O Retorno Dos Seis

4 Capítulo 4 - Encare os fatos


Notas iniciais
Oi gente! Mais um capítulo de O Retorno dos Seis! Aproveitem e amanhã tem mais hahaha :)

Meu corpo gela. Afasto-me rapidamente de Seis, levanto e viro para Nove. Sua cara de espanto me envergonha. Ele tenta falar alguma coisa, mas continua apenas nos encarando. Pelo canto do olho vejo Seis levantando. Percebo que sou um lixo de pessoa e namorado. Como pude fazer isso com Sarah? Tenho vontade de encontrá-la agora e contar o que aconteceu.

Seis passa por mim e por Nove, saindo da sala e fechando a porta. Nove da um sorriso gelado, e me olha feio. Como se quisesse acabar comigo agora, em vez de deixar isso para os mogs. Ele começa a se aproximar e tenta me acertar um gancho de direita. Eu desvio, e o jogo para trás com minha telecinesia. Ele parece furioso. Não, ele não parece, ele está furioso. E tem razão de estar. Ele gosta de Seis, sei disso. Mas fui um péssimo amigo e a beijei. Trai a Sarah e a Nove. Não o encontro na sala e sem perceber, ele me apunha-la pelas costas com uma faca pequena. Grito de dor, e caio. Sinto o sangue jorrar pelo chão, e Nove se aproxima, boquiaberto por ver o que tinha acabado de fazer.

– O que você fez? – Grito.

– Me desculpa John. Eu não devia... –

– Agora você pede desculpa? Agora, que eu estou ferido, sangrando e provavelmente morrendo! – Estou furioso. Como Nove pôde fazer isso? Sei que merecia, mas não merecia tanto assim.

– Calma Johnny... Vou chamar Marina, ela vai resolver isso. –

Concordo com a cabeça, mas sinto que vou apagar. A última coisa que vejo é Marina correndo em minha direção, e Seis brigando com Nove. Agora, vejo apenas escuridão. Como no último pesadelo, Setrákus Ra está lá. Mas Sarah não. Dessa vez é Seis, que o derruba e o mata com sua faca lórica. Ela vem em minha direção, me abraça e me beija.

Acordo no susto, com Nove gritando. Estou em minha cama, com lençóis brancos, que imagino estarem um pouco sujos de sangue agora. Passo a mão em meus cabelos castanhos, com mechas loiras, tentando pensar no que acabou de acontecer. Sarah vai me matar... Mas Herin disse que um dia terei de abandoná-la. Mas não será hoje, nem amanhã, nem quando eu a reencontrá-la. Um dia voltarei a Lorien, mas levarei Sarah. Vou levá-la em meu coração, eternamente.

Me perco nos pensamentos, até que ouço Seis e Nove discutindo. Eles gritam tão alto que é capaz de acordarem a Rainha... Consigo ouvir um pouco da conversa.

– Você sabe o que acabou de fazer, Nove? Você quase matou John! –

– Seis, eu peguei vocês se beijando! Ele tem namorada, lembra? –

– Lembro! Mas porque você o atacou? Achei que vocês fossem amigos! –

– Amigos de verdade não beijam a menina que o outro está a fim! –

Um silêncio invade a sala, e sinto alguém vindo em direção ao meu quarto. Fecho os olhos, e finjo estar dormindo. Alguém se senta ao meu lado, e eu “acordo”. Seis olha pra mim, e passa o polegar em minhas sobrancelhas. Lembro-me mais uma vez de Sarah. Com uma culpa no coração, afasto a mão de Seis, olhando fixamente para ela. Ela levanta, abre a porta do quarto, saio por alguns minutos e volta com um prato de sopa quente. Senta-se mais uma vez ao meu lado e diz para eu tentar me levantar um pouco mais, para não cair sopa no lençol.

Faço o que ela pede, sem tirar meus olhos de seu rosto. Só de pensar que, por um momento, a garota mais linda e incrível de Lorien esteve em meus braços, sinto uma onda de sentimentos em meu corpo. Ela me dá a sopa e uma colher e liga a tv. Acabo de tomar e peço para Seis me ajudar a levantar. No mesmo instante que tento, grito de dor. Grito tão alto que Oito e Ella correm para ver o que aconteceu. Eles também me ajudam, mas nada funciona. Mesmo que Marina tenha me curado, não tenho forças para levantar. Mas por quê? Só foi uma faca, não foi uma arma mogadoriana ou alguma coisa assim. Seria porque alguém da Garde tentou matar outro Lorieno? Penso mais um pouco nisso, mas me distraio com Seis, Oito e Ella tentando me ajudar a voltar a cama. Assim que consigo ficar deitado, vejo Nove na porta. Percebo que trocou de roupa, pois está com uma calça nova. Ele veste uma camiseta preta, com jaqueta de couro por cima e calça um all-star branco. Tento chama-lo para conversar, mas é tarde demais. Ele sai do quarto e entra no elevador.

Peço para Oito e Ella me deixar um minuto a sós com Seis. Eles olham um para o outro, e concordam com a cabeça. Após saírem, fecham a porta, e agora me concentro só que dizer a ela. Sou interrompido por um beijo roubado, que começa suave e se torna intenso, até eu me afastar com dificuldade. Não queria que esse beijo terminasse, mas preciso.

– John... Sei que o que fiz foi errado, mas eu não consigo parar de pensar em você... – Seis fala.

– Seis, você sabe que gosto de você, e que um dia, em Lorien, poderemos ficar juntos. Mas aqui, na Terra, eu amo Sarah. E a trai, o que eu nunca quis fazer na minha vida. Sinto-me culpado por isso, e se você ficar querendo me beijar ao ficarmos próximos, só piora as coisas... –

Ela entende o que digo, se levantando e sentando no sofá que há do outro lado do cômodo. Olho diretamente para ela. Sei que tenho namorada, mas simplesmente Seis é maravilhosa. Tento me levantar um pouco, para ficar sentado, mas só de pensar nisso faz meu corpo doer. Para cortar o silêncio, ela começa:

– John, por favor, não me diga que ainda vai voltar pra ela... –

– Seis, você ainda pensa nisso? Viva um momento de cada vez, por favor! Se você só me beijou por causa disso, e não porque realmente gosta de mim, por favor, saia...

Por um momento acho que Seis está chorando, mas o que me surpreende mesmo é ela se levantar e sair, indo em direção ao seu quarto. Aquilo me choca e me deixa furioso ao mesmo tempo:

– Seis! Volte aqui, agora! – Estou com tanta raiva, que não me importo se não consigo andar até lá. Vou falar o mais alto que puder – Você me faz de bobo e ainda quer que eu não volte pra minha namorada? Acha que eu sou idiota? Eu vou sim atrás dela. Você querendo ou não. – No mesmo instante, vejo Nove entrando e vindo até nosso quarto, mas não ligo para ele, e continuo a falar – Eu magoei meu amigo, me magoei e você quer que eu fique aqui, enquanto alguém que realmente me ama está precisando de mim? Se pensa assim, está muito, muito enganada!

Ela sai do quarto, olha pra mim, com o rosto cheio de lágrimas e grita:

– John Smith! Pare de ser bobo e encare os fatos... Acha mesmo que até agora Sarah nunca te traiu? Acha mesmo que a garota “mais bonita da Terra” não beijou ninguém até hoje? Nem mesmo Mark, o bonitão? –

Isso me irrita. Pensar que Sarah me traiu me machuca ainda mais. Mas não vou deixar Seis me afetar, sei que esse é o “jogo” dela, e não posso cair nele.

– Ela não seria tão burra de cair no jogo de alguém para me trair, igual a mim! –

Meu coração dispara. Sei que o que disse não foi uma boa. Vejo ela ir em direção a saída, e sei que se deixar ela sair por aquela porta, não voltarei a vê-la tão cedo. Tenho que fazer alguma coisa.

– Seis espera... – Me levanto com dificuldade, com ajuda de Nove e caminho até ela. – Desculpe, não queria dizer isso... – Digo, cochichando em seu ouvido, e em seguida lhe dou um beijo na bochecha. – Eu te amo. Sempre vou te amar, como irmã e amiga, e é isso que importa. -

Ela sorri para mim, e me dá um abraço, forte e cheio de significados. Eu realmente amo Seis, não só como irmã e amiga, mas decido deixar isso apenas em meu coração. Ela me beija no rosto, e vai para seu quarto. Com a ajuda de Nove, deito novamente na cama ensanguentada, e falo:

– Acho que temos que conversar... –

– Sim nós temos, mas não quero... Eu entendo que foi o momento, e que você sempre teve uma queda por ela. Afinal, impossível não ter – Ele dá uma risada e olha para mim – Espero não estar bravo comigo pelo que fiz... –

– Relaxa cara, está tudo bem... Mas me desculpe mesmo... –

– Ei! Eu já te disse que tá tudo bem! – Ele ri – Agora durma um pouco ok? Você está cansado, e precisamos treinar essa semana ainda! Bom, vou tentar conversar com Seis um pouco, falou. –

– Vai lá Nove... Falou. –

Ele sai, e encosta a porta, deixando o quarto escuro. Me viro de lado, e tento dormir um pouco. Penso em Sarah, em como ela está hoje. Se está bem, se precisa de mim, se me aceitaria depois do que fiz. Milhões de perguntas e dúvidas passam por minha mente, mas tento esquece-las. Mal pego no sono, Nove abre a porta e diz:

– Quatro! Acorda! Tem alguém aqui que quer te ver, agora cara! –