda-roupa para as crianças.
– Que bom que esta feiticeira foi derrotada! – excalmou Gabriel depois que a história acabou.
– Derrotada sim. Morta realmente não. Alguns anões ainda tentam traze-la de volta, sem sucesso algum. Mas dizem que quando todos os países estiverem em paz no mesmo momento, e a maioria dos narnianos acharem que não precisam mais de Aslam, ela voltará.
– Espero estar bem longe daqui quando isso acontecer – disse Gabriel.
De repente uma luz invadiu seus rostos. Estavam na boca da caverna.
– Oh! – exclamou Maria com a visão mágica que teve:
A luz vinha de uma enorme fogueira, que iluminava toda a caverna. Criaturinhas meio homem, meio bode, com pequeninos chifres na cabeça, e uma cauda entre as patas – Faunos! – Dançavam e tocavam flauta ao redor do fogo. Atrás deles haviam anões, sentados em cima de pedras que lhes seviam como cadeiras. E ao lado, animais de vários tipos deitados no chão.
Maria desceu das costas de Esmeralda. Quando perceberam as crianças, os faunos pararam de dançar e tocar. Os anões levantaram-se num salto. E os animais espicharam os pescoços para ver melhor.
– Irmãos, eu os apresento os Filhos de Adão e de Eva, da profecia – disse Esmeralda em voz alta, e foi deitar-se ao lado de suas irmãs onças.
As crianças ficaram paralisadas. Não gostaram nada de quando Esmeralda saiu de seu lado. Sentiram-se desprotegidas sem ela.
– Ora, Esmeralda! – gritou um anão – Todo Filho de Adão que você encontra, você o trás para cá. Como vamos saber se são eles?
– Mas eu os encontrei no Ermo do Lampião. E a velha árvore do lampião acabou de cair na neve.
Todos arregalaram os olhos. Então um pqueno fauno aproximou-se e perguntou:
– Quais seus nomes, crianças?
– Meu nome é Maria – disse a menina.
– Eu sou Gabriel – respondeu o menino.
Todos arregalaram os olhos mais uma vez.
– São eles! Estamos salvos! Pela juba do leão! Viva o grande leão! Viva Aslam! Obrigado Aslam! – gritaram todos.
– Senhores – disse o pequeno fauno com uma grande reverência – Meu nome é Lumnus. Acompanhem-me, vou dar-lhes o que comer. E para se esquentarem, uma pele de... pele! – Não completou a frase pele de urso, por respeito aos ursos ali presentes.
Gabriel e Maria comeram carne de veado e tomaram suco de uma fruta desconhecida em nosso mundo. Eram só o que aquelas pobres criaturas tinham.
Quando acabaram de comer, um velho anão, cuja a barba lhe batia nos pés, surgiu não se sabe daonde.
– Filhos de Adão e Eva estão mais uma vez em Nárnia – disse o velho anão – Finalmente esta terra volta a ser boa. Olá, crianças. Meu nome é Korian. Espero que estejam prontos para dormir, pois quanto mais cedo dormimos, mais cedo amanhece o dia. E amanhã terão todas as explicações que precisam.
– Não! – gritou Esmeralda – Quero dizer... Temos que adiantar logo isso. Não contei, mas antes que eu chegasse para pega-los, uma outra onça traidora já havia os visto. Já deve estar a caminha de Cair Paravel. Deve chegar em três dias e avisar os inimigos.
– Oh! Deveria ter contado logo isto, Esmeralda. Rápido. Todos em volta da fogueira.
Todos correram para a fogueira. Gabriel e Maria ficaram ao lado esquerdo de Korian no circulo, e Esmeralda ao lado direito. Ao lado de Esmeralda, Lumnus, que observava atentamente.
– Finalmente as explicações – começou Korian – Sei que estão muito confusas, crianças. Deixe-me começar: Depois que as estrelas cairam do céu, e o mar levantou-se sobre a terra, Aslam levou para seu país os reis Pedro e Edmundo e a rainha Lúcia – Susana não foi, pois depois de sua ultima vinda a Nárnia, lembrava deste mundo apenas como um sonho – e junto com eles, vários outros narnianos que estavam de seu lado, os narnianos bons. Neste mundo só ficaram os narnianos mals, que odiavam Aslam (anões mals, dragões, largatos gigantes), e logo este mundo já não existia mais. Porém, este mundo era tão cheio de magia, que tudo foi se refazendo. Em pouco tempo aquela Nárnia estava de volta. Tudo resnaceu. Mas como só quem ficou neste mundo foram as criaturas perversas, quem reinou em Cair Paravel foram os anões, que estavam em maior número naquela época. E dominaram todos os animais. A maioria dos dragões e largatos gigantes fugiram para seus habitats naturais. Mas os anões de Cair paravel são muito mals, tratam o povo de Nárnia como escravos e matam sem piedade. Nárnia estava condenada a um destino de sofrimento eterno. Porém, nesta clareira, onde faça Inverno ou Outono, sempre está com o tempo bom, depois que a água baixou, jazia escrito:
Este mundo renovou-se, porém é tão cheio de maldade, que não é digno da presença de Aslam. Este povo sem Aslam sofrerá uma miséria horrivel. Mas chegará um dia, em que um filho de Adão chamado Gabriel, que significa, enviado pelo grande leão, e sua irmã Maria, irão salvar este mundo da opressão e todos os que estiverem do meu lado até lá. Então reinarão em Cair Paravel, pois são descendentes da rainha Susana, e por tanto reis de Nárnia, e senhores de Cair Paravel. Ajudem-os quem estiver do meu lado e serão recompensados. Numa noite de inverno, quando a árvore Lampião cair, eles entrarão pela mesma passagem dos reis e rainhas do Tempo de Ouro.
Então até hoje estamos aqui esperando por vocês. Passando de geração a geração esta espera. E desde então se vive uma era horrivel em Nárnia, mas vocês finalmente chegaram. Tudo vai começar a mudar agora.
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