O Residente
5 Vida ou morte
Três ambulâncias chegaram apressadas ao hospital Kanbuk, suas sirenes ecoando pela noite. JungKook, que estava de plantão, correu para recebê-las, enquanto JiMin, TaeHyung e HoSeok, que estavam prestes a sair, pararam ao ouvir o som das sirenes.
— Vamos ajudar. — TaeHyung disse, decidido. — Preciso fazer algo útil hoje.
JiMin hesitou, mas ao ver a determinação nos amigos, concordou. Os três seguiram apressados para a entrada do hospital.
NamJoon, que estava saindo para respirar um pouco, também correu para ajudar. Assim que a primeira ambulância abriu e a maca desceu, todos ficaram surpresos ao ver YoonGi desacordado e coberto de ferimentos.
— YoonGi? — JiMin murmurou, atordoado.
— Não temos tempo para isso! — JungKook exclamou, indo checar o residente.
As outras macas desceram logo em seguida. TaeHyung arregalou os olhos ao reconhecer os pais de YoonGi.
— São os pais dele! — Ele exclamou.
O paramédico informou rapidamente:
— Acidente de trânsito grave. Caminhão desgovernado. Sinais vitais instáveis, especialmente do paciente jovem.
— Vamos levá-los para a UTI imediatamente. — NamJoon ordenou, e todos se apressaram.
Dentro do hospital, as enfermeiras de plantão rapidamente ajudaram a estabilizar os pacientes. InSu, que havia acabado de chegar de viajem, viu a movimentação e correu para ajudar.
— Precisam de mais um médico. — Ela disse, ao analisar a gravidade da situação.
— NamJoon e TaeHyung ficam com a senhora. Você InSu, cuide do senhor com HoSeok. JiMin e eu ficaremos com YoonGi. — JungKook ordenou, dividindo as equipes. Ele olhou para JiMin. — Está bem para tratar de um conhecido?
JiMin respirou fundo, tentando esconder sua apreensão.
— Sim, darei meu melhor.
JungKook e JiMin começaram os primeiros socorros em YoonGi. Eles retiraram cuidadosamente o colar cervical e verificaram suas vias aéreas, respiração e circulação.
— Respiração está irregular. — JiMin observou, enquanto auscultava os pulmões.
— Sinais de hemotórax. — JungKook constatou ao notar uma diminuição do murmúrio vesicular no lado esquerdo.
Eles ordenaram um raio-X torácico e uma ultrassonografia FAST, que confirmaram o hemotórax e uma fratura nas costelas, além de sinais de trauma abdominal.
— Saturação caindo. Vamos drenar o hemotórax imediatamente. — JungKook disse.
JiMin preparou rapidamente os materiais para a drenagem. Sob supervisão de JungKook, ele inseriu o dreno torácico no quinto espaço intercostal esquerdo, evacuando uma grande quantidade de sangue.
— Pressão estabilizando. — JiMin informou aliviado.
— Mas não podemos perder tempo. O raio-X também mostrou fraturas na pelve, e precisamos avaliar sangramentos internos. Sala de cirurgia, agora! — JungKook ordenou.
**
Na sala de cirurgia, a equipe se preparou rapidamente. JungKook assumiu o comando, enquanto JiMin e uma enfermeira auxiliar preparavam os instrumentos.
— JiMin, você será minhas mãos extras aqui. Preciso que mantenha o foco. — JungKook disse com firmeza.
— Entendido. — JiMin respondeu, concentrado.
JungKook realizou uma toracotomia para remover coágulos que estavam comprimindo o pulmão esquerdo de YoonGi. Ele identificou e suturou um vaso sangrante intercostal, enquanto JiMin aspirava o sangue acumulado.
— Sangramento controlado. Continuemos. — JungKook disse, com firmeza.
Após estabilizar o tórax, abriram a cavidade abdominal. JungKook encontrou lesões no baço, que exigiram uma esplenectomia de emergência. JiMin realizou a sucção do sangue acumulado, mantendo o campo cirúrgico limpo.
— Boa mão, JiMin. Continue assim. — JungKook elogiou.
Em seguida, identificaram fraturas instáveis na pelve. Um fixador externo foi aplicado para estabilizar a área, enquanto verificavam cuidadosamente por possíveis lesões em vasos sanguíneos maiores.
Após quase quatro horas de cirurgia, JungKook deu o último ponto.
— Pressão estável, saturação normalizada. Conseguimos estabilizá-lo. — JiMin disse, exausto, mas aliviado.
— Bom trabalho, JiMin. Ele tem uma longa recuperação pela frente, mas agora está fora de perigo imediato. — JungKook disse, tirando as luvas.
JiMin sorriu levemente, sentindo uma mistura de alívio e cansaço.
— Vamos levá-lo para a UTI e monitorá-lo de perto. — JungKook ordenou.
Enquanto transferiam YoonGi, JiMin não pôde evitar de pensar no quanto aquela noite tinha sido intensa e no quão frágil a vida podia ser.
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NamJoon e TaeHyung estavam ao lado da Sra. Min, realizando os primeiros socorros nela enquanto a estabilizavam. Ela estava consciente, mas claramente em estado de choque devido ao acidente. TaeHyung monitorava a pressão arterial e verificava seus sinais vitais, enquanto NamJoon a tranquilizava.
— O que os exames mostram? — TaeHyung perguntou, olhando os resultados na tela do monitor.
NamJoon, que estava observando os exames com atenção, respirou aliviado.
— Nenhuma fratura, mas ela está em estado de choque. Vamos precisar monitorá-la com mais cuidado para evitar complicações. A pressão está um pouco baixa, mas nada crítico por enquanto. — NamJoon respondeu, ajustando o fluxo de líquidos intravenosos.
Sra. Min olhou para NamJoon, visivelmente angustiada.
— Onde está meu filho? YoonGi... — Sua voz estava trêmula, e os olhos estavam marejados.
NamJoon apertou sua mão suavemente.
— Ele está sendo atendido pelos melhores médicos, não se preocupe. — NamJoon disse com firmeza, tentando transmitir calma.
TaeHyung olhou para a mãe de YoonGi, sua expressão marcada pela preocupação.
— Vamos mantê-la em observação, mas é melhor que fique tranquila. Faremos tudo o que pudermos. — TaeHyung disse, fazendo um gesto tranquilizador.
A Sra. Min assentiu lentamente, seu rosto ainda pálido e com os olhos marejados, mas ela parecia começar a se acalmar. Enquanto isso, TaeHyung e NamJoon continuaram a monitorar seus sinais vitais e a estabilizá-la o máximo possível antes de transferi-la para um quarto.
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InSu estava em total concentração, observando o estado crítico do Sr. Min. Ela verificava os sinais vitais enquanto o rosto de HoSeok refletia uma preocupação crescente. As fraturas nas costelas e a lesão significativa no tecido cardíaco do paciente eram graves. HoSeok olhou o RX mais uma vez e suspirou.
— As fraturas estão atingindo áreas perigosas, Dra.Kim. Ambos os pulmões estão perfurados. — HoSeok disse, sem esconder a tensão na voz.
InSu franziu a testa. Ela sabia que o tempo estava se esgotando.
— Precisamos de uma cirurgia de emergência agora. A lesão no coração está em estágio avançado. — InSu afirmou, o tom urgente em sua voz. — Qual a disponibilidade de órgãos?
HoSeok hesitou por um momento. Sabia que a situação era crítica, e as chances de conseguir um doador eram escassas.
— Não há muitos doadores compatíveis. — HoSeok respondeu, a frustração evidente.
InSu não perdeu tempo e fez uma rápida avaliação da situação.
— Preciso que você providencie. Vou para a sala de cirurgia agora. — InSu ordenou, já se afastando. — Não podemos perder mais tempo.
HoSeok se virou rapidamente para a enfermeira, que estava ao lado, e fez uma pergunta decisiva.
— Existe algum doador compatível? — HoSeok perguntou com urgência.
A enfermeira começou a verificar no sistema, digitando rapidamente. Após alguns segundos, ela olhou para HoSeok com um semblante preocupado.
— Encontramos um doador compatível em Jeju. — Ela anunciou.
HoSeok, não conseguindo esconder sua frustração, praguejou baixo e correu em direção à sala de cirurgia.
— O que estamos esperando, então? — HoSeok resmungou, enquanto se dirigia para onde InSu estava. — Vamos ter que resolver isso agora!
Ao entrar na sala de cirurgia, ele gritou para InSu.
— O doador está em Jeju. — HoSeok anunciou, sem respirar direito.
InSu olhou para ele com uma expressão grave. Sabia que o tempo era essencial e que a situação estava se tornando cada vez mais crítica.
— Droga! — InSu xingou, pegando seu celular rapidamente. — HoSeok! — Ela gritou para o residente. — Ligue para meu pai! Diga que precisamos do helicóptero do hospital para ir buscar o coração em Jeju! Agora!
HoSeok,rapidamente pegou o celular.
— Meu pai pode liberar o helicóptero do hospital para nós agora. — InSu explicou rapidamente. — Se conseguirmos trazer o coração a tempo, podemos salvar o Sr. Min. Mas precisamos agir rápido.
A corrida contra o tempo estava prestes a começar.
**
HoSeok saiu apressado da sala, o telefone em mãos, desbloqueado ele procura rapidamente o telefone do pai de InSu. O telefone tocou duas vezes antes de uma voz firme atender.
— InSu? Onde você está? Não tenho notícias suas a dias!
HoSeok respirou fundo, e começou a falar rapidamente:
— Dr. Kim, aqui é Jung HoSeok. Estou ligando a mando da Dra.Kim , é uma emergência. Temos um caso crítico envolvendo o Sr. Min. Ele precisa de um transplante de coração imediatamente, já conseguimos um doador compatível em Jeju.
Houve uma pausa do outro lado da linha. Quando HanSoo respondeu, sua voz estava carregada de tensão:
— O Sr. Min? O concorrente à presidência?
— Sim, senhor. — Confirmou HoSeok. — Ele foi admitido hoje cedo após um acidente grave de carro. A equipe está pronta para realizar o transplante, mas precisamos do helicóptero do hospital para buscar o coração doador em Jeju.
HanSoo parecia ponderar, o som de papeis sendo virados ao fundo.
— Se demorarmos, o órgão pode se tornar inutilizável. A Dra. InSu me pediu pessoalmente para solicitar sua aprovação imediata.
HanSoo soltou um suspiro audível.
— Eu entendo a gravidade da situação, Dr. Jung. Este hospital não pode permitir falhas em um caso de tamanha relevância. Estou liberando o helicóptero agora. Informe à equipe de logística para se preparar e mantenha-me atualizado sobre cada passo do procedimento.
HoSeok assentiu, embora HanSoo não pudesse vê-lo.
— Obrigado, senhor. Não vamos decepcionar.
— Espero que não. Boa sorte, Dr. Jung.
A ligação foi encerrada, e HoSeok ficou parado por um momento, aliviado, mas consciente da responsabilidade que tinha em mãos. Ele rapidamente retornou para a sala de espera, já ligando para a equipe de transporte para dar as instruções necessárias.
**
Minutos depois que HoSeok saiu apressado da sala, JungKook entrou na sala de cirurgia. Ele caminhou até onde InSu estava ao lado do paciente, os olhos dela fixos nos monitores que acompanhavam os sinais vitais do Sr. Min.
— Como ele está? — Perguntou JungKook, a voz baixa.
InSu desviou os olhos dos monitores para ele.
— Estável, por enquanto. As enfermeiras estão monitorando tudo de perto. — Ela pausou, hesitando. — E YoonGi? E a Sr.Min?
JungKook relaxou um pouco os ombros ao perceber a preocupação em sua voz.
— YoonGi está bem. Ambos estão estáveis. Mas agora, precisamos focar no Sr. Min.
InSu assentiu, sua expressão ainda preocupada.
— Eu sei. — Ela suspirou. — Ele vai precisar de um transplante. Conseguimos um coração compatível em Jeju e mandei HoSeok para buscá-lo. Ele foi rápido e já deve estar providenciando o transporte.
As máquinas ao redor faziam seus ruídos constantes, e o silêncio entre eles se tornou quase confortável.
Após alguns minutos, InSu quebrou o silêncio, sua voz carregada de dúvida:
— Você não acha estranho isso ter acontecido com ele, logo agora?
JungKook franziu a testa, ainda olhando para o paciente.
— Acha que o acidente foi causado de propósito?
— Não descarto essa possibilidade. Ele é um dos candidatos mais fortes à presidência. Um acidente desse tipo pode mudar completamente o rumo da eleição. — Ela o observou, buscando alguma reação.
JungKook arqueou uma sobrancelha, um leve sorriso puxando os cantos de seus lábios.
— Você anda assistindo muitos vídeos de crime político.
InSu riu.
— Talvez. Mas você sabe que tenho razão, JungKook.
Eles se encararam por alguns instantes, o silêncio entre eles agora carregado de algo mais profundo. JungKook foi o primeiro a desviar o olhar, voltando sua atenção para o Sr. Min.
— Eu também acho que pode ser crime político. — Disse ele finalmente, a voz séria.
InSu suspirou, cruzando os braços enquanto voltava a olhar para o paciente.
— É o que parece. Vamos torcer para que esse transplante ocorra bem. Não podemos dar margem para que esse incidente ganhe mais repercussão do que já tem.
JungKook concordou em silêncio, os dois agora concentrados no que viria a seguir.
**
O helicóptero pousou suavemente no heliporto do hospital em Jeju, o barulho das hélices ecoando no ar enquanto HoSeok já estava em pé, preparado para descer assim que a aeronave parasse completamente. Assim que os freios foram acionados e o movimento cessou, ele desceu correndo pelas escadas de acesso, os sapatos ecoando nos degraus metálicos.
O vento ainda provocado pelas hélices bagunçava seus cabelos, mas ele não tinha tempo para ajustes ou distrações. Ao chegar à entrada do hospital, as portas automáticas deslizaram para abrir, e o ar fresco e esterilizado do ambiente o envolveu imediatamente.
Passando rapidamente pelo saguão, ele encontrou a placa indicando a direção da sala de doação de órgãos. Seus olhos focados varreram os corredores até que avistou a recepcionista atrás de uma bancada.
— Jung HoSeok, médico do Hospital Kanbuk, Seul. Estou aqui para buscar o coração para transplante. — Ele disse, sem rodeios, com um tom firme e direto.
A recepcionista mal precisou confirmar, pois parecia já estar avisada de sua chegada. Ela gesticulou para uma enfermeira que aguardava de pé mais ao fundo.
— Doutor HoSeok? Venha comigo, por favor. — Disse a enfermeira, com um semblante calmo, mas igualmente urgente.
Sem perder tempo, HoSeok a seguiu pelo corredor. Seu coração estava em compasso com o ritmo acelerado de seus passos. Logo chegaram a uma sala especial, estéril e bem iluminada, onde uma caixa térmica azul repousava sobre uma bancada de aço inoxidável.
— Aqui está. O coração foi cuidadosamente preparado e está em condições perfeitas para o transporte. Os documentos já estão anexados à caixa.
A enfermeira abriu um pequeno compartimento na lateral da caixa, mostrando os papeis cuidadosamente organizados antes de fechá-lo novamente.
— Muito obrigado pelo trabalho de vocês. — HoSeok disse, segurando a caixa com ambas as mãos, sentindo o peso simbólico do conteúdo que carregava.
Ele inclinou levemente a cabeça em agradecimento antes de sair apressado, protegendo a caixa como se sua própria vida dependesse dela. Pelo caminho de volta ao heliporto, ele manteve o foco absoluto. Seus olhos analisavam cada detalhe ao seu redor, garantindo que não houvesse tropeços ou distrações.
Ao chegar ao helicóptero, o piloto o aguardava com as portas abertas.
— Está tudo certo, doutor? — Perguntou o piloto, ajustando o fone de comunicação.
— Sim. Vamos decolar imediatamente. — Respondeu HoSeok, já se acomodando e prendendo o cinto, enquanto segurava a caixa térmica firmemente sobre o colo.
O helicóptero levantou voo novamente, desta vez deixando para trás o hospital de Jeju e rumando em alta velocidade para Seul. HoSeok olhava fixamente para a caixa térmica, com um misto de concentração e ansiedade. Sabia que cada segundo daquele transporte era vital, e uma vida em Seul dependia de sua precisão e rapidez.
**
Min YoonGi abriu os olhos lentamente, sentindo um leve incômodo nas pálpebras pesadas. Inspirou profundamente, enchendo os pulmões com o ar fresco e levemente perfumado do quarto, enquanto seus olhos vagavam pelo ambiente. As paredes claras e a mobília refinada deixavam claro que ele estava em uma suíte de hospital, mas não qualquer uma — o luxo gritava que era uma das suítes VIP.
Ao lado, JiMin cochilava no sofá, a cabeça pendendo para o lado em uma posição desconfortável. Quando YoonGi tentou se mover, o som suave do lençol despertou JiMin, que levantou a cabeça rapidamente, os olhos arregalados de surpresa e preocupação.
— Você está acordado! — JiMin disse, levantando-se apressadamente e indo até YoonGi. Sem perder tempo, ele começou a checar seus sinais vitais com habilidade e precisão, as mãos delicadas mas firmes. — Como está se sentindo?
YoonGi piscou algumas vezes, tentando organizar os pensamentos.
— Onde estou?
JiMin deu um pequeno sorriso tranquilizador.
— Você está em uma das suítes VIP do hospital. É um dos melhores quartos, há apenas quatro deles nesse corredor.
Antes que pudesse responder, YoonGi arregalou os olhos de repente, como se algo tivesse lhe ocorrido. Ele tentou se levantar, mas JiMin colocou uma mão firme sobre seu ombro, impedindo-o.
— Não se mova tão rápido. Seu corpo ainda está se recuperando, você precisa descansar.
— Quero ver meus pais — YoonGi insistiu, com a voz rouca e urgente.
JiMin hesitou por um momento antes de responder, escolhendo cuidadosamente as palavras.
— Sua mãe está bem. Ela já foi atendida e está descansando. Mas seu pai... — Ele respirou fundo. — Seu pai ainda está na sala de cirurgia.
YoonGi ficou em silêncio por um momento, o olhar se perdendo no teto do quarto. A preocupação era visível em seus olhos.
— Por quê? O que aconteceu com ele?
— Ainda não tenho informações completas — JiMin respondeu, ajustando o cobertor sobre YoonGi. — Mas vou saber do caso e volto para te atualizar imediatamente.
— Obrigado, JiMin — YoonGi disse, baixinho, a sinceridade evidente na voz.
— Não precisa me agradecer. Apenas estou fazendo o meu trabalho.
YoonGi soltou uma risada seca, o som um pouco amargo.
— Nem todo médico seria tão empático. Nem eu seria, para ser honesto.
JiMin parou por um momento, observando YoonGi com atenção.
— Não é verdade. Tenho certeza de que você é uma pessoa melhor do que aparenta.
YoonGi desviou o olhar, balançando a cabeça em descrença.
— Você está errado.
JiMin riu suavemente, balançando a cabeça.
— Não erro quando se trata do caráter das pessoas.
YoonGi suspirou, a voz carregando um misto de arrependimento e confissão.
— Se eu não fosse tão horrível, talvez a gente tivesse sido amigos na universidade.
JiMin sorriu gentilmente, os olhos brilhando com compaixão.
— Ainda temos tempo. — E com isso, ele saiu do quarto, fechando a porta suavemente atrás de si.
De volta ao silêncio, YoonGi fechou os olhos novamente. A sedação ainda fazia efeito, e ele aproveitou para afundar no sono. Mesmo com o corpo exausto, as palavras de JiMin ecoavam em sua mente, trazendo uma sensação estranhamente reconfortante.
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HoSeok entrou apressado no hospital, os passos ecoando pelos corredores enquanto ele segurava firmemente uma caixa térmica em suas mãos. Estava ofegante quando alcançou a porta da sala de cirurgia e a empurrou com força, atraindo os olhares da equipe médica. Ele entregou a caixa a uma das enfermeiras e olhou diretamente para InSu e JungKook.
— Aqui está o coração. Está em perfeito estado, consegui chegar o mais rápido que pude. Espero que dê certo. — Disse HoSeok, com a voz trêmula de cansaço e nervosismo.
InSu assentiu, a expressão séria.
— Excelente trabalho, HoSeok. Pode assistir a cirurgia se quiser.
HoSeok deu um passo para trás, retirou o jaleco de rua e vestiu os trajes esterilizados para acompanhar a cirurgia como observador. Ele se posicionou em um canto da sala, tentando controlar a respiração enquanto os médicos se preparavam.
InSu, a cirurgiã principal, e JungKook como auxiliar, começaram com a preparação do paciente. O Sr. Min estava sedado, entubado e conectado aos monitores que exibiam sinais vitais regulares. Dra.InSu fez uma incisão mediana no tórax do paciente, utilizando um bisturi afiado. Ela cortou camada por camada até alcançar o esterno, que foi dividido com uma serra oscilante.
JungKook estava atento, aspirando o sangue e garantindo que o campo operatório permanecesse limpo. A enfermeira entregou afastadores para expor completamente o coração do paciente.
InSu avaliou cuidadosamente o coração do Sr. Min, cujas funções estavam severamente comprometidas. Ela começou a desconectar as artérias e veias principais, enquanto JungKook auxiliou na sutura temporária para evitar perda de sangue. O coração foi removido com precisão, e o paciente foi colocado na circulação extracorpórea, com a máquina de bypass cardíaco mantendo o fluxo de sangue e oxigênio para o corpo.
Uma das enfermeiras abriu a caixa térmica entregue por HoSeok, expondo o coração doador preservado em uma solução especial. InSu inspecionou o órgão e fez uma limpeza final antes de posicioná-lo no lugar.
Enquanto a cirurgia avançava, HoSeok olhava fixamente para o trabalho dos cirurgiões, com as mãos cerradas em nervosismo. De repente, um movimento do lado de fora chamou sua atenção. JiMin estava no corredor, batendo no vidro.
Quando HoSeok se virou, JiMin mostrou o celular, onde havia digitado uma mensagem: "Está tudo bem?"
HoSeok hesitou antes de assentir com a cabeça, tentando parecer calmo. JiMin continuou escrevendo, e a nova mensagem apareceu: "YoonGi acordou e está bem. Vou voltar para te dar notícias depois."
HoSeok soltou um suspiro de alívio e fez um leve aceno de cabeça. JiMin lançou um olhar reconfortante através do vidro e, antes de sair, lançou um último olhar para a sala de cirurgia. Seus olhos pousaram brevemente em InSu e JungKook, que estavam totalmente concentrados no procedimento. Com um leve sorriso de incentivo para HoSeok, JiMin virou-se e caminhou de volta para a ala VIP onde YoonGi estava.
HoSeok respirou fundo, tentando acalmar seus pensamentos e voltou sua atenção para o que acontecia na sala de cirurgia.
InSu, com extrema precisão, posicionou o coração doador na cavidade torácica do Sr. Min.
— Vamos começar com as conexões vasculares.
JungKook assentiu, segurando o foco cirúrgico enquanto InSau começava a suturar a veia cava inferior ao coração doador. Eles trabalhavam meticulosamente para conectar cada veia e artéria, enquanto uma enfermeira monitorava os níveis de pressão sanguínea no bypass.
Após conectar a aorta, InSu deu um passo atrás, verificando cada sutura e certificando-se de que não havia vazamentos.
— Hora da reativação. Vamos tirar o bypass e ver como ele responde. — Anunciou ela.
Lentamente, a máquina de bypass foi desligada, e o sangue começou a fluir novamente através do novo coração. O monitor cardíaco mostrou inicialmente uma linha plana, fazendo HoSeok prender a respiração. InSu pegou os eletrodos e aplicou uma leve carga elétrica ao coração.
Beep... beep... beep.
O coração começou a bater, lento no início, mas gradualmente alcançando um ritmo estável. InSu observava atentamente os monitores.
— O ritmo está bom. Pressão arterial estável. Ótimo trabalho Dra.Kim. — Diz JungKook.
Com o coração funcionando adequadamente, JungKook assume começando a fechar o tórax do Sr. Min. Ele removeu os afastadores e suturou camada por camada até selar completamente a incisão.
— Excelente trabalho, pessoal. — Disse InSu, dirigindo-se à equipe.
HoSeok soltou o ar que nem percebeu que estava prendendo e olhou novamente para o vidro, agora vazio. JiMin não estava mais lá, mas suas palavras ainda ecoavam em sua mente: "YoonGi está bem."
**
HoSeok enviou uma mensagem rápida para JiMin:
"O transplante foi um sucesso. O Sr. Min está estável e sob monitoramento. Vou manter você atualizado."
JiMin suspirou aliviado ao ler a mensagem. Ele estava na ala VIP ao lado de YoonGi, que repousava em uma cama, ainda pálido, mas consciente. JiMin guardou o celular no bolso e se aproximou de YoonGi com um sorriso reconfortante.
— Tenho boas notícias. O transplante foi um sucesso. O Sr. Min está estável.
YoonGi soltou um leve suspiro de alívio, os olhos ainda pesados, mas carregados de gratidão.
— Isso é ótimo. Ele teve sorte de estar nas mãos de vocês. Obrigado, JiMin. Mais uma vez.
Antes que JiMin pudesse responder, houve uma batida na porta. TaeHyung entrou no quarto, carregando uma expressão de preocupação.
— Como você está? — TaeHyung perguntou, aproximando-se da cama.
YoonGi ajustou a posição na cama, forçando um sorriso.
— Melhorando, devagar. Nada que eu não possa superar.
TaeHyung hesitou, olhando para YoonGi com culpa.
— Sinto muito pelo acidente.
YoonGi estreitou os olhos levemente antes de falar, a voz carregando uma nota de firmeza:
— TaeHyung, não diga isso se não foi você o causador do acidente.
TaeHyung pareceu desconcertado, mas YoonGi logo mudou o tom, quebrando o momento tenso.
— E você? Está bem?
TaeHyung deu um pequeno sorriso e assentiu.
— Estou, mas você deveria se preocupar com você mesmo.
— Bem, se você está bem, então vá para casa descansar. Você e o JiMin.
JiMin cruzou os braços, dando a YoonGi um olhar firme.
— Eu vou ficar aqui. Vou descansar no quarto dos residentes. TaeHyung é quem deveria ir para casa.
TaeHyung suspirou, percebendo que JiMin não mudaria de ideia.
— Está bem. Estou mesmo cansado. Vou para casa, mas volto amanhã cedo.
Ele deu um sorriso cansado para YoonGi e JiMin, inclinou-se levemente em despedida e saiu do quarto. JiMin olhou para YoonGi uma última vez antes de falar:
— Você precisa descansar. E eu também. Amanhã será outro dia cheio.
YoonGi assentiu, observando JiMin sair em silêncio. A porta fechou-se com um leve clique, deixando YoonGi sozinho no quarto, perdido em pensamentos enquanto o cansaço finalmente o vencia.
**
JiMin abriu a porta da sala de descanso com cuidado, tentando fazer o mínimo de ruído possível. O ambiente era simples, com duas beliches encostadas na parede e uma luz suave iluminando o espaço. Ao entrar, ele percebeu que JungKook estava deitado em um dos beliches, os olhos fechados, aparentemente descansando.
JiMin hesitou por um momento, mas decidiu entrar e se dirigiu ao outro beliche, tentando não fazer barulho. Ele já estava ajeitando os lençóis quando ouviu a voz grave e um pouco rouca de JungKook.
— Não precisa ser tão cuidadoso, JiMin. Estou acordado.
JiMin se virou rapidamente, um pouco surpreso, mas logo murmurou:
— Desculpe, eu não queria incomodá-lo.
JungKook abriu os olhos e o encarou por alguns segundos antes de esboçar um pequeno sorriso.
— Você trabalhou muito bem hoje. Foi um verdadeiro médico.
As palavras fizeram JiMin parar por um instante, seus olhos se fixando em JungKook com uma mistura de surpresa e timidez.
— Obrigado, Dr.Jeon. — Ele sorriu, envergonhado, desviando o olhar.
— Estou orgulhoso de você. — JungKook continuou, a voz carregada de sinceridade. — Não é fácil lidar com tanta pressão em casos como esses, mas você se saiu excepcionalmente bem.
JiMin sentiu as bochechas esquentarem, o elogio o pegando de surpresa. Ele se acomodou no beliche, tentando esconder o sorriso tímido que surgia em seus lábios.
— Obrigado mesmo. Isso significa muito para mim.
JungKook ajeitou-se na cama, apoiando a cabeça no braço.
— Agora descanse. Amanhã será outro dia cheio. Ah, e Sun terá alta. Quero que você seja o responsável por informar isso e liberar a alta. Vai ser o seu primeiro paciente a receber alta.
Os olhos de JiMin brilharam com a notícia. Ele endireitou a postura, sentindo uma onda de felicidade.
— Sério? Isso é incrível! Um dos motivos de eu ter escolhido ser médico era justamente poder acompanhar todo o processo e ver um paciente ir para casa saudável.
JungKook sorriu diante da animação de JiMin.
— Então faça isso com orgulho. Mas, por agora, durma. Você vai precisar de energia.
JiMin assentiu, deitando-se e ajeitando o travesseiro.
— Boa noite, Dr.Jeon.
— Apenas JungKook. Boa noite, JiMin. — Se vira.
JiMin sorriu o encarando até sentir seu rosto esquentar.
O silêncio tomou conta da sala novamente, e, pouco a pouco, JiMin fechou os olhos, sentindo-se mais motivado do que nunca.
**
Logo cedo, JungKook entrou no quarto em passos firmes, carregando seu tablet. Ele encontrou Padre Lee deitado na cama, conversando animadamente com Padre Yoon, que estava sentado ao lado. Ao vê-lo, ambos os padres sorriram calorosamente.
— Fazia muito tempo que não o via, JungKook. — Disse Padre Lee, com o tom acolhedor de sempre. — Mas já soube que foi visitar as crianças.
JungKook inclinou a cabeça em um leve cumprimento, um sorriso discreto nos lábios.
— Sentia falta delas. Como o senhor está se sentindo, Padre Lee?
Ele se aproximou, verificando o monitor ao lado da cama para se certificar de que tudo estava em ordem. Padre Lee sorriu.
— Melhor do que deveria, eu acho.
Padre Yoon riu e perguntou:
— É normal alguém que passou por uma cirurgia no cérebro falar tanto assim?
JungKook ergueu uma sobrancelha, divertindo-se.
— No caso do Padre Lee, sim. Ele sempre falou demais.
Os três riram juntos, o ambiente leve apesar das circunstâncias.
Padre Lee ajeitou-se na cama, olhando para JungKook com olhos cheios de orgulho.
— É incrível ver no que você se tornou, JungKook. Nunca tive dúvidas de que você faria algo grandioso.
Padre Yoon assentiu, um sorriso nostálgico no rosto.
— Lembro de quando você pedia livros de presente de aniversário para estudar.
JungKook deu uma risada curta, balançando a cabeça.
— Me arrependo de não ter pedido brinquedos como qualquer outra criança. Mas acho que já estava pensando no futuro, mesmo sendo tão jovem.
Padre Lee deu um leve tapa no ombro dele.
— Fez bem em pensar no futuro. Olhe onde você está agora.
Padre Yoon riu.
— Algumas das crianças disseram que querem ser como você quando crescerem.
JungKook sorriu, um brilho de humildade nos olhos.
— Diga a elas que serão melhores do que eu.
Padre Yoon colocou uma mão no coração, agradecido.
— E obrigado pelas doações generosas. Elas fazem uma diferença enorme para o orfanato.
Padre Lee acrescentou, com emoção na voz:
— Graças a você, JungKook, essas crianças terão a chance de tornar seus sonhos realidade quando chegar a hora de sair do orfanato.
JungKook desviou o olhar por um momento, sua expressão suavizando.
— Eu só quero garantir que elas tenham tudo que eu não tive quando cheguei à maioridade e vim para Seul.
O silêncio que se seguiu foi carregado de respeito. JungKook olhou uma última vez para o monitor antes de se despedir.
— Vou deixá descansar. Até.
Padre Lee e Padre Yoon assentiram, observando JungKook sair da sala com a mesma determinação de sempre.
**
JiMin bateu levemente na porta antes de entrar no quarto de Sun. Ele encontrou o jovem deitado na cama, conversando animadamente com sua irmã, NaRi, que estava ao seu lado, segurando um livro.
— Bom dia! — JiMin saudou com um sorriso. — Vim fazer uma checagem rápida.
Sun assentiu, ajeitando-se na cama, enquanto JiMin colocava seu estetoscópio. Ele verificou os sinais vitais de Sun, examinou a área onde fora feita a cirurgia e fez perguntas rápidas sobre como ele estava se sentindo.
— Está tudo perfeito — JiMin disse, anotando os resultados no tablet. — Agora, tenho um anúncio importante para fazer.
NaRi imediatamente ficou alerta, franzindo a testa em preocupação.
— Tem algo errado?
JiMin riu suavemente, balançando a cabeça.
— Pelo contrário. — Ele olhou para Sun com um sorriso gentil. — Sinto que você não gostou muito de sua estadia aqui. Então, estou oficialmente liberando você do status de paciente.
Sun piscou algumas vezes antes de entender o que JiMin quis dizer. Em seguida, um sorriso enorme se espalhou por seu rosto, e ele abraçou sua irmã. NaRi comemorou junto, segurando-o com firmeza.
— Finalmente! — Sun exclamou, rindo.
NaRi virou-se para JiMin, com os olhos brilhando de gratidão.
— Obrigada, Dr. Park. Por tudo.
Sun assentiu, a emoção clara em sua voz.
— Eu nunca vou esquecer a pessoa que salvou minha vida.
JiMin, um pouco envergonhado, ergueu as mãos em um gesto humilde.
— Só fiz o meu trabalho. E fiz bem graças ao Dr. Jeon, que é um excelente médico e professor.
Ele deu um leve sorriso para Sun.
— Agora, eu espero que você volte a estudar.
Sun acenou energicamente.
— Mal posso esperar para retomar meus estudos e estagiar.
NaRi riu e deu um tapinha no ombro do irmão.
— Ainda falta um longo caminho até lá.
Sun olhou para JiMin com determinação.
— Mas quando chegar o momento, gostaria que você fosse meu supervisor, Dr. Park.
JiMin riu suavemente, balançando a cabeça.
— Não tenha pressa, Sun. Além disso, não sei se um dia gostaria de lecionar.
NaRi olhou para JiMin com um sorriso caloroso.
— Tenho certeza de que você seria um ótimo professor.
JiMin corou levemente, mas sorriu.
— Obrigado, NaRi. Vou considerar isso como um elogio.
Ele pegou sua prancheta, dando um último olhar satisfeito para Sun e NaRi.
— Agora, aproveitem essa nova etapa. E, Sun, não se esqueça de fazer seus exames regulares, está bem?
Sun assentiu rapidamente.
— Pode deixar!
JiMin deu um leve aceno e saiu do quarto, sentindo uma profunda satisfação pelo dia começar com uma vitória.
**
JiMin caminhava pelos corredores do hospital com passos determinados. Após ser informado de que YoonGi estava na sala de fisioterapia, ele decidiu fazer uma visita para verificar como ele estava progredindo.
Ao chegar, ele avistou YoonGi trabalhando com Dr. Hyun, seguindo atentamente as instruções enquanto realizava exercícios específicos. YoonGi franzia levemente a testa, indicando algum desconforto, mas não reclamava diretamente.
— Mais um, Sr. Min — Hyun incentivou, observando a execução dos movimentos. — Esses exercícios vão ajudar a acelerar sua recuperação.
YoonGi respirou fundo, mas logo reclamou:
— Sinto uma dor moderada no tórax.
Hyun se aproximou, demonstrando calma.
— Vamos trabalhar nisso. Exercícios respiratórios podem ajudar a aliviar a dor e melhorar a reexpansão pulmonar. — Ele começou a guiá-lo em movimentos lentos e controlados de respiração.
JiMin ficou em silêncio, observando a interação por alguns momentos antes de ser notado por Hyun.
— Olha quem veio nos visitar! — Disse Hyun, com um sorriso enquanto chamava JiMin.
YoonGi levantou a cabeça, visivelmente satisfeito ao vê-lo.
— Parece que até os supervisores têm um tempo livre hoje.
JiMin sorriu, aproximando-se.
— Ouvi que você está se saindo bem, então decidi conferir pessoalmente.
Hyun riu e assentiu.
— Ele é um paciente aplicado. Tenho certeza de que logo estará de volta ao trabalho.
YoonGi suspirou.
— Espero que sim. Quero visitar meus pais depois dessa sessão.
JiMin assentiu.
— Depois que terminarmos aqui, eu mesmo te levo até os quartos.
YoonGi agradeceu com um sorriso discreto antes de mudar de assunto.
— Enquanto isso, pode me fazer um favor? Traga alguns relatórios para eu revisar. Não quero ficar parado por muito tempo.
JiMin riu suavemente, sacudindo a cabeça.
— Até em recuperação você quer trabalhar.
— É melhor do que ficar deitado sem fazer nada — YoonGi respondeu com um sorriso ligeiramente desafiador.
JiMin cruzou os braços.
— A prova de final de semestre já está me tirando o sono. E você quer adicionar mais trabalho a isso?
Hyun, que observava a troca com diversão, interveio:
— Tenho certeza de que vocês vão se sair bem. Só ouço elogios pelos corredores.
JiMin arqueou uma sobrancelha, fingindo ceticismo.
— Parece que você anda escutando demais pelos corredores, Dr. Hyun.
Hyun riu.
— Essa é a vantagem de não ser médico. Não preciso lidar com tantas emergências, então sobra mais tempo para ouvir histórias.
YoonGi sorriu, relaxando um pouco mais.
— Às vezes, invejo isso.
JiMin deu um leve tapa no ombro de YoonGi.
— Vamos focar na recuperação por enquanto. Os relatórios podem esperar um pouco.
YoonGi revirou os olhos, mas concordou. Hyun retomou os exercícios, enquanto JiMin observava, satisfeito com o progresso do amigo.
**
TaeHyung estava parado diante da incubadora de um dos bebês na UTI pediátrica. Seu olhar atento percorria cada monitor, cada número piscando, como se ele estivesse procurando por algo que pudesse ter passado despercebido. Ele ajustou levemente a posição do cobertor dentro da incubadora antes de seguir para a próxima.
BaekHyun entrou silenciosamente na sala, observando TaeHyung repetir o mesmo processo meticuloso com cada um dos bebês. Após alguns minutos, ele se aproximou.
— TaeHyung, você já checou os parâmetros quantas vezes? — Perguntou BaekHyun com um tom gentil.
TaeHyung não desviou o olhar do monitor enquanto respondia:
— Algumas vezes. Só quero me certificar de que está tudo perfeito.
BaekHyun suspirou e colocou uma mão no ombro de TaeHyung.
— Você não precisa verificar tantas vezes o mesmo paciente.
Finalmente, TaeHyung olhou para ele, os olhos demonstrando cansaço e algo mais profundo: culpa.
— Preciso me certificar de que nada dará errado com nenhum dos meus pacientes.
BaekHyun hesitou, mas perguntou diretamente:
— Você já foi ver JiHoon hoje?
TaeHyung congelou, desviando o olhar novamente. O silêncio tomou conta do ambiente antes de ele responder baixinho:
— Pode fazer isso por mim?
BaekHyun estreitou os olhos, cruzando os braços.
— TaeHyung, você é um residente. É sua responsabilidade ver todos os bebês da ala, incluindo JiHoon.
TaeHyung balançou a cabeça, parecendo lutar contra as próprias emoções.
— Não consigo, BaekHyun. Não consigo encarar a mãe dele depois do que aconteceu.
— Não foi culpa sua — BaekHyun afirmou com firmeza, mas TaeHyung não parecia convencido.
— Sinto que foi. — A voz dele quebrou levemente.
BaekHyun não disse mais nada. Ele se aproximou e puxou TaeHyung para um abraço apertado, dando-lhe tempo para processar. TaeHyung relaxou momentaneamente, mas logo sussurrou:
— O que deu errado, Baek?
BaekHyun suspirou, ainda segurando o amigo.
— Bebês são incrivelmente frágeis, Tae. Cirurgias complicadas nem sempre saem como planejado. Isso é algo que precisamos aceitar, mesmo que seja difícil.
TaeHyung assentiu lentamente, mas não parecia convencido. Ele se afastou e limpou o rosto, respirando fundo.
— Pelo menos JiHoon está bem.
— Estão, e isso é graças a você e ao trabalho incrível que faz aqui — BaekHyun disse com sinceridade. — Mas você precisa parar de pensar no que aconteceu. Não faz bem para você, nem para os outros bebês que ainda precisam de você.
BaekHyun pensou por um momento antes de acrescentar:
— Vou falar com ChanYeol para te dar uma folga. Você precisa de um tempo para respirar.
TaeHyung balançou a cabeça rapidamente.
— Não preciso de folga, Baek. Estou bem. Só... gostaria de ficar no atendimento com o Dr.Park por um tempo. Longe das cirurgias.
BaekHyun olhou para ele com preocupação, mas finalmente cedeu.
— Vou falar com ele. Mas, Tae, lembre-se: você não está sozinho nisso.
TaeHyung deu um pequeno sorriso, murmurando um “obrigado” antes de voltar sua atenção para os monitores mais uma vez. BaekHyun o observou por um momento antes de sair da sala, determinado a ajudar o amigo a superar aquilo.
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