O Residente
4 Acidente
NamJoon havia acabado de se sentar na cadeira do seu consultório quando seu celular tocou.
— InSu. — Ele atendeu.
Do outro lado da linha, a voz da prima soava.
— Onde você está que não está vindo trabalhar? — Ele perguntou.
— Ainda estou em Busan. — InSu respondeu.
NamJoon franziu o cenho.
— Por quê?
— Eu bati o carro. — Ela confessou.
— Como isso aconteceu? — Ele perguntou, preocupado.
— Foi descuido meu... — Ela começou a explicar, mas NamJoon interrompeu:
— Você não devia ter ido atrás do JungKook!
— Eu precisava me explicar! — InSu rebateu, defensiva.
NamJoon respirou fundo, tentando manter a calma.
— InSu, você precisa esquecer o passado e focar no presente.
— Eu não posso. Não enquanto não tiver o perdão dele.
NamJoon se irritou com aquela insistência.
— Acorda! O JungKook não vai te perdoar!
Do outro lado da linha, silêncio.
— Eu estou bem. Logo volto para Seul. — Ela disse finalmente, encerrando a ligação.
NamJoon jogou o celular na mesa e passou as mãos pelos cabelos, claramente estressado. Antes que pudesse se recompor, a porta de seu consultório se abriu, revelando Jin com dois copos de café em mãos.
Ao vê-lo, NamJoon rapidamente mudou a expressão séria para um sorriso amigável.
— Trouxe café para você. — Jin disse, entregando um dos copos e se sentando à frente dele.
— Obrigado. — NamJoon agradeceu, tomando um gole. — Tenho alguns minutos antes do próximo paciente.
Jin sorriu, animado.
— Ótimo. Só passei para dizer que os sinais vitais dos gêmeos estão ótimos, e estou registrando tudo com cautela para a pesquisa.
— Fico feliz em ouvir isso. — NamJoon respondeu, sincero.
Jin notou o semblante levemente tenso do colega e perguntou:
— Aconteceu alguma coisa?
— Minha prima se envolveu em um acidente de carro, mas está bem.
Jin tomou um gole do café.
— Nunca fui próximo de InSu, mas sei que ela é uma boa pessoa, já que é amiga de Ren.
NamJoon fez uma pausa e corrigiu:
— Ex-amiga.
— Por que a amizade acabou? — Jin perguntou, curioso.
— Não vale a pena pensar nisso. — NamJoon desviou, claramente não querendo prolongar o assunto.
Os dois tomaram um gole de café em silêncio, até NamJoon mudar de assunto.
— Você está livre no final de semana?
— Sim. — Jin respondeu. — Na verdade, tenho planos de ficar em casa assistindo TV o dia todo.
Os dois riram.
— Posso fazer parte desse plano? — NamJoon perguntou com um sorriso divertido.
Jin sorriu, envergonhado, antes de responder:
— Seria uma honra.
**
JungKook abriu a porta do quarto onde a mãe de JiMin estava e encontrou a família conversando num momento descontraído. JiMin ria de algo que JiHyun havia dito, mas sua expressão mudou assim que viu JungKook entrar.
— Desculpe interromper. — JungKook começou, mantendo o tom formal. — Só queria avisar que estou voltando para Seul.
Antes que JiMin pudesse responder, sua mãe tomou a frente:
— JiMin vai voltar com você.
JiMin arqueou as sobrancelhas, claramente contrariado.
— Não vou voltar hoje, mãe.
JiHyun, no entanto, se uniu à mãe, com um tom persuasivo:
— Você devia voltar. Ainda é residente, JiMin. Se ficar se ausentando, pode ter o contrato rescindido, e isso seria uma mancha no seu currículo perfeito.
Sua mãe assentiu.
— Ouça o seu irmão. Volte para Seul com o doutor.
JiMin suspirou, visivelmente frustrado. Seu olhar foi direto para JungKook, buscando apoio.
JungKook, embora hesitante, interveio:
— Eles têm razão, JiMin. Mas posso conversar com o diretor do hospital sobre sua situação, se for necessário.
JiMin suspirou novamente, desta vez em rendição.
— Tudo bem. Vou voltar para Seul com você.
Ele se levantou e, antes de sair, começou a enumerar algumas recomendações para a mãe:
— Assim que sair daqui, você precisa seguir todas as orientações médicas, fazer os exames de rotina e, pelo amor de Deus, reduzir o sal na comida. Não quero que isso aconteça de novo.
Sua mãe sorriu, tocando o rosto de JiMin com carinho.
— Vou ficar bem, meu filho. Prometo.
JiMin a abraçou com força, despedindo-se com um carinho evidente. Ele também deu um leve sorriso para JiHyun antes de se virar para JungKook.
JungKook se curvou para a mãe de JiMin, num gesto respeitoso, e disse:
— Cuide-se bem.
— Obrigada, doutor. Cuide do meu filho. — Ela respondeu, sorrindo gentilmente.
Os dois saíram juntos, deixando a família para trás.
Assim que a porta se fechou, a mãe de JiMin olhou para JiHyun com um brilho nos olhos.
— Eles fazem um belo casal, não acha?
JiHyun deu um leve sorriso e concordou.
— Concordo, mãe.
Os dois riram, voltando à leveza de antes.
**
O refeitório estava cheio de vozes e sons de bandejas sendo movimentadas, mas TaeHyung mal prestava atenção na própria comida. Estava ouvindo uma história engraçada que HoSeok contava, até que algo chamou sua atenção.
ChanYeol e BaekHyun, que estavam na fila com suas bandejas, as largaram abruptamente e correram para fora. TaeHyung os seguiu com o olhar, confuso, até que eles desapareceram pelo corredor.
— O que foi isso? — HoSeok perguntou, franzindo o cenho.
Antes que TaeHyung pudesse responder, ele viu NamJoon, Jin e Ren se levantarem apressados, com expressões tensas, e saírem na mesma direção. TaeHyung arregalou os olhos, sentindo o estômago afundar.
— Os gêmeos... — Ele murmurou, levantando-se de repente.
HoSeok, percebendo a gravidade, seguiu atrás dele sem questionar.
Os dois correram pelos corredores até o quarto onde os gêmeos estavam internados. Assim que chegaram, depararam-se com uma cena caótica. Médicos e enfermeiros que participaram da cirurgia estavam ali, as vozes se misturavam em comandos e pedidos de equipamentos. TaeHyung parou na entrada, o coração disparado.
No centro do tumulto, ChanYeol estava tentando reanimar um dos bebês, que tinha a pele arroxeada. TaeHyung congelou, incapaz de processar o que estava vendo.
— Não... — Ele sussurrou, os olhos fixos na cena.
HoSeok, ao seu lado, estava tão chocado quanto ele, mas tentou manter a calma. Ele segurou o braço de TaeHyung, tentando trazê-lo de volta à realidade.
— TaeHyung, você precisa se recompor. A mãe está desesperada, você tem que acalmá-la.
A voz de HoSeok parecia distante. TaeHyung continuava paralisado, os olhos fixos no bebê e em ChanYeol, que fazia de tudo para reanimá-lo.
A mãe dos gêmeos estava em um canto, chorando e gritando de desespero. HoSeok percebeu que TaeHyung não conseguiria agir e foi até ela, mesmo que estivesse igualmente abalado.
— Senhora, por favor, tente respirar fundo. Estamos todos fazendo o possível. — HoSeok disse, a voz firme, mas com um tremor evidente de preocupação.
Na sala, a tensão era palpável. ChanYeol tentava reanimar o bebê, ignorando as diretrizes que ditavam quanto tempo ele deveria continuar. As mãos dele tremiam enquanto fazia as compressões, mas o pequeno corpo não respondia.
NamJoon e Jin estavam ao lado, acompanhando cada segundo, os rostos sombrios. Finalmente, ChanYeol parou, exausto e com os olhos cheios de lágrimas. Ele olhou para o relógio na parede, engoliu em seco e anunciou com a voz trêmula:
— Hora da morte: 12h37.
A sala ficou em silêncio. Apenas o som dos soluços da mãe quebrava o peso insuportável do momento.
**
JiMin e JungKook chegaram ao hospital já familiarizados com a rotina corrida, mas logo perceberam que algo estava fora do comum. Os corredores estavam mais silenciosos do que o normal, e os poucos rostos que cruzaram transmitiam um misto de cansaço e tensão.
JungKook quebrou o silêncio, consultando o relógio.
— Temos uma cirurgia de retirada de pólipos intestinais em breve. Vá se arrumar.
JiMin assentiu sem dizer nada e seguiu para o quarto dos residentes, onde costumava deixar suas coisas. Ele andava rapidamente, tentando se concentrar no trabalho que o aguardava, mas algo no clima o deixava inquieto.
No meio do caminho, encontrou o Dr. Hyun, que estava saindo de uma sala com uma prancheta em mãos. Hyun parou ao vê-lo.
— JiMin, acabou de chegar?
— Sim. — JiMin respondeu, hesitante. — Tive um problema familiar.
Hyun o observou por um momento, o tom de sua voz ficando mais sério.
— Espero que o problema familiar tenha sido resolvido.
JiMin apenas assentiu, um silêncio desconfortável pairando entre eles. Antes que pudesse continuar seu caminho, Hyun o deteve novamente.
— Quando tiver um tempo, vá ver TaeHyung.
— TaeHyung? — JiMin perguntou, confuso. — Por quê? O que aconteceu?
O rosto de Hyun se fechou, e ele suspirou antes de responder:
— Um dos gêmeos faleceu hoje.
A notícia atingiu JiMin como um soco no estômago. Ele parou, incapaz de reagir, o mundo ao seu redor parecia ter congelado.
— Como...? — Ele começou, mas a voz falhou.
Hyun colocou uma mão em seu ombro, tentando oferecer algum conforto.
— Foi inesperado. Um deles teve uma parada cardiorrespiratória e não conseguiram reanimá-lo.
JiMin não respondeu, as palavras de Hyun ecoando em sua mente. Tudo o que conseguia imaginar era o desespero de TaeHyung e da mãe dos gêmeos.
**
No consultório de Jin, o clima era pesado. A sala, normalmente tranquila, agora parecia sufocante com a conversa difícil que estava acontecendo.
— Não consigo acreditar no que aconteceu. — Ren disse, a voz baixa, quase num sussurro.
Jin cruzou os braços, o semblante sério enquanto tentava organizar os pensamentos.
— Precisamos entender o que deu errado. Estudar o caso é essencial, não só para sabermos a causa, mas também para evitarmos que isso aconteça novamente.
NamJoon balançou a cabeça, interrompendo Jin.
— Esse não é o momento para falar sobre isso com a mãe. Ela já está devastada.
Ren concordou, lançando um olhar severo para Jin.
— A pesquisa não deve sequer ser mencionada perto dela. Isso não é sobre ciência agora, Jin. É sobre uma perda irreparável.
Jin suspirou, recostando-se na cadeira.
— Concordo. Por isso vou sugerir que ela tenha acompanhamento psicológico. O serviço social já está cuidando das providências para o funeral.
A conversa morreu por alguns segundos, um silêncio carregado se instalando.
NamJoon foi o primeiro a quebrá-lo, olhando para o relógio.
— Tenho pacientes esperando. Preciso ir.
Ele se levantou e saiu, deixando Jin e Ren sozinhos.
— Vou programar uma reunião para discutirmos o caso. — Jin disse. — E encerrar a pesquisa.
Ren balançou a cabeça, frustrado.
— Não quero mais publicar. Não faz sentido seguir com isso depois disso.
Jin o encarou por um momento antes de responder com calma.
— Não publicar não é uma opção, Ren. A comunidade médica está esperando os resultados. Isso pode ajudar outras pessoas no futuro.
Ren suspirou, exausto, e esfregou o rosto com as mãos.
— Você não entende, Jin. Não dá para resolver uma morte.
Jin colocou uma mão firme no ombro do amigo.
— Não, não dá. Mas podemos tentar evitar outras. É isso que fazemos.
Ren apenas assentiu, mesmo que o peso daquela conversa ainda estivesse sobre ele.
**
A sala de cirurgia estava impecavelmente preparada, com os instrumentos alinhados e o paciente anestesiado na mesa. O monitor cardíaco emitia um som constante e tranquilizador. JungKook, JiMin e YoonGi estavam prontos, vestidos com seus aventais estéreis e máscaras.
— O paciente é um homem de 45 anos com histórico de sangramento retal e dor abdominal. — YoonGi começou, enquanto ajustava a posição do endoscópio. — A colonoscopia revelou múltiplos pólipos intestinais, alguns maiores que 2 cm, localizados no cólon sigmoide.
— Certo. — JungKook disse, analisando o monitor. — Vamos remover esses pólipos com um procedimento endoscópico. JiMin, descreva o processo.
JiMin respirou fundo, ajustando sua postura.
— Primeiro, localizamos os pólipos com o endoscópio. Em seguida, utilizamos um laço de polipectomia para isolar cada pólipo. Depois de aplicar eletrocauterização para prevenir sangramentos, removemos os pólipos com cuidado para evitar perfuração intestinal.
JungKook assentiu, satisfeito com a resposta.
— Correto. YoonGi, quais são as complicações potenciais desse procedimento?
— As principais complicações são sangramento, perfuração intestinal e infecção. — YoonGi respondeu com firmeza. — No caso desse paciente, o risco é aumentado devido ao tamanho dos pólipos.
— Bom. — JungKook disse, enquanto guiava JiMin para remover o primeiro pólipo. — Agora, JiMin, o que você faz se encontrar sangramento durante a polipectomia?
— Usamos pinças de coagulação ou aplicamos clipes hemostáticos para controlar o sangramento. — JiMin respondeu enquanto manuseava o laço com precisão.
JungKook observou atentamente enquanto JiMin e YoonGi trabalhavam em equipe, respondendo corretamente a cada pergunta que ele fazia ao longo do procedimento. Após quase duas horas, todos os pólipos foram removidos com sucesso, sem complicações.
JungKook retirou as luvas e sorriu sob a máscara.
— Ótimo trabalho. Estou orgulhoso dos meus residentes estudiosos.
JiMin sorriu, os olhos brilhando de satisfação.
— É tudo graças aos seus ensinamentos, Dr. Jeon.
YoonGi ajeitou os óculos que usava por baixo do protetor facial e comentou com uma confiança discreta:
— Tive bastante tempo para estudar enquanto não estava participando das últimas cirurgias. Estou me sentindo preparado para a prova do final de semestre.
JiMin olhou para YoonGi, admirado.
— Eu admiro sua confiança, YoonGi.
JungKook cruzou os braços, sorrindo de lado.
— JiMin, você precisa aprender com ele. Confie mais em si mesmo. Tenho certeza de que vocês dois terão ótimos resultados na prova.
Ele deu um leve tapinha no ombro de cada um.
— Estão dispensados. Vão estudar mais.
JiMin e YoonGi agradeceram antes de deixarem a sala, enquanto JungKook ficou para revisar o prontuário do paciente, satisfeito com o desempenho de seus residentes.
**
JiMin e YoonGi caminhavam lado a lado em direção à sala de descanso, o silêncio entre eles era preenchido pelo som abafado de seus passos. Assim que chegaram à porta, deram de cara com HoSeok, que estava saindo.
— HoSeok, você viu TaeHyung? — JiMin perguntou, a preocupação evidente em sua voz.
HoSeok parou e suspirou.
— Ele não sai do quarto onde está o gêmeo que sobreviveu.
JiMin assentiu, já imaginando.
— Soube assim que cheguei.
Antes que HoSeok pudesse dizer mais alguma coisa, YoonGi, que até então estava calado, lamentou baixinho:
— Que situação triste.
Os olhos de JiMin e HoSeok se voltaram para ele, surpresos com o tom emocional inesperado.
— Um bebê não devia passar por uma cirurgia como aquela. — YoonGi continuou, sem olhar para eles. — E uma mãe não devia passar pelo luto por um filho.
Dizendo isso, ele entrou na sala de descanso, deixando os dois para trás. JiMin e HoSeok trocaram olhares, sem entender completamente aquela reação.
— Tenho que ver um paciente agora. — HoSeok disse, quebrando o silêncio. — Você pode ficar com TaeHyung?
JiMin assentiu sem hesitar.
— Vou até lá.
Com isso, HoSeok foi em direção à ala de pacientes, enquanto JiMin seguiu pelo corredor em direção ao quarto onde sabia que encontraria TaeHyung.
**
JiMin parou diante da porta do quarto, respirou fundo e bateu suavemente antes de entrar. Assim que abriu a porta, viu TaeHyung em pé, imóvel, diante da incubadora. Seus ombros estavam curvados, a cabeça baixa, enquanto a mãe do bebê permanecia ao lado da incubadora, chorando silenciosamente enquanto olhava para o filho.
A cena era carregada de uma dor quase palpável. JiMin hesitou por um momento antes de se aproximar, colocando a mão no ombro de TaeHyung.
— Tae, venha comigo. — JiMin falou baixinho.
TaeHyung ergueu o olhar, os olhos vermelhos e marejados encontrando os de JiMin. Sem dizer nada, ele assentiu, deixando que JiMin o conduzisse para fora do quarto.
No corredor, longe do olhar da mãe e da pressão daquele ambiente, TaeHyung finalmente desabou. As lágrimas que ele segurava há horas agora corriam livres, e JiMin o segurou antes que ele perdesse completamente as forças, amparando-o contra o peito.
— Foi culpa minha... — TaeHyung murmurou entre os soluços. — Eu não devia ter deixado os bebês sozinhos, nem por um instante.
— TaeHyung, não foi sua culpa. — JiMin respondeu, a voz firme, mas cheia de compaixão. — Você não tinha controle sobre isso.
— Eu devia ter ficado. Eu devia ter feito mais. — TaeHyung insistiu, as palavras saindo em meio ao choro.
JiMin segurou os ombros de TaeHyung, forçando-o a olhar em seus olhos.
— Escute-me. — JiMin disse com seriedade. — Você fez tudo o que podia. Não havia nada que você pudesse ter feito para mudar o que aconteceu. Não é justo se culpar por algo que estava fora do seu alcance.
TaeHyung continuou chorando, mas o peso em seus olhos parecia um pouco menor. JiMin permaneceu ao seu lado, oferecendo palavras de conforto e o apoio silencioso que apenas um amigo poderia dar.
**
YoonGi foi o primeiro a deixar o hospital naquela noite. Após horas estudando para a prova final, sentia-se exausto. Ao chegar à garagem, entrou no carro e ligou o motor. Antes mesmo de sair do estacionamento, seu celular começou a tocar. Ele suspirou ao ver o nome de sua mãe na tela.
— Oi, mãe. — Atendeu, colocando o telefone no viva-voz enquanto começava a dirigir.
— YoonGi, querido, seu pai vai participar do debate político ao vivo daqui a pouco. Você precisa vir para a emissora. Depois, teremos um jantar com apoiadores importantes.
YoonGi bufou, revirando os olhos.
— Já disse que não vou participar de nada que envolva política, mãe. Tive um dia cheio, estou cansado.
— YoonGi, por favor... — A voz dela ficou mais insistente.
— Não, mãe. Não vou. — Ele respondeu firme, aumentando a velocidade na avenida.
Então, veio a chantagem emocional.
— YoonGi, você é nosso único filho. Fazemos tudo isso pensando em você, no seu futuro. Não pode nos abandonar agora, justo em um momento tão importante.
Ele apertou o volante, respirando fundo para conter a irritação.
— Está bem, mãe. Mas é a última vez.
Desviando o caminho, YoonGi seguiu para a emissora. Ao chegar, foi imediatamente reconhecido na recepção como o filho de Min UiYong, um dos principais candidatos à presidência. Um funcionário o acompanhou até os bastidores do debate, onde sua mãe o recebeu com um abraço caloroso. A família dos outros candidatos também estava lá para apoiar.
— Você veio! Sabia que não nos deixaria na mão. — Ela disse, sorrindo.
— Mãe, escute bem. — YoonGi respondeu, afastando-se. — Essa é a última vez que faço isso. Não vou mais atender ligações nem participar desses eventos. Estou falando sério.
Ela tentou argumentar, mas antes que ele pudesse continuar, foram interrompidos pelo início do debate.
Os três candidatos à presidência estavam no palco, cada um representando uma visão distinta para o país.
Min UiYong, pai de YoonGi defendia uma política de crescimento econômico baseada em incentivos fiscais para grandes empresas e privatizações estratégicas. Sua postura era firme, mas calculada, destacando sua experiência em gestão pública.
Kang Bin, um visionário de esquerda, propunha reformas sociais robustas, como universalização da saúde e educação, aumento do salário mínimo, e uma política ambiental rigorosa. Ele era carismático e empático, conectando-se facilmente com o público.
Park HyeJin a única mulher na disputa, HyeJin trazia uma abordagem moderada, defendendo equilíbrio entre desenvolvimento econômico e responsabilidade social. Sua fala era objetiva, buscando agradar os dois extremos do espectro político.
Os temas principais do debate incluíam educação, saúde, segurança pública, e o papel do país no cenário internacional. Min UiYong e Kang SooBin frequentemente entravam em atrito, enquanto Park HyeJin buscava mediar e destacar pontos de conciliação.
Após o término do debate, YoonGi seguiu com os pais para seu carro, pois ele os levaria para jantar com apoiadores no lugar do motorista, a pedido de sua mãe.
— YoonGi, sorria. É um jantar importante. — Disse sua mãe, ajustando o lenço no pescoço enquanto o carro avançava pela avenida.
— Já disse que essa é a última vez. Não quero mais saber de política. — Ele respondeu, olhando pela janela.
Min UiYong suspirou do banco da frente.
— Filho, você sempre foi assim. Determinado, mas teimoso. Política é sobre sacrifício. Você ainda vai entender isso.
YoonGi fechou os olhos, tentando se conter, mas antes que pudesse responder, algo chamou sua atenção.
Uma luz forte surgiu à frente, atravessando a pista em alta velocidade. Ele tentou frear, mas era tarde demais. Um caminhão desgovernado atingiu o carro com força total, jogando-o para fora da estrada.
O impacto foi brutal. O veículo capotou três vezes antes de parar tombado no meio fio. Vidros estilhaçados cobriam o interior, e o som de metal retorcido ecoava na escuridão.
Por alguns segundos, o silêncio reinou.
YoonGi, preso pelo cinto, abriu os olhos com dificuldade, sentindo o gosto de sangue na boca.
— Mãe? Pai? — Ele chamou, a voz fraca.
Ele escutava sua mãe gemendo baixo, tentando se mover. Seu pai, logo ao lado, estava desacordado.
Luzes de outros carros começaram a iluminar a cena, e gritos de testemunhas anunciavam que a ajuda estava chegando.
— Não... — YoonGi murmurou antes de perder os sentidos, enquanto o som distante de sirenes preenchia a noite.
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