O resto do dia após aquela aula de história foi um saco. Uma aula de matemática com o professor dando lições de vida, e dizendo que quem não estudasse para o vestibular se daria mal, depois teve a aula de inglês e de física, que por sinal ela era muito boa também, e a de filosofia, na qual o professor passou um documentário sobre as civilizações do Mediterrâneo. No final do documentário, o narrador disse que o nome romano de Hermes era Plutão, sendo que esse era o nome romano de Hades. O que deixou Victoria com raiva, após tentar avisar o erro para o professor e ele dizer que ela estava errada e lhe tirar um ponto. A única aula que ela gostou foi a de redação, pois amava escrever.

Saiu para o almoço, o restaurante da escola estava lotado de pessoas que iam fazer as provas de recuperação do bimestre anterior (afinal, acabavam de sair de Julho). ‘’Humanos burros...’’, pensou. Depois, parou onde estava, surpresa. De onde diabos tinha saído aquele pensamento?

Apesar de não ter onde sentar, precisava comer. Mesmo que de pé. Serviu sua comida e foi encontrar um bom lugar para comer em pé ou sentada no chão. Encontrou uma mesa com um garoto com cara triste, ‘’Não custa tentar...’’, pensou.

— Com licença, posso me sentar aqui? — perguntou.

O menino olhou para ela e levantou a mão. Ela se preparou para um não. Ele abaixou a mão.

— Claro.

Sentou-se e começou a comer, estava faminta.

— Ops, desculpe: Obrigada. — disse.

— Por nada, Victoria.

— Como... Como sabe meu nome? — ela perguntou.

— Tem um bilhete nas suas costas.

‘’Meu nome é Victoria, mas sou a face da derrota. Xoxo’’ estava escrito. Victoria se contorceu de raiva, queria chorar mas não podia. O que o menino pensaria dela? Havia acabado de conhecê-lo. Mas... Ele havia visto. Por que não havia avisado-a? Sua raiva aumentou e ela não agüentou.

— Olha aqui! Você faz parte daquele grupinho de filhos da mãe e ainda por cima quer tirar uma com a minha cara e não me avisar sobre o bilhete? Otário. — e levantou-se, deixando cair seu talher.

O menino pegou e lhe entregou:

— Eu não...

— Não quero saber! — respondeu ela, grossa, saindo andando da mesa, preferia comer em pé a comer com alguém com a índole daquele grupo de infelizes.

— Eu não fiz por mal, ia tirar o bilhete, mas fiquei sem graça. — disse o menino, enquanto ela andava. Victoria travou.

— Como?

— Quando você pediu para sentar... Eu ia tirar o bilhete. Mas não te conhecia então fiquei sem graça, ia esperar você sentar e se arrumar para tirar ou avisá-la. Desculpe-me. Mas, se você não quiser sentar, eu entendo. — respondeu o menino.

— Ah... — respondeu ela, vermelha de vergonha — Bom... Então eu não recuso o lugar. — ela voltou e se sentou — Bom... Qual é seu nome?

— Lucca — respondeu, baixo.

— Luke? Bom, prazer, você já sabe... Victoria.

— É Lucca.

— Desculpe.

O almoço foi quieto. Lucca olhava para baixo, sem graça, e Victoria olhava para ele, sem saber o que fazer. Mas afinal, quem era ele? Ela nunca tinha o visto.

— Você é novo na escola? Nunca te vi... — disse.

— Sou. Hoje foi meu primeiro dia. Desculpe-me a má impressão. É aquela coisa, escola nova, tudo novo. — respondeu ele.

— Entendo... Bom, acho melhor eu sair daqui então. Não quero que você fique com má fama por andar com a Medusa. — disse ela, colocando os sentimentos para fora.

— Como? — perguntou ele, espantado.

— Uau... Medusa ficando com os novatos? Que dó de você, querido. — disse Isabela para Lucca e Victoria.

— Sai daqui, vaca — disse Victoria, com nervos à pele.

— Ui... Cuidado gente! A Medusa acordou com o pé esquerdo hoje! — gritou Isabela para todo o restaurante ouvir, fazendo Victoria ficar roxa de vergonha.

Victoria se levantou, olhou para Lucca com cara de desculpas. Recolheu suas coisas e saiu.

Por quê? Por quê! Pela primeira vez que ela conhecia alguém que a aceitava, tinha que vir uma pessoa que ela odiava e estragar tudo! A raiva dela era tanta que ela desistiu de ficar para as aulas da tarde. Pegou um táxi e foi para casa. Ao chegar em casa, ligou sua playlist de Adele e ficou na sua cama, imóvel. Ficou por algumas horas na cama sem fazer nada. Então que algo bateu na sua cabeça como um meteoro: Sitiah.

Decidiu pesquisar sobre a Rainha. Sobre sua vida e seu relacionamento com Tumsés. Descobriu que ela era filha de uma enfermeira real... E que segundo a internet, ela havia morrido durante o reinado de Tumsés. Mas como assim? Se ela havia realmente escondido a esmeralda de Hórus, após a morte de Tumsés, como poderia ter morrido antes da morte do marido?

Decidiu que perguntaria para seu professor de história no dia seguinte. Sua mente continuava em Lucca. Não havia reparado muito nele. O que seria que ele estaria pensando sobre ela naquele momento?

Decidiu esquecer aquilo e ir um pouco aproveitar a vida. Entrou no Twitter e se logou no seu perfil: @ApenasSagas, o lugar que tinha criado para ser outra pessoa, um fã clube para qualquer saga ou livro que ela gostasse. Sim. Ela amava ler.

Descia pela sua timeline e ia lendo... Era a mesma coisa de sempre, briguinhas entre fãs. Decidiu ver se tinha algo de bom, se alguém havia lhe mandado um tweet:

‘’@WitchOfAtlantis Os segredos de Sitiah você não descobrirá, a menos que o passado exija voltar, Victoria.’’, recebeu. Victoria pulou na cadeira. Como assim? Como sabia seu nome? Como sabia que procurava saber sobre Sitiah? A primeira coisa que fez foi fechar a janela. Assustada, ligou o anti-vírus e deixou ele lá fazendo check-up. Estava atônita.

Era hora do jantar. Hoje seus pais estavam em casa. Desceu até a cozinha, onde tudo estava servido. Costelinhas de porco ao molho barbecue, arroz, batatas assadas. Tudo o que Victoria amava. Sua mãe já comia. Seu pai descia logo atrás dela.

— Fernanda, achei que você fosse nos esperar. — disse o pai de Victoria.

Fernanda, a mãe de Victoria, terminava de comer sua última batata.

— Eu... — olhou para Victoria com cara de desprezo — estava com fome, Ricardo.

— Precisamos conversar... Fernanda. Depois que eu jantar. — disse.

Fernanda saiu da cozinha, deixando Ricardo e Victoria a sós.

— Não ligue para sua mãe. Ela anda meio estressada. — disse o pai.

— Mamãe também não gosta de mim. — disse Victoria.

— Claro que gosta, filha, ela só...

— Só o quê, pai?

— Nada.

— Só me odeia!

Victoria saiu andando da cozinha, aos prantos. O dia estava sendo uma porcaria. Estava tendo sonhos malucos, sendo perseguida por perfis do Twitter e por uma velha egípcia, havia destruído qualquer laço que tivesse criado com Lucca e ainda por cima sendo desprezada pela própria mãe.

— Filha! — disse seu pai, pegando a por trás.

Ela se sentou na escada e começou a soluçar de chorar.

— Vai ficar tudo bem... Vai ficar tudo bem... — disse seu pai, sentando-se com ela e dando um abraço.

Ficaram ali abraçados por uns vinte minutos, quando seu pai interrompeu:

— Filha, vamos comer alguma coisa...

— Perdi o apetite pai. — se levantou e foi até seu quarto.

Ligou seu iPod no último volume em Ride, da Lana Del Rey, apesar de triste, a música combinava com aquele momento. Victoria se sentia masoquista por escutar uma música daquelas naquele momento.

Dali a pouco a porta se abrir, sem bater, seu pai entrou.

— Trouxe-lhe comida. Sei que você ama costelinha. — disse o pai, então lhe deu um beijo e saiu.

Victoria beliscou a comida e dali a pouco começou a escutar uma gritaria:

— Ela é nossa filha! Você tem que respeitá-la!

— Ela nasceu do meu ventre, apenas.

— Você sabe o quanto ela sofre com o seu desprezo? Ela precisa de uma mãe!

— Eu não gosto dela!

— Fê! É o ódio humano que te domina! Você não pode se deixar levar!

Victoria abriu a porta e ficou no corredor escutando:

— Quer saber! Não quero mais saber dessa história de ódio humano mais! Desisto, Ricardo, eu te amo, mas assim não dá! Essa história de pessoas ET, ela descender de gente de Atlântida e de ela ser ‘’a escolhida’’! Vou embora até que vocês resolvam isso entre vocês! — disse a mãe de Victoria, abrindo a porta de seu quarto para o corredor. Passou por Victoria e esbarrou nela, fez uma cara de desprezo — Deixe minhas malas na porta! Buscarei amanhã! Estou indo para a minha mãe. — disse, enquanto descia as escadas.

Era a gota d’água para Victoria, o dia já estava ruim, agora fechou com chave de ouro: Pais se separando. Ela se sentou no corredor e começou a chorar.

Notas finais
Bom pessoal, espero que tenham gostado! Comentários? Reviews? Apedrejamentos? Obs: O perfil @ApenasSagas realmente existe e é um dos meus perfis do Twitter, quem quiser pode falar comigo por lá! Sim, sigo de volta HAHAHAHA Mas é só avisar!