O Retorno - A Jóia da Rainha - (Livro 1)
7 Retornando ao Hades
Victoria acordou com um grande ânimo de ir para a escola na segunda. Só que não.
— Ahh... Ver a cara daquelas criações desprezíveis... — disse em voz alta para ela mesma. Tomou um susto.
''De onde tirei isso?'' pensou ''Eita. Isso está ficando um tanto macabro.''
Levantou-se, precisava de ânimo. Como havia acordado bem mais cedo do que devia, decidiu tomar um banho. Pegou uma calça jeans batida, uma camiseta de banda e seus All Star e partiu em direção ao banheiro.
— Ah, mais uma coisa! — disse para si mesma, pegando suas caixas de som e seu iPod.
Ligou o chuveiro e conectou suas caixas de som: Under Control– Calvin Harris foi a música alegre mais fácil para o momento.
Começou a lentamente tirar suas roupas e ia dançando conforme a música, entrou no chuveiro e continuou o seu show. Passou um bom tempo no chuveiro quando lembrou de que precisava tomar banho. Passava o shampoo nos cabelos quando começou uma de suas músicas preferidas, Burn, de Ellie Goulding; Inevitavelmente começou a cantar.
Saiu do banheiro ainda na vibe da música, com os olhos fechados e ainda cantando. Deu de cara com sua faxineira, que arrumava o quarto. Quase teve um ataque do coração.
A faxineira inevitavelmente caiu na gargalhada. Victoria ficou branca e não sabia onde enfiava a cara, sua voz não saia.
— Pode continuar cantando — disse Raquel, a faxineira — sua voz é ótima.
Victoria soltou um gemido sem gênero que pareceu a mistura de um ganso morrendo afogado com um bode (não me pergunte como é isso).
— Meu... Meu pai já saiu? — perguntou Victoria.
— Não, está dormindo na sala.
Victoria agradeceu e saiu em direção à sala.
Desceu as escadas e deu de cara com seu pai, se segurou para não rir e não acorda-lo. O modo como ele estava no sofá estava realmente engraçado, parecia que na noite anterior havia apenas aberto a porta e caído de cara no sofá, o primeiro apoio que encontrou. Não era para menos que ele estivesse daquele jeito. Logo após que os dois haviam saído do shopping, o celular de Ricardo tocou, e era Felippo novamente, o museu do qual o pai de Victoria era responsável havia sido novamente invadido, e dessa vez, revirado. Ricardo passou horas trabalhando em arrumar o museu e descobrir o que havia sido roubado.
Victoria decidiu ir a pé, pois morava perto da escola. Dessa vez não queria ser apedrejada então saiu de casa se sentindo uma espiã russa que olhava para todos os lados disfarçadamente. Foi quando levou o susto de sua vida, naquela hora ela entendeu o termo ‘’quase que eu me borro toda’’.
Perto do local onde havia levado a pedrada, Victoria se sentiu segura o suficiente para levar seus fones aos ouvidos, quando se virou para pegar seu iPod quase morreu quando viu uma figura com agasalhos negros e com uma toca onde o rosto não era visível vindo em sua direção correndo. Loucamente.
Instintivamente, ela começou a correr também, isso por alguns longos 300 metros, quando a figura negra finalmente levantou a bandeira branca e tropeçou, caindo no chão com um longo ‘’Victooooriaaaaa!!!’’
Victoria reconheceu a voz na hora, era Lucca. E voltou correndo para ajudar o amigo, que tinha tropeçado numa valeta.
— Nunca mais, nunca mais me persiga, ainda mais vestido assim. — disse ela.
— Oi, Miss Solidariedade, sim, eu estou bem, só tropecei naquela porcaria de valeta. E desculpe me vestir assim, era o que tinha disponível no armário agora cedo. — Lucca vestia jeans acinzentados quase pretos, um moletom cinza escuro da Ecko Unltd. ® no qual a única figura era um rinoceronte, também cinza, e um gorro preto. Até que estava legal, apesar de ao ver de longe parecer um assaltante-sequestrador-estuprador.
—Desculpa... É que não é todo dia que sou perseguida por um ativista da ONG dos rinocerontes. — respondeu Victoria. Os dois riram e se levantaram.
— Então, como foi a suspensão? — perguntou Lucca.
— Foi ótima, pra falar a verdade, deu até pra relaxar um pouco. Rezo por um mundo onde eu seja suspensa todos os dias... — disse ela, rindo — E você, como foi seu fim de semana?
— Sábado saí com alguns amigos de meu antigo colégio e domingo fui com meus... — engasgou — Meus... Meus pais. Ao cinema.
— Tudo bem com você? —perguntou Victoria.
— Tudo. — respondeu Lucca. E continuaram num silêncio mortal por alguns metros.
— Sabe, acho que meu pai está me escondendo alguma coisa... — começou Victoria — Desde a volta das féria até agora algumas coisas realmente bizarras tem acontecido, e no dia da discussão dos meus pais, como já te disse por WhatsApp ®, escutei umas coisa muito, muito bizarras. Mas toda vez que pergunto ao meu pai o que aconteceu ou está acontecendo, ele foge do assunto...
— Acho que ele faz isso pelo seu bem, vai ver é alguma coisa que você não está preparada ainda. Acho que isso acontece com qualquer pai, não. Pelo menos na TV é assim... Acho que na vida real também deve ser... — respondeu Lucca.
— Lucca, você está bem mesmo? Aconteceu alguma coisa com você e seus pais?
— Não, não, estou bem, relaxa.
E o assunto acabou, pois acabavam de entrar na escola, onde o sinal já tocava.
‘’Beleza, agora vamos ver aqueles que eu esculachei outro dia na cara dura... Hoje de Medusa eu viro a ‘’Vadia-que-transforma-outros-em-pedra-e-se-acha-melhor-que-todo- mundo’’, não que eu tecnicamente não seja melhor que esse pessoal, me desculpe... Menos que o Lucca, ele é legal.’’ pensou Victoria ‘’Ok, então vamos parar com esses pensamentos egoístas...’’ e assim começou a aula de física, a primeira, daquela segunda-feira.
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