O Retorno Dos Seis
3 Capítulo 3 - Londres, Inglaterra
Notas iniciais
Tento achar meu celular o mais rápido possível. Procuro “John” nos contatos, mas acho o número antigo, de 5 anos atrás, o que me faz pensar que as chances de ele atender é igual a zero. O número chama, mas ninguém atende. Para minha surpresa a caixa postal consta no nome de John Smith. Minhas esperanças aumentam impressionantemente. Sei que ele ainda tem o mesmo número de antigamente, se ele atendesse uma vez poderia encontrá-lo. Arrumo minhas malas, pois quero sair daqui o mais rápido possível, e pego uma de minhas câmeras. Sei que é idiota, uma menina com uma câmera na mão entre guerreiros de outro planeta, mas é uma desculpa para meus pais e para a polícia dos Estados Unidos.
Como já fui pega pelo FBI, todo cuidado é pouco. Após John me deixar aqui, me preparei para tudo. Falsifiquei documentos, inventei desculpas. Igual quando ele chegou. Pego os papéis em uma gaveta e vejo o que me agrada mais. Entre Madison Manson e Alice Torn, escolho Madison. Coloco-os em uma bolsa e jogo na mala. Passo pelo centro de Paradise, e penso em um detalhe importante. Se quero parecer outra pessoa, preciso mudar quem eu sou. Vou ao cabeleireiro, e corto meu cabelo bem curto. Um pouco acima dos ombros. Continuo loira, mas com mechas rosa nas pontas. Perfeito. O que nunca tive coragem de fazer, fiz hoje.
Quando estou prestes a entrar em casa, meu celular vibra. Olho para o visor com esperança de ler “John”, mas era só meu pai perguntando se eu ia jantar com eles. Digo que não, pois irei viajar amanhã para fazer um curso de fotografia na Europa. Desligo, e quando estou prestes a entrar, ouço um carro buzinando. Mark, com um de seus amigos. Ele para e pergunta se não quero ir jogar boliche. Não sei o que responder, não saio para me divertir há quase três anos. Penso muito antes de respondê-lo, e decido que vou. Peço para ele esperar um pouco, vou até meu quarto, pego um casaco e bato a porta. Entro no carro e Mark acelera. Conversamos um pouco, até quando o amigo de Mark liga o rádio e começa a cantar. Entro na brincadeira e canto também, o que eu acho completamente bizarro.
Ao chegar, não há muitas pessoas jogando, só algumas ex-alunas da escola. Pedimos uns refrigerantes e começamos a jogar. Eu e duas meninas, contra Mark e seus dois amigos. Começo a perceber que Mark não para de me olhar, a não ser na hora em que ele vai jogar. Mas não deixo isso me afetar e continuo a dar risada. Na minha vez, pego uma das bolas de peso médio, e acho leve demais. Pego uma com um peso mais elevado, mas continua leve. Até que pego a mais pesada de todas, as que os meninos mais fortes usam, e parece que estou segurando uma bola de isopor. Pego essa mesma, e jogo o mais forte que consigo. A bola vai em uma velocidade e força que eu nunca tinha visto. Todos na pista param e olham, surpresos, por uma menina tão baixinha e fraca conseguir jogar com a bola mais pesada de todas. Nunca me imaginaria fazendo isso. De alguma forma, me sinto mais forte. Decidida, mas assustada. Mark se impressiona e fala quase gritando:
– Uau Sarah! Muito bom!
– Obrigada Mark. Nunca pensei que pudesse jogar assim...
– Mas foi ótimo! Parabéns...
Estamos no meio da segunda partida, até que Mark vem se sentar ao meu lado. Ele começa a falar:
– Estou muito feliz que tenha vindo hoje. Faz tempo que não a vejo se divertindo assim...
– Também estava sentindo falta de me divertir assim...
Me sinto desconfortável. Mark sabe que ainda namoro John. Ele até admitiu isso no restaurante outra noite. Realmente não sei o que ele espera ganhar com isso.
Ele começa a se aproximar mais, e eu me afasto. Ele me olha fixamente, e me puxa para perto. Na tentativa de me beijar, o empurro para trás, quase dando um tapa em seu rosto. Ele parece confuso e envergonhado. Todos da turma olham, mas quando percebem que estou olhando para eles, disfarçam.
– Olha Mark, você sabe que amo John. E eu realmente o amo. Não adianta você tentar ser legal, mesmo que seja de verdade, eu nunca o trairia. Nunca. E você sabe disso... Você me falou que nos respeitava aquele dia no restaurante, porque está tentando fazer isso?
– Sarah, eu te amo. Não consigo tirar você da minha cabeça. Agora é pra valer, eu juro.
– Desculpe Mark, mas você já devia saber que eu não estou disposta a namorar ninguém além de John.
– Mas... Vocês não se veem a cinco anos! Ele te esqueceu Sarah, mas eu não, eu nunca te esqueci...
– Mark, me desculpa. Não deveria ter aceitado vir aqui hoje... Eu vou pra casa. Tchau...
Pego minha bolsa e saio do boliche. Enquanto espero um táxi, pego meu celular e envio uma mensagem para John.
John, eu realmente sinto muito sua falta. E não sei o que está acontecendo entre nós, mas precisamos conversar. Eu te amo. Sarah.
Hesito antes de apertar em “enviar”. Mas mesmo assim aperto. Um pouco depois, já dentro do táxi indo pra casa, meu celular toca. Olho imediatamente, mas era só um a aviso de que a mensagem não pôde ser enviada, pela falta de saldo e por o celular estar em outro país. Mesmo a mensagem não ter chegado a John, isso me foi útil. Sei que ele não está mais nos Estados Unidos e que posso encontra-lo. Peço para o motorista me deixar na escola de Paradise, e dou uma gorjeta a ele, por mudar o destino tão rapidamente.
Lembro que na sala do diretor, a uns dias atrás, usando o computador dele, abri um programa de rastreamento de celular, o porque dele ter isso lá eu não sei, mas que foi útil, foi.
Coloco o número do celular de John, e rapidamente na tela do computador uma luz vermelha brilha. Sua localização é Londres, Inglaterra.
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